quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O PAI DA FÉ


Autor: Mané Beradeiro

Num lugar muito distante
Do outro lado do mundo
Pras bandas do Oriente
Começou algo profundo.

Já se foram muitos anos
Diz o padre e o crente
Mas a vida desse amo
Foi vivida diferente

Nasceu no Crescente Fértil
No politeísmo viveu.
Chamaram-lhe de Pai da Fé
E também primeiro hebreu.

Com ídolos que são pagãos
Ele nunca se envolveu
Com setenta e cinco chão
Deixou a Ur dos Caldeus.

Abrão filho de Terá
Casou com a linda Sarai
Mas não sabia pra quem deixar
Servos, bois e coisas tais.

Não tinha filhos o casal
Por ser a mulher estéril.
Mas Deus, o fenomenal,
Fê-lo saber um mistério.

Pai de uma grande Nação
Maior que o pó da Terra
E toda a constelação,
Nele, Abrão, se encerra.

O nosso herói acatou
Com fé, fervor e convicção
Onze anos já se passou
E Sarai sem o barrigão.

A mulher tomou partido
Meteu os pés pelas mãos
O marido enxerido
Atendeu a explicação.

A serva Agá embuchou
Chegou o filho Ismael
E toda a tribo notou.
Viria dele o Israel?

Se Deus promete, cumpre.
Não precisa aperrear.
Não se aveche e sempre
Esteja nele a confiar.

Deus disse:"-Né assim não!
Quem manda aqui é Javé.
Abrão passou a Abraão
E Sarai, Sara, a 'mulé'.

Agora preste atenção
E veja como o Criador
Que conhece o coração
Resolveu sem o fiador.

Primeiro fez aliança
Aqueles homens dizendo:
"-Vocês são a esperança
do povo que vem crescendo".

Noventa e nove 'ano'
Tinha agora Abraão
Ordenou o Soberano:
"-Vá e faça um meninão".

"-Sai prá lá meu velhozinho.
Não vê que é madrugada?
Hoje não lhe dou carinho.
Estou muito pertubada".

"-É dor de cabeça meu bem?"
Perguntou o velho Abrãao.
Sara riu e disse: "-também".
E na tenda só intenção!

Por ter recebido ordem
E ser um servidor fiel
Agora os crentes podem
Fazer parte de Israel.

Ele no Senhor confiou
E foi no seu centenário
Que Isaque na mãe mamou,
Não precisa comentário.

Viu como é que Deus faz?
Não carece aperrear,
Seu relógio não se desfaz
Saiba em Deus confiar.