segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O NATAL DO POETA



Não há nada lá no Livro
Sagrado aos Cristãos
Que diga ter sido o galo
Um cantor de multidão.
Não existe naquelas páginas
Inerrantes de inspiração
Prova que foram três os Reis Magos
Da visitação.
Então, como poeta, que tem  completa permissão,
Convido o nobre leitor a  viajar na ficção,
Pensar no nascimento de quem trouxe Salvação
Misturar Bíblia e Poesia,  Anjos, José e Maria
Arrancar da tradição ibérica, a agonia, de que
No  Presépio havia neve em  demasia.
De tudo que nós sabemos, vai ficar neste poema,
Um jumento cansado, uma virgem escolhida e
Um José cheio de fé.
É verdade que o casal não encontrou nenhum local
Pra arriar seus apetrechos. 
A noite foi chegando,  temperatura caindo, 
A mulher de José,  gemendo  da gestação,
Disse ao marido: “-Se aveche meu José, encontre
Qualquer lugar, do jeito que a coisa tá, não demora Jesus chegar”
O jumento entendeu aquela situação e cansado da viagem deu rumo
A  condição, fez frecheira  na rodagem, invadiu  uma fazenda, rompeu cancela
Fechada, adentrou numa cocheira.
 José entendeu o fato,  deu um trato no recinto
Palha serviu de cama, boi dividiu ambiente
Estrelas deram  a Maria:brilho, coragem e força.
Corais de Anjos estavam com o glória entalado
E quando Jesus nasceu, ouviu-se choro sagrado
Do Céu desceu legião de seres celestiais,
Cantando glórias ao menino, esperado por demais!
Fuxicaram  aos pastores,  daquela região:
“-Corram agora, vão ver o Verbo  Criança, o Deus que se fez Homem,
A Estrela da Manhã, o Leão de Judá,  aquele que veio ao mundo
Para o céu escancarar”
E foi assim meu leitor, que o poeta lembrou
O nascimento daquele que só plantou o amor.

Mané Beradeiro – 19 dezembro 2016