quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

PRESSÁGIO

 Leio Leonardo Barros desde o seu primeiro livro, O Amor de Yoni e tenho, desde então, acompanhado a sua carreira como escritor. O seu primeiro livro, com uma forte conotação erótica, me chamou a atenção não pelo erotismo em si, mas pela sua linguagem, pela sensualidade latente inerente a cada uma das personagens, mas também pelo seu humor. O seu livro seguinte, O Maníaco do Circo, eu tive a oportunidade/ privilégio de ler antes do lançamento oficial, que aconteceu na Bienal do livro do Rio de Janeiro de 2009. Neste livro, notei uma mudança drástica quanto a forma do escritor, quanto às historias que se desenrolavam nesse segundo romance. No segundo livro, Leonardo Barros apresentou uma face mais perversa, tendo uma forte carga psicológica permeando toda a história, sem deixar, nunca, de ser Leonardo Barros, com seu toque de sensualidade nas personagens, seu erotismo velado e, nesse livro em específico, um tom de um humor mais ácido, mais negro.
Livro após livro, Leonardo Barros não foi apenas se superando, mas sim evoluindo, tanto que quando ouvimos rumores sobre o lançamento de seu próximo livro, a primeira pergunta que fazemos é: “o que será que ele vai aprontar agora?”.
É sempre bom ler um livro, lançamento, de Leonardo Barros, e olhar para trás e rever, reviver todas as histórias já lidos dele, e ao ler Presságio me envolvi com a história, vi traços, sim, óbvio, do primeiro Leonardo Barros, no entanto acabei me surpreendendo ao ver um novo autor, mais maduro, mais conciso, mais direto, que sabe onde quer chegar, que sabe melhor conduzir a história, que sabe prender mais o leitor. Leonardo Barros tem várias faces, e em Presságio encontramos todas essas expostas na medida certa. Um toque de mistério/ suspense, pitadas de um característico humor (provocado pela inusitada situação em que personagens se metem), uma sensualidade (dessa vez mais sutil e disfarçada, e por isso mesmo, talvez, mais provocante e imaginativa para o leitor), tramas psicológicas e momentos de tensão capazes de deixar o leitor com o coração acelerado e a sensação de boca seca.
Fiquei tenso em algumas passagens, ri de determinadas circunstâncias da história, torci em outros momentos, fiquei curioso para saber onde iria dar todo aquele "emaranhado" em que se tornou a trama e só me dei por satisfeito de verdade quando li a última palavra e vi um último ponto final na última página, quando pude fechar satisfeito o livro, e comprovar, mais do que nunca, o momento ímpar que vive Leonardo Barros, o seu momento de notável e grande evolução.
 
Por Lima Neto ( http://lugardaspalavras.blogspot.com.br/2013/01/pressagio.html)