quarta-feira, 12 de junho de 2019

HUMOR DE MANÉ BERADEIRO



Quem não gosta de cuscuz
Deve ser abilolado
Ter nascido sem ver luz
Já chegou todo cagado
Não tomou leite do peito
Nunca viu do rio um leito
É cristão desconchavado.

Mané Beradeiro
12.06.19

PRAÇA ANDRÉ DE ALBUQUERQUE

Praça André de Albuquerque. Em seu entorno nasceu a cidade de Natal. A primeira rua que era conhecida com o nome de Rua Grande, a primeira igreja que foi demolida pelos holandeses, o pelourinho, etc. O chão da praça é testemunha de muita história. Deram-lhe o nome de André de Albuquerque, o líder e mártir da Revolução de 1817. Esqueceram de fazer no berço de Natal uma homenagem ao fundador da cidade: Jerônimo de Albuquerque.

Quando a praça era um descampado, em 1906 foi aí que pela primeira vez os irmãos Pedroza trouxeram da Inglaterra uma bola de futebol e Natal assistiu a primeira pelada, registra Cascudo.

No berço da capital
Tem histórias de montão
Marco Zero de Natal
Porteira do coração
Quem por ela já passou
Vê a Praça em aflição.

Mané Beradeiro



terça-feira, 11 de junho de 2019

MADALENA ANTUNES

Hoje é apenas um muro, mas exatamente aí, neste local, que fica na Avenida Hermes da Fonseca, bem defronte ao que resta do Estádio Juvenal Lamartine, em Natal, foi a casa da maior memorialista do Rio Grande do Norte e uma das quatro melhores do Brasil. Quem foi ela? MADALENA ANTUNES PEREIRA, autora do livro Oiteiro - Memórias de uma sinhá-moça (1958). Hoje faço esta homenagem a ela, pois 11 de junho é o 60 aniversário do seu encantamento. Madalena tornou-se imortal nos livros.

Madalena com a pena
Registrou tudo que viu
Os negros sendo libertos
A nobreza que existiu
Agora só em OITEIRO
Saudamos quem já partiu.

Mané Beradeiro.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

GENERAL VARELA

Com esta postagem eu começo hoje uma série de pequenos textos sobre a história da cidade do Natal. Tudo baseado em leituras e com o olhar de Mané Beradeiro, poeta que deseja apresentar em prosa e verso fatos, locais e personagens de uma Natal adormecida dentro dos livros.

Rua Professor Zuza, centro. Dia 8 de junho 2019.
Esta rua já foi chamada de Jerônimo de Albuquerque. Câmara Cascudo diz que onde existiu a casa de número 219, residiu o General Varela (João da Fonseca Varela), herói na guerra do Paraguai, Comandante do Forte dos Reis Magos.
"Foi General João Varela
Homem que amou o Brasil
Lutou lá no Paraguai
Disparando seu fuzil
Defendeu a nossa pátria
O jovem tão varonil"

João Varela nasceu em 2 de dezembro de 1850 e faleceu em 1931.

TRÊS CABRAS DE JESUS CRISTO - SANTOS JUNINOS SIM SENHOR!

O poeta Mané Beradeiro disponibilizou pelas redes sociais, na semana passada, o texto completo do seu mais recente poema construído no estilo de cordel.  Três cabras de Jesus Cristo - Santos juninos sim senhor! trata sobre o universo celebrado no tradicional mês junino, quando são festejados os santos Antonio, João Batista e Pedro. O poeta construiu o texto com 38 estrofes, sendo 37 sextilhas e 1 décima. A arte da capa foi feita por Flávio Barjes, poeta e capista do norte do Brasil.

