sexta-feira, 22 de maio de 2026
quinta-feira, 21 de maio de 2026
CENTELHA DE CORDEL
Sextilha do folheto: "O Grande Jogo - Cordel da vida e da bola", de Mané Beradeiro.
Imagens criadas por IA
terça-feira, 19 de maio de 2026
segunda-feira, 18 de maio de 2026
MPRN E DPU AJUÍZAM AÇÃO PARA GARANTIR REFORMA URGENTE NA PINACOTECA DO ESTADO
O GRANDE JOGO: QUANDO O CORDEL ENTRA EM CAMPO PELA VIDA E PELA BOLA
O cordel brasileiro viajou nas malas dos cantadores e fincou raiz na alma do povo. Com métrica precisa, rima na ponta da língua e xilogravura na capa, ele resiste há séculos como uma das mais autênticas expressões da cultura popular nordestina. E é exatamente nessa tradição que se inscreve "O Grande Jogo: Cordel da vida e da bola", de Mané Beradeiro.
Mas por que este cordel é importante? Por várias razões.
Primeiro, porque ele faz o que o cordel sempre fez de melhor: falar do Brasil com o Brasil. A obra toma o futebol como metáfora, mas o campo é o país — e o jogo é a luta por educação, saúde, justiça social, respeito às mulheres, valorização do professor, combate ao preconceito. O Saci, a Mula sem Cabeça, o Curupira e o Boitatá entram em campo lado a lado com o professor que se dedica, o poeta que escreve com sílabas, o trabalhador que dá seu suor. Não é um cordel sobre futebol. É um cordel sobre o Brasil usando a bola como ponto de partida.
Segundo, porque mantém a disciplina formal da métrica e da rima. Em tempos de verso livre sem compromisso, Mané Beradeiro demonstra domínio da sextilha e da septilha — as estrofes clássicas do cordel — com redondilha maior (7 sílabas) e esquema de rimas ABCBDB rigorosamente respeitado. São 36 estrofes que fluem sem tropeço. Isso não é fácil. Exige ofício, ouvido e respeito pela tradição.
Quarto, porque é uma obra de sentido nobre. O cordel nasce para ser lido em voz alta, para circular de mão em mão, para ser declamado na feira, na escola, na reunião de família. "O Grande Jogo" tem esse DNA. Os versos são feitos para soar bem no ouvido, para grudar na memória, para virar ponto de conversa.
No fim das contas, a importância deste cordel está em provar que a literatura popular brasileira continua viva, potente e necessária. Enquanto houver quem rimar "lobo" com "roubo" e "globo", quem botar o Saci para jogar futebol com o professor em sala de aula, quem acreditar que a poesia pode mudar o jogo — o cordel não morre.
"O Grande Jogo: Cordel da vida e da bola" estará disponível brevemente. Leia, declame, compartilhe. O jogo é nosso.
Peça o seu através do whatsApp (84) 9.8719-4534 - Preço R$ 5,00.
domingo, 17 de maio de 2026
ANRL 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 006 - CASCUDO ERA CONTRA OBRAS INÉDITAS POST MORTEM
"... A propósito, ele trazia o depoimento de paul Valery, que encarregou a viúva de reunir, dispor e publicar toda a sua papelada inédita, incompleta ou em notas, depois de sua morte. Já Henri Bergson, o filósofo, pediu à viúva que destruísse tudo. Cascudo comenta os dois pontos de vista e acrescenta; "minha opinião é a do velho Bergson. Sou contra a publicação de inéditos, de trabalhos incompletos, rascunhos, modelagem irregular que a morte deixou inacabada. Publique-se a correspondência, selecionando-se, somente. As publicações póstumas servem para comprometer a beleza, harmonia, equilíbrio e limpidez da obra intelectual" (p. 146/147)
1) Revista da ANRL, volume 27, nº 15, novembro 1979/80, páginas 134 a 148
sábado, 16 de maio de 2026
CENTELHA DE CORDEL
O anjo que faz limpeza
A cidade é mais bonita
Pois ele traz a beleza
Levando o nosso lixo
Disso tenho a certeza.
Profissão tão importante
À saúde indispensável
Parabéns para Aldair
E a turma tão notável
Receba o meu abraço
E aplauso memorável.
Mané Beradeiro
quinta-feira, 14 de maio de 2026
A CARTA DE NICE
O leitor — chamemos-lhe apenas leitor, pois o nome não importa agora — estava folheando um livro, quando sua mão encontra um envelope de carta, internacional. Isso lhe chamou a atenção, afinal, em 2026, tempo de whatsApp, e-mails, redes sociais, não há mais espaço para cartas.
O envelope trazia as cores branca, vermelha e azul. O selo dizia o país de origem: República Francesa, e o carimbo dos Correios — nítido, perfeito, como se o tempo tivesse respeitado aquele 30 de setembro de 1972.
Pegou o envelope com cuidado, quase com reverência. O papel era fino como as asas de uma libélula. O remetente: Jean-Luc Moreau, 14, bis Rue de la Buffa, 06, Nice, França. O destinatário: D. Isabel de Holanda Cavalcanti, Rua General Câmara, 67, Natal-RN, Brasil.Percebeu que estava aberto, dentro, a carta, escrita numa caligrafia inclinada à direita, firme como quem não hesita, e ao mesmo tempo trêmula nos contornos, como quem escreve sob o peso de algo que aperta o peito.
O leitor pensou se deveria ler a correspondência que não lhe pertencia, endereçada a uma mulher que, muito provavelmente, já não estava entre os vivos. Cinquenta e quatro anos se passaram. Mas a curiosidade foi maior e ele puxou aquela folha única.
