quinta-feira, 9 de julho de 2026
LITERATURA POTIGUAR: UM DIREITO QUE AINDA NÃO CHEGOU À SALA DE AULA
( A celebração do 9 de julho e o desafio de consolidar o ensino da literatura local nas escolas e na universidade)
No calendário
oficial do Rio Grande do Norte, o 9 de julho é reservado à celebração da
literatura produzida em terras potiguares. A data, criada pela Lei Estadual
nº 10.622, de 5 de novembro de 2019, pelo Deputado Estadual Sandro Pimentel,
simboliza o reconhecimento de uma
tradição literária que inclui nomes como Câmara Cascudo, Ferreira Itajubá, Manoel
Onofre Jr., Zila Mamede, Diógenes da Cunha Lima, entre tantos outros que
construíram a identidade cultural do estado.
Mas há uma
distância enorme entre o símbolo e a prática.
Passados mais de
seis anos da instituição da data comemorativa, a literatura potiguar segue
ausente do currículo escolar da rede pública estadual. Não há uma disciplina
específica de Literatura Potiguar nas escolas — e, o que é mais grave, também
não há na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), principal
instituição de ensino superior do estado.
Isso significa
que um aluno da rede pública pode percorrer toda a educação básica, ingressar
na universidade e concluir um curso de licenciatura sem ter contato sistemático
com a produção literária do seu próprio estado. Ele estuda a literatura
portuguesa, a brasileira, as escolas literárias europeias — mas não lê os
autores que nasceram e escreveram no mesmo chão que ele pisa.
A consequência é
dupla: empobrece-se a formação do estudante, que perde a oportunidade de se
reconhecer na produção cultural local, e fragiliza-se a própria cadeia
literária potiguar, que carece de leitores, críticos e divulgadores formados
desde a base.
Em 2022, a Lei
nº 11.231/2022 determinou a inclusão de obras de autores potiguares como
tema complementar nas escolas da rede estadual e particular. Foi um passo
importante, mas insuficiente. A lei trata a literatura local como "tema
complementar" — ou seja, algo que pode ou não ser abordado, dependendo da
disponibilidade e da boa vontade de cada escola ou professor. Não há
obrigatoriedade curricular, não há carga horária específica, não há formação
docente continuada para viabilizar o ensino.
Na Universidade
do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), existe a disciplina de Literatura
Potiguar no curso de Letras. É um exemplo que deveria ser replicado. Mas a UFRN,
que forma a maior parte dos professores de língua portuguesa e literatura do
estado, ainda não incorporou a disciplina nem como obrigatória, nem como
optativa regular em sua grade.
Não se trata de
substituir Machado de Assis ou Guimarães Rosa por autores locais. Trata-se de
integrar a literatura potiguar ao percurso formativo do estudante, com a mesma
naturalidade com que se estuda a literatura de outras regiões. Significa:
●
Criar a disciplina de Literatura Potiguar na grade
curricular da UFRN, ao menos como optativa permanente nos cursos de
Letras, formando professores preparados para ensinar o que é nosso;
●
Incluir autores potiguares no currículo da educação
básica não como apêndice, mas como conteúdo programático com carga horária
definida;
●
Produzir material didático acessível — antologias,
coletâneas, guias de leitura — para que professores tenham recursos para
trabalhar em sala de aula;
●
Investir em formação docente continuada, para que o
professor se sinta seguro e instrumentalizado para abordar a produção local;
●
Garantir acervo nas bibliotecas escolares, com obras de
autores potiguares disponíveis para alunos e professores.
O Dia
Estadual da Literatura Potiguar merece ser comemorado — com sessões
solenes, homenagens e eventos culturais. Mas a celebração não pode substituir a
política pública. Enquanto a literatura potiguar não ocupar seu lugar nas salas
de aula e nos currículos universitários, a data corre o risco de ser apenas um
marco simbólico sem correspondência na realidade.
A literatura de
um povo não se preserva apenas com leis e homenagens. Preserva-se formando
leitores. E leitores se formam na escola, com acesso ao texto, com mediação do
professor, com espaço no currículo. Não há atalho. O Conselho Estadual de
Cultura sabe disso, e em 2024 realizou várias sessões sobre esse tema da
Literatura Potiguar, no período de 25 de junho a 24 de setembro daquele ano, com
o intuito de que a Secretaria Estadual de Educação volte a ter essa disciplina
na grade curricular das escolas públicas. Aécio Cândido,
Tarcísio Gurgel, João Batista de
Morais Neto, Alexandre Alves, Humberto
Hermenegildo e Conceição Flores fizeram exposição no CEC. Ainda
esperamos que a Secretaria Estadual de Educação atenda esse clamor.
