domingo, 19 de maio de 2019

TORRE ,RELÓGIO E SINOS DA ANTIGA CATEDRAL



Conhecer a história de Natal, capital do RN é um dos temas das minhas leituras. Gosto de saber das coisas e dos pormenores. Passar diante de um monumento, um prédio ou numa rua e saber algo sobre aquele local é algo prazeroso. Hoje quero compartilhar com meus leitores um pouco sobre a antiga catedral, mas especificamente no tocante à torre, o relógio e os sinos.
Câmara Cascudo relata que foi no governo provincial do Presidente Antônio Bernardo Passos, o XX a governar o RN, no período de 1 de outubro de 1853 a 1 de abril de 1857, que ele resolveu construir a torre e comprar o relógio.
"O Presidente Passos subscreveu uma boa quantia e angariou os donativos. O relógio foi comprado. A torre construiu-se e nela se pôs o relógio. Ainda está batendo as horas" (CASCUDO,1942).
Curioso é que na torre existe a data de 1862, quando Passos não era mais o Presidente da Província e Cascudo silencia sobre esta data na Acta Diurna de 16 de fevereiro de 1942.
Fui rever outros textos.  No livro "História da Cidade do Natal" o pesquisador diz que em 1862 começaram a construir a torre e no ano seguinte ela é inaugurada com um novo sino e o relógio. Cascudo explica que a linguagem dos sinos tinha todo um significado, como por exemplo: 10 badaladas seguidas (nascimento de uma criança), 9 batidas (menino) 7 batidas (menina).  Mas nem todos gostavam de ouvir os sinos tocarem, foi o caso do Dr. Antônio Francisco Pereira de Carvalho, também Presidente da Província (1852-1853) que mandava o sineiro ser breve no tocar dos sinos.



 Referências

CÂMARA, Cascudo.  Os sinos da matriz. Acta Diurna, in: A República, 31.12.1939
_______Toque de sino. Acta Diurna, in: A República, 22.08.1940
_________. O Presidente Passos. Acta Diurna, in: A República, 15.02.1942
________. História da Cidade do Natal. 2a edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1980.

Francisco Martins
19.05.2019

sábado, 18 de maio de 2019

REVISTA DIGITAL KUKUKAIA PUBLICA ENSAIO DE MANÉ BERADEIRO



A Revista Kukukaia, edição Março/Abril 2019 publica o ensaio do poeta Mané Beradeiro sobre o romance do cordel brasileiro  "Os cabras de Lampião", da autoria de Manoel D'Almeida Filho. O ensaio já foi publicado aqui no blog, mas na revista ficou muito melhor a forma de ler, pois aparece no estilo de livro digital. Para acessar  a resenha é só clicar em: Revista Kukukaia

segunda-feira, 13 de maio de 2019

POETA XEXÉU CELEBRA 81 ANOS DE VIDA



Hoje, 13 de maio de 2019,  eu pergunto a uma menina por nome de Fátima se ela porventura  teria algum segredo para confessar. Ela olha-me e diz: "Poeta o que tenho para lhe dizer é que hoje na cidade de Santo Antonio-RN a poesia está em festa!". E fico querendo saber qual é o motivo. Lembro do amigo Gelson Pessoa e mando mensagem para ele indagando que festa é essa. Aí, Gelson responde escrevendo:
Xexéu fez oitenta e um
Anos de muita poesia
Pois ele desde menino
No seu caderno escrevia
Poema  com o coração
Causando admiração
A todos que o conhecia.
Só então eu percebi a beleza do dia de hoje, João Gomes Sobrinho, o homem que foi gerado dentro de um útero recheado de poemas, que muito pequeno foi poeticamente batizado pela alcunha de Xexéu, o habitante maior e melhor de Santo Antonio, que ouço afirmar sem receio nenhum, tem a força superior a de uma onça que apenas passou por lá. Xexéu tem o canto que nos enebria, podemos ouvi-lo nos folhetos do cordel brasileiro,  sob a copa de uma mangueira rosa. A ele quero entregar também meus versos, ei-los:
Você é um poeta de ouro
Homem de grande valor
E hoje celebra a vida
Com belo e grande esplendor
Quisera ter o seu canto
Menestrel de puro amor.

Começou inda pequeno
No mundo do versejar
Já faz tempo meu poeta
Mas pode continuar
A mangueira rosa apoia
Não lhe cansa de louvar.

Eu derramo em seus pés
Com profunda gratidão
Por Deus ter feito você
Sem nenhuma abstenção
São 81 anos
De grande inspiração.

Receba Xexéu  dourado
Do poeta Beradeiro
Estes versos atrevidos
A um coração arteiro
Plante lá no seu roçado
Dará frutos por inteiro.
  
Mané Beradeiro




domingo, 12 de maio de 2019

VEM AÍ O 53º CORDEL DA AUTORIA DE MANÉ BERADEIRO

Contar de forma poética, dentro das regras do cordel brasileiro (rima, métrica e oração)  a riqueza das tradições juninas, recheando o texto com paisagens biográficas dos três santos celebrados no mês de junho: Santo Antonio, São João Batista e São Pedro é o resultado do mais recente trabalho do poeta Mané Beradeiro, que ele intitulou: TRÊS CABRAS DE JESUS CRISTO - SANTOS JUNINOS SIM SENHOR.
Mané Beradeiro ( foto do acervo de Rosa Régis)
São 37 estrofes em sextilhas e 1 décima no final, totalizando 232 versos que levam o leitor a fatos e lendas da vida deste trio que é festejado pela cultura do povo brasileiro, de uma forma mais intensa no nordeste do Brasil. Com a publicação desse cordel, o poeta Mané Beradeiro atinge a marca de 53 publicações de folhetos.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

ERA UMA VEZ A CASA DO ESTUDANTE DO RIO GRANDE DO NORTE

A Casa do Estudante do Rio Grande do Norte finalmente descansa em paz. Sua extinção foi decretada no ´dia 7 de maio de 2019, pelo Doutor Cícero Martins, Juiz de Direito que deu a sentença. A história dessa  instituição chegou ao fim, após  73 anos de fundação.


