quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

ODE AO GUARDA-CHUVA

 


Guarda-chuva! Hoje eu quero conversar contigo. Tu que és para mim um símbolo de proteção, nas intempéries da vida. Guarda bem essas palavras.

Guarda-chuva, quantas memórias temos juntos! Lembras daquele dia causticante? Tu me trouxeste sombra e me protegeste do calor, que vinha montado no cavalo do vento.

Guarda-chuva, vejo teus antepassados em fotos antigas, nas mãos de senhores tão importantes: barões, presidentes e outras autoridades.

Tu és bastão contra a fúria, escudo na tormenta, mas és também cantor! Sim, quando fazes da chuva um instrumento musical e me permites ouvir a sonoridade das gotas molhando teu corpo.

És exemplo de resiliência, quando me dizes que a vida continua, mesmo após o mau tempo.

Ah, Guarda-Chuva, quantos de tua espécie eu já perdi! Onde os deixei? Quem os encontrou?

Que tu sejas um amigo que comigo viverá por longos anos.


Francisco Martins

19 de fevereiro de 2026

ANRL - 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 003 - AS PEDRAS FUNDAMENTAIS

 

Os dez primeiros anos da história da Academia Norte-rio-grandense de Letras - ANRL se perderam. As atas referentes a esse período (1936 a 1946) foram extraviadas (Revista 1, p.6). Mas, as outras décadas foram salvas, embora tenhamos lacunas de saberes sobre a instituição.

O bom é que a Revista nos dá muitas informações sobre a trajetória da Academia. É um coleção primorosa e indispensável, quando o assunto é pesquisa da ANRL.

Vamos  tratar hoje sobre as pedras fundamentais que deram origem a ANRL. Foram duas:

A primeira, diz respeito a ideia do projeto, sendo a data 9 de agosto de 1936, dia de domingo, tendo como local a casa de Câmara Cascudo, que ficava vizinha ao atual Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo. Naquele local, Câmara Cascudo e Aderbal de França relacionaram os vinte e cinco nomes de homens e mulheres para fundarem a instituição. (Revista nº 7, p. 32).

Casa de Sérgio Severo,  onde Cascudo residiu e fundou a ANRL

Três meses depois, em 14 de novembro, foi realizada a sessão de fundação, na sede do Instituto de Música, Rua Vigário Bartolomeu, n°630, Centro, em Natal. A instalação da instituição aconteceu no dia 15 de maio de 1937 (Revista 14, p.173), quando Henrique Castriciano, Presidente, leu um trabalho sobre a literatura do Rio Grande do Norte e foi considerado seu discurso de posse.

Henrique Castriciano

A segunda pedra fundamental é física - é aquela que foi assentada no alicerce da sede, situada à Rua Mipibu. O jornal "A República", na edição de 4 de janeiro de 1957, anuncia na primeira página o evento e reforça a matéria, em 6 de janeiro  1957, data do lançamento. 


Edição 4 de janeiro de 1957

Edição 6 de janeiro 1957

"A República" dá detalhes sobre a cerimônia do lançamento da pedra fundamental, na edição do dia 8 de janeiro 1957 (por erro, traz a data do ano 1958).

Registra, o jornal, a presença das autoridades. A bênção da Pedra fundamental foi dada pelo Padre Antonio Moreira, Vigário da Catedral e em seguida falou o Presidente, Manoel Rodrigues de Melo. Estiveram presentes Esmeraldo Siqueira, Raimundo Nonato, Antonio Fagundes e Carolina Wanderley, além do público em geral.  Ao final do evento foi servido um suco de caju aos presentes, diz a redação.

Manoel Rodrigues de Melo

Até a inauguração da sede atual, muito trabalho teve o Presidente Manoel Rodrigues de Melo, mas isso é assunto pautado para outra postagem.


Casa de Sergio Severo -  Facebook - "Natal não há tal", postagem de 13 de setembro 2024.  A casa foi demolida e hoje é um estacionamento ao lado do  Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo.

Imagem de Henrique Castriciano - Biblioteca Digital Luso-Brasileira

Desenho de Manoel Rodrigues de Melo - site da ANRL: https://anrl.org.br/acervo/cadeira-30/


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CENTELHA DE CORDEL

 


No tempo da minha avó
Chamava-se bolo preto
Mas hoje não pode mais
Por causa do preconceito
E eu fico a pensar
Sem querer acreditar
No fim desse poemeto.

Determino ser então
Bolo africanizado
Com a cor do sofrimento
De sabor bem apurado
Quem provou  já aplaudiu
Comeu  e até repetiu
O manjar divinizado.