Que este 9 de
julho sirva não só para lembrar o que temos, mas para cobrar o que ainda
falta.
Francisco
Martins
30 ANOS DO INSTITUTO GENTIL - TRÊS DÉCADAS TRANSFORMANDO VIDAS E LEVANDO CONHECIMENTOS
quarta-feira, 8 de julho de 2026
terça-feira, 7 de julho de 2026
GALERIA NEWTON NAVARRO SERÁ REINAUGURADA DIA 9 DE JULHO
Depois de mais de cinco décadas sem passar por uma intervenção estrutural, a Galeria Newton Navarro será entregue à população em uma nova configuração.
A solenidade de reinauguração do espaço será realizada no próximo dia 9 de julho e, a partir do dia 10, a galeria estará aberta à visitação. As obras de requalificação e ampliação foram realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O investimento foi de R$ 600 mil, por meio da PNAB.
Além das melhorias estruturais, a Prefeitura também iniciou, com recursos próprios, o processo de recuperação de obras do acervo que apresentavam danos causados pela ação do tempo, como fungos e manchas.
“Construída em 1975, a Galeria Newton Navarro não havia recebido uma intervenção dessa dimensão desde sua inauguração. Com a nova configuração, o espaço passa a comportar até três exposições de pequeno porte simultaneamente. A programação será aberta com uma mostra dedicada ao artista plástico Newton Navarro, que dá nome à galeria”, disse a secretária municipal de Cultura e presidente da Funcarte, Iracy Azevedo. A exposição tem como tema " Paisagens Inquietas em Newton Navarro".
A partir da reinauguração, a Galeria Newton Navarro funcionará de terça a domingo, das 9h às 16h, aberta à visitação pública com entrada gratuita.
Dia 9 de julho
17 horas
Local: Fundação Capitania das Artes
Galeria Newton Navarro
Avenida Câmara Cascudo, 434 - Cidade Alta
sábado, 4 de julho de 2026
CAMINHOS DO TEMPO
Há um silêncio que chega com os anos, e ele não é feito apenas da ausência de ruídos, mas da transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos. Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento. A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho.
Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação. Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade. Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.
Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo? Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência. Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.
E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais. Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força. Entendemos que amor não é posse; é liberdade. Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente.
Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos.
Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos.
Seja luz, seja presença, e você será eterno.
Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma.
Viva a VIDA .
Autor: Dr. Jahir Navarro, 98 anos
quinta-feira, 2 de julho de 2026
MINHA PRESENÇA NA REVISTA DA ANRL
Há um sentimento de felicidade que levarei comigo à eternidade. Trata-se da minha participação na Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras- ANRL. A segunda mais antiga instituição cultural do Rio Grande do Norte, que brevemente vai completar 90 anos de fundação.
A Revista foi criada em 1951, portanto, 75 anos de existência. Gosto de acompanhar a sua história e guardo com muito zelo, a coleção das revistas, desde o primeiro número até o mais recente.
Na última edição, nº 87, referente aos meses de abril a junho do corrente ano, foi publicada a minha 11ª participação nesse periódico. Desta vez, com um conto, "O Conclave dos Narizes". Por sinal, o mesmo já foi postado aqui. (vá até esse link e confira: O Conclave dos Narizes)quarta-feira, 1 de julho de 2026
terça-feira, 30 de junho de 2026
ELDER HERONILDES FALECEU NA TARDE DE HOJE
Faleceu na tarde de hoje, 30 de junho de 2026, o escritor Elder Heronildes. Natural de Mossoró, onde nasceu em 9 de setembro de 1933. Estava com 92 anos. Foi ensaísta, cronista, contista, poeta e crítico literário, além de ter sido advogado (turma 1968) e professor universitário, reitor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Teve participação na política, sendo vereador de Mossoró, em 1958 e foi presidente da Academia Mossoroense de Letras.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
quinta-feira, 25 de junho de 2026
CENTELHA DE CORDEL
terça-feira, 23 de junho de 2026
A BELEZA DOS BIBLIOCANTOS CARTONEROS
O evento foi na Biblioteca Municipal Elienai Cartaxo. Cada participante produziu um bibliocanto cartonero, isto é, feito com material reciclado, tendo como base caixas de papelão.
quinta-feira, 18 de junho de 2026
QUINTA CULTURAL NO IHGRN
O bate-papo contará com a participação do sócio efetivo Octávio Santiago, doutor em Comunicação e autor de "Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste". A obra figurou entre os livros mais vendidos do país, foi eleita melhor livro de não ficção de 2025 pela revista literária O Odisseu e levou o autor a festivais literários e entrevistas em diferentes estados brasileiros.
