sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

CHICO MORREU ELETROCUTADO

Chico vivia há cinco anos na Rua Mipibu, ele e seus irmãos. Todos os dias eu o via andando orgulhosamente naqueles fios elétricos. Eu sempre avisava: "cuidado com os fios, não confie nem vacile".

Chico nem ligava para o que eu falava. Interesse mesmo só tinha pelas frutas que eu colocava no seu caminho. Banana, maçã, jambo, manga...

Ah! Chico, como foi triste saber que sua vida terminou. Logo você amigo que nunca fez maldade nenhuma! Que jamais sacaneou conosco. Seu grande defeito eu sempre dizia que era o rabo, mas você apenas ria. Não acreditava. E hoje eu sei que tenho razão. Foi o rabo que casou a sua morte. Dona Fuxiqueira me disse que viu seus últimos suspiros. Você corria pelo fio elétrico com o rabo levantado, quando numa fração de segundo houve o toque no fio superior. Um pequeno deslize que acabou com você, amigo Chico.
A vida é assim mesmo. Agora, como será a Rua Mipibu sem você Chico? Diga-me a quem contarei as besteiras da galega loira? Que vai ouvir meus relatos macedianos?
Vá em paz Chico.
Sim! Fiquei sabendo também hoje que você não era Chico, mas
Chica.
Danada!  Esses anos todos você conseguiu me enganar com seu olhar de Diadorim.

VISITA AO MERCADO SÃO JOSÉ - RECIFE -PE

Na manhã de ontem, 18 de janeiro, estive conhecendo o Mercado São José, em Recife-PE,  confesso que fiquei  um pouco decepcionado. O mercado é grande, com muitas lojas de artigos artesanais e outros gêneros, mas eu esperava encontrar por lá muitos folhetos de cordel. É bem verdade que  há algumas lojas que vendem cordéis, entretanto, eu pensava que ia conhecer novos autores, e os que me foram apresentados, infelizmente não me atraíram. Pouquíssimos clássicos.  No meio de tudo isso consegui comprar alguns, mas queria  ter adquirido uma boa quantidade. Pasmem! Comprei apenas quatro folhetos no Mercado São José. Quem sabe se na próxima vez Mané Beradeiro não descobre um lugar  melhor para comprar cordel!


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

GRATIDÃO



Certa noite, ao retornarmos para casa após um jantar na casa de amigos, fomos abordados por um grupo de jovens, no momento em que paramos em um semáforo.
Armados e violentos, nos aterrorizaram.
- Não se mexam! É um assalto!
O medo nos deixou paralisados.
De repente, o que parecia ser o chefe do grupo, com uma das mãos, fez um sinal e todos pararam com a ação e se afastaram.
Aproximou-se do veículo, olhou-nos um a um, fixou os olhos em mim e falou:


Não tenha medo, seu moço,
Não vou mexer com o "sinhô".
É que já faz tanto tempo,
Por isso ocê não "lembrô".
Sou um daqueles "minino"
Que vivia lhe "pidino"
Uns "trocadim", por "favô".

O "sinhô" já s'isqueceu,
Mas ainda eu "tô" lembrado
Do seu jeito, seu sorriso
Quando me dava "os trocado".
Lembro até quando dizia:
Cuidado com "as companhia",
Não escolha o lado errado.

Como o "sinhô" está vendo,
Não me foi dado "escolhê".
Tivesse encontrado outras
Pessoas que nem você,
Aquele pobre "minino"
Teria outro destino,
Não esse que você "vê".

O seu mundo é diferente
Deste onde fui jogado.
Aqui me "formei" em vida,
Consegui ser respeitado.
Com feras eu fui crescendo,
Com elas fui aprendendo,
Em fera fui transformado.

E esta transformação
Logo, logo aconteceu.
Aquele "minino" puro
De olhar doce, morreu.
E uma fera em seu lugar,
Como era de esperar,
No mesmo corpo nasceu.

E a fera nasceu forte
E foi crescendo acuada.
Mas não foi por muito tempo
Que mantiveram enjaulada
(Embora em jaula vivera),
A fera que não nascera
Pra viver encarcerada.

Com o tempo me tornei
Um bandido respeitado.
Mas confesso pro "sinhô"
Que já me sinto cansado.
Cansado de me esconder,
Cansado desse sofrer,
Cansado de ser caçado.

Desculpe estragar seu dia,
Não tive essa intenção.
Vá com DEUS, fale com ELE,
Peça por mim em oração.
Quem sabe siocê falar
ELE vai lhe escutar
E me dá libertação?

FIM



 Autor: Marcelo José Gomes Costa

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO "QUARTETO FANTÁSTICO"

Em 2018 a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte têm  quatro nomes  para serem lembrados. O quarteto  comemora cem anos de nascimento, são eles:

1) Raimundo Nonato Fernandes - 26 de janeiro 1918
Raimundo Nonato

2) Sylvio Piza Pedroza - 12 de março 1918


Sylvio Pedroza

3) Dom Nivaldo Monte - 15 de março 1918
Dom Nivaldo Monte

4) Tarcísio Medeiros - 8 de setembro 1918
Tarcísio Medeiros


Raimundo Nonato Fernandes foi célebre na área jurídica, Sylvio Piza Pedroza na política, Dom Nivaldo Monte na religião católica e Tarcísio Medeiros como Professor e Historiador.



