segunda-feira, 14 de setembro de 2026

CEC NO PROGRAMA "BAOBÁ CULTURAL"

 

Diógenes da Cunha Lima, poeta, escritor, que apresenta o programa "Baobá Cultural", está homenageando o Conselho Estadual de Cultura - CEC/RN, entrevistando as pessoas que integram esse colegiado, do qual ele também faz parte, como membro nato, na qualidade de Presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Nesta primeira parte, gravada na Sala Onofre Lopes, onde acontecem as sessões, foram colhidos depoimentos dos seus pares sobre o CEC.

O POVO EM FESTA - PINACOTECA POTIGUAR

 

Já está em cartaz na Pinacoteca Potiguar – Palácio Potengi a exposição “O Povo em Festa — Cascudo, Deífilo e o folclore nas artes visuais potiguares”, com visitação até 15 de outubro.

A mostra reúne obras do acervo da Pinacoteca de artistas potiguares de diferentes gerações, entre eles Dorian Gray Caldas, Newton Navarro, Iaperi Araújo, Carlos José, Irmã Myriam, Geicifran, João Natal, Ivanise, Nivaldo, Lourdinete, Túlio Fernandes, D. Paixão e Fernando Gurgel, entre outros.

Reisados, vaqueiros, brincantes, festas, religiosidade e personagens do imaginário popular compõem um percurso pela riqueza da cultura popular do Rio Grande do Norte.

A exposição homenageia Luís da Câmara Cascudo e Deífilo Gurgel, aproximando o legado desses dois grandes pesquisadores do folclore e das nossas tradições. Em 2026, celebram-se o centenário de nascimento de Deífilo Gurgel e os 40 anos do encantamento de Câmara Cascudo.

  SERVIÇO
O Povo em Festa — Cascudo, Deífilo e o folclore nas artes visuais potiguares
Curadoria: Ranubia Gomes
 Visitação: até 15 de outubro de 2026
 Horário: das 9h às 16h. Terça a domingo. 
 Pinacoteca Potiguar – Palácio Potengi, Natal/RN

Uma oportunidade para conhecer o acervo da Pinacoteca e celebrar o folclore potiguar como patrimônio vivo, memória e identidade.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A CAPELINHA DOS REIS MAGOS NO FORTE DE NATAL

Forte dos Reis Magos, um dos mais bonitos do Brasil. Sobre ele há muitas histórias a serem contadas. Batalhas, visitas, prisões, etc. Mas, hoje eu desejo tratar sobre a   Capelinha dos Reis Magos, que existia em seu interior.  Quando o visitante entra no Forte, percebe que há no pátio, a famosa Praça Nobre, uma pequena construção, com uma abóbada, com suas primitivas arcadas de cantaria. Na parte baixa ficavam as imagens do Reis Magos e em cima, o depósito de  pólvora, ou paiol.



Essa construção não é a capela propriamente dita, é apenas parte do que restou dela. Seu construtor foi o engenheiro português Francisco Frias de Mesquita, que trabalhou naquela Fortaleza de 1614 a 1627 (MOURA, p. 80 e 81), fazendo obras complementares. 

Se a capelinha era maior, quem e quando foi destruída? Vou levar o leitor  ao cenário da maior batalha  que enfrentaram os militares daquela fortaleza. Ano de 1633, dia 9 de dezembro, uma sexta-feira, o Forte está cercado por 800 militares holandeses, tendo a frente o Tenente-Coronel Bijma,  com bastante armas e munições. Dentro do Forte, os militares portugueses são poucos, 80 soldados, comandados pelo Capitão-Mor Pero Mendes de Gouveia.

Mapa holandês - Natal 1633

Quatro dias duraram os ataques. Granadas atingiram o interior do Forte, principalmente a Capelinha, que foi destruída. Com a rendição dos portugueses, 12 de dezembro de 1633, o Forte passou a se chamar Castelo de Ceulen.  Os holandeses destruíram também as imagens dos Reis Magos.
É Cascudo quem assim escreve: "Alojava os três Oragos, venerados pelos soldados. Naturalmente os três vultos foram despedaçados pelos holandeses, inimigos daquele culto idólatra" (Melo, p.90).

A Capelinha vai ficar muitos anos destruída, aguardando que os holandeses saiam do Rio Grande do Norte, o que acontece em 26 de janeiro de 1654, e, somente em 1703 vamos ter notícia de que a Capelinha estava reerguida, mas sem as imagens dos Reis Magos, que  seriam doadas novas, pelo Rei de Portugal, somente em 1756. Veja agora como era a Capelinha dos Reis Magos.  A foto em preto e branco é a que corresponde ao período da saída dos holandeses. 
Francisco Martins
9 de setembro de 2026.