1
No Nordeste do Brasil
Todo ano, mês de junho,
As cidades ficam lindas
E dão grande testemunho,
Festejando homens santos,
Corajosos e de punho.
2
É o mês mais musical,
Com forró de pé de serra;
Tem quadrilhas pelas ruas,
Bandeirolas  pela terra;
Estouram fogos nos ares,
Mas é paz e não a guerra.
3
As comidas destas  festas
Trazem o cheiro da infância,
Que ficou lá no passado,
Eu vejo hoje à distância,
Lembro bem da minha mãe
Cozinhando com abundância.
4
A canjica tão bem feita
Com açúcar, milho, leite;
A panela vai ao fogo
E se mexe sem enfeite;
Quando fica cozinhada,
Não falta quem aproveite.
5
Se você nunca raspou
A panela da canjica,
Não sabe o que é gostoso,
Como é que a gente fica,
Tão feliz igual a gato
Dormindo dentro da bica
6
 A Pamonha é coisa boa
Dá gosto dela comer;
Estando doce ou salgada,
Enche o bucho pode crer;
É um trabalho danado
Essa comida fazer.
7
A canjica quando deita,
Veste o prato de amarelo. 
A pamonha costurada,
Mais parece Chica Melo,
Quando põe camisolão
Pra dormir com Gracielo.
8
Pra  tirar a  timidez,
O quentão e a catuaba.
Se beber em demasia,
Vai cair como mangaba.
Se pensou ser tubarão,
Não deixou de ser piaba.
9
Eu direi neste cordel
Os santos que são lembrados:
Santo Antonio, dia 13,
Que atende os apaixonados.
Vitalinas fazem preces
E cadê os resultados?
10
Santo Antonio traz nos braços
O menino Salvador;
Tem moça desesperada
Que causa grande terror,
Escondendo Jesus Cristo,
Só devolve com favor.
11
“Só verá o seu menino
Se meu desejo atender.
Consiga-me um namorado.
Pode-me surpreender.
Se avexe, meu Santo Antônio,
Quero  meu noivo escolher!”
12
 Será  que o santo é machista?
Não atende quarentona?
A solteira da Raimunda
Tomou banho de acetona,
Foi pro baile bem faceira,
Namorar Pedro Azeitona.
13
A fogueira foi acesa
Na noite de Santo Antônio.
Desceu Raimunda a ladeira,
Balançando o patrimônio.
Diz Pedro Azeitona ao vê-la:
“Eita  , que poço de hormônio!”
14
Santo Antonio, lá do Céu,
Sentiu cheiro de chouriço
E Ficou todo encantado
Com aquele reboliço.
Viu Raimunda namorar,
- Terá o amor um feitiço?
15
São três santos celebrados,
Dois ainda vou falar:
João Batista com São Pedro
Cada um mais singular
Suas vidas nos ensinam
A quem devemos olhar.
16
Em 24 de junho
São João Batista é lembrado.
O seu pai foi Zacarias,
Em Isabel foi gerado.
Nasceu bem antes do primo,
Esse profeta arretado
17
Não vestiu roupas de marcas,
 E tampouco o mar cruzou.
Mas um dia um gesto seu
O seu primo revelou,
Mostrando Jesus, o Cristo,
O Cordeiro que chegou.
18
Por isso que na bandeira
Tem ele com carneirinho,
Lembrando ser o profeta
Que sabia direitinho.
Com João não tem  arrodeios,
Mostrou bem certo o Caminho.
19
Tem o fato, tem a lenda,
É preciso separar.
Um real, outro inventado,
Enfeitam nosso sonhar.
Bem assim são as fogueiras
Sobre elas vou falar.
20
