domingo, 30 de abril de 2017

CRÔNICA PARA UM AMIGO QUE PARTIU

RC  não era o rei, era um amigo que sempre tínhamos a certeza que poderíamos contar com sua presença nas ações culturais desenvolvidas pela SPVA e outras instituições que ele tinha simpatia. Escritor de prosa gostosa, destas com sabor de coisas boas e cheiro de quero mais. Escrevia com um olhar de poeta. Sabia extrair um texto de uma cena sem muita expressão, mas em sua observação, revelava valores escondidos. RC trazia consigo o pseudônimo de Maracajá, que por sinal era também o nome do seu blog. Escrevia artigos e tinha opiniões bem formadas e fundamentadas sobre variados assuntos. No Facebook, RC  mantinha um grupo "Pelas ruas de (Nova) Parnamirim". Era um homem que lutava por um mundo melhor, tendo em suas mãos a bandeira da cultura e como espada a pena que escrevia seu hino de liberdade.
Roberto Cardoso no lançamento do Doutor Buti - 21.04.2017

A última vez que o vi foi por ocasião do lançamento do meu livro infantil "Doutor Buti", na Pinacoteca do Estado, em Natal-RN, no último dia 21 de abril.  Foi sua última aparição em evento público cultural. Será que naquela sexta feira RC já estava sentindo algo e inconscientemente foi procurar Doutor Buti  para marcar uma consulta? Ah! amigo, perdoai-me a pergunta, mas se a faço é porque sei que gostaria de quê esse texto também tivesse um pouco  do humor que você tanto nutria.  Roberto Cardoso, Maracajá, homem que conheci e tive o privilégio de por ele ser lembrado numa crônica ( A Bruxa de Emaús II), publicado em meu blog (http://franciscomartinsescritor.blogspot.com.br/2015/12/a-bruxa-de-emaus-ii.html), quero agora me despedir de você, guardando em minha memória, aquela sua imagem serena e alegre que você sempre tinha quando me via. O mundo está mais pobre com a sua partida, mais onde quer que esteja, sem sombra de dúvida, você será feliz, pois Deus também é poeta. E para finalizar a homenagem que hora dedico a você quero  simplesmente escrever...
Há uma vírgula na nossa existência, que denominamos morte, uma vírgula, nada mais do quê uma pausa. Mas o ponto final da nossa história é posto por Deus.

Seu amigo

Francisco Martins/Mané Beradeiro