Fotos e fontes

https://www.guiaviagensbrasil.com/galerias/rn/fotos-da-praia-do-forte-dos-reis-magos/foto-forte-dos-reis-magos-em-natal-brasil-8471/ visualizado em 9 setembro 2026.

https://www.nataldasantigas.com.br/blog/natal-se-torna-nova-amsterda. Visualizada em 9 setembro 2026.

MELO, João Alves de. "Natureza e História do Rio Grande do Norte" Tomo I (1501-1889). Natal. Imprensa Oficial,1969.

MOURA, Pedro Rebouças de. "Fatos da História do Rio Grande do Norte" - Ensaios pata os que desejam conhecer e recordar a nossa história. 1ª Edição. Natal, CERN, 1986.

domingo, 6 de setembro de 2026

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

MEU TEMPO NO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA DO RIO GRANDE DO NORTE

 Alguns anos eu comecei a trabalhar no Conselho Estadual de Cultura-CEC/RN. Fui convidado pela Professora Zilda Lopes do Rêgo a assistir as sessões do Conselho e redigir as atas, posto que, a servidora Ana Maria de Miranda Galisa, já não mais estava escrevendo as atas. Bastava vir apenas nos dias das sessões, que são realizadas nas tardes de terças-feiras. 


Esse convite foi formulado quando eu estava à disposição da Academia Norte-rio-grandense de Letras-ANRL, na gestão do Prefeito Agnelo Alves, dando meu expediente da Biblioteca Padre Luiz Monte-ANRL (2004 a 2008), que depois foi renovado na administração de Maurício Marques, iniciada em 2009.

Aceitei sem contestar, embora sabendo que seria um trabalho voluntário, sem obter nenhuma remuneração. O que eu iria ganhar era a amizade que faria com os membros daquela instituição, isso sim, bem melhor do que qualquer moeda.

Quantas tardes memoráveis eu vivi junto a eles. Homens e mulheres que aguçaram ainda mais minha cultura. Alguns já partiram: Pedro Vicente, Nelson Patriota, Paulo de Tarso, Paulo Macedo, Enélio Petrovich, Francisco Fausto. Outros continuam por aqui, servindo a cultura. Tenho admiração por todos.

Escrevo essa memória, para registrar que depois de um certo período, em 2 de janeiro de 2017, o Conselho  conseguiu que eu viesse trabalhar oficialmente na sede, fazendo parte do convênio celebrado entre a Prefeitura de Parnamirim/Governo do Estado. Juntando esse período ( 9 anos) do convênio com o tempo que fiquei   Portanto, faz 22 anos que  eu estou atuando no CEC/RN.

Quando Letúsia Magalhães se aposentou, assumi as tarefas que eram da sua pasta e passei a ser Secretário Executivo. 


Francisco Martins

3 de setembro 2026

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O DIA EM QUE A IMPRENSA NASCEU NO RN

 

Há 192 anos nascia a imprensa potiguar!
Em 02.09.1832 circulava o primeiro jornal do RN: O Natalense, fundado por Basílio Quaresma Torreão, Urbano Egide, José Fernandes Carrilho e o Padre Francisco de Brito Guerra.
#HistóriaDoRN #ImprensaPotiguar #ONatalense

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

RASTEJADORES DE ABELHAS

   

