sexta-feira, 4 de novembro de 2016

PEDIDO

Moça, case com eu.
Garanto que à tardinha
Quando o sol se aquietar,
Quando a jandaíra no cortiço se deitar,
Eu, homem de gado, doutô neste sertão,
Cantarei um aboio pra acalmar seu coração.

Moça, eu garanto ter as orelhas acessas
Pra tudo que é gosto seu.
Quero acasalar meus sonhos com os desejos seus.
Vamos juntar os cacarecos.
Prometo, nunca que vai faltar sal trazido do surrão.
E toda minha sustança, este rancho, o juazeiro,
O terreiro infinito, as estrelas do gibão.
Tudo isso vai ser seu,  minha flor deste sertão.

Moça, se você dizer que não.
Vou ficar espritado.
Viverei sempre cismado.
Fecharei meu coração.
Perto dele eu farei uma cerca de arame
plantarei uma saia de xique -xique
Pra ninguém se aproximar.
E, acredite moça, se por ela alguém passar,
Logo à frente vai se deparar com duas cercas:
Uma de pedra e  outra de avelos, pois mais ninguém irei amar.

Moça, pelas chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Case com eu!

Mané Beradeiro
Natal-RN, 4 de novembro de 2016