sexta-feira, 8 de julho de 2011

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO

A sopa de feijão


Francisco Martins Alves Neto foi seminarista diocesano entre os anos de 1981 a 1983, morava ali na Rua Mipibu, onde funcionava o Seminário de São Pedro. Naquela época era Reitor do Seminário, o Padre Hudson Brandão de Araújo. Todas as noites o jantar era quase sempre o mesmo, sopa de feijão. Uma sopa rala, que diga-se de passagem, era degustada mais pela fome do quê pelo aroma e aparência.

Neto, como era conhecido no Seminário, já não estava mais aguentando tanta sopa de feijão. Numa tarde chega até o reitor e diz:

-Padre Hudson o senhor poderia me conceder uma liberação para eu ir visitar a minha irmã?

-Onde ela mora? Quis saber o Reitor.

-No Conjunto Soledade II, Zona Norte.

-Pode ir, mas volte ainda hoje.

Neto saiu alegre da vida, pois sabia que naquela noite jantaria algo diferente. Quando chegou à casa da sua irmã notou que não havia ninguém. Portas e janelas fechadas. Apare uma vizinha e diz: -Ela está na Escola Rômulo Wanderley dando aula. Neto imediatamente se dirige até aquela escola. Qual não foi a alegria de Socorro, sua irmã, ao vê-lo. Findo o expediente, descem os dois em direção à casa dela. Entram e Socorro fala:

-Hoje, eu vou fazer para o jantar UMA SOPA DE FEIJÃO!

Neto comeu, triste, embora aquela sopa jamais pudesse ser comparada a do Seminário. Mas era de FEIJÃO. Terminado o jantar, Socorro notou a tristeza no rosto do seminarista irmão e perguntou:

-O quê foi?

Ele contou que tinha planejado visitá-la naquela tarde para fugir da sopa de feijão e quis oi destino que a sopa estivesse presente no jantar. Eita vida de meu Deus! Até hoje, já idos 29 anos, Neto ainda treme quando o convidam para uma sopa de feijão.