A rarefação crescente da fauna veio tornar desvantajosa as atividades daqueles que viviam no mato. Assim, os que nele se embrenham para caçar bichos ou abelhas o fazem agora como atividade ocasional. E no caso das abelhas, mais das vezes para acudir uma encomenda de gente da rua, usar o mel como meizinha de alguma tosse-braba ou tirar a abelha achada quando estavam noutro serviço qualquer.
    Encontrada a morada da abelha, tratam de cortar o pau em que está situada - mesmo em se tratando de uma essência de maior valor ou que, de futuro, venha a dar obra. Lá um ou outro mais previdente é que se limita a fazer um corte por onde extrair o mel para depois tapá-lo com barro, cortar as duas extremidades da tora e, à noitinha, levá-la para as proximidades da casa e pendurá-la no beiral das telhas. Porque o comum é abrir o ninho, fartaram-se do mel e abandoná-lo à voracidade dos seus inimigos naturais (formigas, pássaros, lagartixas etc.). Daí, é de se imaginar, um dos maiores fatores de decréscimo da fauna apícola regional.
    Quando se trata de uma abelha mais agressiva - como a tubiba - ou de um vespídeo, costumam defumá-la, antes, com estrume de gado.
    Vale anotar, como curiosidade, o fato de que fomos testemunhas, mais de uma vez, quando em suas atividades agrícolas, esbarravam com uma "casa" de boca-torta. Mesmo sem se protegerem, algumas vezes até nus da cintura para cima, limitavam-se a passar as mãos nos sovacos suados e, devagarinho aproximá-las das "casas", até esmagá-las, esfregando uma na outra, sem sofrer uma única ferroada...
    Poucas abusões conhecemos ligadas aos caçadores de abelhas. Uma mais estranha e que parece comum a todo o sertão nordestino, é a de que o mel da abelha limão, tirado no mato, tem de ser comido em silêncio. Se um dos tiradores, acabada a refeição diz para outro: - "Vam'imbora", fica completamente bêbado, lançando, lançando areado. De alguns sertanejos ouvimos essa afirmativa como verdadeira, embora nunca tivéssemos oportunidade de testemunhá-la. A literatura regional registra o fato nos sertões cearenses:
    "Na serra da Barriga, também em Sobral, o mel de certa abelha, colhido em certa época do ano, produz a embriagues, principalmente nos tempos de seca.
    Uma coisa singular: o embriagado, por esse mel, no delírio da embriagues, dá para berrar como bode, como querendo dizer que foi o mel que o embriagou" (SOBREIRA, J. G. DIAS - "Curiosidades e fatos notáveis do Ceará").
Os "beiradeiros" do Sergipe e das Alagoas também, por lá, dizem o mesmo:
    "...a abelha limão é também conhecida por "come e não vamo". Se se comer e convidar a pessoa para ir embora, ela fica bêbada, por isso, coma e saia quieto, não fale nada, adiantou-nos Anísio Jacaré" (ARAÚJO, Alceu Maynard - Populações ribeirinhas do baixo São Francisco).
    Alguns sertanejos mais sagazes, de tanto caçarem abelhas para atender as encomendas de suas freguesias, e face à crescente rarefação delas, aprenderam a rastejá-las. Raros os que são capazes desse feito, de vez que para isso carece de muita paciência e astúcia...
    Assim, nos meses de seca, procuram as perdidas bebidas existentes - cacimbas, barreiros etc, - e lá se acocoram atocaiando as abelhas que ali vão beber. Algumas podem vir em maior quantidade e frequência. Espiam. Escolhem as que tomam mais altura no vôo de volta e dizem que elas assim fazem porque têm morada mais perto. Quando o cortiço está mais longe - justificam - as abelhas vão ganhando altura mais devagar, vencendo pouco a pouco o vento e a distância.
    Faz de conta que seja uma jandaíra... Espiam uma a uma as que bebem e o rumo que tomam de volta. Sentem a direção do vento. Atentam para a altura do vôo. Andam mais algumas braças naquele mesmo rumo e, de novo, botam sentido na passagem delas. Vêem passar a primeira, a segunda, a terceira... está está confirmada a direção. Adiantam-se outras tantas braças e recomeçam o balizamento... E de lance em lance, vão bater no pau em que está situada a jandaíra. Nele botam o ouvido, auscultando-o com pequenas batidas e chegam a "diagnosticar" se é de morada velha, se está gorda ou magra. As pobres de mel são chamadas magras, tanto assim que o enxu, em certa época do ano que tem pouco mel e abundante ninhada de larvas, serve de comparação aos indivíduos de família numerosa: "Fulano tem fio que só enxu magro"...
    A diligência é naturalmente facilitada ou dificultada pela maior ou menor identificação do homem com o seu mundo - a flora melífera, sua distribuição nas redondezas, épocas de floração, pontos de bebidas, hábitos das diferentes espécies etc.
    Os mais curiosos conhecem tim-tim por tim-tim o mundo que os cerca. Sabem de cor as madeiras que se apresentam mais frequentemente ocadas - a imburana, a catingueira e o cumaru - morada das nossas abelhas silvestres. E a literatura oral comprova essa preferência:

                           Xiquexique é pau de espinha,
                           Imburana é pau de abelha;
                           Gravata de boi é canga,
                           Paletó de negro é peia"...