Isabel foi visitada
Por alguém de Nazaré.
A jovem, bela Maria,
Casada com São José,
Que  já esperava Jesus,
A razão da minha fé.
21
Naquele tempo distante
Telefone não havia.
Isabel teve a ideia
E disse para Maria,
Quando João fosse nascer
A fogueira acenderia.
22
Preservou a tradição
E a  lenda foi espalhada.
Por isso que ainda hoje,
A fogueira é preparada,
Lembrando que João nasceu
De uma idosa, já cansada.
23
Quando criança brinquei
 Com a fogueira abrasada.
No calor daquela lenha,
Promessa bem confirmada.
Parentesco que surgia
Naquela festa animada.
24
“Eu serei teu  afilhado,
Tu serás o meu padrinho.
A fogueira testemunha,
Confirmada por Joãozinho.
É ordem de Jesus Cristo,
Recebida por Pedrinho”
25
Vamos celebrar São Pedro,
Já chegando o fim do mês.
29 é  seu o dia,
Sabe eu, tu e vocês.
O santo mais estressado
Vou dizer em um, dois, três.
26
Um –  nasceu em Betsaida,
Pescador da Galiléia.
Tinha nome de Simão,
E teimava igual a ‘véia’
Jesus Cristo disse: “Venha
Fazer parte da colmeia.”
27
Dois – seu nome foi mudado,
E Pedro passou a ser.
Vivendo com Jesus  Cristo,
Muito pôde aprender,
Pois tendo o pavio curto,
Precisou se converter.
28
Três -  prometeu não negar
O Mestre  que lhe ensinou
Ser  o amor força maior
Que o homem  já  encontrou.
Pedro foi fraco em ação
Pois  a seu mestre negou
29
E Jesus, onisciente,
Disse: Arrepare, bichim
O galo hoje só canta
Depois que  negares a mim,
Três vezes encarriado
Tu farás sem um pantim.
30
Pois agora vou contar
Como Pedro se vingou.
É lenda, não tá na Bíblia,
Foi vovô quem me contou.
Pedro saiu com facão
Procurando quem cantou.
31
E naquela madrugada,
A coisa só piorou.
Pedro pulava portão
E muitos galos matou.
Galinhas  enviuvaram
E nem um frango escapou.
32
Quando o dia amanheceu,
Pedro viu o mal que fez.
Viu que o errado era ele
Foi tamanha estupidez,
Sentiu que seu coração
Era terra de aridez.
33
E Pedro pôs-se  a chorar:
Negar Jesus foi demais,
Pois um homem como aquele
Não veria outro jamais.
Era seu porto seguro,
O fenomenal do cais.
34
Acendeu uma fogueira,
Na brasa pôs o passado.
O fogo que nele ardeu
Fez  de  Pedro um transformado.
Era agora diferente,
Pescador santificado.
35
“Tem as chaves lá do Céu”
Diz o povo em seu falar.
Foi promovido por Cristo
Abre a porta, deixa entrar
Aqueles que Jesus manda
No Paraíso habitar
36
Vou concluir o cordel,
Pois a festa tá bonita.
Quero  comer da pamonha,
Usar camisa de chita,
Ver o povo no salão
Se atolando na birita.
37
Faço votos que o leitor
Guarde a nossa tradição,
A cultura popular
Tão repleta de emoção,
Riqueza dos brasileiros
Que fazem esta  nação.
38
M eu abraço e paz  eu lhe dou
B ote água nesta chaleira
E stou indo lá na feira
R ua da Consolação
A trás duma fruta-pão
D ela  sou um grande fã.
E se for com ribaçã,
I sso fica na memória.
R eforça bendita glória
O café desta manhã.

