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terça-feira, 21 de abril de 2026

CENTENÁRIO DO PRIMEIRO LIVRO DE AURÉLIO PINHEIRO

 "O Desterro de Humberto Saraiva", editado pela Livraria Clássica de Manaus é o livro de estreia de Aurélio Pinheiro, considerado o maior romancista do Rio Grande do Norte, por aquele que descortinou a sua existência no estado, o escritor e crítico literário Américo de Oliveira Costa.

A obra de estreia faz seu primeiro centenário (1926-2026). Aurélio Pinheiro,  foi médico formado na Universidade da Bahia, era natural de São José de Mipibu (RN). Atuou como cronista no jornal O Mossoroense (sob pseudônimos como Estanislau Pamplona) e viveu em Macau, Areia Branca e Parintins (AM), onde foi inspetor sanitário. Sua obra integra a literatura moderna potiguar, refletindo experiências regionais e pessoais.

Os temas principais do romance são: 1)O exílio e deslocamento, 2) Tradição versus modernidade, 3)  A identidade regional e o cotidiano nordestino-amazônico, 4) A crítica social e psicológica. É possível ter acesso ao livro digitalizado clicando aqui O Desterro de Humberto Saraiva

Aurélio Pinheiro é patrono da cadeira 27, na Academia Norte-rio-grandense de Letras, tendo sido escolhido pelo fundador da cadeira, o escritor Américo de Oliveira Costa. Atualmente, a cadeira tem a guarda literária de Vicente Serejo.

Na Academia Macauense de Letras e Artes - AMLA, ele é patrono da cadeira 5, ocupada por Michelle Paulista.  Aurélio Pinheiro fez parte da Academia Amazonense de Letras, sendo o fundador da cadeira 3.


Leia também a  tese da Professora Maria Rego (2023):


domingo, 19 de abril de 2026

COMENTANDO MINHAS LEITURAS - "FUZUÊ EM ENTREPELADO"

No dia 14 de junho de 2023, o escritor Antônio Melo lançou o livro "Fuzuê em Entrepelado". Publicado pela Z Editora, o livro é daqueles que o leitor agarra e não quer mais soltar, dada a beleza literária dos contos.

Antônio Melo 
 Antônio Melo transporta em seus textos a realidade da vida, o humor que ela contém em suas mais variadas formas, mas também registra cenas de vidas marginalizadas. Suas personagens estão nas páginas e nas ruas; nós as encontramos em nosso cotidiano. E é esse olhar de Antônio Melo que faz dele muito mais do que um escritor: um Contador de Histórias. "Fuzuê em Entrepelado" é um título excelente para ser lido com nossos jovens, nas escolas de Ensino Médio, oferecendo-lhes elementos para a reflexão sobre a sociedade em que vivemos.

Aconselho a leitura dos contos e convido a se deleitar com as palavras que, em cada página, nos dão a sensação de estarmos ouvindo um podcast.


Francisco Martins


Foto do autor: Jornal Tribuna do Norte, edição do dia 23 de fevereiro de 2020, coluna Roda Viva, de Cassiano Arruda.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

REVISTA ANRL - EDIÇÃO Nº 86 ESTÁ SENDO ENTREGUE AOS LEITORES

Circula no meio literário a aguardada edição nº 86 (janeiro a março de 2026) da Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras. A capa é ilustrada por uma obra de Newton Navarro, a quem esta edição presta uma homenagem especial com diversos textos dedicados à sua vida e obra. Outro escritor destacado na Revista é Paulo de Tarso Correia de Melo, que, tendo feito parte da instituição até o ano passado, nos deixou recentemente.

É notável a expressiva participação dos acadêmicos nesta edição, algo que não se via há tempos. Que bom! Afinal, a revista lhes pertence, e os imortais devem sempre contribuir para este periódico. Neste número, dos 33 textos, 13 são assinados pelos próprios acadêmicos.