FAROL DE MÃE LUIZA - 66 ANOS AUXILIANDO A NAVEGAÇÃO MARÍTIMA


O farol Natal é conhecido entre os natalenses como "Farol de Mãe Luiza". Foi construído em decorrência do plano de trabalho da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha e aprovado pelo Contra Almirante Antonio Alves Câmara.

O farol foi posicionado na Ponta do Pinto, próximo à Praia de Areia Preta, em local ermo conhecido como Mãe Luiza, assim chamado, porque lá vivia uma mulher por nome de Luiza que era parteira naquelas dunas atendendo a todos com carinho e dedicação de mãe.

A construção do Farol teve início em 5 de março de 1949. Consiste de uma torre troncônica de alvenaria branca com 37 metros de altura, estando a 87 metros do nível do mar com um alcance de 39 milhas náuticas (72,3km). A conclusão da obra se deu em 14 de março de 1951. A inauguração do farol ocorreu em 15 de agosto de 1951 e foi aceso ao crepúsculo vespertino daquele mesmo dia.

É o principal auxílio aos navegantes que queiram demandar do Porto de Natal. Devido  a sua posição privilegiada possibilita uma segura aproximação à barra.  É identificado por um grupo de cinco lampejos brancos, com intervalos de 25 segundos.


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

CONCURSO DE CORDEL: PARTICIPE! MOSTRE SEU TALENTO DE POETA ARRETADO

2º CONCURSO DE CORDEL
PRÊMIO NORDESTINA EDITORA
Rua Rosalvo Boaventura, 24
Vila Brasil
Barreiras-Bahia
Cep: 47801-096


Conto:
(77) 99905-0818 WhatsApp
REGULAMENTO
I – OBJETIVOS
A NORDESTINA EDITORA, em compromisso com a difusão do cordel contemporâneo, busca mais uma parceria com os cordelistas e lança seu segundo concurso nacional,
com o objetivo de estimular a leitura e a produção do gênero no Brasil, buscando contribuir para a valorização dessa importante expressão da cultura popular.
II – CATEGORIA Folheto (8 páginas)
Nesta edição, com o objetivo de fomentar o incremento e o fortalecimento do cordel, o concurso destina-se a todos cordelistas contemporâneos residentes no Brasil.
III – TEMA
O tema é livre.
Qualquer candidato poderá participar, independentemente da idade ou escolaridade.
IV – TEXTO
Com relação ao cordel, o participante precisa levar em consideração que os trabalhos enviados devem ser inéditos e não publicados em qualquer meio, incluindo o digital.
O cordel inscrito deverá conter no mínimo 30 estrofes e no máximo 39, que devem ser escritas em sextilhas (seis versos) ou setilhas (sete versos); em caso de décimas( 10 versos), deverá conter no mínimo 12 e no máximo 23 estrofes, seguindo padrões estéticos, como conteúdo, rima e métrica. Cada verso deve conter sete sílabas poéticas.
O título e o texto devem ser digitados no padrão Word., times ou arial, fonte 12.
V – INSCRIÇÕES E ENVIO DO TEXTO
A inscrição custa R$ 30,00 (Trinta Reais) e deverá ser paga para ser validada:
Serão abertas dia 24/11/2017 e encerradas em: 10/02/2018.
Os participantes devem enviar um único cordel. Para se inscrever, o participante deverá preencher corretamente a ficha de inscrição.
A FICHA será enviada via E-mail mediante o depósito ou transferência para a conta:
Agência: 0783
Operação: 013
Conta Poupança: 84005-0
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Favorecido: José Pereira dos Anjos
Em nenhuma hipótese, será aceito material de inscrição cuja data de envio e pagamento posterior à data limite para inscrição. Serão desclassificados os trabalhos que tenham autoria duvidosa ou plágio.
VI – SELEÇÃO E CLASSIFICAÇÃO
Os cordéis serão analisados por uma comissão formada por cinco jurados, que serão responsáveis pela seleção e classificação dos trabalhos em ordem decrescente de pontos.
Serão selecionados os dois trabalhos que obtiverem as melhores notas. A decisão da comissão é soberana e irrecorrível.
VII – RESULTADOS
O resultado final será divulgado no blog da editora no dia 04 de março 2018
VIII – PREMIAÇÃO
Serão premiados os dois melhores cordéis.
O primeiro lugar receberá 1 mil exemplares impressos no formato 11X15, capa couchê em uma cor, miolo papel branco impressão uma cor.
O segundo lugar receberá 250 (duzentos e cinquenta) exemplares com a mesma qualidade de impressão.
Observação: Capa em Xilogravura.
A premiação acontecerá no dia 04 de março2018 , em comemoração ao dia do falecimento de Leandro Gomes de Barros. O material será enviado via correios sem custos adicionais.
*Os outros autores receberão o certificado de participação.
IX – DISPOSIÇÕES GERAIS
Os vencedores do Concurso cedem os direitos autorais da obra inscrita automaticamente à NORDESTINA EDITORA , assim como autorizam a divulgação de textos, suas imagens e dados biográficos na página do Blog da Editora.
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS AO AUTOR.
MAIS INFORMAÇÕES:
nordestinaeditora@gmail.com

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

NO PRELO O CORDEL "TRISTÃO BARROS - A ÁGUIA DO SERIDÓ"