A mediação ficará a cargo da professora Rhayara Lira, historiadora com ampla experiência em produção textual e argumentação para vestibulares e concursos. A entrada é gratuita.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
FRANCISCO MARTINS ANUNCIA SÉRIE DE FÁBULAS COM PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA CRIANÇAS
É com grande
entusiasmo que o autor Francisco Martins anuncia o desenvolvimento de
uma série especial de fábulas destinadas ao público infantil. Este projeto
nasce da profunda convicção de que a literatura é uma das ferramentas mais
eficazes para a formação do caráter e da espiritualidade na infância. Ao unir o
universo lúdico e imaginativo das fábulas a ensinamentos bíblicos fundamentais,
o autor propõe uma experiência de leitura que transcende o entretenimento,
oferecendo às crianças e suas famílias uma base sólida de princípios eternos
apresentados de forma leve e envolvente.
A proposta
central desta série é traduzir conceitos teológicos profundos em narrativas
acessíveis e cativantes. Francisco Martins utiliza a estrutura clássica da
fábula para ensinar valores inegociáveis como a fé, a obediência,
o arrependimento e a redenção. O objetivo é que, através da
identificação com os personagens e seus dilemas, os pequenos leitores possam
compreender a natureza do amor de Deus e a importância de caminhar segundo os
Seus preceitos. Cada história é desenhada para ser uma ponte entre o coração da
criança e a verdade das Escrituras, tornando o aprendizado bíblico uma jornada
de descoberta e encantamento.
A série já conta
com obras fundamentais que exemplificam o compromisso do autor com a qualidade
literária e a fidelidade bíblica. Abaixo, apresentamos os títulos que já
integram este projeto:
●
"For" e "Miga": Esta
história utiliza o simbolismo de pequenos e esforçados personagens para
ilustrar virtudes como a perseverança, a humildade e a lealdade.
No cotidiano cristão, muitas vezes os pequenos atos de fidelidade são os que
mais glorificam a Deus, e esta fábula ensina que o valor de um indivíduo não
reside em seu tamanho, mas na integridade de seu coração.
●
"O Balido de Lumina": Uma narrativa
emocionante que explora a vulnerabilidade e a necessidade humana de cuidado. A
trama foca no momento em que a fragilidade encontra o socorro divino,
destacando a importância do arrependimento e do clamor sincero ao Bom
Pastor. É uma lição inesquecível sobre como a voz de Deus sempre alcança
aqueles que O buscam em meio à escuridão.
●
"Áquila e as Asas da Fé": Uma poderosa
ilustração de redenção e soberania que enfatiza como a confiança
plena no Criador permite que a criança supere as tempestades e os medos
da vida. Através da figura majestosa do resgatador, a história demonstra que o
verdadeiro descanso e a proteção inabalável são encontrados sob as asas da
fidelidade divina. Esta fábula aponta para a segurança absoluta que temos
Naquele que nos resgatou para uma nova vida.
A nova série de
Francisco Martins promete ser uma ferramenta valiosa de discipulado infantil,
auxiliando pais, educadores e líderes ministeriais na nobre missão de instruir
a próxima geração no caminho em que deve andar. O convite é estendido a todos
que desejam investir em um conteúdo que alimenta a alma e fortalece o espírito.
Acompanhe esta série e descubra como as fábulas podem se tornar aliadas
poderosas na transmissão da mensagem do Evangelho para os corações mais jovens.
Quem desejar receber as fábulas, que são gratuítas, basta enviar uma mensagem para o whatsApp do autor (84) 9.8719-4534, escrevendo: quero acompanhar as fábulas. Semanalmente ele envia.
OFICINA DE BIBLIOCANTOS CARTONEIROS VAI ACONTECER EM PARNAMIRIM
A Biblioteca Municipal Elienai Cartaxo, em Parnamirim, oferece a oportunidade para quem desejar aprender a produzir bibliocantos, que ajudam na organização do espaço das bibliotecas. Geralmente no mercado eles são encontrados em metal, acrílico, madeira ou vidro.
