segunda-feira, 1 de agosto de 2016

FRANCISCO FAUSTO ENSAÍSTA E MEMORIALISTA



Francisco Fausto herdou do avô homônimo o dom de escrever bem, diz Diogenes da Cunha Lima. Pena que tenha nos deixado tão pouco, sua obra impressa consta de dois livros:  “O vinho negro da  paixão” (1998) e “Viva Getúlio – as areais brancas da memória” (2004).

                No primeiro, o autor trata nos  capítulos iniciais sobre a história da libertação dos escravos em Mossoró, luta que teve seu ápice em 30 de setembro de 1883, depois segue sua reflexão , sempre fazendo referências a outros escritores, fruto de suas leituras, sobre o racismo. Sobre isso assim escreveu o poeta Luíz Carlos Guimarães: “Partindo do viés da  situação da sua cidade, em nosso Estado, chega às suas origens no tempo e no mundo”.  O livro tem ilustrações de Dorian Gray e possui 61 páginas.

                No segundo livro, bem mais extenso, 550 páginas, Francisco Fausto dá-se ao leitor com a coragem de um filho que pula da mesa aos braços do pai.  “Este livro, pois não é a minha vida; não pretendo escrever autobiografia nem memórias; ele é a minha alma” (MEDEIROS, 2004, p. 19). É bom lembrar que o título do livro é uma lembrança do autor que em sua infância ouvia o papagaio de dona Ercília, em Areia Branca, gritar “Viva Getúlio”.
 Somente homens extremamente sensíveis têm a capacidade de abrir a alma, e agindo assim, o escritor Francisco Fausto nos leva a conhecer a sua infância, juventude e fase adulta.  Lê-lo será não apenas conhecer sua vida até 1998, data em que terminou o livro, mas também saber o quanto ele era leitor. “Viva Getúlio”  está repleto de intertextualidade, com frequência  vamos encontrar textos de poetas e prosadores,  esses amigos que habitam as estantes da sua biblioteca, com quem ele tanto conversava.
Francisco Fausto  foi membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, sendo o quinto ocupante da cadeira 15, que tem como patrono Pedro Velho,  como fundador Sebastião Fernandes e na sucessão Antonio Pinto de Medeiros ( eleito e depois renunciou); Eloy de Souza e Umberto Peregrino.  Francisco Fausto teve sua eleição em 14 de dezembro de 2004, tomou posse em 27 de abril de 2006.   No Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte   tomou posse em 31 de agosto de 2004 , com mandado até  2010 e foi reconduzido em 24 de agosto daquele ano, em seu segundo mandato, com prazo final em 24 de agosto do corrente ano.
Partiu o homem que afirmou: Não, não vivi a vida como ela teria sido: inventei a vida. Ficou a obra, que tenha alcançado seu desejo: “ Lá, na mansão dos mortos, onde revendo na serenidade da paz os meus entes mais queridos, espero ver ao lado deles a face de Deus” (Idem, p. 550)
Francisco Martins – Natal-RN, 1 de agosto 2016

MEDEIROS, Francisco Fausto Paula de. Viva Getúlio – as areias brancas da memória. Rio de Janeiro: Lidador, 2004