Atualmente o Ministério Público requereu a desocupação do imóvel onde estava instalada a Casa do Estudante, pois o mesmo encontrava-se ocupado irregularmente por várias pessoas que  não eram estudantes. A última diretoria da Casa do Estudante  foi no ano de 2010. Um relatório apresentando pelo interventor Durval de Araújo Lima, diz  "Hoje a Casa do estudante tem apenas 1 (um) morador e encontra com débitos junto a CAERN, COSERN, pendencias do CNPJ junto a Receita Federal, e junto a Prefeitura Municipal de Natal, junto ao Corpo de Bombeiros. 38 moradores não se encontravam dentro dos critérios do Estatuto e Regimento Interno, foi necessário o uso de aparato policial para a retirada de morador..." 


A instituição foi fundada em 2 de junho de 1946, prestou relevantes serviços no passado. Abrigou muitos estudantes vindo do interior. Infelizmente a Casa do Estudante não  teve a competência para sobreviver aos novos tempos. O imóvel foi outrora doado pelo Estado do Rio Grande do Norte, pela Lei nº 1.668, de 28 de janeiro de 1956, com escritura pública passada no Terceiro cartório de Natal, conforme o Livro nº 169, folhas 52 a 54v. 

O prédio é tombado pelo  patrimônio histórico  estadual, conforme Decreto nº 11.907/93. Vejam o Parecer do Conselheiro Nilson Patriota, membro do Conselho Estadual de Cultura do RN; "O prédio onde funciona a Casa do Estudante, na Praça Cel. Lins Caldas, foi construído pelo Presidente da Província, Antonio Bernardo dos Passos, com a finalidade de abrigar o Hospital da Caridade, criado pela Lei nº 335, de 10 de setembro de 1855. Já em 1856 amparava e mitigava as dores e os sofrimentos de centenas de enfermos atingidos pela epidemia do cólera. Em 1895 o edifício passou por uma restauração. Em 1906, o Governador Tavares de Lira extinguiu o hospital . A partir de 1º de janeiro de 1910 o edifício acolheu a Escola de Aprendizes e Artífices, que ali funcionou até 1913 ou 1914, quando se transferiu para outro prédio, dando lugar à instalação do Batalhão da Polícia Militar. Nos dias 23 e 24 de novembro de 1935, durante o levante comunista no Rio Grande do Norte, a velha e sólida construção resistiu às granadas e à fuzilaria dos que o atacavam. Após  a refrega, o edifício passou por uma recuperação e voltou a servir à mesma função militar de antes, até 1953, ano em que o Quartel da Polícia transferiu-se para outro prédio. Com a desocupação do imóvel, teve início uma campanha em favor da cessão do mesmo, pelo governo estadual, à Casa do Estudante, que funcionava em prédio alugado.Atendido o pleito, a Casa do Estudante ali iniciou suas atividades em 22 de agosto de 1956. De expressivo valor arquitetônico, o prédio conserva as características neoclássicas de sua primitiva construção. Histórica e arquitetonicamente é obra de relevante valor, pelo que recomendamos seu tombamento".
 
Cícero Martins - Juiz de Direito e Conselheiro
A sentença decretada pelo Juiz Cícero Martins  decreta a extinção da pessoa jurídica Casa do Estudante do Rio Grande do Norte, determina a devolução e incorporação do prédio ao patrimônio do Estado do Rio Grande do Norte e dá outras providências.

Francisco Martins
08 de maio de 2019

terça-feira, 7 de maio de 2019

UMA REVISTA COM CHEIRO DE MULHER

A  Academia Norte-Rio-Grandense de Letras entregou aos leitores a mais nova revista, a de nº 58 - referente a janeiro/março.  A primeira edição do periódico em 2019 é totalmente voltada  para o tema "Mulher e Literatura", uma sugestão da escritora Rizolete Fernandes dada à Acadêmica Diva Cunha, que propôs ao Diretor da Revista, o Acadêmico Manoel Onofre Jr.
  
A Revista está densa, com a participação das seguintes mulheres: as  Acadêmicas: Diva Cunha, Leide Câmara, Eulália Duarte Barros, Sonia Faustino e as escritoras Constância Lima Duarte, Rizolete Fernandes, Marize Castro, Midiã Ellen White de Aquino, Carmem Vasconcelos, Conceição Flores, Diulinda Garcia, Araceli Sobreira,  Ângela Gurgel, Ludmila Gesteira, Anchella Monte e a inesquecível Auta de Souza. É o mais bonito ramalhete de escritoras que a Revista da ANRL conseguiu reunir ao longo da sua existência, desde 1951. Nunca, em edições anteriores, houve uma afluência desta magnitude.
As páginas desta revista ficarão na história como perfume de agradável aroma literário. Até mesmo os homens que dela participaram volveram seu olhar para o universo feminino. O Presidente Diogenes da Cunha Lima  e  Vicente Serejo trazem a lembrança de Zila Mamede, o Editor Thiago Gonzaga balança os galhos da pitangueira em flor e mostra Palmyra Wanderley pelos jornais da imprensa brasileira, o  Diretor da Revista - Manoel Onofre Jr -  relembra  Myriam Coeli, Nelson Patriota  escreve sobre a  contista Kristen Roupenian, Valério Mesquita  presta homenagens a notáveis mulheres da sociedade potiguar, Daladier Cunha  revela que Giselda Trigueiro é nome de uma das mulheres que figura na sua lista tríplice de admiração, Jurandyr Navarro pinta em seu artigo um belo quadro de Anadil Roselli, médica natalense que poucos ouviram falar. Carlos Gomes escolheu o tema "Saudade e Gratidão" para falar sobre Anna Maria Cascudo Barreto e concluindo esta parte da revista, Benedito Vasconcelos nos transporta a um  casamento naquele tempo do sertão  dos nossos ancestrais.
A parte de contos e crônicas tem a participação de Iaperi Araújo, com o texto "Duas Irmãs" que  dá ao leitor a certeza de boas risadas. Clauder Arcanjo  no conto "A Mulher Consolação" entrega ao ledor a química salvadora que há no ato de cozinhar e escutar. Jarbas Martins, que poupa palavras, também escreveu um mini-conto "O manual amoroso de Socorro". Por último, a Revista resgata um texto de Henrique Castriciano, escrito há  111 anos,  sobre a identificação do sitio onde nasceu Nísia Floresta.
E fechando as matérias, a última parte, dedicada à poesia, degustamos da arte de Auta de Souza, Anchella Monte, David de Medeiros Leite, Lívio Oliveira, Lisbeth Lima, Paulo de Tarso Correia de Melo e Roberto Lima de Souza, num conjunto de poemas tão profundos quanto as almas desses autores.
Eis aí a Revista nº 58, com cheiro  e beleza de mulher!

