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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

CANAL DE MANÉ BERADEIRO NO WHATSAPP

 Mané Beradeiro, poeta cordelista, contador de causos, que gosta de escrever e falar sobre a cultura popular, tem um canal no Whatsapp. Siga o homem! Todo dia ele posta uma produção por lá.


Dagorinha, ele postou  um conto que homenageia as rezadeiras. Lembra daquelas mulheres que iam em nossas casas rezar na gente? Pois lá tem uma história dessas.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

AGOSTO COM ADIVINHAÇÕES

 Agosto é folclore. Vamos lembrar de algumas adivinhações?  O macaco Sarauê nos ajudará neste processo.  



segunda-feira, 28 de abril de 2025

SOCIEDADE BRASILEIRA DE FOLCLORE - 84 ANOS DA SUA FUNDAÇÃO

    
Quarta-feira próxima, lembramos a data de fundação da Sociedade Brasileira de Folclore, fundada em Natal-RN, por Câmara Cascudo. 84 anos passaram por debaixo da ponte da História. Até quando funcionou esta Sociedade, pioneira no Brasil?  Ainda não tenho a resposta, e enquanto a busco,  ofereço aos leitores o texto de Raimundo Nonato.




Câmara Cascudo



"SOCIEDADE BRASILEIRA DE FOLCLORE - NATAL/RN


 O verbete dá motivo para o comentário de hoje.

    Fundada a 30 de abril de 1941, na Rua da Conceição, 393, residência do escritor Câmara Cascudo, a Sociedade Brasileira de Folk-Lore teve seus primeiros estatutos discutidos e aprovados na mesma data e publicados na República, órgão oficial, na edição de 7 de maio. Foram registrados no Primeiro Cartório Judiciário, privativo das pessoas jurídicas do termo e comarca do Natal, sob o número de ordem 19, folhas 13 e verso do Livro A, nº 1, do Registro Civil de Pessoas Jurídicas, pelo respectivo oficial Manuel Procópio de Moura, em 29 de maio de 1941. Reunidos em folheto, foram abundantemente distribuídos."
    Preceituavam ditos estatutos:
                "Art. 1º A Sociedade Brasileira de Folk-Lore, fundada a 30 de abril de 1941, com sede e foro na Cidade do Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil, reconhecida de utilidade pública pela Lei Estadual nº 41, de 20 de outubro de 1948, com duração ilimitada, destina-se a pesquisa, estudo, sistematização e defesa do folk-lore em todas as suas manifestações.
                Art. 2º A SBFL, compor-se-á de 35 membros efetivos e um número ilimitado de titulares residentes noutros Estados do Brasil e cidadãos estrangeiros."
    A Diretoria 1949-1954, da SBFL, estava assim constituída:
         Dr. Luís da Câmara Cascudo. Presidente e fundador, em 30-4-41. Presidente perpétuo por deliberação unânime da sociedade, em 7-4-49.
     Desembargador Luís Tavares de Lira - Vice-Presidente
     Dr. Juvenal Lamartine de Farias - Vice-Presidente
     Manuel Rodrigues de Melo - Secretário Geral
     Dr. Veríssimo de Melo - Secretário
     Hélio Galvão - Secretário
     Dr. Paulo Pinheiro de Viveiros - Presidente do Conselho Cultural

Membros efetivos - Residentes em Natal:

