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terça-feira, 13 de outubro de 2026

ENCONTRO DAS ACADEMIAS

 


Discurso de Solenidade da Comenda Genibaldo Barros, lido por sua esposa Eulália Duarte Barros

 

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos de honestidade, de caridade e da ciência”.

 

       Esse juramento de HIPÓCRATES, é uma declaração solene do compromisso médico na festa da sua formatura.

       HIPÓCRATES estabelece as bases de conduta moral na medicina, na entrada oficial do estudante na área da saúde, e afirma: a responsabilidade e o respeito à vida humana.

 

            “Curar quando possível

              aliviar quando necessário

              e consolar sempre”

 

       Esse juramento, foi feito por então formando Genibaldo Barros, na Faculdade de Medicina da Bahia, no dia 13 de julho de 1952.

 

       Um menino do Seridó, sertão que o ensinou a ouvir o mundo no compasso dos ventos nas serras azuis, a enxergar a vida, onde a seca queimava o verde e secava a água, e escutar o silêncio como quem reza.

       No sertão do Seridó, a força, a fé e a dignidade fizeram crescer mulheres fortes e homens como Genibaldo Barros.

       Com o seu diploma na mão, órfão de pai e mãe, teve que dar o seu primeiro passo na estrada de sua vida de médico. Teve a benção e a ajuda do Dr. Mariano Coelho (amigo fraternal do seu pai Dr. Tristão de Barros, a quem eu rendo uma homenagem). Depois do estágio no Rio de Janeiro e mestrado com o Dr Raul Vacareza em Buenos Aires, veio para Currais Novo. Em Natal, assumiu a direção do Sanatório Getúlio Vargas, Hospital para Tuberculose.

       Convidado pelo então governador José Cortez Pereira, assumiu a Secretaria de Saúde, fazendo com sucesso uma campanha de vacinação em todo o RN.

        O gov. Tarcísio Maia o convidou para ser o seu vice-governador, ele que não militava na política.

        E aí sem juramento, mas com os seus princípios de ética, firmeza e honradez, contribuiu para a paz pública.

       Depois Reitor, outra etapa em sua vida, onde aplica os princípios do equilíbrio e sensatez.

       O menino órfão de Currais Novos, havia se tornado médico, gestor de instituições, sem jamais abandonar os princípios morais que lhe tinha norteado a sua vida médica.

       E plagiando Hipócrates:

       “Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida de minha profissão, honrada para sempre entre os homens, e se dela me afastar ou infringir, o contrário me aconteça”

       Acho, ou afirmo que Genibaldo cumpriu.

       Hoje, nessa Solenidade é uma honra maior e um motivo de orgulho para Genibaldo.

       Somos gratos (a nossa família) por este gesto.

       Não sei se seriam essas palavras, que Genibaldo daria nesta nesta noite memorável.

       Certamente diria do seu orgulho e honra de estar em uma Comenda que o honra e emociona e diria:

       Muito obrigado por me homenagearem em VIDA. Esta é a verdadeira homenagem a um amigo, a um colega, a um portador de CRM 56.

       E aquela frase de Genibaldo:

       - Meus colegas de ontem e de hoje, meus amigos “Seguem a juventude”. 


REVISTA Nº 88 DA ANRL - PARTE I


 

sábado, 25 de julho de 2026

COMENTANDO MINHAS LEITURAS - A REVISTA Nº 87 DA ANRL - PARTE FINAL.

Contos, crônicas e poemas são gêneros constantes nas edições da Revista da ANRL. Quem primeiro publicou um conto na Revista foi Bezerra Jr. (cadeira 23), na edição nº 4, de 1956. A crônica, por sua vez, precedeu esse marco, figurando na edição nº 3, de 1955, sob a autoria de Câmara Cascudo (cadeira 13). Os poemas estão presentes desde a edição inaugural da Revista, em 1951, com textos de Bezerra Jr., Antonio Soares (cadeira 7), Carolina Wanderley (cadeira 6) e Palmira Wanderley (cadeira 20).

A coleção de Revistas da ANRL , pertencente a Francisco Martins

Confesso que nutro predileção pela crônica, embora não menospreze os contos e poemas. O acervo histórico das Revistas apresenta excelentes textos nestes três gêneros, abrangendo assuntos variados, escritos tanto por acadêmicos quanto por colaboradores. Passo a expor minha opinião acerca do conteúdo constante na edição 87.