Como costumo afirmar, a Revista possui uma excelente qualidade literária. Vale muito a pena mergulhar em seus artigos e aprofundar-se no conhecimento de nossa cultura.

quarta-feira, 11 de março de 2026

OS MÍSSEIS INVISIVEIS DO BRASIL

 


Enquanto o mundo se debruça sobre arsenais nucleares e poderios bélicos, medindo o alcance de foguetes intercontinentais e a força destrutiva de ogivas, o Brasil silencia em sua possessão de um armamento incomparavelmente mais poderoso e insidioso. Não se enganem com a aparente inocência de nossa diplomacia ou a ausência de ogivas estratégicas em nosso território. Nossos mísseis, testados e comprovados diariamente em solo nacional, superam em mortandade e alcance qualquer projétil fabricado pelos Estados Unidos, China, Irã, Israel ou Coreia do Norte.

Estes artefatos não explodem em cogumelos atômicos nem riscam os céus com sua velocidade supersônica. Eles operam em um plano muito mais sutil e devastador. Sua mira não se volta para bases militares inimigas ou cidades distantes, mas para o cerne da vida de cada brasileiro. Com precisão cruel e eficiência macabra, um desses mísseis pode aniquilar a educação de gerações inteiras, corroer a saúde de milhões, desmantelar a segurança social e pulverizar a vida social, deixando um rastro de desespero e miséria que nenhuma bomba convencional poderia replicar.

O mais trágico e surreal é que esses mísseis não são acionados por inimigos externos. Eles são disparados pelos próprios Poderes que deveriam ser os guardiões, os protetores, aqueles que juraram defender a nação e seu povo. São os mesmos braços que deveriam salvar que, tragicamente, matam. Não há aviões a lançá-los, nem silos subterrâneos a contê-los. Muito pelo contrário, são armas forjadas há longos anos, com aprimoramentos constantes e uma familiaridade ímpar com os corredores e gabinetes do Planalto Central, de onde emanam suas instruções mais eficazes. Eles minam a vida dos brasileiros de dentro para fora, gota a gota, ano após ano, através do combustível mais tóxico que existe: os desvios de verbas. As cifras envolvidas nesses lançamentos são assombrosas, totalizando bilhões e reveladas em sucessivas ondas de escândalos políticos que marcam a história recente do país, tornando a corrupção uma cicatriz aberta e pulsante.

Cada milhão desviado de um hospital é um míssil que acerta uma vida, uma família, um futuro. Cada centavo roubado da educação é um projétil que destrói a esperança de crianças e adolescentes. Cada verba desviada do INSS é uma ogiva que explode na dignidade de idosos e trabalhadores.
Estes são os mísseis que o Brasil lança contra si mesmo, uma guerra silenciosa que ceifa mais vidas, destrói mais sonhos e deixa cicatrizes mais profundas do que qualquer conflito armado. E o mais aterrorizante é que seu poder, ao invés de diminuir, parece se fortalecer com o tempo, atestando uma eficácia letal que envergonha e entristece a nação.

Em tempos de guerra, a primeira e mais urgente tarefa é detectar o inimigo interno, o adversário camuflado que se infiltra e corrói as fundações. Somente após desativar esses armamentos invisíveis, se porventura sobrevivermos e ainda houver uma infantaria de cidadãos dispostos e capazes, poderemos então reforçar as fronteiras para evitar que os perigos de fora entrem e aprofundem as feridas já abertas por nossa própria autodestruição.

Francisco Martins - 11 de março 2026

terça-feira, 10 de março de 2026

O CONCLAVE DOS NARIZES

 



Que rufem os tambores – ou melhor, que se agucem as narinas! Era o dia da "Reunião Anual dos Narizes de Especialidade", um evento tão peculiar que nem a Sociedade Internacional de Otorrinolaringologia tinha coragem de endossar. Na mesa redonda (na verdade, uma mesa de bilhar adaptada), os mais distintos órgãos olfativos do país se reuniam para discutir suas proezas e, claro, cheirar uns aos outros.

O primeiro a se pronunciar, com uma delicadeza quase etérea, foi o Nariz do Ginecologista. "Caros colegas," começou ele, ajustando seus óculos invisíveis, "minha especialidade exige uma sensibilidade ímpar. Sou perito em desvendar mistérios ocultos, em decifrar mensagens sutis onde outros apenas sentiriam... bem, digamos, a complexidade da vida. Meu trabalho é como ser um detetive de aromas íntimos, sempre em busca da harmonia, ou da sua ausência." Ele fez uma pausa dramática. "E sempre, sempre com o máximo de discrição."