Francisco Martins
07 de maio de 2019

segunda-feira, 6 de maio de 2019

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO - PICOLÉ OFENDE?

Mané Beradeiro estava no mercado quando apareceu uma senhora e pediu um picolé. Saiu com o sorvete na mão e se deparou com Mané Beradeiro. Antes de começar a degustar perguntou ao poeta:
-Mané, sabe dizer se picolé ofende para quem está grávida?
Mané olhou para a mulher, arregalou os olhos e de maneira bem espantada falou:
-Ofende, e muito!
-Por que?
-Porque o menino nasce fresco.

MÃE




 Mãe é palavra tão doce
 Que sinto no paladar 
 Não há amor nesta terra 
 Que possamos comparar
 Somente o amor de mãe
 Tem o primeiro lugar.

 Ela nasceu pra brilhar
 Com o seu ventre fecundo 
 Ele é quem carrega o filho 
 Com amor belo e profundo
 Só ela é quem dá a luz 
 Trazendo o filho pra o mundo. 

 O seu prazer é profundo
 O seu colo é proteção 
 O seu cheiro traz conforto
 Dar a vida inspiração 
 O seu peito verter afeto 
 Amor e sofreguidão.

 É árdua sua missão
 Não se sabe seu valor 
 Só sei que é grande tesouro 
 Não se mede seu amor
 Porque quando o filho sofre
 A mãe é quem sente a dor.

 A mãe merece louvor 
 Por que é a flor mais bela 
 No jardim da existência
 Ela é bonita e singela
 Exalando seu perfume
 Que sai do coração dela. 

 Toda mãe cuida, ama e zela
 Seu afeto é duradouro
 O seu amor logo excede
 Ao mundo pesado em ouro 
 É por isso que se diz 
 Que mãe é o melhor tesouro. 

 Quantas mães abafam o choro
 Ao ver seu filho sofrer 
 Ela faz o impossível 
 Para nenhum perecer 
 Não há no mundo quem possa 
 O amor de mãe descrever. 

 Ela é o mais perfeito ser
 Que as vezes fica invisível 
 Mas o seu amor profundo
 Serve bem de combustível
 Por isso que ela faz coisas
 Que até se acha impossível.

 Mas Deus a fez tão incrível 
 E dotou - lhe de beleza
 O seu olhar poderoso
 Só transparece pureza 
 Mãe é palavra tão doce
 Que adocica a natureza.

 Afeto e delicadeza
 Ofusca do seu olhar
 Tem o sorriso mais puro
 Quando vem nos abraçar
 Além de mostrar doçura
 Que só ela sabe amar. 

  El Gorrión 
  Itatuba-PB

domingo, 5 de maio de 2019

CAUÃ MAIS UM APAIXONADO PELO LIVRO



Foi agora, neste momento, estou na parada de ônibus e se aproxima um menino, creio que deva ter 11 anos.
- Moço o senhor foi quem escreveu O Meu Pé de Laranja Lima?
- Não, eu sou um estudioso da vida e obra do autor. Você já leu?
- Estou lendo na Escola Rubens Lemos e gostando muito!
- Que bom! Qual seu nome?
- Cauã. Onde eu posso comprar esse livro? É caro?
Meu coração acelerou. Não pensei duas vezes e garanti a felicidade daquele leitor.
- Cauã eu vou conseguir um livro para você.
O sorriso estampado selou a tarde que faz o ofício de esconder o sol. Hoje é domingo, mas juro que ouvi lá embaixo, na linha férrea o Mangaratiba apitar.
Viva a leitura!

Francisco Martins
Parnamirim RN, 5 de maio 2019   

quarta-feira, 1 de maio de 2019

BREVE MAIS UMA RESENHA SOBRE CORDEL

Mané Beradeiro, poeta cordelista e pesquisador do cordel brasileiro, está escrevendo mais uma resenha sobre este gênero literário. Desta feita o tema será Suspense e Terror. A resenha começou a ser escrita no dia 22 de abril e deverá ser publicada brevemente. Aguardem!

UM CONVITE ESPECIAL


Ao nosso público querido
Nós queremos convidar
Para ir ao CORDELATRO
Nos vê e prestigiar
Lá na Aliança Francesa
Numa noite espetacular.


Vai ter Cordel e Teatro
Numa grande parceria
Junção destas duas artes
Num palco com alegria
Com poetas declamando
E uma atriz misturando
Real com a fantasia.