Clauder Arcanjo (cadeira 12) mantém sua abordagem característica de escrever contos permeados por elementos populares. O cenário apresentado é simples, contudo, a tessitura narrativa é bem construída e logra prender a atenção do leitor do início ao fim. Já Edilson Nobre Jr. (cadeira 36) compôs uma história que se situa na linha tênue entre o conto e a crônica. Tal fenômeno ocorre pois o autor transporta o leitor ao quindênio do século XX, onde peças da história refletem diretamente nas decisões do protagonista Fernão.

Ivan Lira de Carvalho (cadeira 34), com a obra "A Matemática da Beata", revela a esperteza de uma católica que oferta com uma mão e retira muito mais com a outra. O conto sugere um aproveitamento de mote real — fato que apenas o autor poderá confirmar. Francisco Sobreira, premiado contista, traz um olhar penetrante em "A Mulher que passa", demonstrando sutileza ao criar personagens de notável sensualidade.

Por fim, Alfredo Neves, em "O Homem que procurava a vida", convida o leitor a refletir sobre a existência e o propósito da jornada humana. Registro, outrossim, minha participação nesta edição com o conto intitulado "O Conclave dos Narizes".

No caderno de poemas, observa-se um verdadeiro sarau com as participações de Lívio Oliveira (cadeira 15), Rizolete Fernandes e Roberto Lima (cadeira 9). Poemas constituem sempre um desafio no que tange à sua plena compreensão. Faz-se necessário ler com parcimônia, por vezes em voz alta; o conhecimento prévio da estrutura utilizada na construção auxilia sobremaneira o processo interpretativo.

Contudo, os poemas encerram profundas subjetividades e, confesso, nem sempre logro encontrar o propósito exato do autor ou autora. Não obstante, deleito-me invariavelmente na cadência dos versos e no lirismo das composições apresentadas.

Francisco Martins

25 de julho de 2026



segunda-feira, 20 de julho de 2026

COMENTANDO MINHAS LEITURAS: IMPRESSÕES SOBRE A REVISTA Nº 87 DA ANRL

Concluí a leitura da Revista nº 87, da Academia Norte-rio-grandense de Letras. Nela encontramos o artigo de Humberto Hermenegildo, que nos apresenta Cascudo como leitor de Jorge Fernandes — verdadeira aula erudita. No mesmo mote, Manoel Onofre Jr. também aborda Cascudo, revelando cenas descontraídas de nosso gênio. Na sequência, Diva Cunha nos brinda com sua conferência "A arte poética de Paulo de Tarso", proferida na sessão saudade por ocasião do necrológio do poeta que ocupava a cadeira 11. A esse texto soma-se o discurso de agradecimento de Geraldo José Correia de Melo, registrado nas páginas 184 e 185.

Da segunda parte do ensaio "Uma visão panorâmica da Literatura Potiguar", de Rosemary da Silva Alves, senti falta, no último parágrafo (p. 57), da ação promovida pelo Conselho Estadual de Cultura acerca da importância da Literatura Potiguar. Creio que a autora não tomou conhecimento dela.

Quando leio os textos de Marcelo Alves, tenho a certeza de que viajo, enquanto leitor, ao melhor da Europa. Ele conhece profundamente aquela literatura e, em "Expurgos Adultos e Infantis", mantém esse saboroso tempero. O artigo "Revisitando Machado de Assis", de Ivan Maciel de Andrade, é a ponta do iceberg no oceano machadiano. Há muito ainda a ser revelado sobre esse mulato glorioso das letras brasileiras. Mateus Levi busca no livro de Graciliano Ramos, "São Bernardo", o quanto esse "romance constitui um corpus de análise extremamente rico para a compreensão das relações sociais de trabalho e dos mecanismos de reificação no interior da lógica capitalista". Era indispensável trazer esse texto — ele sintetiza o ensaio.

Ainda no campo da literatura, a revista nos oferece em seu menu de leitura uma apresentação de Washington Araújo (Livros que não pedem licença ao leitor), que apresenta "As sombras do céu apagaram nossos rastros", do autor Osair Vasconcelos. É de despertar o apetite do leitor.

João Dantas resgata seu tio-avô em "José Pinto Júnior: literatura e humanidade", que semeou cultura nos anos cinquenta. Logo após, Rogério de Menezes Fialho conclui, com a segunda parte, a saga de Antônio Bento, figura desconhecida para muitos.

Estreando na revista, Isaura Rosado narra a trajetória de Raul Pedroza, artista plástico de sangue macaibense e de grandes voos continentais. Reforça sua contribuição o artigo de Paulo Vergolino, que se debruça sobre as gravuras surrealistas de Raul Pedroza. No campo das artes, temos ainda Ângela Almeida, que escreve sobre arte originária no Rio Grande do Norte — um roçado repleto de boas colheitas.

