sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

NA CASA DE DEUS

 


Agora à noite estive na casa do Pai, o Senhor de todos os Tempos e do Espaço, meu Deus. Fui entregar todos os dias vividos até o presente momento, agradecer e dizer que estou apto a receber Dele o que tem para mim reservado. Orei por vocês que caminham comigo. Feliz 2022.

Francisco Martins

ESCONDINHO

 Um prato fácil e gostoso. Pode usar feijäo verde, branco ou vermelho (400 g). Cozinhe, escorra e ponha em um refratário. Prepare carne moída ao seu modo (500 g) e ponha por cima do feijão. Faça um purê de batata, cubra a camada de carne, pincele com uma gema, espalhe queijo ralado e batata palha. Leve ao forno para gratinar. Bom apetite!



quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

A LIGAÇÃO

 

-Alô
-Alô!
-Posso falar com Deus?
-Quem deseja?
-Um filho dele
-Um momento por favor
-Não, não faça isso! Eu suplico pelas cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.
-O que foi? Porque essa agonia?
-Um "momento" aí no Céu são muitos anos aqui na Terra, lembre-se do que está escrito em 2 Pedro 3:8: Um dia para o Senhor é como mil anos
-Verdade! Como pude esquecer disso. A frase é minha.
-Tá brincando? Então estou falando com Pedro?
-Sim
-Não acredito! Pedro Apóstolo?
-Ele mesmo
-Que legal! Mas você não é o Porteiro Celestial, o homem que tem as chaves do Céu?
-Não é bem assim ...
-Tá, depois a gente fala sobre isso, mas como meus créditos estão poucos, por favor passe a ligação para Deus.
-Seu nome?
-Mané Beradeiro
-Não acredito! O poeta cordelista que escreve folhetos bíblicos?
-Ele mesmo
-Nós gostamos muito dos seus poemas
-Nós, quem?
-Eu e muita gente que eterniza por aqui. Quando você chegar aqui vai conhecê-la.
-Eita!
-Vou passar a ligação ...
-Obrigado.
SEUS CRÉDITOS ACABARAM. POR FAVOR RECARREGUE E TENTE NOVAMENTE!
-Quê? Eu só queria dizer obrigado por 2021.


Mané Beradeiro 30 de dezembro 2021

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

ABERTA A EXPOSIÇÃO DE IAPERI ARAÚJO



O artista plástico Iaperi Araujo abriu ao público, na noite de hoje, uma exposição com 33 quadros que foram pintados durante o período da pandemia, 2020/ 2021.
Os quadros retratam natureza, personagens da história do cangaço, pessoas ilustres e anônimas.







O acervo vai ficar disponível para visitação até o final de janeiro de 2022, na Pinacoteca do Estado, que funciona no Palácio Potengi, centro de Natal.













CONHEÇA MAIS UM POUCO SOBRE O PADRE POETA FLORÊNCIO GOMES DE OLIVEIRA

 Segunda-feira, dia 27, eu publiquei por aqui uma apresentação do poeta Florêncio Gomes de Oliveira e no final da mesma, sugeri que o nome dele é uma boa opção para compor as galerias dos patronos das academias literárias do RN.  Ontem, à noite, eu me deparei com uma crônica de Vicente Serejo, publicada em sua Coluna Cena Urbana, no Diário de Natal, edição do dia 10 de novembro de 1988,  que trata sobre o Padre poeta, de um livro que foi escrito por Vingt-Un Rosado sobre ele.  Transcrevo na íntegra a crônica. 


O segredo dos piaus azuis


Vou vencendo a tarde lendo sobre a figura do Padre Florêncio Gomes de Oliveira, “Um Cientista Perdido nos Sertões do Apodi”, do mestre Vingt-un Rosado. E que acaba de ser editado pela Coleção Mossoroense, esse mundo editorial que espantou os olhos de tanta gente, inclusive de Edson Neri da Fonseca, um bibliógrafo.

Pois bem. E a figura do padre Florêncio termina encantando o leitor por seu espírito de observador. Como um repórter, perdido nos sertões do Apodi, ouvindo a natureza: os minérios e suas cavernas; os mistérios dos piaus azuis, os peixes que vivem e morrem sem explicação; a vegetação do sertão seco, de espinho e de flores.

O elogio de Vingt-un Rosado ao padre é porque este é o patrono da Academia Norte-Rio-Grandense de Ciências, na cadeira nº 7. Primeiro ocupante, coube a Vingt-un a missão de fazer o elogio, reunindo em discurso a história pessoal, o pensamento e a obra do cientista do Apodi, velho como a memória do seu povo.

Nasceu o padre em dezembro de 1813 para ser pastor de almas, pastorador de freguesias, escritor, pesquisador e poeta, como atesta a Acta Diurna de Cascudo, transcrita na íntegra por Vingt-un, onde o historiador do Rio Grande do Norte e de Natal mostra a poesia do padre e sua inspiração em dez versos.

O mais interessante na leitura do elogio feito por Vingt-un é o capítulo sobre “Os Piaus Azuis do Apodi”. São peixes que vivem nas pequenas cavidades das grutas e das locas, onde a água fica como em reservatórios naturais, ali conservando o mistério dos piaus azuis, de barbatanas proeminentes e dorso escuro, coberto de escamas.

E lá Vingt-un cita artigo referenciado por Nestor dos Santos Lima no Almanak do Rio Grande do Norte, de 1895, onde Manoel Antônio de Oliveira Coriolano “herdeiro do pioneirismo do padre Florêncio”. escreve sobre a região do Apodi, falando sobre os peixes das locas e sua vida efêmera como o inverno no sertão.

Defende o articulista que os peixes vivem nas cavidades das pedras quando as chuvas chegam. Aparecem do nada, crescem e vivem, até que venha outra vez a seca e todos morram de vez. Ano seguinte,em novo inverso, repete-se o fenômeno, como se as sementes dos piaus ficassem nas locas a espera da água para acordá-las outra vez.

