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sexta-feira, 29 de novembro de 2024

UM LINDO SONETO PARA O AMOR DA SUA VIDA

Filinto de Almeida, poeta e membro da ABL

Filinto de Almeida escreveu o soneto abaixo, por ocasião do falecimento da sua esposa, a escritora romancista Júlia Lopes de Almeida, com quem se casou em 28 de novembro de 1887, em Lisboa. Júlia Lopes  fez parte do grupo de idealizadores da fundação da Academia Brasileira de Letras - ABL - embora não tenha sido imortal, por questão meramente regimental. Quem entrou naquela primeira leva foi o seu esposo, Filinto de Almeida. Ela faleceu no dia 30 de maio de 1934.

Júlia Lopes


Dorme em meu coração, dorme tranquila:

Enquanto ele bater, nele estarás;

E não te acorde a dor que me aniquila,

Nem no ouças dizer-me: “Ela aqui jaz”.


Esta, de que sou feito, humana argila,

Por ti no sofrimento se compraz,

Orvalhando, com o pranto que destila,

Meu Horto de Oliveiras… Dorme em paz.


Dorme em paz, meu amor… Quero embalar-te

Nestas cantigas de tristeza e dó.

Embebidas de lágrimas sem arte.


E quando eu acabar, suplico só

Que a mim teus filhos venham misturar-te

Nas mesmas cinzas e no mesmo pó.






segunda-feira, 4 de novembro de 2024

HOJE É A DATA DOS 70 ANOS DA POSSE DE JOSUÉ MONTELLO NA ABL


 Josué Montello nasceu em 21 de agosto de 1917, no Maranhão, e  faleceu no dia 15 de março de 2006. Assim, desta forma tão sucinta se expressa o nascer e o morrer de um homem que existiu por 88 anos.

Ele foi um gigante na literatura brasileira, um cidadão que prestou serviços relevantes ao seu país,  aqui e no exterior. Há muito para dizer sobre Josué Montello e muito mais para se aprender sobre ele e com a sua obra.

Imortal, entrou na Academia Brasileira de Letras em 4 de novembro de 1954, onde viveu por quase 52 anos, sendo o ocupante da cadeira 29. O poeta Mané Beradeiro, celebrando os 70 anos da posse de Josué Montello na ABL, está escrevendo um cordel bibliográfico sobre o mesmo, que vai ser lançado brevemente.

 

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

ABL DECLARA OFICIALMENTE VAGA A CADEIRA 27 E COMEÇA A RECEBER INSCRIÇÕES PARA A MESMA

 A Academia Brasileira de Letras realizou  quinta-feira passada a Sessão da Saudade em homenagem a Antonio Cicero, morto no dia 23 e após, declarou oficialmente vaga a cadeira 27. O presidente Merval Pereira já recebeu a primeira carta de inscrição, vinda do embaixador Edgar Teles Ribeiro. Foi candidato em 2023 na eleição de Lilia Schwartz. As inscrições ficarão abertas durante 15 dias e a eleição será no dia 11 de dezembro, em sessão especial.

Antonio Cícero

Edgar Teles Ribeiro é escritor e diplomata aposentado. Iniciou sua carreira como crítico de cinema no Rio de Janeiro, onde também escreveu para os suplementos literários de O Correio da Manhã e O Jornal.

Estudou cinema na (UCLA), onde dirigiu alguns curtas-metragens. Em 1980, um de seus filmes (“Vietname, viagem no tempo”) foi exibido no Festival de Cannes. Entre 1978 e 1982, foi professor de cinema na UNB.

Como escritor, é autor de 14 livros, entre romances e livros de contos. Críticos da relevância de Antonio Candido, Antonio Houaiss e Wilson Martins, entre outros, elogiaram sua obra. O romance Olho de rei, recebeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras para Melhor Obra de Ficção de 2006.

Edgar Teles

O primeiro romance de sua trilogia, sobre a ditadura militar brasileira (O punho e a renda), conquistou o prêmio de Melhor Romance do Pen Clube em 2011. Dois de seus livros foram finalistas dos prêmios Jabuti (segundo e terceiro lugares). Algumas de suas obras foram publicadas nos Estados Unidos e em diversos países europeus, entre elas O criado-mudo, O punho e a renda, O impostor e Larvas Azuis da Amazônia.

Como Diplomata, serviu em diversos países (Estados Unidos, Equador, Guatemala, Nova Zelândia, Malásia, Tailândia). Quando em Brasília, trabalhou sobretudo na área cultural do Ministério das Relações Exteriores, e chefiou o departamento cultural entre 2002 e 2005. É autor da tese acadêmica “Diplomata Cultural, seu papel na política externa brasileira”.


segunda-feira, 21 de outubro de 2024

COMO APARECEU TIBÚRCIO GAMA

 Hoje iniciamos uma série de postagens sobre curiosidades da literatura e escritores. São textos colhidos nas minhas leituras que estarei disponibilizando a você, que sempre passa por aqui e curte as postagens.