Adentrando a ampulheta do tempo, temos Manoel Cavalcanti, demonstrando que Pedro Álvares Cabral foi injustiçado pela História. O leitor descubra o porquê lendo o texto das páginas 135 a 140. Pery Lamartine fica registrado nesta edição por meio de Carlos Gomes, que discorre sobre o centenário de nascimento do amigo, a quem sucedeu na cadeira 33. Por fim, antes de adentrarmos a seção "Contos e Crônicas", os dois textos seguintes são de Valério Mesquita que, com sua pena memorável, dá corpo e vida a Lauro da Escóssia, lá do país de Mossoró, de onde também escreve Benedito Vasconcelos sobre a Macaúba, palmeira que promete abençoar nossa economia. Na próxima oportunidade, escreverei sobre os contos, crônicas e poesias que a edição oferece.

Francisco Martins - 20 de julho 2026



quinta-feira, 2 de julho de 2026

MINHA PRESENÇA NA REVISTA DA ANRL

Há um sentimento de felicidade que levarei comigo à eternidade. Trata-se da minha participação na Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras- ANRL. A segunda mais antiga instituição cultural do Rio Grande do Norte, que brevemente vai completar 90 anos de fundação.

A Revista foi criada em 1951, portanto, 75 anos de existência. Gosto de acompanhar a sua história e guardo com muito zelo, a coleção das revistas, desde o primeiro número até o mais recente.

Na última edição, nº 87, referente aos meses de abril a junho do corrente ano, foi publicada a minha 11ª participação nesse periódico. Desta vez, com um conto, "O Conclave dos Narizes". Por sinal, o mesmo já foi postado aqui. (vá até esse link e confira: O Conclave dos Narizes)


Foram estas as minhas participações nas revistas da ANRL:

1- A Primeira Academia de Letras Feminina do Estado - artigo publicado na Revista nº 40, edição julho a set de 2014, da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

2- Houve Plágio? - artigo publicado na Revista nº 43, edição abril a junho de 2015, da Academia Norte-rio-grandense de Letras. 

3- Propostas de homenagens a José Mauro de Vasconcelos - artigo publicado na Revista nº 44, edição de Julho a Setembro de 2015, da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

4- Francisco Fausto - ensaísta e memorialista - artigo publicado na Revista nº 48, edição julho a setembro 2016, da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

5- Os 15% daquela imortalidade de 1987 - artigo publicado na Revista nº 50, edição janeiro a março 2017, da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

6- De quando a Igreja Católica censurou a literatura no Brasil - artigo publicado na Revista nº 53, edição outubro a dezembro 2017, da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

7- O curioso e flamejante colorista - artigo publicado na Revista nº 59, edição abril a junho de 2019, da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

8- Veríssimo de Melo e a sua importância para a Literatura de Cordel- artigo publicado na Revista nº 63, edição abril a junho 2020, da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

9- Veríssimo de Melo: Centenário. Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras, n° 68 - edição  julho a setembro 2021, páginas 40 e 41.

10-"Iaperinópolis - a encantada cidade dos contos" - cordel - publicado na edição nº 76 - julho a setembro/2023,  da Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras, páginas 113 a 118.

11- "O Conclave dos Narizes" - conto - publicado na Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras, nº 87, edição abril a junho de 2026, páginas 170 a 172.








terça-feira, 30 de junho de 2026

ELDER HERONILDES FALECEU NA TARDE DE HOJE

 Faleceu na tarde de hoje, 30 de junho de 2026, o escritor Elder Heronildes. Natural de Mossoró, onde nasceu em 9 de setembro de 1933. Estava com 92 anos. Foi  ensaísta, cronista, contista, poeta e crítico literário, além de ter sido advogado (turma 1968) e professor universitário, reitor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Teve participação na política, sendo vereador de Mossoró, em 1958 e foi presidente da Academia Mossoroense de Letras.


Na Academia Norte-rio-grandense de Letras, Elder foi eleito em 21 de fevereiro de 2002 e tomou posse no dia 21 de outubro de 2005. Foi o segundo sucessor e terceiro ocupante da cadeira 37. A cadeira teve como fundador Newton Navarro, depois Luís Carlos Guimarães.

Colaborou com a Revista da ANRL, onde publicou vários  trabalhos literários, sendo a sua primeira participação  na edição nº 40 (julho a setembro de 2014) até a edição nº  70, em 2022.