Francisco Martins, vai ministrar a oficina na segunda-feira, dia 22 de junho, começando às 14 horas. Nela, será ensinada a técnica de fazer bibliocanto cartoneiro ( usando para a base, material reciclado), com papelão.Temas como as ilustrações do livro "O Pequeno Príncipe", imagens de escritores clássicos ou logomarcas de instituições são inspirações para os bibliocantos.As inscrições podem ser feitas clicando neste link Oficinaterça-feira, 16 de junho de 2026
CENTELHA DE CORDEL
quinta-feira, 11 de junho de 2026
UM CONVITE ÀS AVES
quarta-feira, 10 de junho de 2026
CENTELHA DE CORDEL
Guarnecia seu saber.
Um olhar, mais que distante,
Vislumbrava o querer.
Rugas riscadas na face
Denunciavam o fazer.
Tinha o bardo assuense
Uma voz, "atropelada"
De nome Paulo Varela
Pelo povo respeitada
Dos versos fez o seu pão
Escritos na madrugada.
Foi embora o poeta
Chora o barro que mexeu
As tantas casas de taipa
Que as suas mãos "sorveu"
Fica em nós a saudade
Do poeta que morreu
Mané Beradeiro
10 de junho 2026
PAULO VARELA PARTIU NA TARDE DE ONTEM
O Rio Grande do Norte perdeu uma de suas mentes mais brilhantes da cultura popular. Paulo Varela, o poeta que transformava a gagueira em eloquência absoluta ao declamar seus versos, partiu ontem, em Assu, a "Terra dos Poetas".
Natural de Assu (RN), Paulo Varela, nascido em 30 de julho de 1964, viveu 61 anos e foi um exemplo de superação e talento. Portador de gagueira durante toda a vida, ele surpreendia a todos pela fluência mágica no momento da declamação. Sua projeção nacional ocorreu em 2005, após uma participação memorável no Programa do Jô, onde apresentou a riqueza do "causo" matuto e a métrica rigorosa do cordel potiguar para todo o Brasil.
Ao longo de décadas, Paulo produziu dezenas de folhetos e participou ativamente da cena literária. Gravou Cd's. Paulo Varela não era apenas um poeta de feira; era um acadêmico respeitado que ocupava assentos de honra em instituições de prestígio:
Estação do Cordel, Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN - SPVA. Reconhecido como "Mestre", era peça fundamental neste ponto de memória da poesia popular em Natal.
Academia Assuense de Letras (AAL): Referência constante e homenageado pela produção literária local.
Sua partida deixa saudade nos amigos e admiradores, mas sua voz continua ecoando nas cordeltecas e nos versos de novos poetas que viram nele um mestre. Paulo Varela foi a prova de que a poesia é uma força capaz de superar qualquer barreira física e tocar a alma de um povo.
terça-feira, 9 de junho de 2026
segunda-feira, 8 de junho de 2026
ANRL - 90 ANOS - CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA - EDIÇÃO 007 - AFONSO BEZERRA
Sua produção literária estava espalhada pelos jornais que ele tinha participação. O escritor Manoel Rodrigues de Melo, pesquisou e organizou o livro "Afonso Bezerra - Ensaios, Contos e Crônicas". O livro se tornou realidade trinta anos após o falecimento do autor.
quarta-feira, 3 de junho de 2026
terça-feira, 2 de junho de 2026
GRUPO DE ALUNOS DA ESCOLA ASCENDINO DE ALMEIDA VISITAM AMANHÃ A ANRL
O Contador de Histórias - Francisco Martins - vai receber amanhã, à tarde, um grupo de alunos da Escola Municipal Ascendino de Almeida, localizado no bairro Pitimbu, em Natal. Os alunos serão recepcionados na sede da Academia Norte-rio-grandense de Letras-ANRL, onde conhecerão as instalações da instituição e um pouco da história da casa.
Na oportunidade, pelo público ser infantil, o Contador de Histórias fará uma apresentação lúdica, levando às crianças a verem a sede da ANRL como um grande castelo das letras, no qual há os guardiões dos livros, que são os acadêmicos.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
ESPERANÇA NA HUMANIDADE DE EDGAR MORIN: SABEDORIA NA COMPLEXIDADE DA VIDA
Por Gláucio Tavares Costa*
O amigo e pensador Ítalo de Melo Ramalho iniciou o seu ensaio Teatro das Cortes afirmando que a vida é como um teatro. Por caminho diverso, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer também chegou ao entendimento de que a vida pode ser comparada a um teatro porque, assim como os atores, somos marionetes de uma força cega e insaciável: a "Vontade." O inesquecível compositor Gonzaguinha musicou a indagação: a vida é a batida de um coração ou seria uma doce ilusão? Responder às indagações de Gonzaguinha sobre a vida não é uma tarefa trivial. Sabemos.