Em seguida, irrompendo com uma alegria terrosa, veio o Nariz do Jardineiro. "Ah, discrição é para os fracos!" exclamou, com um leve rastro de adubo. "Eu sou o poeta da podridão, o maestro da matéria orgânica! Conheço o cheiro da terra úmida antes da chuva, o aroma da flor desabrochando e o lamento do fungo que se apossa do roseiral. Meu nariz é uma enciclopédia viva de cheiros verdes, flores e, sim, do cocô de galinha que faz a vida brotar! Sem mim, o mundo seria um canteiro sem graça!"

O Nariz do Padeiro, ainda com uma pontinha de farinha no septo, soltou um suspiro de êxtase. "Verdes? Flores? Desculpem a franqueza, mas nada se compara ao néctar divino do fermento ativando! Eu sou o guardião do pão nosso de cada dia! Meu olfato distingue o trigo sarraceno do integral, o ponto exato da massa que cresce e o cheirinho de queimado que indica que o cliente vai reclamar. Sou um alquimista de fragrâncias douradas, do doce do croissant ao rústico do pão de centeio. Minha vida é uma sinfonia de forno e delícia!"

Um nariz pequeno e encurvado, com uma leve coloração de tinta de jornal, pigarreou. Era o Nariz do Leitor. "Eu sou o portal para mundos infinitos", disse ele, com uma voz um tanto empoeirada. "Consigo sentir o aroma de uma biblioteca antiga, com suas histórias adormecidas em pergaminhos, ou o cheiro fresco de um livro recém-impresso, prometendo novas aventuras. Percebo o café derramado na página 73, o cheiro de maresia de um romance de piratas e até o resquício de lágrimas em um drama romântico. Meu nariz lê as entrelinhas invisíveis de cada narrativa!"

Um silêncio constrangido pairou no ar. Então, um nariz gordo, com um brilho suspeito e um leve aroma de uísque barato e charuto, inclinou-se à frente. Era o Nariz do Político Corrupto. Ele limpou a garganta, um som que parecia raspar notas de dinheiro. "Amigos e... bem, colegas," começou ele, com um sorriso afetado, "todos vocês têm talentos louváveis. Mas o meu nariz? Ah, o meu nariz é o mais pragmático de todos. Ele fareja o dinheiro a quilômetros de distância, detecta o cheiro de um contrato superfaturado antes mesmo de ser assinado, sente a oportunidade em cada crise. Ele distingue o aroma do suborno disfarçado de 'doação de campanha' e o cheiro do medo nos olhos do eleitor. E o melhor de tudo? Ele é totalmente imune ao cheiro de ética ou moralidade. Não perco tempo com isso, sabe? Meu foco é no aroma inconfundível do lucro fácil."

Os outros narizes se encolheram, alguns com nojo, outros com uma pontinha de inveja secreta. O silêncio que se seguiu foi tão pesado que até o Nariz do Jardineiro sentiu o cheiro de algo podre, mas não era de adubo. Era o cheiro da pura e inabalável... corrupção.

Mas, antes que a reunião pudesse terminar em total desânimo, um pequeno e curioso nariz, que até então estava observando com olhos arregalados, levantou-se com entusiasmo. Era o Nariz da Criança. Sua voz, fina e clara, cortou o ar viciado. "Eu... eu gosto de cheirar o cheiro de bolo de vó, sabe? E o cheiro do meu cachorrinho depois do banho! E o cheiro de terra molhada quando a gente faz castelo de areia!" Seus olhos brilhavam. "Mas o que eu mais quero é sentir o cheiro de um mundo que não tem cheiro de coisa feia, nem de briga. Um mundo que cheire a flor, a pão quentinho e a abraço de mamãe. Um mundo só de cheiro bom!"

Os narizes mais velhos se entreolharam, alguns com um pingo de vergonha, outros com um raro vislumbre de esperança. O cheiro de um mundo só de cheiro bom... Aquele pequeno nariz, com sua inocência e anseio, de repente fez todos os outros narizes, por um breve instante, questionarem o que realmente valia a pena farejar.