Fonte consultada

Câmara, Leide. Memória Acadêmica. Natal. Editora IFRN, 2017. p. 571 e 572.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

ANRL - 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 007 - AFONSO BEZERRA

  
Afonso Bezerra

  Afonso Ligório Bezerra - patrono da cadeira 40 - que viveu 22 anos (1907-1930) natural de Carapebas, atual cidade Afonso Bezerra, foi jornalista, escritor, poeta, ensaísta e grande defensor da fé cristã( católica).
    Sua produção literária estava espalhada pelos jornais que ele tinha participação. O escritor Manoel Rodrigues de Melo, pesquisou e organizou o livro "Afonso Bezerra - Ensaios, Contos e Crônicas". O livro se tornou realidade trinta anos após o falecimento do autor.
    A ANRL abriu suas portas ao público, e em 9 de junho de 1967, foi feito o lançamento, estando presente o acadêmico Nilo Pereira, prefaciador da obra, amigo do homenageado, proferindo palestra sobre a obra e o autor ( Revista 7, p. 171 a 176 ).
    Naquela data, se vivo fosse, Afonso Bezerra estaria celebrando 60 anos de nascimento.


Obs: Foto criada por  IA, de Afonso Bezerra,  obtida do instagran de Aldenora Bezerra ( @aldenora.bezerra.5)



terça-feira, 2 de junho de 2026

GRUPO DE ALUNOS DA ESCOLA ASCENDINO DE ALMEIDA VISITAM AMANHÃ A ANRL

 O Contador de Histórias - Francisco Martins - vai receber amanhã, à tarde, um grupo de alunos da Escola Municipal Ascendino de Almeida, localizado no bairro Pitimbu, em Natal. Os alunos serão recepcionados na sede da Academia Norte-rio-grandense de Letras-ANRL, onde conhecerão as instalações da instituição e um pouco da história da casa.


Na oportunidade, pelo público ser infantil, o Contador de Histórias fará uma apresentação lúdica, levando às crianças a verem a sede da ANRL como um grande castelo das letras, no qual há os guardiões dos livros, que são os acadêmicos.

domingo, 17 de maio de 2026

ANRL 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 006 - CASCUDO ERA CONTRA OBRAS INÉDITAS POST MORTEM

 Você sabia que Câmara Cascudo não era favorável a publicação de  obras inéditas, deixadas pelos autores? Quem testifica isso é Veríssimo de Melo, no artigo "Um jornal e uma época - Relembranças" , lembrando  a crônica escrita por Câmara Cascudo, " Espólio do Escritor", publicada no jornal "A República", edição do dia 6 de abril de 1946.

"... A propósito, ele trazia o depoimento de paul Valery, que encarregou a viúva de reunir, dispor e publicar toda a sua papelada inédita, incompleta ou em notas, depois de sua morte. Já Henri Bergson, o filósofo, pediu à viúva que destruísse  tudo. Cascudo comenta os dois pontos de vista e acrescenta; "minha opinião é a do velho Bergson. Sou contra a publicação de inéditos, de trabalhos incompletos, rascunhos, modelagem irregular que a morte deixou inacabada. Publique-se a correspondência, selecionando-se, somente. As publicações póstumas servem para comprometer a beleza, harmonia, equilíbrio e limpidez da obra intelectual" (p. 146/147)


1) Revista da ANRL,  volume 27, nº 15, novembro 1979/80, páginas 134 a 148

segunda-feira, 27 de abril de 2026

sexta-feira, 17 de abril de 2026

REVISTA ANRL - EDIÇÃO Nº 86 ESTÁ SENDO ENTREGUE AOS LEITORES

Circula no meio literário a aguardada edição nº 86 (janeiro a março de 2026) da Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras. A capa é ilustrada por uma obra de Newton Navarro, a quem esta edição presta uma homenagem especial com diversos textos dedicados à sua vida e obra. Outro escritor destacado na Revista é Paulo de Tarso Correia de Melo, que, tendo feito parte da instituição até o ano passado, nos deixou recentemente.

É notável a expressiva participação dos acadêmicos nesta edição, algo que não se via há tempos. Que bom! Afinal, a revista lhes pertence, e os imortais devem sempre contribuir para este periódico. Neste número, dos 33 textos, 13 são assinados pelos próprios acadêmicos.