Gélson Pessoa


"RIO DE LEITURA" HOMENAGEIA ESCRITOR MEDIADOR DE LEITURA

Eu sei que a gratidão não é moeda para ser guardada nos cofres de bancos, não deve ser usada para adquirir elogios, mas sua função, seu mérito é propagar o agradecimento. E isso que eu quero fazer nesta primeira postagem do mês de maio de 2019. Quero ser grato ao projeto Rio de Leitura, na pessoa da Professora Angélica Vitalino  por ter lembrado deste escriba, contador de histórias, manipulador de bonecos, poeta e detentor de outros talentos em prol da cultura. Extensiva são estas palavras à Professora Vandilma de Oliveira, educadora que hora serve a população de Parnamirim-RN, no cargo de vereadora, por ter sido a autora da proposição da sessão solene em homenagem aos integrantes do projeto " Parnamirim, um rio que flui para o mar da leitura". O evento foi na tarde de ontem, na Câmara dos Vereadores, com a presença de vários professores, familiares, políticos e alunos. Recebi o símbolo da homenagem pelas mãos da Professora e também Vereadora Nilda da Silva Cruz.

terça-feira, 30 de abril de 2019

FRANCISCO MARTINS PARTICIPA DE SESSÃO NA CÂMARA DOS VEREADORES DE NATAL

O escritor Francisco Martins participa na manhã de hoje, 30 de abril, de uma reunião sobre a Frente Parlamentar do Livro e da Leitura, em Natal, que tem como Presidente a Professora Eleika Bezerra, vereadora. Os partipantes houvem relatórios do que está sendo feito no âmbito da Capital sobre o assunto e as metas que ainda serão executadas, como por exemplo as bibliotecas polos. Escritores, professores, bibliotecários, leitores e representantes de instituições ligadas ao livro e à leitura.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

BECO DA LAMA É BERÇO DO OFÍCIO DE TIPOGRAFIA EM NATAL


O Beco da Lama, em Natal, tem sido desde o início do ano um lugar bastante procurado pelos natalenses e turistas, graças   ao  trabalho de revitalização que a Prefeitura de Natal fez naquele espaço. A Rua Vaz Gondim ( nome oficial) é lugar de encontro de boêmios, poetas, músicos, artistas em geral. O que poucos sabem é que foi ali, que em 2 de setembro de 1832, quando então se chamava Rua do Meio, foi instalada a primeira oficina de tipografia de Natal, sendo o primeiro tipógrafo o alemão Carlos Eduardo Muller, que imprimia O NATALENSE.  Quem nos conta esta história é Câmara Cascudo, na Acta Diurna de 20 de maio de 1940, coisas de 79 anos passados, mas qua ainda nos faz um bem enorme.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

MANÉ BERADEIRO É O NOVO COLUNISTA DA REVISTA ELETRÔNICA KUKUKAYA

Desde o mês de outubro de 2013 que a  revista eletrônica Kukukaya existe e é disponível para o público no sítio VirtualCult, totalmente de forma gratuita. A revista é voltada para assuntos culturais e tem periodicidade bimestral e o mais recente número foi o 34, podendo ser lida em PDF ou FlipBook.

A novidade nesta revista é que o poeta Mané Beradeiro terá uma coluna específica destinada ao cordel brasileiro, onde ele irá expor suas resenhas e outras coisas sobre o assunto. Na próxima revista será publicada a resenha sobre Os cabras de Lampião.

terça-feira, 23 de abril de 2019

REVISTA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS PUBLICA CONTO DE ESCRITOR MACAIBENSE

Renard Perez, escritor nascido em Macaiba (1928) e falecido no Rio de Janeiro (2015) tem conto publicado na Revista Brasileira (edição nº 98 - janeiro a março 2019) da Academia Brasileira de Letras. O conto escolhido foi Gente Boa. Os leitores podem ter acesso no link da revista virtual clicando aqui:Renard Perez

GERALDO QUEIROZ TOMARÁ POSSE NA ANRL NO MÊS DE MAIO

Afonso Bezerra

Sanderson Negreiros


A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras agendou a posse do jornalista e professor Geraldo dos Santos Queiroz, para o dia 23 de maio de 2019, às 20 h, em sua sede. Geraldo dos Santos Queiroz foi eleito para a cadeira 40, sucedendo Sanderson Negreiros, que foi o fundador da cadeira cujo patrono é Afonso Bezerra.


domingo, 21 de abril de 2019

ALUNOS DA ESCOLA JACIRA DE MEDEIROS TÊM AULA DE CAMPO

A cultura é um conjunto universal que envolve o homem em sua totalidade. Conhecer os elementos desta cultura e o ponto de intersecção que faz parte do Rio Grande do Norte e quem nele vive é primordial para o crescimento  de nossas crianças.
Por tal razão,  um grupo de alunos da Escola Municipal  Jacira de Medeiros, localizada no bairro Nova Esperança, em Parnamirim-RN, estará saindo amanhã, pela manhã,  de trem,  com destino a Natal, sob a guarda das Professoras Aracy Gomes e Valéria Vaz, com a ajuda de outros professores. .Neste ínterim, os alunos dentro do trem compartilharão leituras com os demais passageiros. É a ação: Trilhando a Poesia. Chegando em Natal, a turma irá primeiramente para a Rua Vaz Gondim, mais conhecida como Beco da Lama, onde estará esperando pela turma, o  escritor Francisco Martins que depois fará um passeio histórico pelo bairro da Ribeira.

CEEP LOURDINHA GUERRA PROMOVE ENCONTRO SOBRE A LITERATURA POTIGUAR

O escritor Francisco Martins estará na tarde desta segunda feira, dia 22 de abril, às 13 h,   reunido com duas turmas de alunos do Centro Estadual de Educação Profissional Professora Lourdinha Guerra, em Nova Parnamirim, conversando com a juventude sobre os primórdios da literatura potiguar.
O escritor falará sobre Auta de Souza,  Nísia Floresta, Isabel Gondim, Lourival Açucena, Luiz Carlos Lins Wanderley, Ferreira Itajubá entre outros. A conversa tem como título: Uma viagem pela literatura do Rio Grande do Norte.