Mané Beradeiro
17 fevereiro 2026

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

AQUELES PAPANGUS

 

O ano era 1978, naqueles três dias de Carnaval  eu tomava emprestado uma calça de papai, as botas, o  chapéu e uma blusa das minhas irmãs. A máscara era de pano, com três buracos. Olhos e nariz os ocupavam.
Assim estava eu vestido de Papangu. Saía pelas ruas correndo atrás de crianças e algumas, se defendiam com  bisnagas cheias d'água. Geralmente saíamos em grupo, pois assim poderíamos nos proteger de ataques dos adultos, que muitas vezes tiravam nossas calças e nos deixavam  pelados na rua. O pior,  quando a nossa identidade era revelada.
-Olha só quem é ele! É o filho de Chiquinho.
Os instrumentos que usávamos para tocar as marchinhas  eram latas, baldes, pratos. Tudo servia para cantar: "O teu cabelo não nega...", " Oh, jardineira por que estais tão triste? ..." E outras mais.
Foi um tempo saboroso, onde as ruas  se abriam ao riso e alegria, os Papangus, tão feios e disformes, escondiam as crianças que estavam adentrando na adolescência.


Francisco Martins
16 de fevereiro de 2026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

ANRL - 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 002 - 1935 UM TRISTE ANO PARA JUVENAL LAMARTINE

 




Juvenal Lamartine

A data de hoje, 13 de fevereiro, assinala os 91 anos de falecimento de Otávio Lamartine. Ele foi morto, de forma bárbara, na fazenda do seu pai, Juvenal Lamartine, em 1935.

Otávio Lamartine
Juvenal Lamartine foi membro fundador a ANRL, ocupando a cadeira 14. Gerou  onze filhos( Revista n⁰ 7, p.92)
1)Olavo
2)Clóvis (faleceu prematuramente)
3)Clovis
4)Otávio
5)Silvino
6)Oswaldo
7)Olga
8)Maria de Lourdes
9)Juraci
10) Paulina
11)Elza

O ano de 1935 foi o mais desgraçado da sua vida, declara Juvenal Lamartine, em suas memórias.  Em sete meses perdeu dois filhos: Otávio (13 de fevereiro)  e depois Elza (12 de setembro).  Oswaldo Lamartine também fez parte da ANRL. Escreverei sobre ele, posteriormente. São fatos e curiosidades, que têm como fonte a Revista da ANRL.







quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

RETRATO DO MEU SERTÃO


Quando chove no sertão 
As plantas mudam a roupagem 
Vê-se logo outra paisagem
De encher alma e coração 
É Deus colocando a mão 
Onde a seca castigava
Ninguém mais aguentava 
Todo esse sofrimento 
Vivemos outro momento
Do jeito que se aguardava

O sertanejo se alegra 
Olha pro céu e agradece
Eleva ao Pai uma prece
Numa verdadeira entrega
E na fé que ele carrega 
Ara a terra pra plantar 
Se a semente germinar 
A safra tá garantida 
Armazenando comida 
Pra na mesa não faltar

E assim ele vai vivendo
Sem perder a esperança 
Esperando por mudança 
Que há muito vêm prometendo 
Você só sabe é vendo 
A história é sempre essa 
Aparece muita promessa 
Entra ano e sai ano
O que não falta é plano
Mas fica só na conversa

Digo por experiência 
Porque no sítio nasci
Um tempo bom que vivi
Em toda sua essência 
Sobrava resiliência 
Também era muito gostoso 
Um lar sempre harmonioso 
Com meus irmãos e meus pais
Tempo que não volta mais 
E tornou-se muito saudoso

A gente vai pra cidade 
E o sítio não sai da gente 
Ao descrever em repente 
Bate forte uma saudade 
Mas foi por necessidade 
Que deixamos aquele canto
Havia bastante encanto 
Em nossa bela moradia 
Onde ali se convivia
Sem medo e sem ter espanto

Tudo era muito ordeiro 
A comida era mais pura 
Podia-se comer gordura 
De janeiro a janeiro 
Um povo hospitaleiro 
Bastante respeitador 
Também muito trabalhador 
Que jamais se cansava 
Pois a luta começava 
Do nascer ao sol se pôr

Lembrando esse passado 
De grata recordação 
Havia tempo pra oração 
Vejam que grande legado 
Tudo era mais sossegado 
Não tinha essa agitação 
De WHATSAPP e televisão 
O banheiro era uma latrina 
A luz de uma lamparina 
Quando muito, um lampião

Hoje tá tudo diferente 
Luz elétrica, água encanada
Ninguém senta na calçada 
O longe está mais presente 
O perto parece ausente
É assim no dia a dia 
A chegada da tecnologia 
Trazendo facilidade
E o que outrora era felicidade 
Transformado em nostalgia

08-02-2025
Henrique Tadeu

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

ASSIM DISSERAM ELES...

 

"A literatura é, cada dia, cada vez mais, uma revelação do espírito, um instrumento de compreensão humana, uma função social responsável".