Quem foi Tristão Barros? A resposta para essa pergunta o leitor encontrará quando ler o cordel "Tristão Barros - águia do Seridó", da autoria de Mané Beradeiro. O folheto está no prelo e no dia 19 será entregue ao autor. Dia 20, em Santa-Cruz-RN, por ocasião da Assembleia Extraordinária da Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel-ANLIC, quando serão empossados três novos membros (Gilberto Cardoso da Silva, Hélio Crisanto e Nando Poeta) e a  nova diretoria, o poeta Mané Beradeiro estará fazendo o lançamento. Dia 21 de janeiro é a data do natalício de Tristão Barros.  A capa traz a cor azul, para lembrar a mesma cor que predomina na bandeira de Currais Novos-RN, cidade na qual o biografado viveu e trabalhou.

A Escola Estadual Tristão de Barros, em Currais Novos-RN, através da sua diretoria, que tem como gestor o Professor Jaire Freitas,  já sabendo desse cordel, agendou com o poeta Mané Beradeiro  para no dia 13 de março lançar naquela escola o folheto para a comunidade escolar. A data é bem significativa, pois acontece na  Semana da Poesia e no aniversário dos 40 anos da escola Tristão de Barros.

QUE FIZERAM


Que fizeram do Rio Grande do Norte?
Quero a Fortaleza restaurada, os Magos de sentinela!
Preciso urgentemente que a Biblioteca Estadual Câmara Cascudo
Seja aberta à clientela.
Que o Corredor Cultural esteja vivo e de forma descomunal
Para todo olho apreciar a cultura de Natal.
Quero não apenas em cada esquina um poeta
Mas, sobretudo, em cada lar um atleta,
Correndo atrás de livro, buscando os saraus,
Gritando a toda gente: - esta é a terra do sol e sal!
Que fizeram da nossa paz!
Qual vento a levou? Será que não a veremos mais?
E os políticos? Que aconteceram com os homens?
São todos sagazes lobisomens?
Quero políticos vocacionados.
Devotados ao estado, e também os magistrados, becados e doutorados,
Todos potencializados a defender a vida de Vicente, Severino, João, Maria, Benedita,
O povo agonia
Gasolina e bujão sobem todo dia!
Quero o Rio Grande do Norte com bandeira restaurada.
Não apenas no tecido, na flâmula que dança despercebida do olhar governamental
Quero Poti de volta!
Cascudo na sua escolta. Djalma Maranhão como corneteiro da batalha.
Frei Miguelino na frente, juntamente com André de Albuquerque.
Nísia Floresta leva o estandarte – Padre João Maria reza
E assim venceremos esta grande e triste guerra!
Que fizeram no Rio Grande do Norte?


Francisco Martins
09 de janeiro 2018

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

ALÉM DE VÉI, INXIRIDO

 Autor: Marcelo José Gomes Costa

Tu sabe o que um véio sente
Quando vê uma mulhé,
Disfilano em sua frente
Cumo quem qué e num qué?
-Ispere só invelhecê,
Que aí sim, tu vai vê
E sabê como é que é.

Ocê pensa que o véio
Olha só de inxirimento.
Num se apresse no pensá,
Nem faça tal julgamento.
Amanhã tu vai sabê
Qu'esse olhá num dá prazê
Só lhe traz mais sofrimento.

O véi sofre s'alembrano
Dum tempo que já passô.
S'alembra da juventude,
Seus "tempo" de predadô.
E quando uma delas passa
Charmosa, cheia de graça,
Inda se vê "caçadô".

Tem uns véi que num s'inquadra,
Mas esses são exceção.
Sai da farmácia feliz
Com a "solução" na mão.
Dispôs que o azulzim tomá
Só dá tempo festejá
A sete palmos do chão.

Sei que tem mulhé que abusa,
Mas quem sô eu pra acusá?
Mas pra que saia tão curta
Se num fô só pra amostrá,
O "Pico do Everest",
Sem que o cabra da peste
Se mexa nem do lugá?

E adepois ficam chamano
O véio de inxirido.
Num vô defendê ninguém
Pois isso num faz sentido.
Mas sem querê ô quereno,
Acabam sim, REVIVENO,
O que já tava "MURRIDO".

Já "MURRIDO' e INTERRADO
Por força da NATUREZA,
Qué dá sinal que tá vivo
Por conta da SAFADEZA.
Acha milhó s'inganá
Ao num querê inxergá
Que tudo nele é MOLEZA.

Quando a cabeça num pensa
Se colhe decepção.
O TREM JÁ PASSÔ PRA ELE,
JÁ PARÔ N'OUTRA ISTAÇÃO.
Precisa se conformá
Que nada mais vai mudá
A sua situação.

SE CONFORME COM A VELHICE
QUE É PRESENTE DIVINO.
QUEM VELHO NÃO QUER FICAR,
QUE MORRA QUANDO MENINO.
MAS SAIBA RECONHECER
COMO É BOM ENVELHECER
SEM PERDER RUMO NEM TINO.