PÁSCOA

FAZ TEMPO QUE NA HISTÓRIA
UM HOMEM VENCEU A MORTE
SEU NOME É JESUS CRISTO
PARA NÓS O PASSAPORTE
COM ELE EMBIOCAMOS
NO CÉU SEM PERDER O NORTE

Mané Beradeiro
20 de abril de 2019

quinta-feira, 11 de abril de 2019

UM SARAU GUARDADO NO CORAÇÃO

"Antes de mim outros poetas, depois de mim outros e outros..."

Drummond

 Foi na manhã de ontem, 10 de abril, que tive a alegria de participar do emocionante sarau  "As Viagens de Gulliver e uma Canção para Tom" realizado pelo projeto Rio de Leitura, na cidade de Parnamirim-RN, meu berço cultural.
Foi aqui que eu cresci como escritor, poeta,  cordelista, editor cartonero, palhaço, contador de histórias, manipulador de bonecos, etc. 
Ontem, Parnamirim mostrou através do sarau  que  embora estejamos vivendo  no tempo de homens partidos, há uma força que é capaz de vencer todas as barreiras e ela estava naquela manhã vestida de poesia.

 Falava através de olhares, gestos, bocas de crianças e adultos que tiveram a sensibilidade de entender o verso do poeta  gauche na vida: "eu preparo uma canção que faça acordar  os homens e adormecer as crianças".
Tenho um orgulho imenso em saber que quando forem contar a história do livro e da leitura em Parnamirim, em alguma estrofe há de estar meu nome.

Francisco Martins
11 de abril de 2019

 

terça-feira, 9 de abril de 2019

ESCOLA RUBENS LEMOS - FRANCISCO MARTINS CONVERSA COM OS ALUNOS SOBRE LOBATO




AGENDA CULTURAL

Nesta quarta-feira, dia 10, Francisco Martins participa pela manhã do Sarau As Viagens de Gulliver e uma canção para Tom, no auditório Glênio José, em Parnamirim.
À tarde, 13 hs, o escritor estará de volta à Escola Edmo Pinheiro, no bairro de Cajupiranga, onde dará continuidade à série de palestras sobre Lobato o homem que encantou as crianças, dentro das festividades da Semana Nacional do Livro Infantil.

INFÂNCIA


Carlos Drummond de Andrade

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!


Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

FRANCISCO MARTINS INICIA UMA SÉRIE DE PALESTRAS SOBRE MONTEIRO LOBATO

Influência para várias gerações de leitores, o autor do Sítio do Pica Pau Amarelo, clássico da literatura fantástica, ainda é uma boa porta de entrada para estimular o comportamento leitor dos alunos da rede municipal de Parnamirim.  

          Durante a Semana Municipal do Livro e da Leitura de Parnamirim, o pesquisador Francisco Martins está ofertando voluntariamente palestras sobre o editor Monteiro Lobato, em quase uma dezena de escolas municipais.  Hoje, dia 8 de abril, aconteceu na Escola Municipal Edmo Pinheiro mostrando fotos da infância e trajetória, livros raros e particularidades deste que foi o maior ativista em favor da literatura infantil.  Tudo feito de forma interativa e adaptada aos alunos do 1º ao 5º ano.







          Em um cenário que não era uma fazenda, e, sim, o pátio de uma escola no bairro de Cajupiranga, iam os bichos falantes e os personagens icônicos de Monteiro Lobato, para uma consulta com Dr Buti, personagem do livro infantil do escritor potiguar.  Sim, através de um trabalho incrível intertextual da mediadora de leitura Francisca de Assis, conversaram os livros de Francisco Martins e do pai da Literatura Infantil. 

          Para estes meninos e meninas que não foram crianças entre as décadas de 1930 e 1950, e não conheceram a literatura infantil por meio de algumas obras de Monteiro Lobato, certamente será inesquecível este trabalho de Francisco Martins.


"Livro não é gênero de primeira necessidade é sobremesa: tem que ser posto embaixo do nariz do freguês, para provocar-lhe a gulodice" (LOBATO, 2006).

         Ao fim da manhã, tia Anastácia convidou pais, professores e alunos para um bolinho fresquinho, sem conservantes, feito com muito carinho pela mediadora de leitura Ana Raquel e por todos que compoem a comunidade docente da Escola Edmo Pinheiro.  Uma delícia de programação!




P.S.: A série de confereência iniciaram na Escola Irene Soares e seguem assim:
Dia 9 de abril - Rubens Lemos - 8h; 
Dia 10 de abril - Edmo Pinheiro - 13h;
Dia 11 de abril - Manoel Basilio - 8h; 
Dia 12 de abril - Antônio Basílio -13h; 
Dia 15 de abril - Sadi Mendes - 8h;
Dia 29  de abril - Irene Soares - 8h

obs: texto e imagens < http://www.riodeleitura.com.br/2019/04/francisco-martins-inicia-serie-de.html>  em 08 abril 2019.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

COMENTANDO MINHAS LEITURAS: OS CABRAS DE LAMPIÃO


 Mané Beradeiro

“Os cabras de Lampião”, um poema épico do cordel brasileiro, classificado como “romance”, pois o texto supera 32 páginas. O  autor é Manoel D’Almeida Filho (1914-1995), natural de Alagoa Grande – PB, poeta que faz parte da segunda geração do cordel brasileiro (1920/1930). É sobre este texto que me debruço para escrever mais uma resenha. D’Almeida é um poeta que tem sua marca registrada na história do cordel.
 Quem desejar conhecer esta área não pode e nem deve deixá-lo à margem. É presença na “Antologia da Literatura de Cordel” (BATISTA, 1977, p. 303) e foi membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, sendo o primeiro ocupante da cadeira 20. Marco Haurélio não o deixou fora do capítulo: Pequeno Dicionário Biobliográfico da Literatura de Cordel  e não teme em afirmar: “Os cabras de Lampião, a obra prima  do autor é, indubitavelmente, a melhor biografia em versos sobre o famoso cangaceiro” (HAURÉLIO, 2013, p. 101).
Tomei conhecimento de um fragmento deste texto quando li “Guerreiros do Sol” (MELLO,2004, p. 315), mas somente recentemente eu pude degustar do poema em sua totalidade. A edição que li é da Editora Luzeiro, trazendo a apresentação de Nando Poeta e um texto de Aderaldo Luciano, poeta e pesquisador. Faz 54 anos que este poema foi publicado pela primeira vez, quando em 1965 saiu com o selo da  Prelúdio ( mais tarde, em 1973, passaria a ser chamada de Luzeiro).
Mergulhemos, portanto, no texto e vejamos o que nos traz “Os cabras de Lampião”.

