quarta-feira, 17 de julho de 2013

OS CRIMES DO PADRE HEUSZ



Ele diz : “O salário do pecado é a morte”; e pune os pecadores do hóstias envenenadas

“Os crimes do Padre Heusz” é o título do romance que o jornalista Emanoel Barreto escreveu e encaminhou à Editora Sebo Vermelho. “Os crimes...” conta a história do Padre Heusz que toma ao pé da letra a assertiva bíblica “o salário do pecado é a morte” e pune os pecadores com hóstias envenenadas.
As hóstias, no entanto, não recebem poção bruta ou grosseira; ao contrário, a fórmula do veneno leva o pecador, pouco antes de morrer, a estado de beatificação, sensação de estar em paz, gozo místico. Padre Heusz não quer que os pecadores sofram fisicamente, sintam angústia ou sequer percebam que estão morrendo, mas partam em completa sensação de paz. Isso porque não se sente um assassino; acredita-se em missão, pois em sonho que um anjo lhe aparecera convocando-o a punir os pecadores. Então, pede a um químico que produza o delicado veneno.

O prefácio é do escritor François Silvestre. O livro é dedicado aos repórteres policiais Pepe dos Santos, Genésio Pitanga e Ubiratan Camilo (in memoriam).
O relato da história é feito por meio de cartas que o Padre Heusz envia
ao editor de um jornal que aos poucos vai se envolvendo na trama até o confronto final, quando o sacerdote tenta matá-lo em uma caverna profunda que havia sido transformada em catedral.
A obra trata, em meio ao suspense em que foi construída, da questão da condição humana, da queda, das incertezas e questionamentos entre os conceitos do Bem e do Mal. Como exemplo pode-se citar o personagem que é sósia do Padre Heusz e vai à sua procura.
É um homem rico, cruel, invejoso e sem limites morais. É essa inveja que o leva a capturar e martirizar Padre Heusz, a quem acredita um santo. E como entende que todo santo deve ser martirizado, confia estar dando a Padre Heusz aquilo que todo santo deseja. E o prende a uma roda medieval de tortura, usada pela Santa Inquisição. O sequestrador considerando-se um “piedoso inquisidor”.
Supõe que, morto o padre, poderia assumir sua personalidade e assim tornar-se um digno sacerdote. Padre Heusz escapa no último instante.
Há situações que foram tiradas da vida profissional do autor no exercício do jornalismo. Foram usadas para dar maior verossimilhança à narrativa. Como exemplo, a invasão da redação onde trabalha o personagem que é editor do jornal. De repente chega ao local um homem perseguido por multidão que queria o seu linchamento.
O fato foi transposto ao livro. Barreto realmente enfrentou tal situação na Tribuna do Norte, quando um homem que havia surrado o pai foi perseguido e refugiou-se na redação.
Quando a turba foi expulsa o arruaceiro explicou o motivo de haver corrido até o jornal: como a Tribuna pertencia a Aluizio Alves e este era tido como o protetor do povo, o fugitivo fora ao jornal para ser “protegido por Aluizio”.
O romance é uma sucessão de acontecimentos bizarros e terríveis situações, com os personagens levados ao limite da condição humana. Tudo se passando em meio a momentos de terror e um final absolutamente inesperado.