Como costumo afirmar, a Revista possui uma excelente qualidade literária. Vale muito a pena mergulhar em seus artigos e aprofundar-se no conhecimento de nossa cultura.

domingo, 8 de março de 2026

ANRL - 90- ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERARIA - EDIÇÃO 005 - A CARTA DE AUGUSTO SEVERO


Augusto Severo

Aos 23 anos, Augusto Severo  escreveu a carta abaixo.  Uma linda peça literária, Digna de ser conhecida por todos. Trago-a, hoje, dentro da série "ANRL-90 ANOS", homenageando na pessoa de Maria Amélia, todas as mulheres. Augusto Severo é patrono da cadeira 18, na ANRL.

Maria Amélia (1861-1896)


    " Guarapes, 9 de dezembro de 1887.

Exma. Sra. Inês Perpétua Teixeira de Araújo

Minha Senhora:

Peço-lhe vênia para ir a sua presença tratar do que hoje mais profundamente me interessa, eu que não posso apresentar títulos que me recomendem perante a Sra., nem mesmo os de um ligeiro conhecimento pessoal. Vi-a, é verdade, tive o prazer de lhe ser apresentado em abril de 1885, em casa do meu cunhado Jovino, mas então nem sonhava que tivesse de pedir-lhe, de implorar-lhe o que ora peço e imploro.

Como recomendação única, levo o mais nobre, o mais santo de todos os sentimentos – flôr do céu a que Deus permitiu a vida na terra – o Amor. Inspirou-mo grande e casto, sua boa filha D.ª Maria Amélia; tão grande, tão puro que já não poderei viver sem êle.

Peço-lhe pois, a mão d’ela para a minha felicidade, porque cifra-se em sua doce posse a realização do mais risonho do único risonho de todos os meus sonhos, o alento para as boas inspirações, inspirações de minh’alma sem a qual, sinto que morrem.

Peço-lhe, de joelhos minh’alma como implorando o céu, que dê o seu consentimento partido do coração, que me aceite a mim por filho, a mim que quase desconhece mas que lhe juro com a consciência branca, não se envergonhará de ter-me por tal. De meu pai que a Sra. conhece e de minha santa mãe tenho a plena aprovação; d’êles que de havê-la por filha hão de orgulhar-se, com o orgulho que não macula, que é antes um bom sentimento quando não leva o egoísmo, porque lhe reconhecem tôdas as virtudes – flôres d’alma que na terra só é dado possuir a mulher perfeita.

Pela precipitação da viagem de meu pai, não o incumbi de por mim pedir a Sra. o que agora pedi; não me arrependi porém, porque não me podia fazer conhecer mais do que sou e eu, só eu devia pedir a minha felicidade.

Eu devia apresentar-me pessoalmente para êste fim do qual está pendente tôda a minha felicidade, o meu futuro inteiro, mas sou empregado em uma casa comercial onde me prendem obrigações tão mais fortes porque estamos agora em meio de safra principalmente não tendo como não tenho por ora, um imediato que me substitua por alguns dias.


Poderia ir em abril quando pretendo, mas não teria fôrça bastante para conservar até lá, calcado no coração o sentimento que precisa do seu consentimento para não explodir.

Por Deus minha Senhora, espero que me dará posse da felicidade. Se não fôsse impelido pela grande fôrça que rege o movimento dos corações, não me afoitaria a tanto!

Junto uma carta para cuja entrega peço-lhe permissão. Suplico-lhe que me responda na primeira mala, que pela resposta fica ansioso meu coração.

Como meu único advogado, o Amor – o sempre grande o Amor – o sempre casto.

Creia minha Senhora (autorize-me a chamar-lhe mãe; como então eu serei feliz!).

No profundo respeito que lhe consagra e na lealdade de quem só pode ser feliz com a dôce posse de sua querida filha D.ª Maria Amélia”.


FONTE: Revista da ANRL, nº 7, p. 9 a 11.

terça-feira, 3 de março de 2026

ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS EDITAL ANRL Nº03 DE 24.02.2026.




 Em observância ao disposto no art. 19, alínea “a” do Regimento Interno e por determinação do Presidente da ANRL comunico que foi proclamada vaga a cadeira 11 (onze) desta Instituição, que tem como patrono Padre João Maria e como último ocupante, o acadêmico Paulo de Tarso Correia de Melo. As pessoas interessadas a concorrer à cadeira referida devem apresentar no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da publicação do presente Edital, (conforme Resolução nº 01/2023, de 28.03.2023, mediante requerimento com os seguintes documentos: Curriculum Vitae atualizado e exemplares de suas obras publicadas em forma de livro individual, que serão remetidos à Comissão de Inscrição e Ética, para os fins de direito. Natal RN, 24 de fevereiro de 2026. Acadêmica Leide Câmara Secretária-Geral


Publicado no Diário Oficial do Estado, edição 27 de fevereiro de 2026.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

ASSIM DISSERAM ELES ....