Entreato, entre átomos, sugere-se que a vida pode ser uma organização de matérias e energias – que são expressões da mesma substância – imbuídas de animus. Calha dizer nesta reflexão que a substância dessa organização é a linguagem, regente desde aquela expressa disposição de aminoácidos – cada um em seu devido lugar como as letras deste texto – a formar os ácidos nucleicos, que servem de transcrição para a edificação de proteínas a estruturar dada vida de espécie vegetal, ou daquele animal ou de micróbios.
O grau de complexidade alcança as estrelas quando se fala na organização da coletividade humana. Ora, o homem tem natureza biológica, psicológica e social; ou seja, o homem é ao mesmo tempo totalmente biológico e totalmente cultural, e o cérebro, da biologia, e a mente (da Psicologia), são faces diferentes de uma mesma moeda, como apontado por CALUZI e ROSELLA (2024). Essa coligação de elementos proporciona a existência da vontade, do desejo, das emoções, do deslumbramento com o belo, da estranheza, da percepção do universo… Além disso, a vida é muito mais.
Diante dessas constatações, não se deve recusar a ideia de que a vida é uma expressão da complexidade e para tentar desnudar as complexidões é essencial desenvolver a visão crítica. Nesse desiderato, mostra-se como excelente companhia o epistemólogo da complexidade Edgar Morin.
De antemão, nas lições de Morin, questiona-se o paradigma da razão e a ciência como único modo de interpretar a realidade. Isto significa asseverar que outros métodos de conhecimentos são válidos, de modo que não são pode julgar heterodoxo a religação dos conhecimentos dispersos e a integração da cultura científica e da cultura humanística. Em outras palavras, na complexidade “tudo se liga a tudo”. Como o próprio autor afirma no livro Ciência com consciência: “A ciência nunca teria sido ciência se não tivesse sido transdisciplinar” (IZABEL, 2022).
Com efeito, a Teoria da Complexidade de Edgar Morin é uma abordagem crítica sobre a fragmentação do conhecimento e propõe a religação dos saberes dispersos ou seja: “contextualizar e globalizar saberes até então fragmentados e compartimentados...” (MORIN, 2000a, p. 06). Faz-se assim a união entre áreas como ciências humanas e exatas, cultura e filosofia para compreender a realidade de forma mais integrada e não linear. Para Morin, complexidade não significa "complicado", mas sim algo que é "tecido em conjunto" e que abrange a incerteza, a ambiguidade e a interconexão entre os fenômenos (PEREIRA, 2002). Superando a ideia simplificadora, a complexidade propõe o princípio da relação entre o objeto e o sujeito pesquisador-conceituador, que tanto o percebe quanto o concebe.
Diante disso, os pontos cardeais da Teoria da Complexidade de Edgar Morin podem ser considerados: crítica à fragmentação do saber: Morin critica a divisão rígida dos saberes em disciplinas isoladas, o que impede a obtenção de uma visão holística da realidade; religação dos saberes: a teoria defende a necessidade de unir conhecimentos de diferentes áreas para uma compreensão mais completa, como o ensino que integra história, sociologia, psicologia e economia; complexidade como "tecido em conjunto": o termo vem do latim complexus e refere-se à interconexão de elementos que formam um todo, incluindo o que parece simples e os limites do próprio conhecimento; aceitação da incerteza: a teoria reconhece que a realidade é não linear, caótica e em constante mudança, exigindo a aceitação da incerteza, da ambiguidade e da incompletude; transdisciplinaridade: propõe um trabalho integrado entre os saberes, indo além da multidisciplinaridade e interdisciplinaridade, e buscando uma união mais profunda entre os conhecimentos; aplicação na educação: no contexto educacional, a teoria sugere que os professores colaborem para criar aulas mais significativas, conectando os conteúdos com a realidade dos alunos, que são expostos a um mundo cada vez mais complexo; princípio do "pensamento complexo": trata-se da arte de reunir o máximo de certezas para lidar com o incerto, integrando informações e formulando esquemas de ação.
