segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cartas para Mel – XV – Um pai resumido a palavra AMOR


Por Flávio Rezende*

Linda e doce Mel, o Dia dos Pais de 2010, eternizado em nosso calendário gregoriano caiu aos oito dias de agosto, revelando no céu de nossa terra potiguar, um azul irretocável e com um clima agradável que dispensou na boca dos locais, a sempre presente reclamação do calor excessivo e sufocante.

Neste agradável grau a vida pulsava lá fora em movimentos que muito me interessam como o vai-e-vem das pessoas, o deslocar dos carros levando seres para confraternizações diversas e, a sempre bela e exuberante natureza me aguardando para revelar em homeopáticas aparições, toda sua majestade e formosura, que muito alegra e torna sem igual meus passos nas manhãs ensolaradas e de matiz iluminada, da querida Natal.

Assim, depois de receber seu sorriso encantador logo cedo, embelezado pela presença de sua amável mãe Deinha e, aguardando a chegada do seu irmãozinho Gabriel, empreendi os passos na caminhada do bem, que para seu pai, é o melhor presente que me dou, pois é no caminhar que desabrocho em pensamentos para ações que culminam em resultados positivos para muitos seres existentes, além de contribuir para o éter planetário, com emanações de bons sentimentos, pois pertenço a uma plêiade de “hominais”, crentes que é preciso emitir bons pensamentos, limpando assim nossa aura terrestre de energias deletérias.

E no caminhar deste domingo de luz, direcionei meus pensamentos para os pais, observando no trocar dos passos, relações afetivas que foram se apresentando, algumas no início, como a nossa, com bebês em carrinhos e, outras mais maduras, como adolescentes e, até, pessoas mais velhas de mãos dadas, todos emoldurados por sorrisos e carinhos de toda espécie, numa mistura de certezas e incertezas, que permeiam as relações, muitas das quais de futuro, outras já de eminente perda.

Minha tão querida Mel, registro nesta primeira carta do Dia dos Pais para você que, dentro do seu pai reinam leis e decretos que podem se resumir numa só constituição. Tudo que penso, tudo que faço, tudo que normalmente realizo é fácil de ser identificado através de um único DNA. Procuro direcionar meu trabalho como jornalista, minha atuação como pai, como marido, filho, o tempo e as ações em geral para com uma só intenção.

E, linda Mel, toda essa unicidade explicitada em parágrafo anterior, tem sua convergência, sua união na palavra AMOR. E esse amor não se encerra no amor que se observa em beijos e abraços, neste amor que une corpos. O amor ao qual me refiro é uma atitude, é uma beatitude, é uma constante que pode ser facilmente detectada presencialmente e, para alguns, sentida na própria leitura deste artigo.

Quando escrevemos com AMOR, imantamos na tela ou no papel o que sentimos, em alguns filmes, livros, peças de teatro, coreografias ou quadros, sentimos o AMOR extrapolando os limites físicos das obras e abarcando a todos com sua energia divina.

É desse amor que falo, é desse amor que vivo, é esse amor que acompanha meus passos quando caminho, o amor que está presente quando brinco com você, o amor que explode em orgasmos quando me dissolvo em sua mãe, o amor que fica óbvio quando estou diante de Gabriel, o amor que salta aos olhos diante dos pais, irmãos e pessoas em geral.

O amor que move meu ser na ajuda ao próximo, o amor que me fez erguer o templo da Casa do Bem, o amor que tenho pelos animais me abstendo de comê-los, o amor pelas cidades, pelas religiões, pelas letras e artes, pela arquitetura, pelos mares, lagos, montanhas, filmes, livros, mestres espirituais e o amor universal que me dissolve em tudo e em todos, é o maior presente que um PAI pode receber e, é esse amor que EXISTE disponível ai para todos, cabendo a cada PAI, MÃE ou a qualquer UM, atrair para si, o respirando, se fundindo NELE, pois esse é o amor que o PAI nos oferta generosamente a toda hora e em todo lugar.

*É escritor, jornalista, ativista social, pai de Mel, Gabriel e esposo de Deinha em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)