segunda-feira, 9 de novembro de 2009
AGENDA DO MOMENTO DO LIVRO
Apresentação de Leiturino. À noite, nesta mesma escola, às 19 horas, apresentação de Mané Beradeiro.
15ª feira, dia 12, pela manhã, o escritor Francisco Martins visitá centro histórico de Natal com quatro estudantes que sobressairam-se em produção textual, no turno vespertino, da Escola Municipal Manoel Machado, Jardim Aeroporto, Parnamirim-RN. As alunas farão visitas à Ribeira, Instituto Histórico e Geográfico, Memorial Câmara Cascudo, Palácio da Cultura e Academia Norte Riograndense de Letras.
6ª feira, dia 13, pela manhã, na Escola Municipal Manoel Machado, Jardim Aeroporto, em Parnamirim. Apresentação de Leiturino, contando histórias, cantando parlendas e adivinhações.
sábado, 7 de novembro de 2009
UM GRANDE DESAFIO - PARTE I

Quem me conhece sabe o quanto gosto de ler. E leio dos clássicos ao mais comum das produções literárias. E em todos eles tenho sempre algo a aprender.
Agora, neste mês de novembro, abraçei um grande desafio, a saber: ler ULISSES, de JAMES JOYCE. A obra não é extensa, já li livros bem maiores, como por exemplo a Bíblia, que anualmente venho lendo de Gênese a Apocalipse, seis anos consecutivos. Li também o clássico Moby Dick de Herman Melville, além de outros.
Mas, ULISSES parece ser realmente um osso duro de roer. Li o primeiro capítulo e não entendi nada. Reli e começo a tomar gosto pela obra considerada o maior romance da literatura mundial. Nas palavras de Harry Levin "um romance para acabar com todos os romances".
Volto-me então à releitura do primeiro capítulo, desta vez com maior sensibilidade e determinação de encontrar a vereda que me leve à compreensão da obra.
Aos poucos compartilharei com vocês esta saga de leitura. Possa até ser que nem mais leia outro livro em 2009, pois este ano até o momento já devorei 85 e Ulisses é o 86º livro. Se consegui passar por "Grandes Sertões Veredas", de Guimarães Rosa, creio que já tenho uma base adquirida para não me espantar com os neologismos de James Joyce, e olha que o gênio cria algo assim: contrasmagnificandjudeibumbatancialidade ( que pode ser isto?).
Vou ficando por aqui e breve volto a comentar sobre a leitura.
ESCOLA MÁRIO LIRA RECEPCIONA LEITURINO E MANÉ BERADEIRO
À noite, será a vez de Mané Beradeiro (Francisco Martins) contar causos e declamar poesias matutas para os alunos desta mesma escola. Tudo isto será feito dentro das festividades da Mostra de Arte e Cultura promovida por aquela escola municipal.
O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO
Renato estava em Natal, no bairro da Ribeira e vinha saíndo do Carneirinho de Ouro, um clube tradicional na Tavares de Lyra, quando um velho chofer de praça, viciado em jogo de bicho, o avista e corre para ele falando:
--Seu Renato, essa noite eu sonhei com o senhor. Quem sonha com o senhor o que é que dá?
E Renato. mestre das respostas afiadoras, gozadas e mordazes responde:
--DÁ A BUNDA!
São causos da nossa terra, pérolas da nossa literatura, coletadas por Mané Beradeiro.
Fonte: "De Líricos e de Loucos", Augusto Severo Neto, pág. 123. Edição Clima, 1980.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
MATEUS 7: (1-5)
Que me permita acrescentar, o filósofo alemão, Martin Heidegger – que certa vez disse: “Somos seres para a morte” – a essa frase, as seguintes palavras: “passando pela incoerência”. Então, é isso caro leitor: somos seres não só para a morte, mas também para colocar em prática a nossa incoerência.
Por isso, não me surpreende que o maior homem que já pisou neste planeta, Jesus Cristo, tenha, insistentemente, falado neste assunto. No capítulo 7 do evangelho de Mateus, os primeiros versículos abordam exatamente isso: “Por que reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista? Como ousas dizer ao teu irmão: ‘deixa-me tirar o argueiro de tua vista’, tendo tu uma trave na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão”.
Pois bem! Feito o diagnóstico, cabe-nos agora, encontrar as causas dessa doença – a incoerência – pois só assim, poderemos estabelecer o tratamento adequado. Seria a incoerência, originada pelas circunstâncias? Sim! Não vamos esquecer o que disse o grande escritor, filósofo espanhol, Ortega y Gasset: “Eu sou eu e as minhas circunstâncias”. E a circunstância, a ocasião, faz o ladrão (o PT sabe muito bem isso que estou falando...). A circunstância faz também o covarde, que num dia tem um discurso exaltado, revoltado, áspero, mas quando está na frente de quem ele se exaltou e se revoltou, muda o tom: fala manso e o que é pior: até defende, com unhas e dentes, o seu antigo desafeto...
Esse tipo de comportamento ocorre em todas as profissões, mas duvido que seja mais comum do que no meio médico. Afinal, se hoje, estamos sofrendo todas essas mazelas – baixos salários, condições subumanas de trabalho, etc. etc. – é porque os nossos pretensos “líderes” da classe médica, um dia, quando ainda não estavam na cadeira do poder, tinham um discurso aguerrido, bravo e duro contra os poderosos, mas, quando se torna um deles – um poderoso (de pés de barro, é bem verdade) – mudam o discurso, o conteúdo e o seu tom... Quando eu sou médico, apenas médico, eu critico, mas quando estou diretor de hospital, vereador, deputado, secretário de saúde, etc. etc. aí eu me transfor mo... e haja incoerência incoerente!