E assim terminou a reunião, com cada nariz voltando para suas respectivas rotinas, cada um com sua peculiar habilidade olfativa. Mas, ao passarem pela porta de saída, todos foram surpreendidos por um aroma diferente, que os envolveu como um abraço invisível. Ali, discreto, estava um Nariz que Cheirava Amor e Perdão. Não falava, não se gabava, apenas exalava uma fragrância suave de aceitação e de renovação. E, enquanto cada nariz seguia seu caminho, aquele aroma os acompanhava, ensinando-lhes, silenciosamente, que a arte mais nobre de todas era a de sentir e espalhar os cheiros que curam a alma.

 

Francisco Martins

9 de março 2026


domingo, 8 de março de 2026

ANRL - 90- ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERARIA - EDIÇÃO 005 - A CARTA DE AUGUSTO SEVERO


Augusto Severo

Aos 23 anos, Augusto Severo  escreveu a carta abaixo.  Uma linda peça literária, Digna de ser conhecida por todos. Trago-a, hoje, dentro da série "ANRL-90 ANOS", homenageando na pessoa de Maria Amélia, todas as mulheres. Augusto Severo é patrono da cadeira 18, na ANRL.

Maria Amélia (1861-1896)


    " Guarapes, 9 de dezembro de 1887.

Exma. Sra. Inês Perpétua Teixeira de Araújo

Minha Senhora:

Peço-lhe vênia para ir a sua presença tratar do que hoje mais profundamente me interessa, eu que não posso apresentar títulos que me recomendem perante a Sra., nem mesmo os de um ligeiro conhecimento pessoal. Vi-a, é verdade, tive o prazer de lhe ser apresentado em abril de 1885, em casa do meu cunhado Jovino, mas então nem sonhava que tivesse de pedir-lhe, de implorar-lhe o que ora peço e imploro.

Como recomendação única, levo o mais nobre, o mais santo de todos os sentimentos – flôr do céu a que Deus permitiu a vida na terra – o Amor. Inspirou-mo grande e casto, sua boa filha D.ª Maria Amélia; tão grande, tão puro que já não poderei viver sem êle.

Peço-lhe pois, a mão d’ela para a minha felicidade, porque cifra-se em sua doce posse a realização do mais risonho do único risonho de todos os meus sonhos, o alento para as boas inspirações, inspirações de minh’alma sem a qual, sinto que morrem.

Peço-lhe, de joelhos minh’alma como implorando o céu, que dê o seu consentimento partido do coração, que me aceite a mim por filho, a mim que quase desconhece mas que lhe juro com a consciência branca, não se envergonhará de ter-me por tal. De meu pai que a Sra. conhece e de minha santa mãe tenho a plena aprovação; d’êles que de havê-la por filha hão de orgulhar-se, com o orgulho que não macula, que é antes um bom sentimento quando não leva o egoísmo, porque lhe reconhecem tôdas as virtudes – flôres d’alma que na terra só é dado possuir a mulher perfeita.

Pela precipitação da viagem de meu pai, não o incumbi de por mim pedir a Sra. o que agora pedi; não me arrependi porém, porque não me podia fazer conhecer mais do que sou e eu, só eu devia pedir a minha felicidade.

Eu devia apresentar-me pessoalmente para êste fim do qual está pendente tôda a minha felicidade, o meu futuro inteiro, mas sou empregado em uma casa comercial onde me prendem obrigações tão mais fortes porque estamos agora em meio de safra principalmente não tendo como não tenho por ora, um imediato que me substitua por alguns dias.


Poderia ir em abril quando pretendo, mas não teria fôrça bastante para conservar até lá, calcado no coração o sentimento que precisa do seu consentimento para não explodir.

Por Deus minha Senhora, espero que me dará posse da felicidade. Se não fôsse impelido pela grande fôrça que rege o movimento dos corações, não me afoitaria a tanto!

Junto uma carta para cuja entrega peço-lhe permissão. Suplico-lhe que me responda na primeira mala, que pela resposta fica ansioso meu coração.

Como meu único advogado, o Amor – o sempre grande o Amor – o sempre casto.

Creia minha Senhora (autorize-me a chamar-lhe mãe; como então eu serei feliz!).

No profundo respeito que lhe consagra e na lealdade de quem só pode ser feliz com a dôce posse de sua querida filha D.ª Maria Amélia”.