1)          Dos Cangaceiros nomeados

“Lampião formou um grupo
Começou sua carreira,
Doze inclusive os irmãos
Era a sua cabroeira
Que passou a comandar
Sendo esta a vez primeira”
(D’Almeida Filho, 2018,p.10)

 A primeira coisa que iremos saber é que o poeta resgata neste cordel 103 nomes de cangaceiros (veja a lista abaixo), sem contar com os nomes das mulheres e aqueles que antecederam Lampião. Também não somei a esta lista os coiteiros, juízes, coronéis, padres e outras personalidades, que embora não vivessem no bando, não deixavam de ser “Cabras” de Lampião.
A maioria dos homens recebeu um nome de guerra, dado geralmente pelo próprio Lampião.
 
2)        Do espaço geográfico onde houve ataques, batalhas, sequestros e saques.

Quando entrava nos lugares
Cantava esta canção:
“O meu nome é Virgolino,
Me tratam por Lampião,
E com a revolta sou
Interventor do sertão”
(Idem, p.46)

Levei em consideração o período em que Lampião passou a liderar seu próprio grupo, que no texto é assinalado a partir da  página 10, estrofe 45 ( Lampião formou um grupo ...). As estrofes anteriores tratam da introdução e do batismo de fogo de Lampião. Virgolino Ferreira da Silva, o Rei do Cangaço, reinou de forma altaneira nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraiba, Pernambuco, Alagoas e Bahia, o sertão que ele conhecia.  O poeta D’Almeida apresenta nomes de 50 localidades por onde passou Lampião e seu bando.
No tocante às cidades de Pau dos Ferros, Apodi, Areia Branca e Martins, todas no Rio Grande do Norte, mas precisamente na Mesorregião do Oeste Potiguar, aqui, o poeta D’Almeida cometeu um erro ao escrever que elas pertenciam à zona do Seridó:

Porque antes de chegar
Às portas de Mossoró,
Fez a maior bagaceira
Na zona do Seridó,
Arrasou quatro cidades
Sem de ninguém sentir dó.

Foram as seguintes cidades,
Pelos cabras saqueadas:
Pau dos Ferros e Martins,
Que se viram incendiadas,
Apodi e Areia Branca
Da mesma forma queimadas
(Idem, p.30).

O Seridó é uma região formada por 54 municípios, sendo 28 do Rio Grande do Norte e 26 da Paraíba.



O poeta D’Almeida nos mostra que, embora Lampião fosse um homem de coragem,  sempre perdeu quando a população teve tempo para se preparar e enfrentá-lo. Foi assim em Mossoró:
Pois o povo a toda pressa
Em várias ruas cavou
As trincheiras necessárias,
Depois em armas pegou,
Em defesa da cidade,
A batalha se travou
...

Sob uma chuva de balas
Recuaram novamente.
Dessa vez a retirada
Foi definitivamente,
Levando como reféns
Três pessoas na sua frente.
(Ibidem, p. 30 e 31)

E a mesma experiência de derrota aconteceu também quando Lampião e seus cabras tentaram invadir a cidade de Capela:
Num cerco muito bem feito
Lampião viu-se envolvido;
Temendo ser preso ou morto,
Conseguiu sair fugido
De Capela, com o grupo,
Completamente batido.
(Ibidem, p.42)

Ainda sobre a presença de Lampião no Rio Grande do Norte, no tocante ao sequestro do Coronel Antonio Gurgel, no texto do poema, o autor não cita o nome da localidade, mas o escritor Raimundo Nonato da Silva vai esclarecer dizendo que foi em Mato Grande, localizado entre São Sebastião (atual cidade de Dix-Sept Rosado) e Brejo, onde morava o Coronel Antonio Gurgel (SILVA, 1965, p.40)
A lista com os nomes das localidades encontra-se no final.

3)        Teria sido Lampião o pioneiro em cavar um poço de petróleo na Bahia?
Diz o cordel que durante o tempo em que Lampião e seus cabras se esconderam na vasta região do Raso da Catarina, no estado da Bahia,  certa feita ele encontrou petróleo:
                        Um dia cavando um poço,
                        Naquele seu monopólio
                        Saiu uma água suja
                        Gordurosa como um óleo
                        Que ninguém pôde beber
                        Pois podia ser petróleo
                        (Ibidem, p. 44)

O Raso da Catarina compreende 99.777ha, sendo a única reserva biológica de caatinga do mundo. Lá, a temperatura atinge 43º C e água é líquido difícil de ser encontrado. A região tem também seu misticismo. Há uma lenda sobre a fazendeira Catarina que “lutou com a seca, mas foi derrotada por uma nuvem de gafanhotos que devorou a plantação de milho e feijão, deixando-a em estado de loucura e sozinha até o fim da vida. Dizem que seu espírito vaga a localidade ajudando vaqueiros a encontrar animais perdidos”.  Também foi no Raso da Catarina que se abrigou Antonio Conselheiro.
Achei importante trazer este assunto porque há nele um diamante que precisa ser lapidado. Fui cavar no campo da pesquisa e eis que me deparo com Manoel Inácio Barros, engenheiro agrônomo, que em 1930 vivia pela Bahia tentando descobrir petróleo. Tinha até conhecimento da existência do óleo usado pelos campesinos, que utilizavam como combustível para cozinhar. O poço cavado por Lampião foi em 1931, que de forma não intencional acabou encontrando petróleo no Raso da Catarina.  Oficialmente, o primeiro poço de petróleo foi perfurado no dia 29 de julho de 1938, em Lobato-BA.
 
