segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A GENTE É NA VIDA VIRTUAL O QUE É NA VIDA REAL

Por Ivana Lucena
Uma amiga justificava o motivo pelo qual ela rejeitava a ideia de ter uma página no Face book. O seu argumento, naquela hora, me pareceu preconceituoso. Ela alegava que se tratava de um espaço meramente artificial, de pessoas que fingiam uma felicidade e se expunham o tempo inteiro com fotos e narrações pessoais.
 Contra-argumentei dizendo que o Face book é apenas uma ferramenta, cada um faz uso dela como bem entende. Falei que ela precisa conhecer as outras possibilidades que essa ferramenta oferece;  que pessoas inteligentes também a utilizam para se encontrar para se comunicar umas com as outras; para lançar ideias significantes; divulgar eventos importantes; reencontrar pessoas distantes e também fazer amizade com pessoas que fora do mundo virtual seria praticamente impossível dada a distância física e até  barreiras sociais.
Embora eu realmente mantenha esse discurso porque acredito nele, devido a nossa conversa, comecei a prestar mais atenção no Face book e conclui que os  exemplos que ilustram os seus argumentos aparecem com mais frequência e intensidade do que os exemplos que ilustram o meu.
Comecei a me incomodar com tanta futilidade e discurso vazio que se apresenta na rede social e olhe que não estou me referindo a jovens e pessoas de pouca cultura que, por sua própria condição, se justifica tal comportamento.
Incomoda-me, de verdade, assistir algumas pessoas “esclarecidas” expondo no Face book declarações como: “Eu te amo meu marido e agradeço a Deus por esse homem maravilhoso que tenho ao meu lado”, ou, “Parabéns Filho, pelo seu esforço.” Pergunto: A quem realmente interessa essas declarações? Fica claro para mim, nesses casos, a necessidade de um exibicionismo  que leva à vulgarização  relações  preciosas e intimas.
E, aquelas pessoas que postam coisas como: “Olha o que eu vou comer hoje no jantar!”; “Olha o meu look para ir ao Shopping” ou “Olha o que aconteceu com a minha unha.”?
Gente, eu nem consigo decifrar direito tais comportamentos. Trata-se de carência de socialização? Ou segue somente a linha do exibicionismo vulgar?
Algumas vezes também me exibi no Face book, pousando para fotos; compartilhando imagens de lugares que visitei e achei bonitos; imagens com amigos em eventos e coisas desse tipo. Está relacionado a minha autoestima? Sim. Acho que o Face book é mesmo um espaço também para isso.
O que estou tentando refletir é sobre o limite do exibicionismo, sobre o bom senso na exposição social de sim mesma. Falo do Cuidado que devemos ter para não nos jogarmos como pessoas carentes, nos mostrando o tempo inteiro à espera de elogios. Penso que devemos evitar também postar coisas sérias e sentimentos que precisam ser ditos particularmente às pessoas que amamos e as que realmente interessam ouvir.
De resto, o Face book é um grande espaço de mídia democrática e de diversão. Vamos aproveitar!

Não se iludam, cada um é na vida virtual do mesmo jeitinho que é na vida real. 


http://mulhermaeprofessora.blogspot.com.br/2013/12/a-gente-e-na-vida-virtual-o-que-e-na.html