FONTE: Revista da ANRL, nº 7, p. 9 a 11.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

ANRL - 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 004 - PAULO DE TARSO


Paulo de Tarso Correia de Melo pertenceu a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras-ANRL, ocupando a cadeira 11, cujo patrono é o Padre João Maria. O fundador da cadeira foi Doutor Januário Cicco, o segundo ocupante foi Doutor Onofre Lopes, que depois foi sucedido pelo Desembargador Miguel Seabra, tendo na sequência  Fagundes de Menezes.

Paulo de Tarso foi eleito para ANRL em 21 de setembro de 2000 e tomou posse em 27 de outubro de 2004. Completaria 21 anos no rol de membros da ANRL.

Participou ativamente da ANRL, servindo na Diretoria da casa, atuando na Comissão de Contas; Tesouraria, Diretor Financeiro.


São obras de Paulo de Tarso:

Talhe Ruspestre, poesia, Cooperativa Cultural Universitária do RN, 1993. ( 2ª e 3ª edições em 2008 e 2009)

Natal: Secreta Biografia, poesia. Fundação José Augusto/Cooperativa Cultural da UFRN, 1994. (Este livro recebeu em 1991, o prêmio Estadual de Poesia Auta de Souza)

Folhetim Cordial da Guerra em Natal e Cordial Folhetim da Guerra em Parnamirim, poesia. Natal/RN. Editora Universitária, 1994 (Prêmio Municipal de Poesia Othoniel Menezes, Natal, 1991). A 2ª edição desste livro foi em 2008.

Romances de Alcaçus, poesia. Natal/RN. Editora da UFRN, 1998

Homenagem dos Bibliotecários, livreiros e editores do RN a Vingt-Un (23.10.1998), plaquete, discurso. Fundação Vingt-Un Rosado, Coleção Mossoroense, Série B, nº 1598. Outubro 1998.

Rio dos Homens, poesia. Recife/PE. Editora Bagaço, 2002.

Livro de Linhagens, poesia. Mossoró/RN; Sarau das Letras/ Porto - Portugal: Corpos Editora, 2011.

Misto Códice/Códice Mestizo, poesia. Mossoró/RN. Sarau das Letras. Salamanca-Espanha; Trilce Ediciones, 2012.

Diário de Natal, poesia. Mossoró/RN: Sarau das Letras, 2013.

Livro de Louvor, poesia.Mossoró/RN; Sarau das Letras/ Salamanca-Espanha: Trilce Ediciones, 2015.

Deixou algumas obras inéditas, como por exemplo: "Caderno de Quarentena - Memorial de Isolamento"

Na Revista da ANRL também encontramos a presença do poeta Paulo de Tarso. Lá estão publicados: 

Bibliografia, nº 30, setembro de 2000, páginas 227 e 228.

Lembranças súbitas de Dorian Gray Caldas pelos museus do mundo e Canto de Amor: um quadro de De Chirico, poemas, nº 31, janeiro a março de 2001, páginas 69 e 70.

O Mistério do poeta e a decifração do poema(para Celso da Silveira), artigo, nº 31, janeiro a março de 2001, páginas 153 a 157.

14 moedas antigas(Tributo, Pastor Protágoras, Alexandria, 1990, perto de onde foi o farol, Roma, Jerusalém,IX Estações, Aparição, Oslo, Avalon, Twenty Century Tours, Tarde do século XX em Florença, Em Vinci, Aqui, Montanha mágica, Plaanck), poemas, nº 32, julho a setembro de 2001, páginas 127 a 146.

Casa da Metáfora ( Oslo, Rapsodo viking I, Rapsodo viking II, Casa da Metáfora, Tempo, Aventura, Mar, Guerra, Paz, Duelo, Amor, Lembrança, Soneto viking, Imagem, Soneto celta), poemas, nº 33, janeiro a março de 2002, páginas 181 a 191.

Discurso de Posse, nº 34, julho de 2005, páginas 293 a 326.

Walter Duarte Pereira, artigo, nº 36, outubro de 2006, páginas 19 e 20.

Nascimento do lírico, poema, nº 38, janeiro a março de 2014, páginas 59 a 61.

Casa Vizinha( Serenata para Itajubá, Soneto praieiro para Othoniel, Quadras tortas para Myriam, O trem e a chave, Dois quadros para Newton Navarro, 3x4 para João Lins Caldas), poemas, nº 40, julho a setembro de 2014, páginas 80 a 89.

