quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A GRANDE E FEIA NOIVA DE CONCRETO


Minha cidade já foi tão romântica. Tinha homens que andavam pelas calçadas e quando passavam pelas senhoras davam bom dia e tiravam o chapéu.
Minha cidade, já teve ruas, não pavimentadas, havia barro e areia, muitas árvores, muita sombra, muito verde.
Minha cidade era repleta de jovens que sonhavam com o futuro, no qual eles pudessem desfrutar da grandiosidade do crescimento.
O futuro chegou. Minha cidade aumentou. Trouxe mais e mais pessoas. A cidade passou a ser metrópole. Cresceu horizontalmente e cresce mais ainda na vertical, e quanto mais sobe, mais os homens da minha cidade se distanciam deles mesmos.
Minha cidade, sua cidade talvez, tem algo característico, grandes noivas de concreto, que se erguem em vários bairros e buscam um cônjuge chamado condomínio, um vizinho gordo e fétido conhecido como lixão, uma prima cinza, esquelética e com os pulmões comprometidos que a conhecemos por poluição.
Minha cidade nem sabe mais quem é.

Francisco Martins