 


"Saudade é emoção que a alma renova com alegria, com tristeza e com suave ternura. É, entretanto, em todos os casos, uma ausência e uma falta que nos comove o coração"

Onofre Lopes

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

ACADEMIA DE LETRAS DECLARA VAGA A CADEIRA 11 QUE PERTENCEU AO POETA PAULO DE TARSO

 A cadeira 11 da Academia Norte-rio-grandense de Letras está desde a tarde de ontem, oficialmente declarada vaga. Isso acontece dentro do ritual das academias, quando a instituição realiza a sessão saudade, também chamada de necrológio.


Paulo de Tarso Correia de Melo era quem ocupava a cadeira 11. A oradora de ontem, foi a acadêmica Diva Cunha, que leu um discurso sobre a vida e obra literária do seu colega e amigo. Paulo de Tarso foi o imortal que saudou Diva Cunha, quando ela entrou na ANRL.


Após a fala da oradora, o irmão do  homenageado, Geraldo  José Correia de Melo, agradeceu em nome da família.  a sessão saudade foi realizada no Salão de Eventos da ANRL, e contou com a presença de 50 pessoas.




sábado, 21 de fevereiro de 2026

NECROLÓGIO DO ACADÊMICO PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO - ANRL

 


ANRL - 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 004 - PAULO DE TARSO


Paulo de Tarso Correia de Melo pertenceu a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras-ANRL, ocupando a cadeira 11, cujo patrono é o Padre João Maria. O fundador da cadeira foi Doutor Januário Cicco, o segundo ocupante foi Doutor Onofre Lopes, que depois foi sucedido pelo Desembargador Miguel Seabra, tendo na sequência  Fagundes de Menezes.

Paulo de Tarso foi eleito para ANRL em 21 de setembro de 2000 e tomou posse em 27 de outubro de 2004. Completaria 21 anos no rol de membros da ANRL.

Participou ativamente da ANRL, servindo na Diretoria da casa, atuando na Comissão de Contas; Tesouraria, Diretor Financeiro.


São obras de Paulo de Tarso:

Talhe Ruspestre, poesia, Cooperativa Cultural Universitária do RN, 1993. ( 2ª e 3ª edições em 2008 e 2009)

Natal: Secreta Biografia, poesia. Fundação José Augusto/Cooperativa Cultural da UFRN, 1994. (Este livro recebeu em 1991, o prêmio Estadual de Poesia Auta de Souza)

Folhetim Cordial da Guerra em Natal e Cordial Folhetim da Guerra em Parnamirim, poesia. Natal/RN. Editora Universitária, 1994 (Prêmio Municipal de Poesia Othoniel Menezes, Natal, 1991). A 2ª edição desste livro foi em 2008.

Romances de Alcaçus, poesia. Natal/RN. Editora da UFRN, 1998

Homenagem dos Bibliotecários, livreiros e editores do RN a Vingt-Un (23.10.1998), plaquete, discurso. Fundação Vingt-Un Rosado, Coleção Mossoroense, Série B, nº 1598. Outubro 1998.

Rio dos Homens, poesia. Recife/PE. Editora Bagaço, 2002.

Livro de Linhagens, poesia. Mossoró/RN; Sarau das Letras/ Porto - Portugal: Corpos Editora, 2011.

Misto Códice/Códice Mestizo, poesia. Mossoró/RN. Sarau das Letras. Salamanca-Espanha; Trilce Ediciones, 2012.

Diário de Natal, poesia. Mossoró/RN: Sarau das Letras, 2013.

Livro de Louvor, poesia.Mossoró/RN; Sarau das Letras/ Salamanca-Espanha: Trilce Ediciones, 2015.

Deixou algumas obras inéditas, como por exemplo: "Caderno de Quarentena - Memorial de Isolamento"

Na Revista da ANRL também encontramos a presença do poeta Paulo de Tarso. Lá estão publicados: 

Bibliografia, nº 30, setembro de 2000, páginas 227 e 228.

Lembranças súbitas de Dorian Gray Caldas pelos museus do mundo e Canto de Amor: um quadro de De Chirico, poemas, nº 31, janeiro a março de 2001, páginas 69 e 70.