Comporta assinalar que Morin reflete na sua obra “Os sete saberes necessários à educação do futuro” sobre as necessidades da educação no século XXI, tratando de alguns problemas específicos, chamados de buracos negros, existentes tanto do ensino fundamental, médio e superior, e que são ignorados nos programas educativos, mas em sua opinião deveriam estar no centro das atenções dos que se preocupam com a formação de jovens e futuros cidadãos. Um dos problemas ou “buracos negros” abordados, refere-se ao conhecimento, fornecido pelo ensino, que fornece saberes, mas, não revela o que é de fato o conhecimento; e - nesse caso - incorre em dois outros problemas: o erro e a ilusão (CALUZI e ROSELLA, 2024). A referida obra oferece um catálogo dos sete saberes: (i) as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão; (ii) os princípios do conhecimento pertinente; (iii) ensinar a condição humana; (iv) ensinar a identidade terrena; (v) enfrentar as incertezas; (vi) ensinar a compreensão; (vii) a ética do gênero humano.
Edgar Morin nos advertiu, em suma, que enfrentamos persistentes ameaças à dignidade humana, como as armas de destruição em massa, a degradação ambiental, a total informatização dos dados relativos à vida pessoal, mas que há no nosso caminhar oportunidades de construção de um sistema mais rico e complexo, com grandes promessas para a humanidade. É essencial termos esperança!
REFERÊNCIAS
ALVES, Roger F. Pacheco (2020). Invenção de mundos como Dispositivo Complexo de Aprendizagem: cartografia de uma (trans)formação docente. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Pampa. Disponível em: <https://sites.unipampa.edu.br/sacci/files/2023/09/dissertacao-dispositivos-complexos-de-aprendizagem.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2025.
BLAY, Ênio Alterman (2024). Edgar Morin e o que chamamos de “pensamento complexo”. Revista de Ensino Superior. Disponível em: <https://jornal.usp.br/articulistas/enio-alterman-blay/edgar-morin-e-o-que-chamamos-de-pensamento-complexo-parte-1/>. Acesso em: 02 nov. 2025.
CALUZI, João e ROSELLA, Marcelo L. Aroeira (2024). Edgar Morin: A Complexidade subsidiando o ensino de Ciências. Disponível em: <https://fep.if.usp.br/~profis/arquivo/encontros/enpec/ivenpec/Arquivos/Orais/ORAL064.pdf#:~:text=Desta%20forma%20%C3%A9%20necess%C3%A1rio%20submeter%20%C3%A0%20reflex%C3%A3o,latino%20(complexus%20%E2%80%9Co%20que%20est%C3%A1%20tecido%20junto%E2%80%9D).>. Acesso em: 24 nov. 2025.
FONSECA, E. R. da. Schopenhauer e o teatro: ilusão, resignação e sabedoria de vida. Voluntas: Revista Internacional de Filosofia, [S. l.], v. 9, n. 2, p. 67–83, 2018. DOI: 10.5902/2179378636053. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/voluntas/article/view/36053. Acesso em: 24 nov. 2025.
IZABEL, Petraglia (2022). Edgar Morin e o pensamento complexo. Revista de Ensino Superior. Disponível em: <https://revistaensinosuperior.com.br/2022/01/12/edgar-morin-e-o-pensamento-complexo/>. Acesso em: 02 nov. 2025.
ROLLEMBERG, Marcelo (2021). Cem anos de sabedoria e complexidades. Jornal da USP. Disponível em: <https://jornal.usp.br/cultura/cem-anos-de-sabedoria-e-complexidades/>. Acesso em: 02 nov. 2025.
PEREIRA, Reinaldo Arruda (2002). A Ciência Moderna, a Crise dos Paradigmas e sua relação com a escola e como o currículo. Dissertação de mestrado apresentado na PUC/MG. Disponível em:<https://bib.pucminas.br/teses/Educacao_PereiraRA_1.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2025.
*Gláucio Tavares é ensaísta, mestrando em Direito pela Universidad Europea del Atlántico, graduado em Farmácia pela UFRN e ativista político pela democracia.
quarta-feira, 27 de maio de 2026
terça-feira, 26 de maio de 2026
sexta-feira, 22 de maio de 2026
quinta-feira, 21 de maio de 2026
CENTELHA DE CORDEL
Sextilha do folheto: "O Grande Jogo - Cordel da vida e da bola", de Mané Beradeiro.
Imagens criadas por IA
terça-feira, 19 de maio de 2026
segunda-feira, 18 de maio de 2026
MPRN E DPU AJUÍZAM AÇÃO PARA GARANTIR REFORMA URGENTE NA PINACOTECA DO ESTADO





