Outros romances de Alcaçus ( Maconheiro, Barato, Pico, Piercing, Encontro no Pavilhão de Aidéticos, Nota fúnebre do motoqueiro), poemas, nº 43, abril a junho de 2015, páginas 138 a 144.

Três poetas de Salamanca ( Verônica Amat, Isaura Díaz Figueiredo e Alfredo Pérez Alencart), Cristo e Tereza, Nostalgia e Garça vista ao final do Arco-Íris, poemas, nº 44, julho a setembro de 2015, páginas 120 a 126.

Banho de sol pós-rebelião, poema, nº 45, outubro a dezembro de 2015, páginas 108 e 109.

O mundo Emily Dickinson, ensaio, nº 47, abril a junho de 2016, páginas 16 a 27.

Oitenta anos da ANRL, discurso, nº 49, outubro a dezembro de 2016, páginas 19 a 22.

Entrevista, poema, nº 54, janeiro a março de 2018, páginas 146 a 149.

Poemas de Paulo de Tarso Correia de Melo( Mulher dormindo, Visita a Madalena Pereira em idos de 1959, Tributo a Cléa Bezerra), poemas, nº 58, janeiro a março de 2019, páginas 248 a 250.

Discurso de saudação ao Acadêmico Geraldo Queiroz, nº 60, julho a setembro de 2019, páginas 203 a 208.

Algumas lembranças de João Cabral, artigo, nº 63, abril a junho de 2020, páginas 27 a 32.

Vingt-Un Rosado: homenagem dos bibliotecários, livreiros e editores do RN, artigos e ensaios, nº 64, julho a setembro de 2020, páginas 62 a 67.

Novo encanto, poemas, nº 68, julho a setembro de 2021, páginas 163 e 164.

Desagravo a Mário Quintana, poemas, nº 69, outubro a dezembro de 2021, páginas 156 e 157.

Quatro recordos de Paulo de Tarso Correia de Melo, poemas, nº 72, julho a setembro de 2022, páginas 154 a 158.

Outros recordos de Paulo de Tarso Correia de Melo, poemas, nº 73, outubro a dezembro de 2022, páginas 240 a 244.

Esqueletos de Homero (panela, viola, joia), poemas, nº 79, abril a junho de 2024, páginas 142 a 147.

Antecipadíssimo necrológio para amiga fraterna, poemas, nº 85,  outubro a dezembro de 2025, página 148. 

 Outros textos sobre o autor na Revista da ANRL:

SAUDAÇÃO AO ACADÊMICO PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO, Discurso de Manoel Onofre de Sousa Júnior, nº 34 –  julho de  2005 – páginas 327 a 337.

O “MISTO CÓDICE” DE PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO, artigo de Fábio Lucas,  nº 39 – abril a junho de  2014, páginas 19 e 20.

VERTENTE SOCIAL NA POESIA DE PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO – Ensaio de Thiago Gonzaga, nº 41, outubro a dezembro de 2014, páginas 44 a 51.

PAULO DE TARSO E O VALOR DA POESIA – artigo de Fernando Gil Villa, nº  42, janeiro a março de 2015, páginas 44 a 46. 

LIVRO DE LOUVOR DE PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO,  artigo de  Maria do Sameiro Barroso, nºº 46 –  janeiro a março de 2016, páginas 54 a 58.

O TEMPO NA POESIA DE PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO,   Ensaio de David  de Medeiros Leite, Nº 67 –  abril a junho de 2021, páginas 65 A 68.

CONFIDÊNCIAS A PAULO (PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO), artigo de Clauder Arcanjo –  nº 68 –  julho  a setembro de 2021, páginas 58 A 67.

Conversa  com Paulo de Tarso Correia de Melo -  Entrevista de  Thiago Gonzaga, nº 80 - julho a setembro 2024 - p. 52 a 61.

A Bíblia de Paulo (ou Talhe Rupestre),  poema de Rizolete Fernandes, nº 85, outubro a dezembro 2025, página 154.