FIM



Nota: o autor é natural de Campina Grande-PB, nasceu em 1948, é bacharel em Direito e aposentado. Escreve poemas como forma de passatempo, publicando nos grupos das redes sociais. Essa é a primeira participação do poeta no meu blog.

domingo, 7 de janeiro de 2018

A BELEZA DAS PEQUENAS COISAS EM NATAL

Em Natal, assim como em outras cidades, há cantos e encantos que precisam ser revelados. Recentemente, numa manhã, quando saí do plantão, entrei na Rua Juvenal Lamartine, bairro Tirol, e fiquei vendo a beleza das árvores se abraçando através dos seus galhos.

Caminho mais um pouco e na mesma rua, já chegando nas aproximações da Avenida Rodrigues Alves eu me deparo com este painel pintado num muro. Com cores e cenas de uma vida feliz e bem na esquina está ele, Câmara Cascudo. Meu dia não podia começar de forma melhor.





MANÉ BERADEIRO VAI LANÇAR CORDEL SOBRE TRISTÃO BARROS


Tristão Barros
A história do político, farmacêutico e escritor Tristão Barros, que durante cinco meses foi prefeito de Currais Novos (1935/36), ganhou versão poética, no gênero de cordel, escrito  por Mané Beradeiro. O texto tem 50 estrofes, sendo 49 sextilhas e 1 décima ( que é a assinatura   de MBERADEIRO).
A pesquisa para a criação do poema foi feita tendo como base o livro "Da Serra à cidade: Escritos de Tristão Barros", organizado por Eva Cristini Arruda Câmara Barros e Joedson Weslly de Medeiros Batista , além de outras fontes na internet.

Conhecer a história de Tristão Barros é mergulhar na própria história do homem sertanejo, na luta da sobrevivência, no sofrimento oriundo da seca e na  cultura do Seridó. Se o livro foi escrito em linguagem acadêmica,  por graduados,  quem nem sempre vai  receber por parte do público do ensino médio,  a prosa como leitura fluente,  o cordel por sua vez,  através da sua construção poética, conduz crianças, jovens e adultos (EJA) a saber o grande homem que foi Tristão Barros.
Severina, o filho Genibaldo Barros e Tristão

O poeta Mané Beradeiro vai lançar o folheto no dia 20 de janeiro, em Santa Cruz, por ocasião da Sessão da Academia Norte-Rio-Grandense de Literatura de Cordel - ANLIC, que dará posse à nova diretoria e a três imortais eleitos no ano passado:  Gilberto Cardoso dos Santos, Hélio Crisanto e Nando Poeta.
Essa data foi escolhida propositalmente, pois no dia 21 de janeiro é o natalício de Tristão de Barros. 

As fotos acima fazem parte do livro citado.



sábado, 6 de janeiro de 2018

ASSIM DISSERAM ELES ...


Gente burra e político desonesto é igual a coceira no cu de macaco. Não acaba nunca.

Mané Beradeiro

GOVERNADOR QUE “FARIA” UM GOVERNO DE TRANSFORMAÇÃO




Vamos fazer um governo de transformação, …
…de diálogo, de aproximação com a população” – Robinson Faria.
 
Não é preciso fazer muito esforço para lembrarmos a última campanha eleitoral ao governo do estado, em que o então vice-governador de Rosalba prometeu que entraria na história do RN como o melhor governador de todos os tempos. Não parou por aí, também prometeu ser o governador da segurança e da saúde, inclusive que colocaria um birô no hospital Walfredo Gurgel para ele mesmo dar solução aos problemas. Na segurança, FARIA o programa Ronda Cidadã, importado do Ceará com outro nome e que resolveria a questão da insegurança do nosso estado. Um ano após assumir, em fevereiro de 2016, o governador Robinson FARIA foi para Bogotá (Colômbia), claro, com todas as despesas suas e de sua comitiva pagas pelo povo, em busca de “know-how” para solucionar esse grave problema.
Numa breve retrospecção, lembremos que o governador foi eleito na onda do caos do governo Rosalba do qual ele mesmo fazia parte, até então, avaliado por muitos, inclusive por mim, como o pior governo da história do RN. Aliado a isso, a população também quis derrotar, no segundo turno, o candidato concorrente Henrique Alves (PMDB) – à época o todo poderoso – hoje preso por conta de um desdobramento da Operação Lava-jato.
Bom, fato é que o governo Robinson está acabando e a população segue sem o governador da transformação. Na verdade, transformou o RN no estado mais inseguro do país, com números que impressionam qualquer estudioso no assunto, chegando a 2.400 (dois mil e quatrocentos) homicídios somente em 2017, sem falar que ele mesmo, numa confissão de incompetência, já solicitou intervenção das Forças Armadas e da Força Nacional por duas vezes, durante seu desgoverno.
Se não bastasse, o governador tem atrasado constantemente os salários dos servidores, a ponto de diversas categorias entrarem em greve, a exemplo dos profissionais da saúde e da UERN. Reitero que não são greves por reajustes salariais, mas para receberem seus próprios salários, com relatos de servidores que fazem vaquinha, que pedem dinheiro emprestado a familiares e agiotas para irem trabalhar e para garantir alimento em suas mesas. A mais recente e com sérios transtornos à sociedade, diz respeito à greve dos organismos de segurança pública do estado que acontece há 14 dias e que vem deixando a sociedade aterrorizada com os constantes saques, arrastões, assassinatos, assaltos e roubos infindáveis, sob a miopia, inércia e inconsequência do governador Robinson Faria (PSD).
As polícias são categorias que têm se esforçado ao máximo para resistir aos ataques do governador, mas é muito difícil imaginar a dor de um profissional de segurança que sai para trabalhar, deixando seus familiares, incluindo crianças, sem terem o que comer. O natal e o réveillon passaram sem que nenhum “papai noel” presenteasse um filho de um policial ou mesmo que pudessem comprar uma Sidra e um frango para uma confraternização familiar. Ao contrário, tiveram que correr para conseguir “bicos” como sobrevivência. É repugnante, revoltante, é motivo de muita dor, especialmente para quem trabalha com armas de fogo, que deve estar bem emocionalmente para proporcionar segurança e salvar vidas. Sem salário e sem condições de trabalho, é impossível que qualquer profissional tenha motivação para trabalhar.
A exemplo do presidente Temer que prometeu ajuda financeira ao RN e depois desistiu, algo bem típico de quem não tem qualquer compromisso com o povo, o governador amarga desaprovação de cerca de 95% da população do estado. Na verdade, o povo pagante dos altos tributos não consegue suportar tantos desmandos e paralisia geral do estado onde nada funciona, a partir de um governador irresponsável e de uma bancada federal que assistem de camarote o sofrimento do povo potiguar e o definhamento de um governo pífio e falido.
Nesse sentido, perguntamos pelo governador da segurança, da saúde e da transformação: o que tem feito de concreto com os recursos próprios para resolver ou pelo menos amenizar essa situação de caos com projeção nacional? Não seriam gestos de prudência e humildade do governador chamar todos os setores da sociedade para uma reunião emergente e de socorro e abrir TODAS as contas e contratos em busca de solução conjunta em curto, médio e longo prazo?
Se nada disso for possível, sugiro então que o governador – que afirma morrer de amores pelo RN – demonstre-o concretamente, fazendo um gesto nobre de se desculpar junto à população por sua incompetência, seguido de sua RENÚNCIA, pois está provado que Robinson FARIA não serve para governar o Rio Grande do Norte; que retirou o nosso estado de um caos e elevou para uma situação muito pior.
Natal, 01 de janeiro de 2018.
Sandro Pimentel – Vereador de Natal (PSOL)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