O Mistério do poeta e a decifração do poema(para Celso da Silveira), artigo, nº 31, janeiro a março de 2001, páginas 153 a 157.

14 moedas antigas(Tributo, Pastor Protágoras, Alexandria, 1990, perto de onde foi o farol, Roma, Jerusalém,IX Estações, Aparição, Oslo, Avalon, Twenty Century Tours, Tarde do século XX em Florença, Em Vinci, Aqui, Montanha mágica, Plaanck), poemas, nº 32, julho a setembro de 2001, páginas 127 a 146.

Casa da Metáfora ( Oslo, Rapsodo viking I, Rapsodo viking II, Casa da Metáfora, Tempo, Aventura, Mar, Guerra, Paz, Duelo, Amor, Lembrança, Soneto viking, Imagem, Soneto celta), poemas, nº 33, janeiro a março de 2002, páginas 181 a 191.

Discurso de Posse, nº 34, julho de 2005, páginas 293 a 326.

Walter Duarte Pereira, artigo, nº 36, outubro de 2006, páginas 19 e 20.

Nascimento do lírico, poema, nº 38, janeiro a março de 2014, páginas 59 a 61.

Casa Vizinha( Serenata para Itajubá, Soneto praieiro para Othoniel, Quadras tortas para Myriam, O trem e a chave, Dois quadros para Newton Navarro, 3x4 para João Lins Caldas), poemas, nº 40, julho a setembro de 2014, páginas 80 a 89.

Outros romances de Alcaçus ( Maconheiro, Barato, Pico, Piercing, Encontro no Pavilhão de Aidéticos, Nota fúnebre do motoqueiro), poemas, nº 43, abril a junho de 2015, páginas 138 a 144.

Três poetas de Salamanca ( Verônica Amat, Isaura Díaz Figueiredo e Alfredo Pérez Alencart), Cristo e Tereza, Nostalgia e Garça vista ao final do Arco-Íris, poemas, nº 44, julho a setembro de 2015, páginas 120 a 126.

Banho de sol pós-rebelião, poema, nº 45, outubro a dezembro de 2015, páginas 108 e 109.

O mundo Emily Dickinson, ensaio, nº 47, abril a junho de 2016, páginas 16 a 27.

Oitenta anos da ANRL, discurso, nº 49, outubro a dezembro de 2016, páginas 19 a 22.

Entrevista, poema, nº 54, janeiro a março de 2018, páginas 146 a 149.

Poemas de Paulo de Tarso Correia de Melo( Mulher dormindo, Visita a Madalena Pereira em idos de 1959, Tributo a Cléa Bezerra), poemas, nº 58, janeiro a março de 2019, páginas 248 a 250.

Discurso de saudação ao Acadêmico Geraldo Queiroz, nº 60, julho a setembro de 2019, páginas 203 a 208.

Algumas lembranças de João Cabral, artigo, nº 63, abril a junho de 2020, páginas 27 a 32.

Vingt-Un Rosado: homenagem dos bibliotecários, livreiros e editores do RN, artigos e ensaios, nº 64, julho a setembro de 2020, páginas 62 a 67.

Novo encanto, poemas, nº 68, julho a setembro de 2021, páginas 163 e 164.

Desagravo a Mário Quintana, poemas, nº 69, outubro a dezembro de 2021, páginas 156 e 157.

Quatro recordos de Paulo de Tarso Correia de Melo, poemas, nº 72, julho a setembro de 2022, páginas 154 a 158.

Outros recordos de Paulo de Tarso Correia de Melo, poemas, nº 73, outubro a dezembro de 2022, páginas 240 a 244.

Esqueletos de Homero (panela, viola, joia), poemas, nº 79, abril a junho de 2024, páginas 142 a 147.

Antecipadíssimo necrológio para amiga fraterna, poemas, nº 85,  outubro a dezembro de 2025, página 148. 

 Outros textos sobre o autor na Revista da ANRL:

SAUDAÇÃO AO ACADÊMICO PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO, Discurso de Manoel Onofre de Sousa Júnior, nº 34 –  julho de  2005 – páginas 327 a 337.

O “MISTO CÓDICE” DE PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO, artigo de Fábio Lucas,  nº 39 – abril a junho de  2014, páginas 19 e 20.

VERTENTE SOCIAL NA POESIA DE PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO – Ensaio de Thiago Gonzaga, nº 41, outubro a dezembro de 2014, páginas 44 a 51.

PAULO DE TARSO E O VALOR DA POESIA – artigo de Fernando Gil Villa, nº  42, janeiro a março de 2015, páginas 44 a 46. 