Os peixes azulados, com escamas e barbatanas, na descrição de Coriolano, são os piaus azuis. Os peixes azuis que ficam depositados nas areias, em forma de ovos invisíveis de tão minúsculos. Os mesmos que, diante da chuva, eclodem, vivem de novo e produzem o milagre da vivificação. Eis, pois, o livro de Vingt-un, reunindo documentação, fazendo registro, deixando ficar na Coleção Mossoroense o saber da região. Do sertão sem fim.



Mané Beradeiro - 29 dezembro 2021

SENDO MEU PRÓPRIO CRÍTICO

 Se há uma coisa que eu admiro nos poetas e escritores é a paciência de guardar os textos que eles produzem, deixando-os descansarem, para quando virem à público estarem com toda força. Há aqueles que marinam seus poemas, atribuindo-lhes dia-a-dia sabores. E, outros existem, que aplicam em seus textos, a arte da lapidação, tornando-os diamantes. Confesso que ainda sou aprendiz nessa área e que tenho pressa em entregá-los ao leitores.  E assim, torno-me vítima do famoso adágio:  A pressa é inimiga da perfeição.

Acabo de perceber que em um dos meus mais recentes trabalhos, em "Guaporé - uma solidão restaurada",  poema escrito no estilo de cordel, deixei passar alguns erros que comprometeram a minha eficiência poética. São eles:

Rimei  de forma errada: 

Compasso/cansaço/pedaço
houvesse/prece

Essas rimas são aceitáveis na cantoria, mas no ofício do poeta de bancada, devem ser evitadas.

E  no meio de todas as estrofes em septilhas (sete versos), escrevi uma em forma de sextilha ( quando devia ser septilha) que não atende a nenhuma das formas que a Academia Brasileira de Literatura de Cordel-ABLC recomenda usar. Segundo a ABLC, as sextilhas podem ser abertas, fechadas, soltas, corridas ou desencontradas. 

Minhas flores já caíram
Comecei então morrer
Quando o Doutor Vicente
Naquele mês de novembro
Isso é forte eu bem me lembro
Veio então a fenecer.

Fazendo uso da Tabela Beradeiriana, a qual criei para mostrar o percentual da eficiência poética do cordelista, a minha situação, referente ao poema em análise é a seguinte: O cordel tem 293 versos, distribuídos em 42 estrofes.

Aproveitamento de rima ...96,15%
Oração ..............................100 %
Métrica .............................100%

Índice de Aproveitamento Poético: 98,66%

Não é um índice ruim, mas se eu tivesse paciência, não teria deixado o bezerro sair correndo com a placenta. É preciso lamber a cria. Fica a lição.

Mané Beradeiro - 29 dezembro 2021.


terça-feira, 28 de dezembro de 2021

CONSULTA AO CARDIOLOGISTA


Eu acabei de sair
Do doutor cardiologista
Onde o mesmo me falou
Que a minha vida de artista
Depende de emagrecer
Ler muito, pouco comer,
Caminhar cedo na pista.

Mané Beradeiro, 28 dezembro 2021

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

FLORÊNCIO GOMES DE OLIVEIRA - UM PADRE CORDELISTA?

 Não posso deixar que o ano de 2021 termine sem escrever algo sobre o poeta Florêncio Gomes de Oliveira,  que se tornou padre, nascido na localidade de Monte Alegre, próximo de São Sebastião, em Mossoró-RN. O Mestre Câmara Cascudo escreveu uma Acta Diurna sobre ele,  que foi publicada em "A República", em 15  de dezembro de 1940. Já se foram 81 anos. E por incrível que possa ser, o título da Acta continua  atual: "Um poeta esquecido, o Padre Florêncio Gomes de Oliveira".

Cascudo nos diz que ele versejava em sextilhas, setissilábicas, portanto, o que nos impede de afirmar que Padre Florêncio Gomes de Oliveira foi poeta cordelista? Certa feita, em 2 de março de 1843, o Padre Florêncio Gomes de Oliveira, quando era vigário de Caraúbas-RN,  recebeu o seguinte mote: A dois de março se viu/ Um grande sinal no Céu/ Prognóstica ser castigo/ Triste de mim que sou réu.

Sem demora, ele atendeu o desafio e versejou em decassílabos

Com cauda imensa e brilhante
De figura portentosa
de luz clara e  majestosa,
Refulgente e rutilante
Qual o raio coriscante
Que entre nuvens surgiu
Qual no espaço surgiu
Ao  Sul, ignoto Cometa
Que sem óculos nem luneta
A DOIS DE MARÇO SE VIU

Néscio Povo que de tudo
Faz fanático mistério,
Sem virtude e sem critério,
Sem ciência e sem estudo,
Diz e clama, de abelhudo,
Sem temer do Euro o véu,
Que todo o mundo é réu,
A quem Deus quer castigar
E prova para mostrar
UM GRANDE SINAL NO CÉU

A oculta natureza
De tal sorte organizou
Que indícios nos deixou,
De sua imensa grandeza
Pela vasta redondeza
Moderno astro antigo,
A girar sem ter jazigo
Fogo imenso que também
Quando os povos néscios vêm
PROGNÓSTICA SER CASTIGO

Não precisa a Providência
Para o Mundo castigar,
Vir ao Mundo apresentar
Sinal da Onipotência
Se o Mundo tem ciência
Dos castigos lá do Céu
Deixe do vício o labéu
Que nos dias dos clamores,
Triste de nós pecadores
TRISTE DE MIM QUE SOU RÉU.

Padre Florêncio Gomes de Oliveira - um bom nome para a galeria das Academias literárias.

Mané Beradeiro - 28 de dezembro 2021

ANNE DE GAULLE


A menina da foto é Anne de Gaulle; a terceira filha de Yvonne Vendroux e do general de Gaulle. Nasceu no dia de ano novo em 1928. Seus traços, como podem ver, são os característicos do que hoje chamamos de "Síndrome de Down", e no caso de Anne era severo, tanto que mal conseguia andar com dificuldade.