4)        Tentativa de conversão da moeda da época para o Real de hoje

O leitor vai se deparar com várias estrofes que trazem a nomenclatura da moeda da época.  
Do Coronel Zé Rodrigues Lampião levou seis contos (p,12). Quanto seria isso hoje? Um conto de réis equivalia a mil mirréis (R$ 123.000,00), portanto numa tentativa aproximada o Coronel Zé Rodrigues perdeu para Lampião algo em torno de R$ 738.000,00 (setecentos e trinta e oito mil reais). Deixo abaixo a tabela de conversão para que o leitor faça a atualização.

1 Réis  = R$ 0,123
1     Mirréis (Mil Réis) = R$ 123,00
1 Conto de Réis ( Mil Mirréis) = R$ 123.000,00


5)        As ilustrações

As capas das duas primeiras edições são praticamente iguais, salvo por pequenos detalhes. Afirma  Doutor Aderaldo Luciano: “Uma traz uma indicação na parte superior esquerda com os dizeres “Edição Especial” e o nome do autor em caixa maior, quase centralizado. A outra o nome do autor vem do lado esquerdo, todo em caixa alta”.

(capa da segunda edição)

Ambas as edições (1965 e 1966) tiveram o selo da Prelúdio.  A Segunda edição traz 15 ilustrações.

       A mais recente, 2018, da Editora Luzeiro, também foi ilustrada, desta vez pelo artista Walfredo de Brito, que fez 11 desenhos e a capa.
Sobre o trabalho das ilustrações é inegável afirmar que o autor (não consegui identificar) dos desenhos da segunda edição, não teve a preocupação de fazer um minucioso estudo sobre o espaço físico, geográfico e cultural  no qual se passa a narrativa.  Já na edição recente, é notória a presença de elementos da cultura, o que corrobora a certeza de que Walfredo de Brito teve a preocupação de estudar o modus vivendi das personagens.


6)        Sobre a analogia das três edições

A priori a resenha seria construída apenas com base no que li da última edição, mas quando achava que estava terminando de escrevê-la, eis que sou procurado pelo poeta e pesquisador Dr. Aderaldo Luciano, nome já bastante conhecido no meio do cordel, para que fizesse uma analogia com as edições anteriores.
O Doutor Aderaldo Luciano não pensou duas vezes e me forneceu os textos da editora Prelúdio. Aí tive que ler e reler varias vezes,  e o resultado foi o seguinte: as três edições têm a mesma quantidade de estrofes, isto é: 575, sendo 573 sextilhas, 1 sétima e 1 quintilha (que representa  uma senha dentro da fala do coiteiro Antonio de Chiquinho, p.55), assim sendo, o romance  é composto por 3.450 versos.
Na orelha esquerda da última edição, no texto que escreve o poeta e pesquisador Doutor Aderaldo Luciano, ele cita que há 653 estrofes.  Onde estariam as outras? Teria D’Almeida revisado o cordel e tirado tantas estrofes? Onde Doutor Aderaldo Luciano pegou esta informação?
A resposta que o pesquisador me deu foi que ele se baseou na ficha técnica do cordel que afirma ter 652 estrofes em sextilhas mais a estrofe final (assinatura ALMEIDA), totalizando 653.  Ele confiou na ficha técnica e a informação não bate com a quantidade real, que é de 575 estrofes.
Tive o cuidado de fazer uma leitura de forma vagarosa, sempre em conjunto de 10 estrofes   visando apurar se o texto permanece o mesmo nas três edições.  O achado foi este:
Página 16 (sempre estarei usando a última edição 2018)
 Que a um seu coiteiro traiu (edições 1 e 2)/ Que a um coiteiro traiu (edição 3).
Página 22
Até a última bala ( 1 e 2)/  Até vir a última bala (3)

Página 35
Especialmente, um médico (1 e 2)/ Um médico, especialmente (3)
Página 37
Tá’qui a moça, capitão (1 e 2)/ Eis a moça, capitão (3)
Dificilmente um cangaceiro usaria “Eis” em sua fala. Optaria sempre pela expressão coloquial “Tá’qui”.
Página 40  (a estrofe 322)
Já na estação, o trem
Chegou, saltou um soldado,
Lampião tomou-lhe as armas
E perguntou alterado:
-Macaco, se for baiano,
Agora mesmo é sangrado. 

Deixei em negrito “perguntou” porque  considero que aqui, o leitor possa achar que o poeta deveria ter usado “afirmou”, pois aparentemente Lampião está afirmando e não perguntando. Na verdade  a afirmação de Lampião contém uma pergunta indireta: queria saber se ele era baiano.
Página 41
Correram a tarde toda (1 e 2)/ Correram uma tarde toda (3)
Página 46
Agora com a revolta (1 e 2)/ E com a revolta eu sou (3)
Página 63
Suspeitou que Pedro Cândido ( 1 e 2)/ Achou que Pedro de Cândida (3)
Era o cabo João Bezerra (1 e 2)/ O tenente João Bezerra (3)
Sobre esta “promoção” de cabo para tenente  a coisa se repete nas páginas 64, 65, 67.

Página 64
Perceba o leitor que aqui houve um desfiguramento da imagem criada pelo poeta D’Almeida e que estão presentes nas edições 1 e 2. Veja:                

                   Um dos grupos dessa tropa
Ele mesmo o comandava,
Outro: o soldado Aniceto,
Em quem muito confiava,
O terceiro: um aspirante
Que Francisco se chamava

Na  edição 3 ficou assim:
                    Um dos grupos dessa tropa
                    Ele mesmo o comandava.
                    Era o sargento Aniceto,
                    Em quem muito confiava.
                    O terceiro: um aspirante
Que Francisco se chamava

Achei que não ficou bem clara a divisão, como estabeleceu o poeta nas duas primeiras edições.

