quarta-feira, 29 de junho de 2011

O ADMINISTRADOR JOSÉ


Autor: Mané Beradeiro

Eu irei contar em cordel

A história de José

Que não foi um carpinteiro

Mas deixou tesouro-fé

Leia tudo e comprove

Como Deus agindo É!


O menino veio ao mundo

Numa família numerosa

Jacó vivia cercado

De quatro mulheres folgosas

Que em competição acirrada

Embuchavam astuciosas.


O Jacó foi pai de onze

Até nascer nosso José.

Teve filhos com a Lia,

Bila, Zilpa e a “Raqué”

Deitava com todas elas,

Mas amava só a “Raqué “.


Embora seja de Harã

Foi no Egito que José

Ficou de tudo conhecido.

É a história mais bela

Que tem nas páginas da Bíblia

Ação, comoção e a fé.


Vamos deixar de arrudeios

Que o tempo é precioso

E comecemos a história

Daquele menino mimoso

Que Deus marcou como seu

Sendo escravo primoroso.


Na terra que Jacó estava

Nasceu o filho Benjamim

O Pai não pode festejar

Pois com ele a mãe teve fim.

Morreu de parto a Raquel

A Bíblia registra assim.


José por ser mais amado

Era um rapaz odiado

Entregava seus irmãos

Que faziam tudo errado.

Foi o primeiro fuxiqueiro

Tá no Livro bem anotado.


Tinha sonhos mirabolantes

E contava a todo mundo

Aumentando a cada dia

A distância de dois mundos

O real e imaginário

Que Deus muda bem profundo.


Um dia, que não sei quando

Foi José a mando do pai

Ver os irmãos e o bando.

Se soubesse Jacó, pai

O quê traria tal comando,

Não mandaria o rapaz.


Aqueles malvados irmãos

Sem dó e nem piedade

Rasgaram as roupas de Zé

Não teve atrocidade

Porque Deus pôs a mão

Com a sua caridade .


Jogaram-no dentro do poço

Sem água em pelo e osso

Quando de longe avistaram

Que vinha vindo um bom moço

Venderam Zezinho a ele

Sem sombra de alvoroço.


Foi naquela hora então

Que Satanás cogitou:

“-Ganhei a competição!”

Ah! O diabim chispou

Pois Deus faz a história

Usando quem muito amou.


Aqueles malvados irmãos

Mentiram pra o genitor

Dizendo que foi um bicho

Quem atacou e matou

O jovem José amado

E Jacó muito chorou .


Foi assim que a Providência

Levou José para Egito

Que vendido a Potifar

Não ficou desprotegido

Deus era seu bem maior

E isto era infinito.


Ispie como a vida é

Deus abençoou José

E tudo que ele fazia

Com suor, amor e a fé

Potifar reconhecia.


Foi assim que já rapaz

Sendo escravo noutra terra

José se tornou um homem

Sem ganância e “misera”

Por isso que sem estudo

Foi governador de vera.


Mas antes de ser maioral

Naquela terra do Nilo

Este jovem passou foi mal,

Pois o diabim quis servi-lo

Com sexo e a corrupção

Duas moedas sem brilho


Por não ser ele infiel

Foi lançado na prisão

De volta a estaca zero

Sem remorso e solidão

Deus era seu “mistero”

No cárcere e coração.


Nesta nova experiência

Zé mostrou que aptidão

Era coisa que ele tinha

Sem lhe faltar no céu e chão

Se o problema era um sonho

José tinha a explicação.


Na cadeia ele mostrou

Pro padeiro e copeiro

O que iria acontecer

Não errou um só ponteiro

E quando Faraó sonhou

Foi José o conselheiro.


Faraó gostou foi tanto

De tudo o quê ouviu

Que dada a sabedoria

Outro homem ele não viu

E nomeou José de Deus

Para tudo que previu .


José casou, teve filhos

Com Deus sempre andou

Nem à força da cultura

Sua fé se transformou

Foi durante longos anos

A semente que ficou.


No tempo determinado

Seus irmãos já sem roçados

Com fome e aperreados

Ao Egito foram forçados

Comprar pão e cereais

Eram dez flagelados.


José podia se vingar,

Matar, os corpos esfolar,

Afinal ele era maioral

E ninguém ia duvidar

Mas não agiu assim

E se pôs a interrogar.


Depois de muita emoção

Com choro, saudades, perdão

José revelou-se aos manos

E gritando sem contenção

Perguntou: “-Ainda vive meu pai?”

O choque foi demais àquela geração.


Houve abraços no palácio

José abriu o coração

Dizendo que fora Deus

Sua fé e salvação

Agora era a hora

De grande confraternização.


Numa bela caravana

Pro Egito vieram todos

E enquanto José viveu

Não tiveram nenhum dolo.

Terminei o meu cordel

Com grande festa no céu.