terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Vejo a vida num enorme atropelo perdendo a essência do normal





Professor Ismael André




Em um mundo desnudo de pobreza
Vejo o poder cada dia mais tirano
Um animal sedento de humano
Empobrece a espécie em singeleza
Alimenta um excesso de riqueza
Gerando um coletivo marginal
Ultrapassando a bandeira social
Resultando num grande desmantelo
Vejo a vida num enorme atropelo
Perdendo a essência do normal.

O homem satirizou seu semelhante
Quando o impôs sem tamanha estranheza
Que haveria uma camada da riqueza
Prepotente, insolente e brilhante
Que faria a outra camada humilhante
Uma parcela enorme e desigual
Que foge as leis do natural
Ficando a mercê de um apelo
Vejo a vida num enorme atropelo
Perdendo a essência do normal.

A camada pobre me causa dor
Somente num lance a olhar
Procurando a cada dia melhorar
Buscando sanar o seu odor
Pichando para si o seu valor
Querendo uma coesão social
Vai cobrindo também o essencial
Desta forma, maquiando o seu zelo
Vejo a vida num enorme atropelo
Perdendo a essência do normal.

Viver é sinônimo de batalha
Onde o grande prêmio é o poder
De nada vale tão somente ser
É preciso ter sem ser gentalha
Não olhar quem come a migalha
Para não se tornar anormal
Caridoso, autêntico e social
Solidário e exemplo de modelo
Vejo a vida num grande atropelo
Perdendo a essência do normal.

O homem precisa urgentemente
Voltar ao processo de humanização
E conforme a lei da criação
Propagar o bem ardentemente
Amando e sendo humildemente
Um ser de ternura sem igual
Deixando seu lado artificial
Sem medo de enfrentar seu pesadelo
Para não ver a vida num enorme atropelo
Perdendo a essência do normal.