segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O LIVRO E O TEMPO

Petrônio Souza Gonçalves

Primeiro, o homem aprendeu a ler. A ler as estações do ano, as fases da lua, o temmpo da colheita, da pesca, da seca, da chuva. O tempo da estiagem e o tempo d fartura. Migrva de um lado para o outro em busca de abrigo e de alimento. Em bandos, foi se organizando, dentro de uma consciência nômade de vida, de existência. A sua casa era o tempo, tendo como telhado o firmamento.
Depois de muitas observações o homem passou a traduzi-las em conhecimento. De sua relação direta com a natureza, aprendeu a plantar, tendo na agricultura a possibilidade de se fixar. Era o início das comunidades, o princípio da história. Em uma sequência natural, o homem começou a escrever, a registrar suas experiências, traduzi-las em símbolos e sinais. Cada povo com sua linguagem, cada cultura com sua forma de registrar e contar a sua verdade.
Nasciam os primeiros calendários, os primeiros alfabetos, a primeira consciência de guardar e repassar o ensinamento, de escrever e traduzir as histórias. De lábios a ouvidos, foram passando de mão a mão, tendo pedras, tábuas, couros, papiros como transporte de conteúdos e ensinamentos.
Durante séculos, assim foi compartilhado o conhecimento, de um para outro, em uma ação limitada e restrita, o que possibilitou a dominação de muitos por muitos poucos. Quem detinha o conhecimento, detinha o poder, quem sabia ler, escrevia o futuro e determinava o destino de povos inteiros.A Igreja sabia disso, os castelos também.

(continua na postagem de amanhã)

Texto extraído da Revista da Academia Mineira de Letras,  Ano 88, Volumes LVII e LVIII,  de 2010, páginas 145 a 146.

Blog do autor: petroniosouzagoncalves.blogspot.com