Américo de Oliveira Costa

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

CENTELHA DE CORDEL



Procuro o cabra novo
Que uns anos eu vivi
Com vigor, cabelo preto,
Nunca mais eu o vi!
O tempo o escondeu
O corpo então pendeu
O seu rastro eu perdi

Mané Beradeiro
9 fevereiro 2026

ANRL - 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 001 - CARROS ALEGÓRICOS

 

Começo hoje, 9 de fevereiro, a postar fatos  curiosos, históricos e literários, que dizem respeito aos homens e mulheres que estão presentes nas edições da Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras. 
O primeiro nome desta coluna é o poeta Ferreira Itajubá, patrono da cadeira 19,  carinhosamente tratado pelos familiares pela alcunha de Azinho.
Como estamos no mês do carnaval e na próxima semana começa o reinado de Momo, é bom saber que foi Ferreira Itajubá o responsável pelo primeiro carnaval em Natal que exibiu carros alegóricos, o bloco se chamava Divisão Branca, e foi montado no quintal  do Coronel Cascudo, na antiga casa, onde posteriormente foi construído o Grande Hotel, no bairro da Ribeira.(Revista n 1, p.92)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

VOCÊ SABIA QUE O RN TEM A LEI DO DEPÓSITO LEGAL DE LIVROS?

 Existem Leis que são desconhecidas pela grande maioria. No Rio Grande do Norte o Poder Executivo aprovou a Lei n° 10.265, de 10 de novembro de 2017, que dispõe sobre o depósito legal de publicações na Biblioteca Pública Câmara Cascudo e dá outras providência.


 A Lei foi publicada no Diário Oficial do Estado, em 11 de novembro de 2017 ( Ano 84 - Número 14.048). Eu confesso que não sabia da existência dessa Lei. Conhecia a nacional, que obriga os escritores a fazerem o depósito legal na Biblioteca Nacional.

A Lei, estadual, tem como objetivo assegurar o registro e a guarda da produção intelectual que feita no Rio Grande do Norte, além de possibilitar o controle, a elaboração e a divulgação da bibliografia potiguar.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

CAIO CÉSAR LANÇA 2ª EDIÇÃO DO CORDEL SOBRE BELCHIOR


Reconhecido pela sua ligação afetiva com o cantor e compositor cearense Belchior, o poeta e jornalista Caio César Muniz abriu uma pré-venda para reedição do seu cordel ilustrado “Batendo à porta do céu – a chegada de Belchior ao Paraíso”, lançado inicialmente em 2019 e rapidamente esgotado devido à tiragem limitada.

O relançamento em 2026 coincide com os 80 anos do eterno “rapaz latino-americano” e ainda com os 50 anos de lançamento do disco Alucinação, considerada uma das obras-primas do barbo sobralense e vem a se somar com várias homenagens que acontecerão neste ano pelo país, incluindo Mossoró.

O cordel tem 24 páginas em formato e papel especial, todo colorido e ilustrado pelo quadrinista natalense Carlos Alberto e aborda a vida, a obra e as parceiras do autor de “Paralelas”, “Como nossos pais” e tantos outros sucessos que marcaram a nossa MPB. 

A apresentação é do parceiro de composições de Belchior, Jorge Mello e o prefácio escrito pelo jornalista Jotabê Medeiros, autor da obra “Belchior – Apenas um rapaz latino-americano”, única biografia publicada até aqui.

“Quero apenas que a história de Belchior se perpetue e esta foi a nossa forma de contribuir com isto tudo. É a arte se auto-multiplicando e contar com os amigos nesta empreitada é fundamental”. Diz o poeta.

Para adquirir a obra antecipadamente, o interessado deve fazer o Pix para o número: 386.152.152-00 em favor de FRANCISCO CAIO CÉSAR URBANO MUNIZ, após o pagamento, enviar o comprovante de pagamento para o telefone: (84) 9.9904-0286 juntamente com o endereço para remessa.

O valor para o Rio Grande do Norte é de R$ 30,00. Para outras regiões é de R$ 50,00, incluindo o frete.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

MORRE AOS 77 ANOS AFONSO GONÇALVES, GUARDIÃO DA MEMÓRIA DE PATATIVA DO ASSARÉ


Morreu aos 77 anos, nessa terça-feira, 27, Afonso Gonçalves, filho do poeta cearense Patativa do Assaré, um dos maiores nomes da literatura popular brasileira. Agricultor e morador do sitio Serra de Santana, em Assaré, no Cariri, Afonso foi reconhecido ao longo da vida como um importante guardião da memória e do legado do pai, cuja obra ultrapassou as fronteiras do estado e do país.

Patativa do Assaré ficou conhecido como porta-voz do povo excluído de seu tempo, denunciando desigualdades sociais e retratando, em versos marcados pela oralidade, a vida simples do homem do campo. Sua poesia, profundamente enraizada na cultura popular nordestina, conquistou reconhecimento nacional e internacional pela sensibilidade e autenticidade.

Embora não tenha seguido carreira artística, Afonso Gonçalves manteve viva a herança poética de Patativa no cotidiano. Dedicou a vida à agricultura, mas também se tornou uma referência para turistas, pesquisadores e admiradores que visitavam a Serra de Santana em busca de conhecer mais.