Mané Beradeiro
11 de maio de 2019

terça-feira, 21 de maio de 2019

ASSIM DISSERAM ELES ...

O livro é  mais durável  que o bronze das estátuas  e os mármores  das lápides.

Câmara Cascudo
Acta Diurna de 4 outubro 1940.

domingo, 19 de maio de 2019

TORRE ,RELÓGIO E SINOS DA ANTIGA CATEDRAL



Conhecer a história de Natal, capital do RN é um dos temas das minhas leituras. Gosto de saber das coisas e dos pormenores. Passar diante de um monumento, um prédio ou numa rua e saber algo sobre aquele local é algo prazeroso. Hoje quero compartilhar com meus leitores um pouco sobre a antiga catedral, mas especificamente no tocante à torre, o relógio e os sinos.
Câmara Cascudo relata que foi no governo provincial do Presidente Antônio Bernardo Passos, o XX a governar o RN, no período de 1 de outubro de 1853 a 1 de abril de 1857, que ele resolveu construir a torre e comprar o relógio.
"O Presidente Passos subscreveu uma boa quantia e angariou os donativos. O relógio foi comprado. A torre construiu-se e nela se pôs o relógio. Ainda está batendo as horas" (CASCUDO,1942).
Curioso é que na torre existe a data de 1862, quando Passos não era mais o Presidente da Província e Cascudo silencia sobre esta data na Acta Diurna de 16 de fevereiro de 1942.
Fui rever outros textos.  No livro "História da Cidade do Natal" o pesquisador diz que em 1862 começaram a construir a torre e no ano seguinte ela é inaugurada com um novo sino e o relógio. Cascudo explica que a linguagem dos sinos tinha todo um significado, como por exemplo: 10 badaladas seguidas (nascimento de uma criança), 9 batidas (menino) 7 batidas (menina).  Mas nem todos gostavam de ouvir os sinos tocarem, foi o caso do Dr. Antônio Francisco Pereira de Carvalho, também Presidente da Província (1852-1853) que mandava o sineiro ser breve no tocar dos sinos.



 Referências

CÂMARA, Cascudo.  Os sinos da matriz. Acta Diurna, in: A República, 31.12.1939
_______Toque de sino. Acta Diurna, in: A República, 22.08.1940
_________. O Presidente Passos. Acta Diurna, in: A República, 15.02.1942
________. História da Cidade do Natal. 2a edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1980.

Francisco Martins
19.05.2019

sábado, 18 de maio de 2019

REVISTA DIGITAL KUKUKAIA PUBLICA ENSAIO DE MANÉ BERADEIRO



A Revista Kukukaia, edição Março/Abril 2019 publica o ensaio do poeta Mané Beradeiro sobre o romance do cordel brasileiro  "Os cabras de Lampião", da autoria de Manoel D'Almeida Filho. O ensaio já foi publicado aqui no blog, mas na revista ficou muito melhor a forma de ler, pois aparece no estilo de livro digital. Para acessar  a resenha é só clicar em: Revista Kukukaia

segunda-feira, 13 de maio de 2019

POETA XEXÉU CELEBRA 81 ANOS DE VIDA



Hoje, 13 de maio de 2019,  eu pergunto a uma menina por nome de Fátima se ela porventura  teria algum segredo para confessar. Ela olha-me e diz: "Poeta o que tenho para lhe dizer é que hoje na cidade de Santo Antonio-RN a poesia está em festa!". E fico querendo saber qual é o motivo. Lembro do amigo Gelson Pessoa e mando mensagem para ele indagando que festa é essa. Aí, Gelson responde escrevendo:
Xexéu fez oitenta e um
Anos de muita poesia
Pois ele desde menino
No seu caderno escrevia
Poema  com o coração
Causando admiração
A todos que o conhecia.
Só então eu percebi a beleza do dia de hoje, João Gomes Sobrinho, o homem que foi gerado dentro de um útero recheado de poemas, que muito pequeno foi poeticamente batizado pela alcunha de Xexéu, o habitante maior e melhor de Santo Antonio, que ouço afirmar sem receio nenhum, tem a força superior a de uma onça que apenas passou por lá. Xexéu tem o canto que nos enebria, podemos ouvi-lo nos folhetos do cordel brasileiro,  sob a copa de uma mangueira rosa. A ele quero entregar também meus versos, ei-los:
Você é um poeta de ouro
Homem de grande valor
E hoje celebra a vida
Com belo e grande esplendor
Quisera ter o seu canto
Menestrel de puro amor.

Começou inda pequeno
No mundo do versejar
Já faz tempo meu poeta
Mas pode continuar
A mangueira rosa apoia
Não lhe cansa de louvar.

Eu derramo em seus pés
Com profunda gratidão
Por Deus ter feito você
Sem nenhuma abstenção
São 81 anos
De grande inspiração.

Receba Xexéu  dourado
Do poeta Beradeiro
Estes versos atrevidos
A um coração arteiro
Plante lá no seu roçado
Dará frutos por inteiro.
  
