sábado, 5 de janeiro de 2013

CONVERSA DE CANCELA - I

-Bom dia! O senhor visitou a fazenda do seu futuro genro?
-Fazenda? Aquele mentiroso disse que tinha um açude lá do tamanho de Gargalheiras, e o quê eu vi foi que a água é tão pouca, mas tão pouca que não dá nos peitos de um peba.
-E ele falava tanto que tinha uma grande plantação de capim para alimentar o gado ...
-Tudo mentira. O pasto que eu vi lá é tão pequeno, tão baixo, mas tão baixo que periquito e canário comem de cócoras.
-Será verdade patrão?
- E por acaso você acha que sou homem de mentira? Quem não tem palavra é o Governo, pois suas juras e promessas são mais falsas que beijo de rapariga.
-Tem razão!
-Mas o senhor continua aprovando o namoro dele com sua filha?
-Homem, os tempos mudaram, eu sei que ele é mais ruim que jerimum cheio d'água, mas quem vai viver com ele é ela, e não eu.
-E o senhor não vai dizer nada a ela, dá um conselho, coisas assim...
-Eu não, vou continuar calado que só sino na semana santa. Minha esposa também acha melhor assim, pois segundo ela, na idade que tá nossa filha, se não for com ele, tá dificil encontrar outro namorado, mas dificil que mortalha de segunda mão.
-Compreendo patrão. Agora, se me permite tô indo à feira, pois o caminho é longo e mais tarde o sol vai castigar, e não quero voltar no calor do meio dia, para ficar sofrendo igual a peba em areia frouxa. Inté patrão.
-Vá com Deus, quem tem perna curta levanta cedo e sai primeiro.

( Mané Beradeiro - 05.01.2013)