Nessa época, ter um bebê com deficiência era algo que se escondia, muitos os mandavam direto para institutos mentais onde moravam e morriam, outros os mantinham escondidos em casa, sem atenção, sem amor, apenas trancados e até as vezes amarrados como animais.

Mas os de Gaulles não viam Anne como uma vergonha, mas sim que se sentiam abençoados com ela. A foto que compartilhamos foi tirada em uma praia da Bretanha em 1933. Anne está sentada no colo do pai e ele, vestido com um chapéu de Homburg e um terno de três peças, segura suavemente suas mãos enquanto a menina de cinco anos o olha intensamente nos olhos. É uma imagem de amor incondicional.

Esse amor incondicional fez dela o centro da família de Gaulle. Charles dizia que era “a alegria dele” e que “ela o ajudou a enxergar além das falhas dos homens”.

Charles e sua esposa Yvonne insistiam para que Anne viajasse sempre com eles. O general cantava-lhe músicas e lia-lhe histórias, demonstrando um afeto e ternura que ele realmente não mostrou a muitos membros da sua família. A principal regra da família era que eles nunca deveriam fazer Anne se sentir menos ou diferente do que qualquer outra pessoa.

O general tinha devoção à sua filha, e assim o contava o capelão militar que tratou De Gaulle, com o qual pôde intimar e ser confidente: ‘Para mim, Anne foi uma grande prova, mas também uma bênção. É minha alegria e me ajudou muito a superar todos os obstáculos e todas as honras. Graças a Anne, fui mais longe, consegui me superar.’

Para o seu último biógrafo, Jonathan Fenby, ‘Anne simbolizava para De Gaulle um carinho incondicional e, embora as obrigações parecessem impedi-lo, seu pai estava sempre por perto’.

Em fevereiro de 1948, Anne faleceu de pneumonia nos braços do pai. “Agora ela é como os outros” disse Charles para sua esposa.

‘A sua alma foi libertada, mas a perda da nossa menina, nossa menina sem esperança, trouxe-nos uma imensa dor’.

Outro dos biógrafos do ex-presidente Jean Lacouture regista-o uma vez dizendo: «Sem Anne, talvez eu nunca pudesse ter feito o que fiz. Ela me deu o coração e a inspiração. Nesse sentido, o homem de 18 de junho e a sua amada petite Anne ensinam-nos algo que estamos tentados a esquecer: que todos podemos encontrar força na fraqueza e que nada é mais poderoso do que o amor que se entrega.

Em 1962, 14 anos após a morte de Anne, Charles de Gaulle foi vítima de tentativa de assassinato. Ele declarou depois que a bala que poderia ter sido fatal tinha sido parada pela moldura da fotografia de Anne, que sempre trazia consigo.

Ao morrer em 1970, o general foi sepultado no cemitério com a sua amada filha. Sua mãe juntou-se a eles em 1979.

Dizem que a única palavra que Anne conseguiu pronunciar claramente na sua curta vida foi “pai”.

 Nota: não sei a autoria do texto. Recebi pelo whatsApp.

WODEM MADRUGA ELOGIA CORDÉIS DE MANÉ BERADEIRO

 Nelson Gonçalves , na música "Quando eu me chamar saudade",  canta:  "Por isso que eu penso assim/Se alguém quiser fazer por mim/ Que faça agora. Me dê as flores em vida/ O carinho, a mão amigo ..." E é nesse pensamento, com o qual eu concordo plenamente, que venho agradecer a nota que foi data no jornal Tribuna do Norte, edição do dia 25 dezembro último, onde o jornalista Wodem Madruga, em sua coluna assim registra:

Poesia O poeta cordelista Mané Beradeiro (Francisco Martins Alves Neto) está com dois folhetos novos na praça: “Nas Veredas de Veríssimo” e “Guaporé-Uma Solidão Restaurada”, ambas com capas revestidas em tecido ilustradas com cactos do sertão nordestino.  Beleza.

Em “Nas Veredas de Veríssimo”, o poeta celebra o centenário de nascimento do grande folclorista – Veríssimo de Melo (09/07/1921). Começa assim: “Corro o lápis no caderno/Na missão de apresentar/A imagem de um homem/Figura espetacular/Que no barco da cultura/Soube com desenvoltura/No oceano navegar. ”
Jornalista Wodem Madruga



CONTADORES DO REINO - FAZEM VÍDEO DO CORDEL "UM MENINO NOS FOI DADO"

    O poeta Mané Beradeiro teve mais uma obra sua escolhida pelo grupo Contadores do Reino, que congrega pessoas contadoras de histórias de várias denominações cristãs, envolvidas com a evangelização. Desta vez, o cordel selecionado foi "Um menino nos foi dado" e com ele, os Contadores do Reino fizeram um vídeo sobre o Natal.
 

ONDE ESTÃO OS LIVROS ENCANTADOS DE CÂMARA CASCUDO?

Há livros que foram escritos e nunca publicados. Na história da literatura do Rio Grande do Norte quero trazer hoje, ao conhecimento dos meus leitores, dois títulos de Câmara Cascudo que se perderam. São eles: "História de Ceará-Mirim" e História de Cerro Corá.

Câmara Cascudo
Sobre  "História de Ceará-Mirim" é fato que o livro foi lido pelo escritor Nilo Pereira, em sua versão original. É ele mesmo quem confirma: "A História do Ceará-Mirim foi escrita por Luís da Câmara Cascudo. Os originais - não sei porque - permanecem inéditos. Já os li." (Imagens do Ceará-Mirim - Natal/RN, Fundação José Augusto, 1977, p.15).