 Página 67
Que se o cabo não estivesse ( 1 e 2)
Caso ele não esteja (3).

Nomes dos Cabras de Lampião

1)   Açúcar
2) Amoroso
3) Ângelo Roque
4) Antonio
5) Antonio de Engraça
6) Arvoredo
7) Asa Branca
8) Asa Negra
9) Ascilino
10)            Azulão
11)             Balão
12)            Barata-Azul
13)            Beija-Flor
14)            Besta-Fera
15)            Bom de Vera
16)            Bom-na-Tabica
17)            Cacheado
18)            Caixa de Fósforos
19)            Cajarana
20)          Cajazeira
21)            Canário
22)          Candieiro
23)          Caninana
24)          Canjica
25)          Carrapicho
26)          Catingueira
27)          Chá-Preto
28)          Chico-Peste
29)          Ciço
30)          Cobra-de-Cipó
31)            Cobra-Verde
32)          Colchete
33)          Come-Cru
34)          Cordão de Ouro
35)          Corisco (Diabo Louro)
36)          Correnteza
37)          Cravinho
38)          Cravo Roxo
39)          Criança
40)          Cruzeiro
41)            Delicado
42)          Demudado
43)          Desconhecido
44)          Deus-Te-Guie
45)          Devoção
46)          Diferente
47)          Elétrico
48)          Esperança
49)          Ezequiel (Ponto-Fino)
50)          Ferrugem
51)            Gato-Bravo
52)          Gorgulho
53)          Gorro
54)          Graúna
55)          Guri
56)          Jararaca
57)          Jitirana
58)          José Baiano
59)          Jurema
60)          Jurema
61)            Lavareda
62)          Limoeiro
63)          Livino
64)          Luis Pedro
65)          Mansidão
66)          Mariano
67)          Marreco
68)          Massiolon
69)          Medalha
70)          Meia-Noite
71)            Mergulhão
72)          Moderno
73)          Moita Brava
74)          Mormaço
75)          Mourão
76)          Nevoeiro
77)          Pai Véio
78)          Pajeú
79)          Pancada
80)          Passarinho
81)            Patori
82)          Pavão
83)          Peitica
84)          Pinga-Fogo
85)          Pinto-Cego
86)          Pó Corante
87)          Português
88)          Quixabeira
89)          Rio Branco
90)          Sabino
91)            Sabino Gomes
92)          Sabonete
93)          Santa Cruz
94)          Sexta-Feira
95)          Velocipe
96)          Ventania
97)          Vicente (Lua-Branca)
98)          Vinte e Cinco
99)          Volta-Seca
100)       Xexéu
101)        Zabelê
102)       Zé do Sapo
103)       Zepelim

Nomes das localidades citadas no cordel

1)          Alagadiço
2)        Ana-Bebé
3)        Angico (onde Lampião morreu)
4)        Apodi
5)        Aquidabã
6)        Areia Branca
7)        Belmonte
8)        Bom Nome
9)        Buíque
10)     Cabrobó
11)      Caminho do Juazeiro do Norte – confronto com a Coluna Prestes
12)     Caminho entre Mossoró e Limoeiro do Norte ( assaltou vários fazendeiros)
13)     Caminho perto de Mossoró – onde sequestrou o Coronel Antonio Gurgel.
14)     Capela
15)     Casa do Coronel Antonio Gurgel ( perto de Mossoró)
16)     Fazenda das Abóboras
17)     Fazenda de Clementino Furtado
18)     Fazenda de Olho D’Agua
19)     Fazenda em Sergipe (não identificada)
20)   Fazenda Melancia
21)     Fazenda Touro
22)   Fazendas de Limoeiro do Norte
23)   Flores
24)   Floresta dos Navios
25)   Gangorra
26)   Gavito
27)   Itapicuru
28)   Jeremoabo
29)   Leopoldina
30)   Martins
31)     Matinha de Água Branca – AL
32)   Mossoró
33)   Pau dos Ferros
34)   Pinhão
35)   Serra de Baixa Verde (onde Lampião é ferido pela primeira vez numa batalha)
36)   Serra do Araripe (Lampião é atingido no peito durante um tiroteio)
37)   Serrinha
38)   Serrote Preto
39)   Sousa
40)   Trecho entre Flores e São João dos Leites
41)     Triunfo
42)   Várzea da Ema
43)   Vila Algodões
44)   Vila da Taboca
45)   Vila da Tapera
46)   Vila de Arrasta-Pé
47)   Vila de Custódia
48)   Vila do Espírito Santo (3x)
49)   Vila do interior de Sergipe (não identificada)
50) ila Malhada da Caiçara (Distrito de Santa Brígida)

Agradeço aos colaboradores Doutor Aderaldo Luciano, Nando do Cordel e Gilberto Cardoso e por fim finalizo a resenha plagiando uma estrofe do autor:

                     Tudo que aqui narrei
                    Dos cabras de Lampião,
                    Li e fiz releitura
                    Pensando no meu sertão.
                    Não tenho culpa se houve
                    Erros na informação.

Parnamirim-RN, 10 a 19 de março 2019

Referências

1)          BATISTA, Sebastião Nunes. Antologia da Literatura de Cordel. Natal: Fundação José Augusto, 1977.
2)        CASCUDO, Luís da Câmara. Nomes da Terra. Natal: Fundação José Augusto, 1968.
3)        D’ALMEIDA FILHO, Manoel.  Os cabras de Lampião. São Paulo: Editora Luzeiro, 2018.
4)        MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do Sol – Violência e banditismo no Nordeste do Brasil. São Paulo: A Girafa, 2004.
5)        HAURÉLIO, Marco. Literatura de Cordel – do sertão à sala de aula. São Paulo: Paulus, 2013.
6)        SILVA, Raimundo Nonato da. Lampião em Mossoró.  Rio de Janeiro: Editora Pongetti, Coleção Mossoroense – Série C – Volume XVI – 3ª edição, 1965.