LIVRO DE LOUVOR DE PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO,  artigo de  Maria do Sameiro Barroso, nºº 46 –  janeiro a março de 2016, páginas 54 a 58.

O TEMPO NA POESIA DE PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO,   Ensaio de David  de Medeiros Leite, Nº 67 –  abril a junho de 2021, páginas 65 A 68.

CONFIDÊNCIAS A PAULO (PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO), artigo de Clauder Arcanjo –  nº 68 –  julho  a setembro de 2021, páginas 58 A 67.

Conversa  com Paulo de Tarso Correia de Melo -  Entrevista de  Thiago Gonzaga, nº 80 - julho a setembro 2024 - p. 52 a 61.

A Bíblia de Paulo (ou Talhe Rupestre),  poema de Rizolete Fernandes, nº 85, outubro a dezembro 2025, página 154.

Tributo a Paulo de Tarso Correia de Melo,  discursos de Diogenes da Cunha Lima e Ivan Lira de Carvalho, respectivamente  pela ANRL e o CEC, na missa de corpo presente. Nº 85, outubro a dezembro 2025, páginas 165 a 167.




Francisco Martins



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

ASSIM DISSERAM ELES ...



 "No fanatismo político, a intolerância partidária visa exclusivamente à conquista ou conservação do poder, sem se incomodar com a lisura dos meios"

Esmeraldo Siqueira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

ANRL - 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 003 - AS PEDRAS FUNDAMENTAIS

 

Os dez primeiros anos da história da Academia Norte-rio-grandense de Letras - ANRL se perderam. As atas referentes a esse período (1936 a 1946) foram extraviadas (Revista 1, p.6). Mas, as outras décadas foram salvas, embora tenhamos lacunas de saberes sobre a instituição.

O bom é que a Revista nos dá muitas informações sobre a trajetória da Academia. É um coleção primorosa e indispensável, quando o assunto é pesquisa da ANRL.

Vamos  tratar hoje sobre as pedras fundamentais que deram origem a ANRL. Foram duas:

A primeira, diz respeito a ideia do projeto, sendo a data 9 de agosto de 1936, dia de domingo, tendo como local a casa de Câmara Cascudo, que ficava vizinha ao atual Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo. Naquele local, Câmara Cascudo e Aderbal de França relacionaram os vinte e cinco nomes de homens e mulheres para fundarem a instituição. (Revista nº 7, p. 32).

Casa de Sérgio Severo,  onde Cascudo residiu e fundou a ANRL

Três meses depois, em 14 de novembro, foi realizada a sessão de fundação, na sede do Instituto de Música, Rua Vigário Bartolomeu, n°630, Centro, em Natal. A instalação da instituição aconteceu no dia 15 de maio de 1937 (Revista 14, p.173), quando Henrique Castriciano, Presidente, leu um trabalho sobre a literatura do Rio Grande do Norte e foi considerado seu discurso de posse.

Henrique Castriciano

A segunda pedra fundamental é física - é aquela que foi assentada no alicerce da sede, situada à Rua Mipibu. O jornal "A República", na edição de 4 de janeiro de 1957, anuncia na primeira página o evento e reforça a matéria, em 6 de janeiro  1957, data do lançamento. 


Edição 4 de janeiro de 1957

Edição 6 de janeiro 1957

"A República" dá detalhes sobre a cerimônia do lançamento da pedra fundamental, na edição do dia 8 de janeiro 1957 (por erro, traz a data do ano 1958).

Registra, o jornal, a presença das autoridades. A bênção da Pedra fundamental foi dada pelo Padre Antonio Moreira, Vigário da Catedral e em seguida falou o Presidente, Manoel Rodrigues de Melo. Estiveram presentes Esmeraldo Siqueira, Raimundo Nonato, Antonio Fagundes e Carolina Wanderley, além do público em geral.  Ao final do evento foi servido um suco de caju aos presentes, diz a redação.

Manoel Rodrigues de Melo

Até a inauguração da sede atual, muito trabalho teve o Presidente Manoel Rodrigues de Melo, mas isso é assunto pautado para outra postagem.


Casa de Sergio Severo -  Facebook - "Natal não há tal", postagem de 13 de setembro 2024.  A casa foi demolida e hoje é um estacionamento ao lado do  Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo.

Imagem de Henrique Castriciano - Biblioteca Digital Luso-Brasileira

Desenho de Manoel Rodrigues de Melo - site da ANRL: https://anrl.org.br/acervo/cadeira-30/