Tributo a Paulo de Tarso Correia de Melo,  discursos de Diogenes da Cunha Lima e Ivan Lira de Carvalho, respectivamente  pela ANRL e o CEC, na missa de corpo presente. Nº 85, outubro a dezembro 2025, páginas 165 a 167.




Francisco Martins



terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

VOCÊ SABIA QUE O RN TEM A LEI DO DEPÓSITO LEGAL DE LIVROS?

 Existem Leis que são desconhecidas pela grande maioria. No Rio Grande do Norte o Poder Executivo aprovou a Lei n° 10.265, de 10 de novembro de 2017, que dispõe sobre o depósito legal de publicações na Biblioteca Pública Câmara Cascudo e dá outras providência.


 A Lei foi publicada no Diário Oficial do Estado, em 11 de novembro de 2017 ( Ano 84 - Número 14.048). Eu confesso que não sabia da existência dessa Lei. Conhecia a nacional, que obriga os escritores a fazerem o depósito legal na Biblioteca Nacional.

A Lei, estadual, tem como objetivo assegurar o registro e a guarda da produção intelectual que feita no Rio Grande do Norte, além de possibilitar o controle, a elaboração e a divulgação da bibliografia potiguar.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A SEMPRE E BOA REVISTA DA ANRL

 

    A Revista nº 85, Outubro a Dezembro - 2025, da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras já anda nas mãos dos leitores.
  A edição atual tem como tema principal o Padre João Maria, considerado "O Anjo de Natal", que em outubro último teve seus 120 anos de encantamento.
   Sou um admirador da Revista da ANRL, tenho a coleção completa. Ela é um conjunto precioso, que traz boa parte da história literária do Rio Grande do Norte.
   Os artigos e ensaios da presente edição estão excelentes. Tratam da história do Padre João Maria, de crença e fé, obras femininas, entrevista, etc. Vale a pena correr os olhos e muito aprender.
   Parabenizo a ANRL, que através do Diretor, Manoel Onofre Jr e do Editor Thiago Gonzaga, mantém, com afinco, a trimestralidade da Revista.

domingo, 28 de dezembro de 2025

"NÍSIA, SEMPRE PRESENTE!"

CONSTÂNCIA LIMA DUARTE
ESCRITORA E PESQUISADORA




    Ainda hoje, após tantos anos lendo e escrevendo sobre Nísia Floresta, ela continua me surpreendendo. Aliás, não só a mim, mas a todos que dela se aproximam e conhecem um pouco sua história. Pois é mesmo espantoso, convenhamos, pensar que há mais de duzentos anos nascia uma menina em Papary, que se tornaria exceção dentre as mulheres de seu tempo.

Constância Duarte
    Não foram poucos os motivos que Nísia Floresta deu para provocar surpresa e até escandalizar, tanto os contemporâneos como pessoas que a conheceram décadas após sua morte. Gilberto Freyre, Câmara Cascudo, Oliveira Lima, Inês Sabino, Henrique Castriciano, Rachel de Queiroz e Décio Pignatari, por exemplo, foram alguns que se deixaram fascinar por sua inédita preocupação com a vida precária das mulheres.
    Pois, enquanto a grande maioria das brasileiras vivia reclusa, sem nenhum direito e totalmente submetida ao poder patriarcal, Nísia Floresta viajava, dirigia um colégio feminino e escrevia livros em defesa das mulheres, dos escravizados e dos indígenas!

Nísia Floresta
    Nossa escritora foi, com certeza, uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos na grande imprensa, pois, desde 1830 seu nome aparece em periódicos nacionais. Se lembramos que apenas em 1816, a imprensa chegou ao país, mais se destaca o papel pioneiro desta norte-rio-grandense.
    Ao todo, ela publicou quinze livros – dentre romances, contos, crônicas, poemas e ensaios – escritos em português, francês, italiano e inglês, alguns, inclusive, com duas, três, quatro edições. E os textos parecem dialogar entre si como peças complementares de um mesmo plano de ação, visando formar e modificar consciências. Em seus escritos, Nísia Floresta deixa nítido o propósito de intervir no contexto moral e ideológico vigente, no que dizia respeito ao comportamento das mulheres e dos homens.