    Nada distingue a indumentária do caçador de abelhas do sertanejo comum. Apenas, em trabalho, nunca se aparta do seu instrumento de corte e destruição - a foice - e da clássica cabaça-de-colo (ou de pescoço) alçada em embiras, em que recolhe o mel de sua rapina.

Oswaldo Lamartine

MENINAS NO COLO DO CANGACEIRO

Manoel Batista de Morais -  um nome que não tem peso na história, pois poucos são capazes de identificar quem foi o dono desse nome, mas, ao citarmos Antonio Silvino, aí sim, é possível imaginar a figura do cangaceiro, pois ambos os nomes representam a mesma pessoa.

Antonio Silvino

  E é sobre Antonio Silvino que eu trazer uma história contada por Oswaldo Lamartine, em nota de rodapé, no livro "Velhos Costumes do Meu Sertão", que foi escrito por seu pai Juvenal Lamartine de Faria

Juvenal Lamartine

Escreveu Oswaldo: " Não sabemos precisar a data, mas vale a pena recapitular o fato: Olga e Maria de Lourdes, filhas de Juvenal Lamartine, meninas de 7 para 9 anos, voltavam, à noitinha, em companhia de uma casal de empregadas, do Acari para a Fazenda Ingá onde moravam. No lugar Pitombeiras, numa casa à beira da estrada, esbarraram com homens armados sob a chefia de Antonio Silvino. Este indagou da mucama de quem eram filhas as meninas e onde andava o pai delas. Informado de que viajara e na casa estava a mãe das meninas, colocou-as no colo, ofereceu-lhes miçangas e perfumes e notando-as ariscas, perguntou se estavam com medo do rifle, "eu não sinhô que papai tem uma porção lá em casa". Despedindo-se recomendou: "Peça a sua mãe que quando escrevê prá seu pai diga a ele que não tenha raiva de mim não ..."  (2021, p. 171).

Olga Lamartine Paiva (26 de março 1905 a 25 outubro 1997)

Maria de Lourdes Lamartine Varela ( 17 abril 1906 a 19 novembro 1992)


Fonte:
Velhos costumes do meu sertão - Juvenal Lamartine - Natal: Sefarad, 2021

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

UMA CONVERSA SOBRE CASCUDO HOJE À NOITE

 

Em comemoração à Semana do Folclore, uma homenagem ao mestre que dedicou sua vida a ouvir, registrar e interpretar a cultura brasileira.
 
Quatro décadas após sua partida, Câmara Cascudo continua presente na memória e na identidade cultural brasileira. Sua obra permanece como uma das mais importantes referências para aqueles que estudam, pesquisam, preservam e vivenciam o folclore, a cultura popular, a tradição oral e os saberes do povo brasileiro. Por isso, este encontro não pretende apenas recordar sua trajetória. Propõe, sobretudo, revisitar seu pensamento, compreender sua atualidade e refletir sobre a maneira como seu legado continua inspirando pesquisadores, educadores, artistas, comunicadores e todos aqueles comprometidos com a preservação da cultura brasileira.

Convidados: 

1. DALIANA CASCUDO - Neta de Luís da Câmara Cascudo e Presidente do Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo
Tema: “Memória, vida e legado de Câmara Cascudo”

2. PROF. DR. ANDRIOLLI COSTA - Professor do PPGCom e da Faculdade de Comunicação Social da UERJ e Presidente da Rede Folkcom
Tema: “Câmara Cascudo e o folclore brasileiro no século XXI: permanências, desafios e novas linguagens”

3. PROF. DR. PAULO NICCOLI RAMIREZ
Professor • Cientista Social • Filósofo
Tema: “Câmara Cascudo e a identidade cultural brasileira: tradição, memória e pensamento social”

4. RUBERVAL CUNHA - Palestrante • Ator Performático • Poeta Repentista • Professor

E para encerrar esta noite especial, a palavra ganhará voz, corpo, poesia e movimento.
Ruberval Cunha apresentará “A Palavra Encantada de Câmara Cascudo”, uma proposta cênico-poética inspirada na tradição oral brasileira, reunindo poesia, performance, musicalidade e narrativa.

Uma realização: IOV Brasil - @iovbrasiloficial 
UNIJUÍ - @unijui
Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo

LINK – CONFIRMAÇÃO OFICIAL
Segue o link para inscrição no evento: https://virtual.unijui.edu.br/Portal/Eventos/40-anos-de-encantamento-de-camara-cascudo/inscricao
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CENTELHA DE CORDEL