E essa incoerência incoerente é terrível, pois - diferentemente da incoerência defendida por Osho, o mestre budista, que certa vez disse: “Se você realmente quer desfrutar a vida em toda a sua riqueza, tem que aprender a ser incoerente, a ser coerentemente incoerente”-, ela, a incoerência não coerente, é aquela que permite que milhares de pessoas sejam mortas nos corredores dos nossos hospitais públicos, porque eu não tenho a coragem de continuar coerentemente coerente com o meu discurso que tinha antes de ocupar a cadeira do poder...
Então, caro leitor, já temos duas causas para a mudança tão rápida, extremante abrupta, do nosso comportamento: a circunstância e a cadeira do poder. Porém, há outra causa muito mais forte, explicada pela física quântica: toda vez que inspiramos, colocamos para o interior do nosso organismo um trilhão de átomos que um dia podem ter sido também respirados por Cristo, Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, Hitler, Saddam Hussein... e o danado é que me parece que os átomos desses dois últimos têm sido responsáveis pelo ar- mau cheiroso, e bote fétido nisso - que estamos respirando na saúde do nosso estado...
Portanto, meu caro amigo, você que tem me acusado, constantemente, de incoerente, veja que a origem desse problema pode está em você mesmo, afinal não tenho cadeira do poder, nem pretendo “criar” circunstâncias para ocupá-la. Portanto, só resta-nos acusar os átomos que estou respirando, quando estou perto de você... mas, não se preocupe, como cirurgião, será fácil resolver esse problema: usarei sempre a máscara cirúrgica, quando lhe encontrar, certo?
Francisco Edilson Leite Pinto Junior (edilsonpinto@uol.com.br)
Professor, médico e escritor
domingo, 1 de novembro de 2009
O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO
Como amanhã é o Dia de Finados, o causo de hoje é sobre um falso defunto. Fui buscar esta história, assim como as demais, na imensa literatura que existe sobre o tema espalhada por aí. Desta vez bebi na fonte da grande Cora Coralina, no livro "Estórias da casa Velha da Ponte", edição de 1987.
Vamos então ao causo.
"Seu Maia" teve um ataque de catalepsia e foi tido como morto. Ele era casado com Dona Placidina, que já não estava tão encantada com o marido que há muitos anos vivia maltratando-a. Como é costume naquelas terras de Goiáis, Dona Placidina com muita alegria e prazer preparou o velório, fazendo bolachas, servindo café, bolo, outras comidas e até mesmo pinga.
Finalmente chega a hora de levarem "Seu Maia" para o cemitério. Os homens partem carregando o caixão, segurando-o pelas alças, alguns estão em estado de fogo, fruto da tamanha quantidade de pinga absorvida. E entre uma rua e outra em direção ao cemitério, quando dobram um esquina, o caixão de "Seu Maia" vai de encontro a um lampião que havia naquela esquina. O Choque é intenso, o poste de ferro do lampião da Rua do Fogo despedaça o caixão, fazendo com que "Seu Maia" acorde do ataque e fique sentado no meio da rua. O povo corre... é grande o alvoroço na cidade.
Dona Placidina fica triste.
Alguns meses depois, realmente "Seu Maia" morre de verdade e desta vez, quando o caixão vai saindo de casa para o cemitério Dona Placidina Adverte: "--Cuidado com o lampião da Rua do Fogo, não vão fazer como da outra vez".
A MORTE
Desferido, sem pena, contra a vida,
Separando a família unida...
Dissipando a fortuna mais durável.
O grande, o rico, o pobre, o miserável,
A gente mais famosa, mais temida,
A morte leva tudo de vencida,
Na fúria mais cruel, mais indomável.
Mas a morte do justo é tão preciosa
Que, sofrendo...morrendo...ele já goza,
Qual nauta que escapasse do escarcéu.
Se arrasta para o inferno o pecador,
Se espalha pelo mundo, o pranto, a dor,
A morte leva os santos para o céu!...
Dom Marcolino Dantas
Livro: Dom Marcolino Dantas por ele mesmo, do Côn. José Mário de Medeiros
sábado, 31 de outubro de 2009
ASSIM DISSERAM ELES...
Lucrécio, filósofo latino.
DESPEDIDA

Quando se vai deve-se ir de tal forma que a sua ausência provoque saudades.
Quando se parte deve-se ir de tal maneira que o meio usado para sua partida sirva de divisor nas vidas pela qual você passou.
Quando de despedir, faça isto de forma singular, tão própria e sua, cujas marcas fiquem tatuadas se possível no coração e na alma de quem recebe seu adeus.
Quando enfim, decididamente, tomar a resolução de não mais viver juntos a estes, lembre-se que a despedida é muitas vezes unilateral, e por assim ser, leve consigo a lembrança das melhores virtudes que você visualizou em seus amigos e companheiros de trabalho.
Por fim, vá, parta, mas não feche as portas que passar, nem derrube as pontes que atravessar, pois tanto uma como a outra levam você a seus amigos.
Francisco Martins
Livro: Degustando Poesia, página 83.