COMENTANDO MINHAS LEITURAS DE CORDEL: O CORDEL DE BANDEIRA VERDE



"A literatura de cordel tem muitos caminhos. Muitas estradas que possibilitam o seu conhecimento e estudo por parte de escritores das mais diferentes áreas da cultura"
Veríssimo de Melo


A preocupação com o planeta  Terra não é apenas restrita  aos cientistas, ambientalistas, biólogos e outras pessoas . Há  uma classe  composta de homens e mulheres que também tem dado sua contribuição para esse propósito, sem gritar, sem ir às ruas, sem  fechar rodovias e aeroportos.  Esse grupo usa a arte da poesia para com ela fazer sua tribuna. Alguns dos seus componentes são conhecidos por cordelistas,  e é sobre  quem quero escrever neste momento, mais especificamente os que têm feito do cordel, uma voz a favor desta causa que é a conservação da vida em sua forma mais ampla.

A CANÇÃO DO TIO DITO


O primeiro de quem quero escrever é Marco Haurélio, baiano, graduado em Letras Vernáculas ( Universidade do Estado da Bahia), um poeta já bastante conhecido , autor de vários livros. Dele,  pego o livro-cordel A CANÇÃO DO TIO DITO, Paulos 2015, todo  escrito em  72 estrofes  de quatro versos. A quadra já foi usada no cordel mas com o passar dos anos, a sextilha ficou sendo a forma de estrofe mais utilizada pelos poetas.

Nesse livro-cordel Marco Haurélio  nos mostra a historia de Benedito (Dito)  e seu diálogo com o menino Perseu, no tocante a sua experiência com a seca e pela ótica do  Dito,  a revolta da natureza como resposta às suas atitudes com a fauna.  De maneira  bem atenuante, o poeta Marco Haurélio retrata a saga do nordestino em busca da cidade grande e a mudança que o  Dito vai sofrer sendo agora o prisioneiro dentro de casa:

Passou o tempo, e a vida
Mudou nas grandes cidades:
As nossas casas agora
Eram fechadas com grades
(HAURÉLIO, 2015)

Um dia porém, na vida de Dito, algo extraordinário acontece e ele passa a dar um novo sentido à sua existência.

Como, de fato, mudei
A minha vida, Perseu.
Naquele dia tão triste
Um homem novo nasceu.
(HAURÉLIO, 2015)

Deste momento em diante a narrativa do cordel vai ganhando mais beleza poética no desenrolar do enredo,  levando o leitor às cenas que considero  as mais lindas do texto. A lição deixada por Dito é  indelével,  marcante.  Mostra-nos que não há idade, nem tempo para ajudar o mundo a ser melhor.  A Canção do Tio Dito é um livro-cordel que tem como público alvo as crianças. Contudo, nada impede que seja lido por adultos, afinal crescemos, mas não abandonamos a criança que existe em nós. 

Por fim, não posso terminar esta parte da resenha sem fazer referência ao trabalho encantador  de Nireuda Longobardi, potiguar que reside em São Paulo. A ilustradora usou a xilogravura e através dela conseguiu juntar a beleza do desenho  com a alma do texto. A propósito, quero até afirmar que foi a beleza das ilustrações que me chamou a atenção e me fez trazer o livro.



