segunda-feira, 10 de maio de 2010

Cartas para Mel XI O arco da mãe e a flecha da filha que voa para a vida

Por Flávio Rezende*

Linda e cada vez mais simpática Mel, estamos no segundo domingo do mês de maio de 2010 e, em nosso planeta, famílias de todas as nações, raças, condições sociais e religiões diversas, comemoram o chamado Dia das Mães.

Tudo começou na Grécia antiga, quando festejavam no começo da primavera, a deusa Rhea, intitulada Mãe dos Deuses. Depois a Inglaterra do século XVII começou a dedicar o quarto domingo da Quaresma às mães operárias e, nesse dia, as trabalhadoras folgavam e ficavam em casa com as mães, no que chamavam de "Mothering Day".

Depois veio a americana Ana Jarvis, dando início a uma campanha para instituir o Dia das Mães. O ano era 1905 e Ana, filha de pastores, perdeu a mãe, entrando assim em depressão. As amigas ficaram tristes com sua situação e decidiram eternizar a memória de sua mãe com uma festa. Ana preferiu que a festa fosse para todas as mães, vivas ou mortas, fortalecendo assim os laços familiares e o respeito pelos pais.

Ela passou a lutar então pelo Dia das Mães e, a primeira celebração oficial aconteceu no dia 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. A boa luta obteve bom êxito quando em, 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da própria Anna Jarvis. Rapidamente mais de 40 países adotaram a data.

Querida filha, logo que conheci sua amável mãe Deinha ela manifestou o desejo de exercer a maternidade. Eu já tinha seu irmãozinho Gabriel, mas, já queria ter um outro filho, principalmente uma menininha.

Concordamos que em nossa relação, não evitaríamos um novo ser e, até, investimos com carinho nessa mútua vontade. Não demorou e você surgiu, dando a sua mãe hoje, no dia dedicado a ela, uma grande alegria.

Agora estamos envoltos com seu crescimento. Vamos fazer todo o possível para educá-la da melhor maneira. Sabemos que somos o arco e você a flecha. Estamos ajudando na construção de sua personalidade com todas as boas ferramentas que dispomos. Torcemos para que, ao ler estas cartas, possa nos dar o testemunho que acertamos em nossas condutas.

Sou muito ligado a um mestre indiano, educador e autoridade espiritual respeitado, chamado Sai Baba, que lhe deixa uma excelente dica, “você deve compreender o valor do amor de mãe e da sua preocupação por você. Você deve dar a sua mãe a mais elevada prioridade. Às vezes, a juventude moderna não se importa com suas mães. Eles pensam que são altamente qualificados e que suas mães não sabem nada. É um grande erro pensar isso. Nunca menospreze sua mãe. As mães também não devem obrigar seus filhos a concordar com cada desejo delas. Por amor e sinceridade, ela deveria colocar seus filhos no bom caminho. Toda mãe deveria aspirar que seus filhos fossem bons; eles não precisam ser notáveis”.

Sai Baba diz ainda que “a verdadeira finalidade da educação é a formação do caráter" e é isso que venho insistindo. Para mim se pudermos contribuir para a formação de um caráter que inclua os valores humanos, lhe tornando pacífica, amorosa, solidária e cheia de bem aventurança, teremos dado nossa contribuição.

A sua mãe e eu somos o arco que junto com a corda impulsiona você para a vida. Todo nosso esforço é que ao lhe entregar ao mundo, possas acertar nos alvos corretos e ser feliz.

Torço ainda para que o Dia das Mães do futuro possa ser menos comercial. Vivenciamos uma fase muito capitalista nas comemorações em geral. Ainda bem que eu e sua mãe não ligamos muito para isso. Damos os presentes de praxe, mas não focamos muito no materialismo sem alma.

No dia de hoje levamos você para um restaurante vegetariano. Como sempre todos lhe saudaram com efusivo carinho. Depois ficamos na cama brincando e lhe dando beijinhos. Ao entardecer um passeio pela praça nos colocou em contato com a natureza. O céu estava lindo, de um azul gostoso de ver.

Amamos a vida e transferimos para você toda essa energia positiva que temos dentro de nós. Certamente isso está lhe fazendo muito bem. Este sim, é o nosso maior presente e, de você para nós, seu permanente sorriso ao nos observar, nos enche de renovado prazer.

Continuemos assim e, nessa saudável troca, os dias todos, das mães, dos pais e dos filhos, serão sempre dias de muito amor a compartilhar.

* É escritor, ativista social, pai de Mel, Gabriel e esposo de Deinha em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)