Mané Beradeiro




domingo, 12 de maio de 2019

VEM AÍ O 53º CORDEL DA AUTORIA DE MANÉ BERADEIRO

Contar de forma poética, dentro das regras do cordel brasileiro (rima, métrica e oração)  a riqueza das tradições juninas, recheando o texto com paisagens biográficas dos três santos celebrados no mês de junho: Santo Antonio, São João Batista e São Pedro é o resultado do mais recente trabalho do poeta Mané Beradeiro, que ele intitulou: TRÊS CABRAS DE JESUS CRISTO - SANTOS JUNINOS SIM SENHOR.
Mané Beradeiro ( foto do acervo de Rosa Régis)
São 37 estrofes em sextilhas e 1 décima no final, totalizando 232 versos que levam o leitor a fatos e lendas da vida deste trio que é festejado pela cultura do povo brasileiro, de uma forma mais intensa no nordeste do Brasil. Com a publicação desse cordel, o poeta Mané Beradeiro atinge a marca de 53 publicações de folhetos.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

ERA UMA VEZ A CASA DO ESTUDANTE DO RIO GRANDE DO NORTE

A Casa do Estudante do Rio Grande do Norte finalmente descansa em paz. Sua extinção foi decretada no ´dia 7 de maio de 2019, pelo Doutor Cícero Martins, Juiz de Direito que deu a sentença. A história dessa  instituição chegou ao fim, após  73 anos de fundação.


Atualmente o Ministério Público requereu a desocupação do imóvel onde estava instalada a Casa do Estudante, pois o mesmo encontrava-se ocupado irregularmente por várias pessoas que  não eram estudantes. A última diretoria da Casa do Estudante  foi no ano de 2010. Um relatório apresentando pelo interventor Durval de Araújo Lima, diz  "Hoje a Casa do estudante tem apenas 1 (um) morador e encontra com débitos junto a CAERN, COSERN, pendencias do CNPJ junto a Receita Federal, e junto a Prefeitura Municipal de Natal, junto ao Corpo de Bombeiros. 38 moradores não se encontravam dentro dos critérios do Estatuto e Regimento Interno, foi necessário o uso de aparato policial para a retirada de morador..." 


A instituição foi fundada em 2 de junho de 1946, prestou relevantes serviços no passado. Abrigou muitos estudantes vindo do interior. Infelizmente a Casa do Estudante não  teve a competência para sobreviver aos novos tempos. O imóvel foi outrora doado pelo Estado do Rio Grande do Norte, pela Lei nº 1.668, de 28 de janeiro de 1956, com escritura pública passada no Terceiro cartório de Natal, conforme o Livro nº 169, folhas 52 a 54v. 

O prédio é tombado pelo  patrimônio histórico  estadual, conforme Decreto nº 11.907/93. Vejam o Parecer do Conselheiro Nilson Patriota, membro do Conselho Estadual de Cultura do RN; "O prédio onde funciona a Casa do Estudante, na Praça Cel. Lins Caldas, foi construído pelo Presidente da Província, Antonio Bernardo dos Passos, com a finalidade de abrigar o Hospital da Caridade, criado pela Lei nº 335, de 10 de setembro de 1855. Já em 1856 amparava e mitigava as dores e os sofrimentos de centenas de enfermos atingidos pela epidemia do cólera. Em 1895 o edifício passou por uma restauração. Em 1906, o Governador Tavares de Lira extinguiu o hospital . A partir de 1º de janeiro de 1910 o edifício acolheu a Escola de Aprendizes e Artífices, que ali funcionou até 1913 ou 1914, quando se transferiu para outro prédio, dando lugar à instalação do Batalhão da Polícia Militar. Nos dias 23 e 24 de novembro de 1935, durante o levante comunista no Rio Grande do Norte, a velha e sólida construção resistiu às granadas e à fuzilaria dos que o atacavam. Após  a refrega, o edifício passou por uma recuperação e voltou a servir à mesma função militar de antes, até 1953, ano em que o Quartel da Polícia transferiu-se para outro prédio. Com a desocupação do imóvel, teve início uma campanha em favor da cessão do mesmo, pelo governo estadual, à Casa do Estudante, que funcionava em prédio alugado.Atendido o pleito, a Casa do Estudante ali iniciou suas atividades em 22 de agosto de 1956. De expressivo valor arquitetônico, o prédio conserva as características neoclássicas de sua primitiva construção. Histórica e arquitetonicamente é obra de relevante valor, pelo que recomendamos seu tombamento".
 