    Aderbal de França
    Dr. Aldo Fernandes Raposo de Melo
    Deputado Aluízio Alves (residente no Rio de Janeiro)
    Dr. Américo de Oliveira Costa
    Prof. Antonio Gomes da Rocha Fagundes
    Desembargador Antonio Soares de Araújo
    Prof. Clementino Câmara
    Deputado Dioclécio Dantas Duarte (residente no Rio)
    Dr Eloy de Souza
    Desembargador Felipe Neri de Brito Guerra
    Hélio Galvão
    Dr. Jerônimo Rodrigues (residente no Rio de Janeiro)
   Dr. Jerônimo Vingt-un Rosado Maia (residente na cidade de Mossoró - Rio Grande do Norte)
    Dr Juvenal Lamartine de Farias
    Dr. Luís da Câmara Cascudo
    Luís Eugênio Ferreira Veiga
    Desembargador Luís Tavares de Lira
    Manuel Rodrigues de Melo
    Dr. Nestor dos Santos Lima
    Dr. Osvaldo Lamartine
    Dr. Paulo Pinheiro de Viveiros 
    Prof. Raimundo Nonato da Silva
    Sergio Severo de Albuquerque Maranhão
    Prof. Severino Bezerra de Melo
    Dr. Sílvio Piza Pedrosa
    Dr. Veríssimo de Melo
    Maestro Waldemar de Almeida
    Os trabalhos da etnografia e da pesquisa ficaram enriquecidas no Rio Grande do Norte com a instalação desta sociedade de cultura, que marca o espírito de pioneirismo de Luís da Câmara Cascudo - o incurável provinciano, o maior dos folcloristas do Brasil."




Fonte: Raimundo Nonato, em "Árvores de Costado - histórias que a história esquece". Ano, 1981, páginas 195 e '96.


quarta-feira, 21 de agosto de 2024

sábado, 17 de agosto de 2024

TRILOGIA DE ALUMBRAMENTOS



Na minha vida de folclorista, pesquisador de assuntos os mais vários, eu tive alguns momentos de beleza, que dariam poemas e poemas, da mais fina ternura e emoção.

1- E. SANTO – 16.07.79
Eu vi os artesãos do Espírito Santo, na noite iluminada do Agreste. Eram muitas as mão tecendo sonhos. E os seus donos, sentados nas calçadas, falavam dos assuntos mais banais que a noite, em sua teia de silêncios, escutava e anotava em seus Anais.

Aqui, uma mulher fazia rendas. Logo ali, outra mais tecia cestas. Um velho pescador de muitos anos consertava os estragos da tarrafa, companheira de fartas pescarias, nas águas generosas do Jacu. Um senhor parecido com um solene e austero Deus egipcio fumava. Seu oficio banal, era o oficio de fabricar cigarros e fumar.

E, assim, a rua inteira era uma festa, sob a luz do luar da lua cheia.

Aquele espírito comunitário da gente humilde do Espírito Santo, encheu meu coração de paz e amor, ao ver que ainda existe neste mundo pessoas que se encontram e que encontram nesse encontro de paz e amizade, aquilo que outras mais, jamais encontram.

II-LAGOA DO SAL - 26.10.85

Outra vez foi no pino do meio-dia. Eu ia numa rota de pesquisa que partindo de Touros, se alongava às praias do Gostoso, em São Miguel.

No meio do caminho, eu encontrei em Lagoa do Sal, uma alameda de frondosas mangueiras centenárias e, embaixo das mangueiras seculares, mulheres do lugar, labirinteiras, cumpriam sua sina de Penélopes.

O silêncio do mundo só parava, quando as ondas do mar arrebentavam, por trás do morro, que ficava em frente.

O contraste de tudo era patente. As mulheres do povo, nesse afă de transformar retalhos em tesouros de criatividade e de beleza, que seriam trocados, algum dia, por migalhas de bolsos avarentos;

os rugidos do mar, quebrando longe;

e as mangueiras imóveis e solenes, com sua sombra nobre e acolhedora, protegendo as mulheres do lugar, labirinteiras desde tenra infância, que nascidas um dia, nesse oficio, no mesmo oficio, um dia morrerão.

E tanta comunhão, havia ali, na Lagoa do Sal, naquele instante, que, nem falar, falavam, as mulheres. E seu silêncio grave prolongava, o silêncio das horas, campo fértil donde brotavam brancos labirintos.

III-PENHA - 24.04.2003

O que mais me encantou, porém, não vi. Apenas me contaram meus amigos.

Na cidade de Penha, (antigamente), Canguaretama (agora), aconteceu, no dia 24 de abril de 2003, a morte do brincante Antônio Lima, Capitão Mar-e-Guerra do Fandango.

