Concluí a leitura da Revista nº 87, da Academia Norte-rio-grandense de Letras. Nela encontramos o artigo de Humberto Hermenegildo, que nos apresenta Cascudo como leitor de Jorge Fernandes — verdadeira aula erudita. No mesmo mote, Manoel Onofre Jr. também aborda Cascudo, revelando cenas descontraídas de nosso gênio. Na sequência, Diva Cunha nos brinda com sua conferência "A arte poética de Paulo de Tarso", proferida na sessão saudade por ocasião do necrológio do poeta que ocupava a cadeira 11. A esse texto soma-se o discurso de agradecimento de Geraldo José Correia de Melo, registrado nas páginas 184 e 185.
Da segunda parte
do ensaio "Uma visão panorâmica da Literatura Potiguar", de Rosemary
da Silva Alves, senti falta, no último parágrafo (p. 57), da ação promovida
pelo Conselho Estadual de Cultura acerca da importância da Literatura Potiguar.
Creio que a autora não tomou conhecimento dela.
Quando leio os
textos de Marcelo Alves, tenho a certeza de que viajo, enquanto leitor, ao
melhor da Europa. Ele conhece profundamente aquela literatura e, em
"Expurgos Adultos e Infantis", mantém esse saboroso tempero. O artigo
"Revisitando Machado de Assis", de Ivan Maciel de Andrade, é a ponta
do iceberg no oceano machadiano. Há muito ainda a ser revelado sobre esse
mulato glorioso das letras brasileiras. Mateus Levi busca no livro de
Graciliano Ramos, "São Bernardo", o quanto esse "romance constitui um
corpus de análise extremamente rico para a compreensão das relações sociais de
trabalho e dos mecanismos de reificação no interior da lógica capitalista". Era
indispensável trazer esse texto — ele sintetiza o ensaio.
Ainda no campo
da literatura, a revista nos oferece em seu menu de leitura uma apresentação de
Washington Araújo (Livros que não pedem licença ao leitor), que apresenta
"As sombras do céu apagaram nossos rastros", do autor Osair
Vasconcelos. É de despertar o apetite do leitor.
João Dantas
resgata seu tio-avô em "José Pinto Júnior: literatura e humanidade",
que semeou cultura nos anos cinquenta. Logo após, Rogério de Menezes Fialho
conclui, com a segunda parte, a saga de Antônio Bento, figura desconhecida para
muitos.
Estreando na
revista, Isaura Rosado narra a trajetória de Raul Pedroza, artista plástico de
sangue macaibense e de grandes voos continentais. Reforça sua contribuição o
artigo de Paulo Vergolino, que se debruça sobre as gravuras surrealistas de
Raul Pedroza. No campo das artes, temos ainda Ângela Almeida, que escreve sobre
arte originária no Rio Grande do Norte — um roçado repleto de boas colheitas.
Adentrando a
ampulheta do tempo, temos Manoel Cavalcanti, demonstrando que Pedro Álvares
Cabral foi injustiçado pela História. O leitor descubra o porquê lendo o texto
das páginas 135 a 140. Pery Lamartine fica registrado nesta edição por meio de
Carlos Gomes, que discorre sobre o centenário de nascimento do amigo, a quem
sucedeu na cadeira 33. Por fim, antes de adentrarmos a seção "Contos e
Crônicas", os dois textos seguintes são de Valério Mesquita que, com sua
pena memorável, dá corpo e vida a Lauro da Escóssia, lá do país de Mossoró, de
onde também escreve Benedito Vasconcelos sobre a Macaúba, palmeira que promete
abençoar nossa economia. Na próxima oportunidade, escreverei sobre os contos,
crônicas e poesias que a edição oferece.
Francisco
Martins - 20 de julho 2026