    Foi também envolvido pelo intenso encantamento de Nísia Floresta que Roberto Lima de Souza – poeta, escritor, compositor e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras –, idealizou e construiu o poema-cordel que ora traz a público.
    Revelando extenso conhecimento sobre a escritora potiguar e gêneros literários – com destaque para o cordel e a herança épica – o poeta realiza verdadeira obra prima ao mesclar os dois gêneros. Do cordel, buscou o sofisticado estilo conhecido por “martelo agalopado”, composto de estrofes de versos decassilábicos, tônicas nas sílabas 3, 6 e 10, e rimas abbaacode. E da tradicional narrativa de poesia voltada para lendas e episódios da história cultural de um povo, Roberto Lima de Souza realizou esse primoroso trabalho em torno da venturosa vida de Nísia Floresta – objeto e sujeito de suas inspirações.
    Temos, então, muito bem articulados o martelo agalopado e as divisões clássicas do gênero épico: a Proposição – com o necessário apelo à inspiração para realizar a cantiga; a Invocação à musa “dos páramos celestes”; a Dedicatória, feita ao ilustre poeta e acadêmico Diógenes da Cunha Lima; seguidos de dez cantos que narram, detalhada e poeticamente as aventuras da heroína. Por fim, vem o Epílogo para encerrar a narrativa. Tudo construído com tal esmero que os leitores se veem envolvidos desde os primeiros versos.
    Surge, pois, neste poema, uma Nísia Floresta de corpo inteiro: a mulher, a mãe, a viajante incansável, a escritora inspirada. Uma brasileira de olhar reflexivo que, em sua longa trajetória de vida, ampliou os passos da jovem nordestina – tradutora de Os Direitos das Mulheres –, mantendo sempre uma postura altiva e consciente de si mesma.
    Assim, a luz que poeticamente emerge dos versos de Ao Brilhante Luar de Papary, reflete bem a vida e obra de Nísia Floresta – inesgotável fonte inspiradora da sensibilidade do poeta conterrâneo.


Fonte: Revista da ANRL,  Nº 85 – OUT/DEZ 2025, páginas 91 a 93.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

21 ANOS DEPOIS, A PAIXÃO CONTINUA FORTE E PERENE PELA LITERATURA

 Hoje, 4 de dezembro, lembro com alegria o lançamento do meu primeiro livro. Vinte e um anos se passaram. Foi num final de tarde, em Ceará-Mirim-RN, no Clube Esportivo e Social. Para o livro "Contos da Nossa Terra", enviei convites a muitas pessoas e até um carro de som divulgou o evento. Contudo, na ocasião, só pude contar com a família e alguns amigos.

Não guardei mágoas; guardei, sim, as boas lembranças da minha esposa ao meu lado, que até hoje me apoia em minhas atividades culturais. Lembro-me de Nevinha, minha primeira professora, que estava lá e viu nascer o escritor.

Passadas duas décadas, continuo no ofício de escriba. Cresci, ganhei prêmios e faço parte de várias instituições culturais. Como bem disse a escritora Eulália Duarte Barros: "um menino que se fez sozinho". Entendo o que ela quis expressar, mas nenhum escritor se faz sozinho. Ele é fruto das leituras que faz, das conversas e das histórias de que participa e que escuta.

Agradeço a todos vocês pelo apoio. Quero continuar colaborando com a literatura e contribuindo para tornar a vida melhor.

"VIDAS DE ALGODÃO" FOI LANÇADO ONTEM COM A PRESENÇA DE AMIGOS E AMIGAS DA AUTORA

Ednice Peixoto realizou, na noite de ontem, 3 de dezembro, o lançamento do seu primeiro livro. Estive lá e testemunhei o quanto ela é querida, com seus amigos e admiradores prestigiando esse momento tão importante em sua vida.

Em Natal, praticamente toda semana há lançamento de livros, alguns com público reduzido, mas na noite de autógrafos de "Vidas de Algodão" não foi assim. A casa estava lotada e as vendas foram além da expectativa da autora.






Sandra Pimentel, eu e Ednice Peixoto

A autora surge no cenário literário com contos. Não tenho dúvidas de que o livro vai me encantar. Vamos à leitura e, em breve, trarei uma resenha sobre 'Vidas de Algodão. Parabenizo Ednice Peixoto pelo lançamento e por nos proporcionar uma leitura que, com certeza, trará momentos prazerosos.