O POETA COM NOMES DE SANTOS


Antonio Francisco, natural de Mossoró, terra que ama e venera, é outro poeta que dispensa apresentação. Traz como nome de batismo o peso de dois santos que amaram a natureza: Antonio e Francisco, santos que abalaram o mundo.  O poeta tem também cumprido sua missão de bardo, dando enfoque em seus textos em narrativas que nos chamam à reflexão da nossa responsabilidade com o planeta no qual vivemos.
A boa literatura sempre fica e assim como acontece com o vinho, quanto mais tempo decorrer melhor será sua degustação. Nesse pensar, o poeta Antonio Francisco tem plantado suas sementes de imortalidade em textos que caminham sem sombra de dúvidas para o  canon dos folhetos clássicos.

Vejamos algumas mensagens escritas por Antonio Francisco, que estão vestidas com a cor verde da esperança num mundo que pede transformação.  "Um caroço de manga" um folheto (com 12 sextilhas agalopadas)  que embora pequeno nos ensina grande lição, a saber: a vida  da natureza depende exclusivamente da ação do homem.

E todos tratamos daquela plantinha
Com arte, magia, respeito e cuidado.
A planta cresceu robusta e bonita,
Jogando seus galhos por todo cercado,
Ficando na frente dos raios do sol,
Deixando o terraço da casa arejada .
(FRANCISCO, SETEMBRO 2015)

E quando o homem se responsabiliza por essa missão, a natureza  se expande:

E da noite pro dia a mangueira floriu
Jogando seu cheiro pelo matagal,
Atraindo rebanhos de ´pássaros selvagens,
Formando na copa da árvore um coral,
Cantando as canções mais lindas da mata
No palco de terra do nosso quintal.
 (FRANCISCO,  SETEMBRO 2015)

A vertente poética de Antonio Francisco está apenas começando. Vivendo numa terra árida, pisando num solo duro como ferro e quente como fogo, o poeta pensa e cria seu mundo, que passa a ser também o nosso, tão desejado, desde quando perdemos o Paraíso  e passamos a querer destruir o berço que nos foi dado, em sua flora e fauna.

Um certo dia eu estava
Ao redor da minha aldeia
Atirando nas rolinhas,
Caçando rastros na areia,
Atrás de me divertir
Brincando com a vida alheia.
(FRANCISCO, MAIO 2015)

Se somos livres para escolher, nos tornamos escravos do que escolhemos, alguém já disse isso. E a consequência desta "brincadeira" é a própria resposta que a natureza nos dá, um mundo carregado de fome e outras injustiças decorrentes da falta que faz "Aquela dose de amor" ( 32 estrofes, 31 sextilhas e 1 setilha).

Ainda bem que temos os poetas, e entre eles Antonio Francisco para nos dizer verdades que tocam a alma, a ponto de refletirmos:

E eu fiquei ali em pé
Coçando o queixo com a mão
Pensando se era verdade
As frases do ancião
Ou se tudo era fruto
Da minha imaginação.
(FRANCISCO, MAIO 2015)

Quando o poeta Antonio Francisco  faz a caneta  chorar as sequelas da maldade humana, ele não apenas toca no problema do  meio ambiente e sustentabilidade, mas nos mostra a ferida mais vergonhosa  que temos em nosso corpo coletivo, a fome. Um quadro  que toca nosso sentimento e é preciso  ter nervos de aço para não ser atingido com tamanho realismo, encontramos no folheto "Deus e sol, farinha e sal" (12 sextilhas agalopadas)

E alheio aos gritos da pobre mulher
No mato um carão  começa a cantar.
Maria escuta  e grita:-José!
Carrega a espingarda  vá Devagar
Atire José, atire pensando
Que atira na fome que quer nos matar!
(FRANCISCO, NOVEMBRO 2014)

Confesso que poucas vezes encontrei na literatura uma cena que fosse tão impactante. Recordo-me apenas de "Vidas Secas" do grande Graciliano Ramos, quando retrata o olhar da cachorra Baleia. Não direi mais nada sobre os poemas, pois é meu intuito que o leitor também sinta a sede de beber nesta fonte.


E quando pensamos que o poeta nada mais tem a nos presentear, eis que aparece "Meu Sonho" (37 estrofes, 36 sextilhas e 1 setilha), no qual Antonio Francisco sistematiza  o mundo ideal. A harmonia perfeita, dentro do qual o homem respeita a natureza. Extasiado diante de tanta  beleza,   assim se expressa  o poeta, dando voz ao eu lírico:

O meu planeta, senhor,
Do seu é bem diferente.
No meu, o pai vai ao shopping,
Leva seu filho inocente,
Compra armas de brinquedo,
E dá a ele de presente.

....

Eu disse: -Sou de um planeta
Que só vive em pé de guerra,
Onde fabricam doenças,
Onde a Justiça mais erra...
Uma gaiola de loucos
Com o nome 'Planeta Terra'
(FRANCISCO,  SETEMBRO 2015)


E, finalmente, fechando essa resenha sobre o Cordel Verde. Não poderia terminar sem aludir "Os Animais têm Razão" ou "Os Sete Constituintes" ( 35 estrofes, 34 sextilhas e 1 setilha) , talvez o mais conhecido poema de Antonio Francisco, no qual sob a copa de um Juazeiro sete animais se reúnem para discutir sobre a ação do animal homem na destruição do planeta.

