quarta-feira, 8 de agosto de 2012

MEUS CABELOS BRANCOS


Hoje eu fui cortar o cabelo. Já fiz isto  incontáveis vezes em minha vida. Lembro-me que quando pequeno papai me levava ao salão e mandava cortar meu cabelo na máquina zero, ficava peladinho, parecendo um passarinho quando começa a criar suas penugens. Fui crescendo, meu cabelo aumentando, sempre espetado, para cima. Ganhei os apelidos de porco- espinho e cabelo de  espeta caju. Não ligava, gostava do meu estilo vassourinha.
E o tempo nunca me abandonou, entrou nos meus cabelos, fez morada em suas raízes, mesclou a cor de castanho escuro para grisalho.  Hoje, já não tenho a cabeleira que ostentava em  1984, a juba se foi, o leão ficou, era preciso agarrar a vida, conquistar a savana, contemplar por de sol, vários, inesquecíveis.
Quando hoje começaram a cortar meus cabelos eu vi que rolavam por sobre a manta, que me protegia dos fios soltos, pequenas mechas de cabelos brancos. Elas caiam levando minha história, minha vida, meus dias.
                Meus cabelos brancos! Estou ficando velho? Não! Jamais hei de envelhecer. Sei que meu corpo irá dar sinais  sobre sua validade, minha mente há de querer esquecer, meu coração pode até teimar em ter febres intensas, o que ele chama de pressão  alta. Mas eu, meu ser, minha alma, não irá envelhecer. Porque a fonte que eu bebo jorra eternidade. A luz que eu vislumbro não oscila,  o caminho que trilho me leva a um porto seguro, e o amigo desta jornada tem uma sabedoria sem igual, convida todos os cansados e oprimidos a lhe conhecerem, sentir seu fardo leve e seu jugo suave.
Pode embranquecer, fiquem alvos como a neve, adquiram a cor dos anos, não hei de pintá-los meus cabelos  brancos.
08 de agosto de 2012