quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"O SALVO DAS ÁGUAS" O MAIS NOVO CORDEL DE MANÉ BERADEIRO

Mané Beradeiro e seu jumento Ananias tem andado por aí conquistando o público que gosta de ouvir cordéis, poesias matutas e causos. Uma peculiaridade do personagem de Mané Beradeiro é que ele vem se dedicando à criação de cordéis bíblicos, baseado nas histórias do maior e mais vendido livro do mundo, a Bíblia. Desde o ano passado que ele já lançou os seguintes títulos:
1) O Cordel da Salvação
2) Assim Veio o Homem
3) O Engenheiro Noé
4) O Pai da Fé
5) O Administrador José

Agora, em novembro, Mané Beradeiro lançará dentro desta Série Bíblica, o 6º título  "O Salvo das Águas", que trata sobre os primeiros três anos da vida de Moisés, de acordo com o que narra o Livro de  Êxodo,  capítulos 1 e 2 até o versículo 10.
Em primeira mão segue o texto ainda inédito em folheto de cordel:


O SALVO DAS ÁGUAS

Tem ordens que são cruéis
Ninguém pode duvidar
Mas nem tudo é prá sempre
Você há de acreditar
O ódio e o amor
Vão sempre se enfrentar,

Vou narrar um episódio
Que no Egito passou.
É coisa de muitos anos
Que na História ficou,
Fato emocionante
Que muita gente chorou.

Os filhos de Israel
Começaram a crescer
As mulheres davam luz
Mesmo sem estremecer,
Pareciam Maristela
Parindo sem perceber.

Com tanta gente na terra
Faraó se preocupou
Falando desse jeito:
“-Este povo aumentou
Se continuar assim
Nosso reino se acabou”

Prá evitar tal sumiço
O Faraó teve plano
Cansar os israelitas
Matando eles de sono
De tanto trabalho duro
Intenso e desumano.

Piton e a Ramessés
Foram as edificadas
No lombo daquele povo
 Em muitas madrugadas
Sem caminhão e caçamba
As pedras foram fincadas.

Mas os homens eram fortes.
De dia nas olarias
Braço,  peito se moíam
De noite só alegrias
Sem  ter televisão,
Pegue bucho nas  Marias.
Sifra e Puá sabiam
Que naquela agonia
Com aquele vuco-vuco
Outra coisa não viria
Só meninos e meninas
No Egito existia.

Faraó ficou foi bravo
“-Como pode acontecer?”
Perguntava  soberano
E nunca ia entender
Que querendo  Jeová
Ninguém pode  suspender!

“-Chamem aqui as parteiras!”
Ordenou o Faraó
Sifra e Puá vieram
Tremendo que só cipó
Ouviram daquela boca
“-Matem os filhos de Jacó.”

Joquebede  embuchou
E dentro daquele ventre
Um profeta lá ficou.
E agora minha gente,
Que será desta família
 Tão pobre  e impotente?

Diz a Bíblia, que não erra,
Que o menino nasceu.
Nos braços de sua mãe
Três meses ele viveu
Até  que chegou o dia
Que a mãe não esqueceu.

Por ser ele um menino
Não poderia viver
Era a ordem  do rei
Não ia desobedecer
Joquebede em sua fé
Não deixou se comover.

E Lembrando de Noé
Ela foi sem vacilar
Trouxe um cesto de betume
E a criança fez deitar
Era a arca do seu filho
No Nilo a navegar.
O cesto  desceu o Nilo
Joquebede foi chorar
Lamentando ter perdido
O menino sem criar
Não sabia a mulher
Onde iria ele parar.

Miriam ficou olhando
Aquela cena sem par
Até que notou barulho
De Mulheres a chegar.
Miriam se escondeu
E ficou a brechar.

Dentre elas lá estava
A filha do faraó
Que notou algo estranho
No meio dos cipó
Mandou uma serva ir
E trazê-lo sem ter dó.

Àquela prontidão
A princesa se rendeu
Diante do menino
Logo ela percebeu
Ser seu destino-mor
Salvar aquele plebeu.

Miriam saiu da moita
E a ela foi dizendo:
“-Eu sei de uma mulher
Que pode amamentando
Ser babá deste menino
E cuidar dele amando”.

A princesa ordenou:
“-Corra, traga a mulher,
Quero vê-la sem demora”.
Miriam fincou o pé
“-Corre, mãe, ele voltou,
Vai cria-lo pela fé”.

E naquele mesmo dia
A criança ao lar voltou
Teve muita oração
A Deus Pai que salvou
Usando gente da alta
Que seu plano nem notou.
E foi lá naquela casa
Nos braços da genitora
Que educação primária
Foi sua mola propulsora
Mas tarde em sua vida
Não esqueceu a tutora.

Foram três anos apenas
Que fizeram diferença
E  soube a Joquebede
 Usá-los com paciência.
Na missão tão  sagrada
Daquela benevolência.

Então veio a princesa
Levar o nosso Moisés
Que foi Salvo das Águas
Nos meio dos igarapés
Para viver no palácio
No meio dos coronéis.

     Inté
26 de outubro de 2011