Porco, cachorro, cobra, burro, rato, morcego e vaca todos argumentam  que se o homem não mudar suas atitudes, seu pensamento em relação ao meio ambiente, estamos fadados ao desaparecimento. Esse cordel é um cântico que vai ecoar por muitos anos. Daqui a 200 anos ainda se falará dele, e certamente o poema será lembrado como grito que foi dado por um poeta cordelista.

É chegada a hora de entendermos  a mensagem do morcego:

 "...
E disse:-Eu sou o único  
Que não posse dizer nada
Porque o homem pra nós
Tem sido até camarada

Constrói castelos enormes
Com torre, sino e altar,
Põe cerâmica e azulejos
E dão pra gente morar
E deixam milhares deles
Na ruas, sem ter um lar"


CONCLUSÃO

Seja Marco Haurélio, Antonio Francisco  ou qualquer outro poeta que escreva versos em prol da defesa do nosso planeta, e se eles vêm na forma do gênero poético de cordel, isso só corrobora com o que escreveu Veríssimo de Melo e transcrevi no início da resenha. Escrevam poetas, escrevam cordéis que já nasçam destinados à imortalidade.  Não fiquem apenas nos temas circunstanciais, pode se criticar a vida usando a imaginação, deixando mensagens que edificam. Lembre-se do que disse Delarme Monteiro da Silva: Os folhetos de época passam. O romance fica (PROENÇA,1976, p.43)


Mané Beradeiro

 
Nota:  As resenhas foram feitas com base nos cordéis  que eu tenho em minha biblioteca e foram lidos por mim. Com certeza devem existir outros textos poéticos, até mesmo de Marco Haurélio e Antonio Francisco, bem como de outros,  que eu desconheço e tratam deste mesmo assunto.

Referências

Francisco, Antonio. Um caroço de manga. Mossoró-RN, Editora Cordel, Setembro 2015.
_______________. Aquela dose de amor. Mossoró-RN, Editora Cordel, Maio 2015.
_______________. Deus e sol, farinha e sal. Mossoró-RN, Editora Cordel, Novembro 2014.
_______________.Meu sonho. Mossoró-RN, Editora Cordel, Setembro 2015.
_______________. Os Animais tem Razão. Mossoró-RN, Editora Queima-Bucha.
HAURÉLIO, Marco. A Canção do Tio Dito. São Paulo, Editora Paulus, 2015.
PROENÇA, Ivan Cavalcanti. A Ideologia do Cordel. Rio de Janeiro, Imago Editora, 1976.

TORPEDO DE MANÉ BERADEIRO 035/2018




 João Leso*  bem lembrou: "Quem se agarra sem ter unhas está no risco de cair", e para garantir  esse dito popular venha cá e fique lá, mas não esqueça da Palavra que vive a exortar: O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza (Salmo 27, versículo 1)


* Personagem do cordel "Como João Leso vendeu o bispo" de Leandro Gomes de Barros

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

SOBRE O CAFÉ MAGESTIC






Mas a casa de diversões mais importante deste bairro foi o “Café Magestic” que teve vida quase centenário. Primeiro, com o nome de “Potiguarania”, nele se reuniam os poetas, prosadores e intelectuais do fim do século passado para começo do atual. Este Café já foi descrito pelos nossos historiadores. Depois surgiu o Magestic no mesmo local do outro e ficava na esquina da rua Vigário Bartolomeu, nº 549 com a rua Ulisses Caldas, nº 101. O prédio ainda é o mesmo, tendo sofrido apenas modificações internas. Imóvel, baixo e feio, mas ao gosto da época de sua construção. A única coisa interessante na sua arquitetura é a coluna curva na esquina do prédio.

O “Magestic” tem muitas estórias, nas diversas épocas de muitas gerações. Mas o período mais vibrante, mais cheio de vida, onde a boêmia e o bom humor dominavam o tradicional Café, foi, mais ou menos, entre os anos de 1919 a 1935. Os fatos, as anedotas e as peças verificadas e planejadas ali dariam para grosso volume, sendo que algumas não poderiam ser escritas tal a irreverência do ocorrido, mesmo porque alguns autores já foram para o outro mundo.

Na época acima citada, encantava o Magestic o respeitável grupo de poetas, escritores, intelectuais e de bons bebedores e comedores: Jorge Fernandes, Francisco Madureira, Baroncio Guerra, Valdomiro Dias, Pedro Lagreca, José Laurindo, Teodorico Guilherme, João Carvalho Cruz, Américo Pinto, Eurico Seabra, Francisco Pignataro, Lustosa Pita, Damasceno Bezerra, Luis Maranhão e muitos outros. Todos amigos e “irmãos da opa”. Ninguém tinha o direito de ficar aborrecido, por mais pesadas que fossem as brincadeiras.