Cícero Martins - Juiz de Direito e Conselheiro
A sentença decretada pelo Juiz Cícero Martins  decreta a extinção da pessoa jurídica Casa do Estudante do Rio Grande do Norte, determina a devolução e incorporação do prédio ao patrimônio do Estado do Rio Grande do Norte e dá outras providências.

Francisco Martins
08 de maio de 2019

terça-feira, 7 de maio de 2019

UMA REVISTA COM CHEIRO DE MULHER

A  Academia Norte-Rio-Grandense de Letras entregou aos leitores a mais nova revista, a de nº 58 - referente a janeiro/março.  A primeira edição do periódico em 2019 é totalmente voltada  para o tema "Mulher e Literatura", uma sugestão da escritora Rizolete Fernandes dada à Acadêmica Diva Cunha, que propôs ao Diretor da Revista, o Acadêmico Manoel Onofre Jr.
  
A Revista está densa, com a participação das seguintes mulheres: as  Acadêmicas: Diva Cunha, Leide Câmara, Eulália Duarte Barros, Sonia Faustino e as escritoras Constância Lima Duarte, Rizolete Fernandes, Marize Castro, Midiã Ellen White de Aquino, Carmem Vasconcelos, Conceição Flores, Diulinda Garcia, Araceli Sobreira,  Ângela Gurgel, Ludmila Gesteira, Anchella Monte e a inesquecível Auta de Souza. É o mais bonito ramalhete de escritoras que a Revista da ANRL conseguiu reunir ao longo da sua existência, desde 1951. Nunca, em edições anteriores, houve uma afluência desta magnitude.
As páginas desta revista ficarão na história como perfume de agradável aroma literário. Até mesmo os homens que dela participaram volveram seu olhar para o universo feminino. O Presidente Diogenes da Cunha Lima  e  Vicente Serejo trazem a lembrança de Zila Mamede, o Editor Thiago Gonzaga balança os galhos da pitangueira em flor e mostra Palmyra Wanderley pelos jornais da imprensa brasileira, o  Diretor da Revista - Manoel Onofre Jr -  relembra  Myriam Coeli, Nelson Patriota  escreve sobre a  contista Kristen Roupenian, Valério Mesquita  presta homenagens a notáveis mulheres da sociedade potiguar, Daladier Cunha  revela que Giselda Trigueiro é nome de uma das mulheres que figura na sua lista tríplice de admiração, Jurandyr Navarro pinta em seu artigo um belo quadro de Anadil Roselli, médica natalense que poucos ouviram falar. Carlos Gomes escolheu o tema "Saudade e Gratidão" para falar sobre Anna Maria Cascudo Barreto e concluindo esta parte da revista, Benedito Vasconcelos nos transporta a um  casamento naquele tempo do sertão  dos nossos ancestrais.
A parte de contos e crônicas tem a participação de Iaperi Araújo, com o texto "Duas Irmãs" que  dá ao leitor a certeza de boas risadas. Clauder Arcanjo  no conto "A Mulher Consolação" entrega ao ledor a química salvadora que há no ato de cozinhar e escutar. Jarbas Martins, que poupa palavras, também escreveu um mini-conto "O manual amoroso de Socorro". Por último, a Revista resgata um texto de Henrique Castriciano, escrito há  111 anos,  sobre a identificação do sitio onde nasceu Nísia Floresta.
E fechando as matérias, a última parte, dedicada à poesia, degustamos da arte de Auta de Souza, Anchella Monte, David de Medeiros Leite, Lívio Oliveira, Lisbeth Lima, Paulo de Tarso Correia de Melo e Roberto Lima de Souza, num conjunto de poemas tão profundos quanto as almas desses autores.
Eis aí a Revista nº 58, com cheiro  e beleza de mulher!

Francisco Martins
07 de maio de 2019