sexta-feira, 27 de julho de 2012

CEARÁ MIRIM 200 DEPOIS DE HOJE


Pai e filho saíram naquela manhã para cumprirem um programa que há muito estava marcado, a saber: fazer um passeio pela parte histórica de Ceará Mirim. Kleber tem oito anos. Seu pai Arquimedes, com trinta anos, trabalha gerenciando uma usina de Etanol, principal combustível usado pelos carros.
          Há duzentos anos a gasolina era dominante, agora, em pleno ano de dois mil duzentos e doze, todas as reservas petrolíferas do planeta acabaram, o que dinamiza o mundo é o biocombustível, produzido da cana de açúcar, do milho e da mamona. Ceará Mirim detém no Estado grande parte da produção de Etanol.
          Arquimedes saiu com Kleber, antes, porém, acionou o código de segurança da sua residência, o msnhause, que automaticamente informa à central de polícia a ausência de pessoas naquela casa. Todas as residências de Ceará Mirim têm instalado o msnhause. Com este método e a polícia bem estruturada, o índice de furtos é praticamente zero.
          A cidade tem trezentos e setenta mil habitantes, mais de cento e cinqüenta grandes edifícios residências, inúmeras escolas, cinco grandes parques ecológicos, museus, etc. A segurança, saúde e educação fornecem serviços de qualidade aos ceará-mirinenses. Aqui não existe miséria, fome, desemprego, as indústrias absorvem toda a mão de obra local. A cidade é um celeiro de grandes fábricas.
          Voltemos para nossos companheiros Kleber e Arquimedes, eles estão chegando ao centro histórico, cujo corredor cultural é formado pelos museus Antunes Pereira, Mercado Central, Igreja, Parque Memorial da Vida e Usina São Francisco. Primeiro entram no museu Antunes Pereira, que durante muitos anos funcionou como Prefeitura Municipal, hoje (2212) guarda a história da administração desta cidade. Ali bem perto, existe o museu Mercado Central, com vários anexos, dentro do qual há verdadeiras preciosidades culturais de Ceará Mirim.
           Kleber estar ansioso para conhecer o local onde antes era o cemitério público. Arquimedes lembra-lhe que lá é uma espécie de templo silencioso, tamanho é o respeito do povo por aquele lugar. Dentro daqueles velhos muros, do Parque Memorial da Vida, foram sepultados durante gerações e gerações vários filhos da terra. Até que o governo decretou a proibição desta prática. Hoje, todas as pessoas mortas são incineradas e as cinzas entregues à família ou depositadas no Memorial da Vida. Kleber ficou pensando como seria o ritual de enterrar os mortos. “Como eram os túmulos? Deviam ter deixado pelo menos um”. Comentou para o pai.
           Bem próximo dali fica a Igreja, um prédio suntuoso, com duas torres, que durante longos anos foi o principal templo desta cidade. Agora, com a unificação de todas as religiões, a Igreja passou a ser um centro de estudo do comportamento humano e de pesquisa religiosa. O passeio se prolongou pelas ruínas da Usina São Francisco, símbolo das atividades canavieiras, onde também estão guardados os registros sobre os engenhos do período colonial. Kleber estava encantado com tudo isto. Para encerrar pai e filho foram conhecer o leito do rio ceará mirim, onde puderam ver as matas ciliares e até mesmo ver uma amostrada água pura. Arquimedes e Kleber voltaram para casa. No caminho o filho perguntou:
__Pai, quando vamos visitar o museu têxtil? Tenho desejo de saber como eram as roupas de tecidos do século XXI.
__Breve filho, muito em breve. Respondeu o pai.

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Obs: Este conto foi pela primeira vez publicado na coluna Vale das Letras, do blog de Edvaldo.