No tocante ao livro "História de Cerro Corá", o assunto ganhou até espaço no jornal "Tribuna do Norte"  onde ficamos sabendo que foi o terceiro a ser escrito sobre as cidades do Rio Grande do Norte e o décimo oitavo sobre o Estado do Rio Grade do Norte. A pesquisa foi encomendada pelo Prefeito  Sérvulo Pereira. 

Tomara que um dia possam ser encontrados esses trabalhos, assim como foi  achado "A Casa de Cunhaú".

sábado, 25 de dezembro de 2021

TARCÍSIO MEDEIROS E A FORTALEZA DOS REIS MAGOS

" Nas terras do Rio Grande do Norte, no final do mês de dezembro de 1597, o desembarque da expedição comandada por Mascarenhas Homem, vinda de Pernambuco, é feita à margem direita do rio dos Tapuios, mais tarde Potengi, aproximadamente, 500 metros da barra de aceso, entre a faixa das dunas da margem direita e a cadeia de recifes. Para manter a posição  e lutar contra os potiguares e franceses coligados, senhores da região, é levantada uma paliçada em forma de fortim, de pau-a-pique, a primeira organização defensiva que vai ser substituída, pela Fortaleza de alvenaria construída segundo o projeto dos Jesuítas Padres Francisco Lemos e Gaspar de São João Peres, respectivamente, engenheiro e arquiteto engajadas na força expedicionária.

Após os primeiros combates, desimpedida a área adjacente à margem em que se estabeleceu a tropa de desembarque, no dia 6 de janeiro de 1598, foi iniciada a construção da Fortaleza conforme os planos estabelecidos e em obediência às Cartas Régias de 1596, e 1597, que ordenaram " a fundação de uma povoação e a construção de uma fortaleza na fós do Rio Grande". Esta, em homenagem aos santos venerados no dia, tomou o nome "Santo Reis", seu orago até hoje."




 (Extrato do artigo " A Fortaleza, as imagens dos Santos Reis e a Capela da Barra do Rio Grande", de Tarcísio Medeiros, publicado na Revista Tempo Universitário, UFRN, V. I, nº 2, 1976, páginas 115 a 140).

ASSIM DISSERAM ELES ...




Oswaldo de Souza e Câmara Cascudo ( acervo Tribuna do Norte)

"Os bens culturais do passado são os testemunhos da grandeza de um povo"

Oswaldo Câmara de Souza

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

NOTA



GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO -FJA


NOTA
Natal (RN), 24 de dezembro de 2021


COMUNICADO

A Fundação José Augusto (FJA) comunica que a apresentação que o cantor e compositor Chico César realizaria no próximo sábado (25/12) no Largo da Praia do Forte, dentro das celebrações de reabertura do Forte dos Reis Magos, está adiada para uma nova data a ser pactuada.
A produção do compositor paraibano enviou comunicado (leia abaixo) informando que o artista testou positivo para a Covid-19 e se encontra neste momento isolado e em tratamento em São Paulo onde reside.
Para manter o espírito da celebração pela reabertura do Forte, a direção da FJA decidiu manter a programação das atrações locais, marcada para o dia 25, a partir das 18 h, com a apresentação da banda Perfume de Gardênia e o “Tributo a Natal” com os artistas Babal Galvão, Khrystal, Larissa Costa, Alan Persa, Alexandre Piter, Nara Costa e Debinha Ramos.
O Governo do Estado, através da FJA, manifesta votos de pronto restabelecimento a Chico César e seu breve retorno aos palcos potiguares e nacionais.
FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO

NOTA DA ASSESSORIA DE CHICO CÉSAR
“O show do cantor Chico Cesar previsto para acontecer na reinauguração do Forte dos Reis Magos, no Largo da Praia do Forte, em Natal, foi suspenso pois o músico testou positivo para a Covid-19 na data de hoje (23/12), durante ação preventiva e rotineira.
O artista encontra-se bem disposto, isolado em sua residência em São Paulo, acompanhado e orientado à distância por seu médico”.

FORTE DOS REIS MAGOS SERÁ REABERTO AMANHÃ

 


O Forte dos Reis Magos, principal cartão postal da Cidade do Natal, será reaberto para visitação pública, amanhã, data do aniversário dos 422 anos da cidade. Ele é um dos mais bonitos fortes do Brasil. Sua construção começou em 25 de janeiro de 1599 e foi concluída meses depois. Todos os dias é chicoteado pelas ondas do mar, mas elas nunca conseguiram vencê-lo. Seu maior destruidor tem sido o homem, que o depreda, mas também o restaura.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

A ARTE DE IAPERI EXPOSTA NO PALÁCIO POTENGI

 

Iaperi Soares de Araújo, artista plástico com longa carreira e reconhecidos méritos vai expor de 29 de dezembro até o dia 31 de janeiro, no Palácio Potengi, onde funciona a Pinacoteca do Estado. Eis aí um programa que vale a pena agendar e ir conhecer os quadros pintados por Iaperi. Além de artista plástico ele é também escritor, poeta, conferencista, Presidente do Conselho Estadual de Cultura do RN, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras.



UBE/RN REALIZA ENCONTRO (VIRTUAL) DE ESCRITORES





Dizem que uma imagem vale por mil palavras, então o que poderemos dizer das muitas imagens que aparecerão na tela do seu celular durante a tarde do dia 27 de dezembro, quando vários artífices da pena estarão compartilhando seus projetos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

VOTOS DE FELIZ NATAL

Nascimento de Cristo - Francisco Iran

A você que sempre passa por aqui e dedica alguns minutos para ler este blog, venho lhe desejar um Feliz Natal, Que tudo de bom aconteça com você. Que em seu coração seja creditado a alegria de Leiturino, a inocência e pureza de Ananias, a sabedoria de Mané Beradeiro.