A primeira é sobre  Artur de Azevedo.

COMO APARECEU TIBÚRCIO GAMA

    Todos os domingos, desde a fundação do Correio da Manhã, publicava Artur Azevedo, na primeira página do jornal de Edmundo Bittencourt, um conto de inspiração jovial. 
   Regularmente, o contista surgia com a sua anedota, o seu pequeno caso brejeiro, ou a historieta de passatempo, e divertia os leitores com a espontaneidade de sua graça.
     Não tardou surgissem no caminho do velho escritor as críticas hostis das novas gerações. O conto, assim como Artur Azevedo o construía, parecia-lhes modalidades obsoletas de narrativa. Havia agora uma plêiade mais ágil e mais interessante de contistas modernos, sensivelmente superiores ao autor dos Contos Possíveis. Por que não dar oportunidade a esses valores novos?
    E Artur Azevedo, um dia, recebe a notícia de que o Correio da Manhã não mais publicaria o seu conto dominical. Em vez da página habitual do antigo colaborador, o jornal abrira um concurso destinado a selecionar, entre os trabalhos da nova geração, os de mais alto merecimento.
    Com efeito, assim se fez. E o premiado, na primeira seleção do Correio da Manhã, é, na verdade, um desconhecido: Tibúrcio Gama.
    Ao ser conhecido o resultado do concurso, Artur Azevedo se apressou em escrever uma carta ao jornal, com esta notícia: o Tibúrcio Gama era ele! o conto premiado era seu!
   Interessado em saber se poderia ombrear com os escritores novos, o velho mestre recorrera ao expediente de remeter um conto sob pseudônimo, e com outra letra, para a seleção do jornal...
    E concluía: "Confesso" - Escreveu, fechando a carta - "que a escolha não me contrariou, mas como não posso nem devo receber o prêmio de um torneio oferecido aos moços, rogo aos meus ilustres colegas que destinem os 50$000 de Tibúrcio Gama a um conto suplementar, que seja efetivamente escrito por um moço."
 
 

Fonte: Anedotário Geral da Academia Brasileira -  Josué Montello - 3ª edição - Livraria Francisco Alves Editora S.A,  Rio de Janeiro, 1980.    


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A LEITURA TRANSFORMA VIDAS


Sabemos que a afirmação acima é verdadeira, que o convívio com os livros fornecem elementos que funcionam como nutrientes à alma e espírito que crescem e se libertam. Ser leitor faz toda a diferença entre o que sou e o que poderei ser.
Não muito longe de nós temos exemplos disso. Thiago Gonzaga, de menino praticamente iletrado a Mestre de Literatura, traz no corpo, literalmente, a marca desta trajetória. Ele navegou no mar da ignorância e o atravessou fazendo dos livros sua tábua de salvação e das palavras os remos. 
Hoje eu quero contar a história de um outro menino que tinha toda uma geografia e situação social favorável a não ter seu nome escrito nos anais da literatura.
Nasceu no dia 12 de novembro de 1876, em Araruna-PB. Antonio Joaquim PEREIRA DA SILVA, filho de pais pobres. Veio ao mundo poucos meses antes do Brasil viver uma das maiores secas da sua história, a de 1877. 
Seu pai era marceneiro, fazia violas e sua mãe cuidava do lar. Pereira da Silva perdeu o pai muito cedo e isso marcou indelevelmente seu espírito.
Foi graças a um tio que ele aprendeu as sonoridades das letras. Tendo aprendido a ler, os livros foram suas pontes, e de Araruna parte o jovem pobre para o Rio de Janeiro, onde consegue continuar seus estudos em escola militar. Consegue depois se formar em Direito, trabalha no estado do Paraná, aprende Alemão, escreve na língua germânica em jornais da comunidade alemã. Não esqueçam que toda essa conquista foi fruto da leitura.
Pereira da Silva foi poeta, jornalista, escritor. Estreia na literatura aos 27 anos com "Vae Solis", 15 anos depois lança "Solitudes" e o poeta foi se formando com outros livros. Sete livros ao todo.
Onde chegaria o menino de Araruna?
Chegou até a Academia Brasileira de Letras, ocupante da cadeira 18. Foi o primeiro paraibano a fazer parte da Casa de Machado de Assis.
Viva a leitura!
"A glória que fica nas Academias é a que se traz de fora delas" (Manuel Bandeira).
Francisco Martins

13 de novembro 2020