A tinta era escura, um
azul-petróleo, e as letras pareciam ter sido feitas com uma caneta-tinteiro que
ora soltava mais tinta, ora menos — como o fôlego de alguém que corre e para,
corre e para.
O leitor sentou-se no banco de
madeira do sebo e começou a ler.
Nice, 28 de setembro de
1972
Cara Senhora Isabel,
Há três semanas tenho
sonhado com a senhora. Não sei quem é, nunca a vi, nunca ouvi seu nome antes.
Mas nos meus sonhos a senhora está sentada numa sala de paredes altas, cheia de
livros, com uma janela que dá para um jardim — e lá fora uma jaqueira imensa. A
senhora veste um vestido escuro e lê em voz alta, mas não consigo ouvir o que
diz.
No sonho, sempre olho
para suas mãos. A senhora segura um objeto pequeno e prateado — um prendedor de
cabelos, talvez, ou um broche. E há algo errado com a luz. A luz da sala vai
ficando alaranjada, depois vermelha, e o ar fica pesado. A senhora não percebe,
mas eu percebo. E grito, mas a senhora não me ouve.
Acordo com o coração
disparado e a sensação de que preciso impedir algo que já está em movimento.
Ontem à noite, o sonho
mudou. Vi números — 29, 30, 1. Vi um jornal, a data de outubro. E vi a senhora
caída, a cabeça tocando o assoalho, a mão ainda segurando o broche. Havia
fumaça.
Não sei se sou louco. Não
sei se isso que escrevo é loucura. Mas passei a manhã na prefeitura de Nice,
conferindo listas de passageiros, endereços, consulados. Descobri que a senhora
existe — uma professora de literatura brasileira, que esteve em Aix-en-Provence
em julho passado, num congresso. Deram-me seu endereço em Natal.
Pensei em não escrever.
Pensei em rasgar esta carta. Mas a imagem da senhora caída naquela sala não me
sai da cabeça.
Não sei o que vai
acontecer. Só sei que acontece em outubro. Nos primeiros dias. E tem a ver com
fogo. A senhora tem uma jaqueira no quintal?
Com todo o respeito e
toda a estranheza que esta carta lhe causa,
Jean-Luc Moreau
O leitor levantou os olhos do papel. àquela hora da tarde, com a luz dourada entrando pela porta de vidro fosco. Respirou fundo.
Guardou a carta dentro do livro. Nos
dias seguintes, a carta não lhe saía do pensamento. Quem era Isabel de Holanda
Cavalcanti? O que teria acontecido naqueles primeiros dias de outubro de 1972?
E, acima de tudo — ela teria recebido a carta a tempo?
Começou a pesquisa por onde qualquer
um começaria: a internet. Isabel de Holanda Cavalcanti, professora
universitária, Natal. Não foi difícil. Encontrou um verbete no site da Academia
Norte-Riograndense de Letras: Isabel de Holanda Cavalcanti (1921-1972).
A data de falecimento o fez parar. 3 de outubro de 1972. Três dias depois do
carimbo no envelope.
O coração do leitor bateu mais forte.
Leu o resto do verbete com os olhos queimando: Faleceu em decorrência de um
incêndio em sua residência, na Rua General Câmara, 67. Professora de Literatura
de Língua Portuguesa da UFRN, deixou vasta obra crítica...
Incêndio.
A palavra ficou pulsando na tela. O leitor fechou o navegador, abriu a gaveta onde guardara o envelope azul. Tirou a carta com cuidado. Leu-a de novo, devagar. A luz da sala — alaranjada, depois vermelha. A fumaça. A jaqueira no quintal — será que existia?
A carta saíra de Nice no dia 30. Voara da Riviera Francesa até o Rio
Grande do Norte. Se tivesse chegado no dia 2 ou 3 de outubro, teria sido tarde
demais? Ou teria chegado antes, e Isabel a lera — e não dera importância?
O leitor passou o polegar sobre a assinatura de Jean-Luc. Um homem jovem, francês, que tivera visões. Que tentara avisar uma mulher que não conhecia. Que escrevera uma carta do outro lado do Atlântico para impedir uma tragédia.
E que, muito provavelmente, nunca soube se ela chegou a ler.
13 de maio de 2026
quarta-feira, 13 de maio de 2026
COMO NASCEU O CONTO " A CARTA DE NICE"
Não permite ser devorado e dei corpo a ideia, trouxe personagens, história, sentimentos, o resultado é que na manhã de hoje eu escrevi "A Carta de Nice".
Francisco Martins
Memórias Póstumas de Braz Cubas, Capítulo 2, O Emplasto.
SESSÃO DO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA TEVE A PRESENÇA DE GUSTAVO ROSADO
Na tarde de ontem, o CEC realizou a sua XIª sessão ordinária, sob a presidência do Conselheiro Valério Mesquita. A reunião teve a participação do Doutor Gustavo Rosado, Secretário de Estado da Infraestrutura.
O Secretário Gustavo Rosado falou sobre o trabalho realizado nas praças públicas de Natal. que foram revitalizadas e estão sendo entregues à Prefeitura de Natal. A sessão teve a participação dos seguintes componentes do Conselho: Leide Câmara, Rejane de Souza, Mary Land Brito, Manoel Onofre, Armando Holanda, Gilson Matias, Cícero Macedo, Diva Cunha, Sonia Faustino, Josimey Costa, além do Presidente Valério Mesquita e da Vice presidente Eulália Duarte Barros.
terça-feira, 12 de maio de 2026
VOCÊ SABE A RESPOSTA?
quinta-feira, 7 de maio de 2026
COMENTANDO MINHAS LEITURAS : "PERTO DA MEIA-NOITE"


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