Assim é que o Francisco Madureira foi vítima de uma peça que quase o levou ao cemitério. Madureira era baiano e, como tal, gabava-se de ser grande comedor de pimenta. Foi-lhe armada uma cruel cilada. Adquiriram no Mercado, que ficava próximo, um pacote de pimenta malagueta e mandaram preparar porco assado, camarão, etc. À noite, quando Madureira chegou, formaram uma grande roda e a cerveja jorrou sem parcimônia. Quando Madureira já estava com umas “200 libras”, veio então a questão da Bahia e pimenta. Um da roda disse que Madureira era um falso baiano, porque não comia pimenta como um baiano autêntico costuma fazê-lo e era assim um baiano desmoralizado, o que foi aprovado por todos os outros. Madureira protestou aos gritos e disse que iria provar como ele era baiano legítimo. O homem, coitado, caiu na esparrela. Pediu pimenta e veio um prato cheio. Começou então a devorar camarões e mastigando pimenta. Quando então folgava um pouco, os amigos da onça diziam: “Só isso! Fulano de Tal, que não é baiano, come muito mais”. E o infeliz Madureira comia mais pimenta e quando parava um pouco vinha a mesma alegação. Pimenta, pimenta e pimenta. Com pouco tempo, o homem, como se diz a gíria: “botou pra morrer”, sufocado, agoniado e com os olhos querendo sair das órbitas. Foi então levado para sua casa e passou vários dias muito doente. A turma teve, no Magestic, vibração por muitos dias.

De outra feita, o imortal Jorge Fernandes estava tomando umas e outras quando apareceu um homem vendendo, em uma gaiola, um galo-de-campina cantador. Jorge chama o homem e pergunta quanto custava o concriz. O homem responde que o pássaro não é concriz e sim um galo-de-campina. Jorge Fernandes retruca que o bicho é um concriz e o vendedor reafirma que é um galo-de-campina. Ora, Jorge, velho conhecedor de pássaros, sabia que o animal era realmente um galo-de-campina, e então, convida o homem para sua mesa, e dá logo a ele uma grande “talagada”. A conversa animou-se ainda mais quando Jorge recita aqueles versos maravilhosos, inclusive o “Banho da Cabocla”. Quando o vendedor já estava “com meio lastro” levantou-se para ir embora e então Jorge Fernandes disse: “Vá amigo vender seu galo-de-campina”. Aí então o vendedor que havia recebido tantas atenções e mais ainda encantado com a palestra de Jorge Fernandes, disse: “Não, doutor. Agora é que reparo bem: o passarinho é mesmo um concriz”.

Outra ocasião, também no Magestic, estava uma vasta roda de “comes e bebes”, quando chega um homem, amigo da turma, que era dono de um barracão na antiga feira externa do velho Mercado da Cidade Alta. O homem lamentava-se então do fiado, que estava acabando com seu negócio. O poeta Jaime Wanderley, que nesta época gostava de cerveja e já “meio triscado” disse: “O amigo precisa de colocar um aviso em seu barracão para acabar com o fiado. Quer um aviso?”. O comerciante então disse que aceitava com muito gosto. Jaime, então, tomou de um pedaço de papelão e escreveu:

Pra que não haja transtorno

Aqui no meu barracão,

Só vendo fiado a côrno,

Fela da puta e ladrão.

O homem colocou o aviso e o fiado acabou-se.

O Café Magestic ficava em um ponto muito movimentado porque estava bem em frente ao “Royal Cinema” e à noite o movimento era grande. Bem na esquina do Magestic fazia ponto com sua carrocinha, o sorveteiro português “Seu Silva”, que ali trabalhou por muitos e muitos anos, até a data do seu falecimento.

Nunca Natal tomou um sorvete tão bom e exclusivamente de frutas, sem qualquer complicação dos sorvetes hoje usados.

O Magestic era também o “quartel general” da brigada de choque comandada pelo jovem Renato Wanderley, hoje próspero homem de negócios residente na Guanabara.

Naquela época, como se sabe, o transporte era quase que exclusivamente marítimo, e como sempre havia navio no Pôrto, os passageiros saíam para conhecer a terra. Também naquela época os passageiros, principalmente, os rapazes eram mal-educados e quando chegavam em uma cidade pequena como a nossa era para esculhambar. Hoje se diz: “bagunçar o coreto”. Natal, então, cidade pequena e pobre, era vítima daqueles canalhas e até as moças sofriam pilhérias quase sempre grosseiras. Chafurdavam toda a cidade. Bondes, cafés, jardins e cinemas. Renato que era rapaz vivo, valente e, sobretudo, muito querente de Natal, resolveu tomar uma providência, já que o policiamento era muito benevolente. Escolheu uma dúzia de rapazes dispostos, deu instruções e esperou os acontecimentos. Assim, quando havia vapor no Cais, principalmente à noite, Renato ficava na espera e destacava uma pessoa para acompanhar de longe os viajantes, isto é, saber se estavam ou não bem comportados. Quando, então, os mal-educados começavam a esculhambação, o vigia corria para o Magestic e dava o alarme. Renato então descia com a brigada de choque e o braço comia. Depois da refrega eram levados para o Cais Tavares de Lira e obrigados a embarcar. Às vezes a luta era grossa porque do outro lado também havia gente valente. Aí então a polícia aparecia e dava uma mãozinha ao Renato. O fato é que, em pouco tempo, a notícia correu mundo e os canalhas desapareceram. Renato prestou assim inestimáveis serviços a Natal e à família natalense. Entretanto, Renato não recebeu nenhuma condecoração. E há por aí tanta gente com medalha ao mérito sem nenhuma ação prestada com o risco de suas ventas.


Observação: Crônica copiada do livro Natal que eu vi, de Lauro Pinto. Imprensa Universitária - Outubro  1971.