Francisco Martins



terça-feira, 21 de dezembro de 2021

ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA A FORMAÇÃO SOBRE O GÊNERO DE CORDEL

 

A Paulus Livraria de Natal vai realizar no final do mês de janeiro, uma formação sobre o Cordel Brasileiro.O ministrante será Mané Beradeiro, um ativista cultural com conhecimento sobre o assunto, tanto na pesquisa, como na produção de textos poéticos de cordel. As vagas são limitadas. Breve traremos mais detalhes sobre o momento.


TRÊS HOMENS CONVERSAM SOBRE O LIVRO DE AUTA

 

Gilberto Cardoso que vem nestes últimos anos crescendo na arte de entrevistar, vai receber quinta-feira, numa live, os organizadores da edição 2021, do mais conhecido livro de poesia do Rio Grande do Norte, o Horto, da poeta Auta de Souza. Agende-se e venha desfrutar deste momento cultural.



segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

ALGUNS LIVROS E ARTIGOS SOBRE A CIDADE DO NATAL

Breve a Cidade do Natal vai completar 422 anos de fundação. Ainda é uma cidade jovem, pré-adolescente, se a compararmos com outras metrópoles.  Fundada em 25 de dezembro de 1599, a Cidade do Natal já foi assunto de muitos historiadores, pesquisadores, escritores, poetas. Fui buscar na minha modesta biblioteca o que eu tenho sobre o assunto e eis que encontro o seguinte acervo:

Breve Notícia sobre a Província do Rio Grande do Norte - Manoel Ferreira Nobre - 2ª ediçao - Editora Pongetti - Rio de Janeiro/GB - 1971 ( Nota:  O Capítulo II é dedicado a Natal).

Natal que eu vi - Lauro Pinto - Imprensa Universitária - Natal, outubro 1971.

História da Cidade do Natal - Luís da Câmara Cascudo - 2ª edição -  Civilização Brasileira/ UFRN e Instituto Nacional do Livro, 1980.

História do Rio Grande do Norte - Luís da Câmara Cascudo - 2ª ediçao - Achiamé/FJA - Natal, 1984 (Nota: Capítulos I, II, III,  XIV.

Natal uma nova biografia - Diógenes da Cunha Lima -  1ª edição - Infinita Imagem, Natal, 2011.

Scenários Norte-Riograndenses - Amphilóquio Câmara - edição fac-símile (1923), Sebo Vermelho - Natal, 2016.

A Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras dedicou uma edição especial  sobre a Cidade do Natal, foi a de nº 29, em dezembro de 1999, quando a cidade completou 400 anos. Nela vamos encontrar mais de 15 textos sobre o assunto pautado.

Oriano de Almeda, Dom Nivaldo Monte, Pery Lamartine, Diogenes da Cunha Lima, Nilson Patriota, Manoel Onofre Jr, Aluísio Azevedo, Grácio Barbalho, Fagundes de Menezes, João Wilson Mendes Melo, Luís da Câmara Cascudo, Olavo de Medeiros Filho, Murilo Melo Filho foram os acadêmicos que escreveram. Além desses, a Revista traz também as participações de Carlos Henrique Nogueira de Lucena, Marlene da Silva Mariz, Tarcísio Medeiros, Lêda Batisra Gurgel de Melo, Nathalie e Branca Coelho Macauense.

É óbvio que existem muita mais produções sobre a Cidade do Natal, mas minha pretensão foi despertar os leitores para tomarem conhecimento sobre o assunto, partindo do que tenho no acervo da minha biblioteca particular.


Francisco Martins

20 de dezembro 2021



 

domingo, 19 de dezembro de 2021

O QUE É LITERATURA ORAL?

  O que é literatura oral? A resposta vem através da plaquete  "Folclore  Brasileiro", de Veríssimo de Melo ( Edição MEC/Rio de Janeiro) que na página 17 assim está escrito: "Literatura Oral é o termo genérico para todas as manifestações culturais, de fundo literário, transmitidas por processos não gráficos - ensina Câmara Cascudo (1954) ... o termo foi cunhado em 1881 por Paul Sébilot".

Com aceitação deste conceito, os cantadores de viola, os repentistas, os contadores de histórias formam o grande tripé que dá base à Literatura Oral. Não podemos colocar nesse grupo os poetas cordelistas, porque eles fazem uso da escrita, embora, muitas das suas produções tiveram como mote a oralidade.

Assim como é impossível falar da fórmula da água, sem citar o Hidrogênio, o mesmo se diga do assunto em pauta, sem recorrer a Câmara Cascudo. E para esclarecer melhor o assunto, trago dois trabalhos do autor, onde o leitor poderá  se aprofundar sobre o tema: Literatura Oral  e  Vaqueiros e Cantadores.

Literatura Oral é composto de dez capítulos e  é Jerusa Pires Ferreira que escrevendo sobre o livro nos diz: " Esse livro cumpre o papel de germinadouro e é, em si mesmo, um monumento, tanto no que toca aos repertórios levantados, quanto pela intuição que faz dele um panorama, um ponto de partida e também de chegada."

Em Vaqueiros e Cantadores vamos encontrar  Cascudo tratando do assunto,  principalmente nos capítulos  "O Cantador", aquele que registra a memória viva e em seguida "A Cantoria", essa exercida pelos violeiros e rabequeiros, outrora muito presente nas feiras  das cidades.Entre tantos nomes masculinos, já tão conhecidos pelos que gostam do assunto, quero trazer à tona, os nomes femininos que Cascudo registrou: Francisca Barroso, Maria Tebana e Josefa.

Como se vê, cada um de nós possuímos uma carga de literatura oral que é formada pela história da nossa família e que vamos passando aos filhos e netos. Um dia, quando essa história é registrada em formato de livro, a oralidade tornou-se escrita. Numa dimensão maior é o que acontece com as fábulas, contos, causos e vidas de pessoas. Entendeu o que é Literatura Oral?


Mané Beradeiro - 19 dezembro 2021




Fontes

Dicionário Crítico Câmara Cascudo - Marcos Silva - Org.