Antônio Lima era pessoa rara. Conhecido de todos na cidade, conquistara a amizade e o respeito de todos os colegas do Fandango. Por isso, logo após a sua morte, os velhos companheiros decidiram prestar-lhe uma homenagem comovente, como nunca se viu nem se verá.

Foi assim que, vestidos de marujos, desfilaram nas ruas da cidade, cantando compungidos, o romance do "Corsário da India", que começa: "Aqui viemos, Santa Virgem vosso cortejo formar", levando o velho amigo ao cemitério. No Campo Santo, o grupo ainda cantou: "Saltamos desta nobre barca", despedida ao amigo que partia.

Canguaretama nunca viu um gesto, tão nobre nem tão belo, como aquele. Que outro mais, não podia ser igual.

A Cultura do Povo é uma cidade onde ainda persistem os exemplos de solidariedade e de nobreza, que ficarão, marcando para sempre, o passado, o presente e o futuro, dessa gente do povo, sempre amiga.

Deífilo Gurgel 
Poeta e Folclorista

sábado, 10 de agosto de 2024

HISTÓRIAS BREJEIRAS

 

 

Contam os mais velhos que a Florzinha foi uma mocinha que encantou-se. Bonita, com os cabelos loiros na cintura. Daí, o nome de Florzinha. Vive nas matas e é muito fumadeira.

 Caçador que se embrenha na floresta noite adentro, para pegar um peba, um tatu, um veado, mais das vezes topa com ela, que chega e pede fumo. Se o caçador der o fumo,a caçada é generosa. Enche o bornal de caça. Mas, se por moleza, não tiver fumo para Florzinha, não mata nem rato, pois ela bota azar no cabra.

Gosta de correr a cavalo que é uma peste. Tem por costume fazer umas trancinhas nas crinas dele, bem feitinhas e que dão um trabalho danado para desmanchar.

No sítio do Louro, mais das vezes chega um cavalo de trancinhas. Uma noite dessas, Zuza viu um cavalo de Nelson assombrado. Um cavalo manso, nascido e criado aqui neste pasto. Havia corrido desde a terra dos abacaxis e amanheceu dentro desta roça, perto de casa. As crinas cheinhas de tranças.

Uma outra vez, ela pregou uma peça no louro. Deu um assobio no ouvido dele, já de noitinha, lá no fim do mato. Foi quando ele disse:

“Por caridade, eu já estou indo embora. - Botou a foice no ombro e desabou.

“Lá, no Agreste, tinha um velho que gostava muito de caçar. Certa vez, na mata do Bomfim, topou-se com ela, que foi logo perguntando se ele tinha fumo.

“Tenho - respondeu.

“Então me dê um fuminho que é para eu fumar. Agora tem uma coisa, o meu cachimbo é grande, porque é feito do coco da sapucaia. É preciso de muito fumo para encher.

O velho, que tinha bastante fumo na ocasião, forneceu o suficiente para Florzinha encher o pito.

“Olhe, amanhã traga fumo de novo, que eu facilito tudo o que é de casa para você. Agora, não conte nada à sua mulher. Se disser, o pau canta, quando você chegar aqui no mato.

Ele prometeu que não contava a ninguém. No dia seguinte, levou fumo de novo. Foi aí que sua mulher começou a desconfiar. E o que fez? Botou pimenta no fumo sem que o velho desse fé. Chegando lá, ele entregou a encomenda para a Florzinha, quando ela pitou, era só pimenta!

“Já sei, você contou alguma coisa em casa. Agora sabe o que vai acontecer? Vou dar-lhe uma pisa.

Tirou um cipó de brocha e lhe enfincou no couro, fazendo o velho correr até em casa. Quando, todo lenhado, conseguiu abrir as portas, ela disse:

“Sua casa foi quem te valeu, senão você ainda ia apanhar mais.

O velho ficou tão doente de um jeito que nunca mais teve gosto para caçar.

 

Observação: O autor desse texto é Newton Lins.  Fazendeiro e médico. Foi publicado em "O Jornal de Hoje", edição 30 de janeiro de 1998.