Encontrei este envelope em um livro. Não havia nada dentro dele, mas sabemos que ele foi portador de uma carta para alguém que morava em Natal, que seu remetente morava na cidade de Nice, França e que foi postado em 30 de setembro de 1972. Isso atesta que já se passaram 53 anos. Fiquei pensando que essas informações poderiam me render um conto. Foi o suficiente para que a ideia começasse a dar seus saltos em minha mente, como bem escreveu Machado de Assis: "Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu tinha no
cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a
fazer as mais arrojadas cabriolas de volantim, que é possível
crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande
salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de
um X: decifra-me ou devoro-te."
Não permite ser devorado e dei corpo a ideia, trouxe personagens, história, sentimentos, o resultado é que na manhã de hoje eu escrevi "A Carta de Nice".
Francisco Martins
Memórias Póstumas de Braz Cubas, Capítulo 2, O Emplasto.


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