Vaqueiros e Cantadores - Luís da Câmara Cascudo. Itatiaia/São Paulo, 1984,


quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

MANÉ BERADEIRO É PRESENÇA NA FEIRA LITERÁRIA DE CEARÁ-MIRIM

 Está acontecendo desde hoje à tarde, em Ceará-Mirim, a 1ª edição do Festival Literário. A abertura foi feita às 16 h, com apresentações da Banda de Música Tenente Djalma Ribeiro, da poeta cordelista Vera Lúcia Barreto,  apresentação musical de Juarez Lima, aluno da Escola Municipal Antonio Ferreira e em seguida a fala do Prefeito Júlio César.

Amanhã, sexta-feira, dia 17 de dezembro, a programação será intensa, com apresentações culturais de alunos, oficinas de literatura, mesas redondas com as participações de Drika Duarte, Aracelly Sobreira, etc. O poeta Mané Beradeiro também terá seu momento,  quando se apresentará para as crianças com suas histórias e bonecos.

UMA TARDE COM HISTÓRIAS CONTADAS POR MANÉ BERADEIRO PARA OS ALUNOS DA ESCOLA JACIRA MEDEIROS

 Este ano não foi possível ir a muitas escolas, a COVID 19 afastou os Contadores de Histórias, Escritores e outros artistas ,do piso escolar, palco onde se desfruta de um calor especial.  Ainda tive a oportunidade de mostrar meu trabalho em algumas. Hoje, quinta-feira, 16 de dezembro de 2021, fui à Escola Municipal  Professora Jacira Medeiros de Sousa Silva, que fica no bairro Nova Esperança, em Parnamirim-RN.

À tarde  foi organizada  com muito carinho, tendo a frente a Professora Dalvanira Nascimento,  Mediadora de Leitura do turno vespertino, e o tema foi: O Natal de Jesus com Mané Beradeiro.  Teve apresentações de alunos e do Professor José Marcelo, poeta cordelista, que fez um poema para mim.

Alunos declamam o cordel " O Natal dentro do Céu"

A  Contação de Histórias foi feita em duas etapas. Primeiro com os pequeninos e depois com os alunos  maiores. No roteiro das histórias contadas, como sempre, apresentei os valores que elevam a alma humana, com temas relativos ao perdão, proteção, amor, etc.


Posso assegurar que a tarde foi bonita e repleta de alegria. Não podia ser diferente, pois o que é feito com carinho traz sempre o perfume das coisas boas.

Francisco Martins/Mané Beradeiro

16 dezembro 2021

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

GERALDO MELO VAI TER POSSE VIRTUAL NA ANRL

 Se eu não estiver errado, a posse de Geraldo Melo no próximo dia 18 de dezembro, na Academia Norte-rio-grandense de Letras, que vai acontecer de forma virtual, será a mais rápida da história daquela instituição.  Geraldo Melo foi eleito no dia 11 de novembro, para a cadeira 32. Ele disputou com David Leite e o resultado foi 26 a 10 votos. O vencedor tem 85 anos. Na sua posse, o Presidente da ANRL, Diogenes da Cunha Lima fará a discurso de recepção.



A cadeira 32 tem como  Patrono Francisco Fausto. O primeiro ocupante foi Tércio Rosado, na sequência João Batista Cascudo Rodrigues e João Batista Machado, o último ocupante.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

FALVES SILVA LANÇARÁ LIVRO DIA 18 PRÓXIMO



RELEASE
Arte Postal: Falves Silva lança livro no próximo sábado (18)
O lançamento de ‘Bam! Arte Postal’ acontece em Natal, no Mercado de Petrópolis, a partir das 10h.
O cenário artístico e literário da cidade do Natal terá um grande atrativo no próximo fim de semana: o lançamento do livro de um dos precursores do Poema Processo no Brasil, Falves Silva. O lançamento de sua mais recente obra ‘Bam! Arte Postal’ acontecerá de forma presencial, no próximo sábado (18), no Mercado Cultural de Petrópolis, Box 41, das 10 h às 14 h.
Neste livro, o artista reúne uma série de trocas de correspondências que ele manteve com diversos artistas em todo o mundo, sendo reproduzidos textos em Português, Espanhol, Italiano, Francês e Inglês. Para o autor, o livro é dedicado aos amigos com os quais manteve uma correspondência produtiva por mais de três décadas, durante os anos 70, 80, 90 até a virada do século 20. “Através da Arte Postal produzimos um diálogo sem fronteiras, uma arte livre de preconceitos estéticos, moral ou filosóficos”, afirma.
A Arte Postal, ou Mail Art, carrega elementos caracterizados na troca de correspondências. São aplicadas técnicas como colagens, fotografia, escrita ou pintura, transformando carimbo, selos, cartão-postal e envelopes em suportes para uma livre expressão. Essa forma de arte surgiu na Europa como uma alternativa aos meios convencionais de exposições de arte em 1960 e, no Brasil, se tornou um dos caminhos para protestar diante da censura no período da ditadura militar.
O editor da obra, o sebista Oreny Júnior, proprietário do Sebo e Selo Literário Gajeiro Curió, comenta sobre a responsabilidade e alegria deste momento. “Falves é um dos grandes precursores do Poema Processo no Brasil e é uma honra para mim, com o apoio de colegas e parceiros, poder viabilizar esta obra e divulgar, ainda mais, o trabalho esplendoroso de Falves. Convidamos todos os que apreciam a arte das palavras, do expressar e dessa grande lenda da Arte Postal que é Falves Silva”, comenta Oreny Júnior.
O autor estará presente durante o lançamento, pronto para compartilhar suas histórias, como sempre fez. Exemplares do livro estarão à venda na ocasião, no valor de R$50,00.


Falves Silva
Nasceu em Cacimba de Dentro, Paraíba, em 1943. Em 1981 participou da XVI Bienal de São Paulo, com curadoria de Walter Zanini. A partir da década de 1980, se associa à rede internacional de Arte Postal, mantendo-se em diálogo com artistas de distintas gerações e nacionalidades, dentre os quais Jota Medeiros, Ivald Granato, Leonhard Frank Duch, Paulo Bruscky, Hudinilson Jr, Clemente Padín, Edgardo Antonio Vigo, Ulises Carrión e Horácio Zabala.
Tem seus trabalhos exibidos na International mail art exhibition, Tóquio, Japão, em 1984, e na II Bienal de Arte Correio, Espanha, em 1999. Mais recentemente, o artista teve sua exposição individual “Círculo do Tempo”, retrospectiva de sua carreira, apresentada no Centro Cultural São Paulo.
Sobre o livro


Formato: 150 x 210 mm

Páginas: 154

Projeto gráfico: Falves Silva

Capa: Falves Silva

Editor: Gajeiro Curió, por Oreny Júnior

Diagramação: José Aglio Neto

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

OS GENOCIDAS I - ADOLFO


 Tomislav R. Femenick - Jornalista e historiador, do IHGRN


Ultimamente a palavra genocida tem sido muito citada, porém poucos sabem o seu real significado: extermínio deliberado, parcial ou total, de uma comunidade, grupo étnico, racial ou religioso. Hoje vamos falar do mais notório.

 Adolf Hitler (1889-1945), nascido na Áustria, foi chanceler da Alemanha de 1933 a 1945. Fundador e líder do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (o partido nazista), liderou, em 1923, uma conspiração conhecida como o “putsch de Munique”. Foi condenado a cinco anos de prisão, no entanto, só cumpriu nove meses da pena. No cárcere, escreveu o primeiro volume de “Minha luta”, livro que propagou o nazista, expondo a pretensa superioridade da raça ariana (representada pelo povo alemão), a predestinação do Führer, (líder dos alemães) para impor o estado germânico sobre o resto do mundo e o ódio aos judeus e “demais povos inferiores”. 

O problema estava na falsidade da teoria da raça ariana. Ela teve início em 1808, em uma simples hipótese de linguística, do escritor alemão Friedrich von Schlegel. Em seus estudos ele encontrou características comuns entre o sânscrito e o persa, de um lado, e as línguas alemã, sueca e holandesa, do outro. Dessas observações ele intuiu uma hipótese para uma língua ancestral comum, o “ariano”, falada pelo povo “ariano”, que teria habitado a terra de Areia ou Ariana. Essa teoria foi logo posta de lado em virtude das descobertas subsequentes, realizadas por próprio Schlegel, e por outros filólogos, arqueólogos e sociólogos. Em 1814, Thomas Young identificou um grande tronco linguístico que abrangia a Europa, a Ásia ocidental e a Índia, chamando-o de “indo-europeu”. Sabe-se hoje que os povos indo-europeus são originários das estepes da Ásia central, de onde migraram para a Europa e para a Índia no fim do período neolítico, e que, embora tivessem um só tronco linguístico e afinidades culturais comuns, não formavam uma raça específica. 

Mesmo assim, entre 1853 e 1855, Joseph-Arthur de Gobineau, conde, diplomata e historiador francês, publicou o livro de “Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas”, fazendo a apologia da “raça ariana”, elegendo-a como a raça superior, composta de homens e mulheres altos, fortes, louros e dolicocéfalos, que habitavam principalmente o norte da França, a Inglaterra, a Bélgica e a Alemanha. Sua teoria da raça pura ariana foi um dos sustentáculos do projeto que visava à união de todos os povos germânicos em um único país e do antissemitismo nazista. 

Outro fato, esse involuntário, foi usado para a defesa do racismo. Em 1865, o inglês Francis Galton, antropólogo, estatístico, matemático, meteorologista e primo de Charles Darwin, começou a formular os princípios da eugenia, fazendo uso de elementos do positivismo e do darwinismo. A eugenia seria uma ciência voltada para o aperfeiçoamento da raça humana, tendo por base a premissa de que o homem, como os outros animais, sofreria evolução biológica. Essa evolução física, por sua vez, seria a base da evolução moral. Essa nova “ciência” objetivaria estudar as condições mais propícias à reprodução e melhoramento genético do ser humano, através de três medidas práticas: educação sexual e procriação sadia; combate aos vícios e às doenças morais (alcoolismo, antipatriotismo, tuberculose e sífilis), e esterilização ou restrição de casamentos de pessoas consideradas ineptas à procriação. A eugenia foi aceita e incorporada por várias correntes do pensamento pseudocientífico. 

Montado nessa cadeia de enganos e engodos, em 1933 Hitler foi nomeado chanceler e, logo em seguida, nomeou-se presidente, comandante supremo das forças armadas e Führer do Terceiro Reich, assumindo poderes ilimitados, com o que perseguiu todos os grupos opositores. Criou a Gestapo (uma polícia política) e mandou construir campos de concentração para onde mandava judeus, eslavos, ciganos, homossexuais etc. Organizou, ao mesmo tempo, uma avançada indústria de guerra, que converteu a Alemanha no país mais bem armado da Europa. Com os ataques à Tchecoslováquia e à Polônia, deu início à Segunda Guerra Mundial. As forças militares nazistas foram responsáveis pela morte de 55 milhões de pessoas. Depois de alguns anos de vitórias retumbantes e antevendo a derrota iminente, suicidou-se quando os soldados soviéticos já entravam em Berlim.


Tribuna do Norte. Natal, 10 nov. 2021.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

MARINHEIROS

 Dentro do ano  em que comemoramos os 100 anos do nascimento do escritor Homero Homem, trago aos leitores mais um conto, pérola achada em minhas pesquisas. 

 


Uma noite meu pai chegou, vinha molhado dos pés à cabeça. Bateu as botinas no degrau da entrada, limpou o barro que aderira ao solado, desvencilhou-se do pesado oleado de marujo, entrou silencioso. Era de poucas palavras, hábito contraído na solidão das grandes viagens beirando acosta, de um extremo a outro do Estado. Alto e robusto, ostentava uma força maciça e lenta de marinheiro; as mãos eram duras e enormes, servidas de dedos onde repontavam calos. De tão grossos até pareciam inchados os dedos de meu pai. Recordo bem o seu físico áspero e agigantado, mas, por mais que me esforce,não consigo reter as suas feições. Lembro-me bem de seus olhos. Tinha-os pardos, de uma tonalidade que eu nunca vi reproduzida em ninguém mais. Fitavam parados, teimando esconder aquela velada fosforescência que irradiavam. Pareciam lutar contra a luz, os olhos de meu pai.

O mais nele tenho fielmente fixado: certos gestos, a voz rude, o jeitão agressivo com que fazia as perguntas - um súbito rompante de voz que ia se atenuando até transformar-se em murmúrio, que era o seu tom habitual de conversa.

Meu pai se desembaraçou da roupa encharcada, sentou à mesa. Minha madrasta trouxe quase em seguida o jantar: sopa de feijão, peixe frito com farofa de dendê e café. Meu pai comia calado, os grandes músculos faciais contraindo-se, relaxando-se. Eu acompanhava com tenção estudada os pequenos besouros que rodopiavam em torno do candieiro, fugidos da chuva que caía lá fora. Estava à espreita de uma oportunidade para contar-lhe o meu dia. Afinal tomei coragem, fui direto ao assunto.

-Estive hoje lá em cima; estou matriculado, meu pai.

Ele levantou a vista,olhou-me como procurando se lembrar do que falava eu; bebericou o café soprando no pires, e disse:

-Está direito…

A frieza me doeu. Estava acostumado a ela, meu pai era assim mesmo. Mas a situação era tão especial que me dera coragem para engendrar aquela conversa. Disfarcei a decepção com nova investida; a vontade de falar era grande.

-Sabe, meu pai, os exames começam depois do Carnaval.

-Hum… -fez ele.

Inútil. Refugiei-me num silêncio amuado, duro silêncio de menino sem mãe, acostumado à solidão. Meu pai acabara de tomar café, acendia o cachimbo - uma pesada peça de raiz de roseira, ornada com anéis de latão. Soprou a primeira baforada e, envolvido pela fumaça, falou devagar pondo-me os olhos em cima:

-Você espera passar no exame, João?

Tive um choque. A pergunta de meu pai era uma resposta, um eco à minha ânsia de comunicação e extravasamento. Raro meu pai falar assim, encarando-me como um igual. Era um homem entrincheirado em seu silêncio, um silêncio pesado como o resto de sua pessoa: difícil de romper. Cedo me acostumara a ele. Em casa, eu e minha madrasta, ninguém se espantava. Aquela frincha aberta em seu mutismo rasgava pela primeira vez uma perspectiva nova em minha infância, que era como a sombra miúda da solidão grisalha de meu pai. Naquele minuto eu compreendia anos inteiros de sua vida. Sentia-me tranquilo, embora uma emoção nova tomasse conta de mim. Ficamos assim um bocado - eu e meu pai. Foi ele que quebrou o silêncio.

-João - começou - estive pensando. Sou um sujeito rude, um homem do mar. Tenho sabido de seus planos, sua madrasta já me falou. A princípio não concordei muito, você sabe, filho de marinheiro pertence ao mar. Pensava que você um dia iria comigo. Pensava que assim ia ser com você.

Calou-se, deu uma baforada comprida, soprou a cinza que aflorara às bordas do cachimbo. E prosseguiu:

-Você saiu à sua mãe, foi feito para ficar em terra. Está me pedindo conselho, leio em seus olhos. Mas não sei o que diga, não. Nunca estudei, criei-me sem necessidade de livros; marinheiro precisa é de saúde e de fé em Deus, que a sabença tirada dos livros de nada adianta quando se está embarcado. Você escolheu sua vida, está certo; não atrapalho vocação de filho. Já para dar conselho retirante às coisas do mar, para isso não sirvo. Pense bem: você é filho de marujo, neto de marujo, marujo também. Está na massa do sangue. Os rapazes da cidade alta, estes sim, nasceram para estudar mesmo, ser doutor, subir na vida. Levam vida de estudante, os pais dão tudo. Com você é diferente; precisa trabalhar, o meu é pouco pro gasto, inda mais com despesas de livro, um horror de dinheiro. Enfim,você sabe…

Calou-se, suspirando fundo, foi à janela, ficou olhando as luzes da cidade refletindo-se nas águas do rio em estrias de fogo inquieto.

Tomado de desânimo eu olhava a sombra enorme de meu pai. Tocado pela claridade que vinha de fora, ele me parecia muito só, pequeno e desamparado. Tinha ímpetos de gritar-lhe - “não importa, meu pai, lutarei por nós dois!” Mas o silêncio nos pegou em cheio, ficamos assim um pedaço. Depois meu pai deixou a janela, teve outro suspiro velho de descrença, começou a desenrolar a rede que pendia do armador. Bocejei para disfarçar o tumulto que tomara de mim. E de súbito as palavras começaram a me sair da boca cheias de decisão:

-Amanhã começo a me preparar para o exame.

-Quem é quem vai lhe ensinar - perguntou meu pai impulsionando a rede para o balanço.

-Seu Geraldo da farmácia; cobra só quinze mil réis por mês…

Novo silêncio. A rede rangia monótona - rin… rin… rin…

-João!

-Sinhô, meu pai?

-Vá dormir para acordar cedo, menino. Se tem mesmo de ser doutor, precisa ir se preparando.

Tive ímpeto de correr para meu pai, abraçá-lo, tanger o punho de sua rede a noite inteira. Mas ele ressonava já, o peito enorme subindo e descendo com regularidade. Era um sono pesado e total. Sono de marinheiro que chega do mar.

 

9 de Maio de 1953