
"Eu não tenho medo da morte. Só não quero estar lá quando ela aparecer"
Woody Allen



Evento acontece nesta segunda-feira (02/11) com surpresas, convidados especiais e muitas homenagens
O Show Diga Sim ao Bem, promovido pela Casa do Bem, está com tudo pronto para sua realização na próxima segunda-feira (02/11), às 19h, no Teatro Alberto Maranhão. A produção geral do espetáculo é do professor de balé Heberth Gleydson, que também comanda o cerimonial ao lado da criança Maria Eduarda, de sete anos.
“Há dois meses trabalho na construção do espetáculo e tudo foi preparado com muito carinho. Além das apresentações dos projetos e ações desenvolvidas pela Casa do Bem e da participação do Coral Infantil, do Grupo de Dança Ritmo Bom, do Grupo Vocal Casa do Bem, dos Capoeiristas do Bem, do teatro dos Surfistas, ainda teremos homenagens e muitas surpresas. Será um show muito especial”, conta Heberth Gleydson.
O produtor trabalha com a Casa do Bem há dois anos e coordena o Grupo de Dança Ritmo Bom, responsável pela abertura do show. “O nosso balé será o momento de glamour do espetáculo. Vamos apresentar um figurino baseado no Circo de Soleil, coreografias do balé clássico e contemporâneo e vamos fazer uma homenagem ao bailarino e ator Patrick Swayze, astro de 'Dirty dancing' e 'Ghost', que morreu em setembro após uma batalha contra um câncer” revela Gleydson. Segundo ele, outro destaque da noite será a presença da renomada bailarina Flora Quaresma, do Conservatório de Dança do Rio de Janeiro, convidada especial que vai apresentar uma coreografia elaborada para o momento. 
O Show Diga Sim ao Bem é realizado anualmente e compreende um momento de apresentação dos projetos humanitários da Casa do Bem para todos os interessados, com entrada franca. De acordo com o presidente da entidade, o escritor Flávio Rezende, a ação tem duas finalidades: uma delas é oferecer um ambiente de alto nível cultural da cidade para que os jovens que participaram durante todo o ano de diferentes projetos culturais possam mostrar aos amigos, familiares e à sociedade em geral o que aprenderam; e a outra idéia é a prestação de contas para todos aqueles que ajudam de alguma maneira os 22 projetos em andamento.
O evento conta com a iluminação de Castelo Casado e som de Helisom e tem a colaboração da CVC Natal, Sebrae/RN, COT, Toli, Potiguar Turismo, Hotel Pirâmide, Inter City Premium, MSom, Viação Cidade das Dunas, Transflor, Ângela Dieb, entre outros parceiros. Mais informações: Flávio Rezende pelo telefone (84) 9902-0092 ou Heberth Gleydson pelo (84) 8853-9625.




Por Flávio Rezende *
Minha querida e amada Mel, painho passa a escrever estes relatos, na esperança de que um dia possas ler e refletir sobre o mundo que vivi junto com sua mãe e seu irmãozinho Gabriel e, o que está vivendo ao ler estes escritos.
Este primeiro encontra você na barriga de Deinha aos 8 meses de gravidez. Provavelmente você abrirá seus olhinhos em novembro, nos proporcionando o prazer e a alegria de lhe ter fisicamente, uma vez que espiritualmente já sentimos sua presença entre nós.
Neste momento estou em Goiânia, uma cidade bem longinha da que moramos e que me atraiu por causa de um congresso de jornalistas e da vontade de conhecer.
Ontem assisti a um belo filme onde a personagem afirmou que quase 90% das pessoas que chegam ao planeta para uma experiência no plano material, são frutos de acidentes. Infelizmente a grande maioria surge depois de noites de bebedeiras e outras tantas não foram planejadas.
No seu caso, você está incluída no grupo da minoria. Eu e sua linda mãe lhe desejamos muito, namoramos muito para que pudesse vir ao nosso encontro, sempre com o apoio e o carinho do seu amável irmãozinho Gabriel.
A torcida em torno de sua vinda sempre foi grande por parte de todos os amigos e familiares. Seu nome também não foi difícil de ser escohido. Quando sua mãe o sugeriu, aceitei de imeditato, então dá para perceber que com você tudo foi sem problemas e continua sendo, com sua mãezinha recebendo elogios médicos, praticando sua ginástica sem problemas e, nós, viajando muito para que você, logo no ventre materno, pudesse ir percebendo o mundo a sua volta.
E este mundo pode ser observado de várias maneiras. Tem quem diga que ele é horrível, cheio de pessoas más, de crimes, guerras, fome, estupros e mentirosos.
Realmente tudo isso existe, mas, felizmente tem quem observe este lindo planeta azul pelo prisma do amor, pelo ângulo das coisas boas e das pessoas de bem.
Os que amam o planeta que moramos e que sabem da existência de fatos lamentáveis, procuram trabalhar para que tudo torne-se melhor. Essas pessoas são chamadas de humanistas, sonhadoras, visionárias.
São poucas, mas tão importantes para nossa sobrevivência quanto o oxigênio que respiramos e os alimentos que ingerimos.
Sem aqueles que são bem humorados, que dividem seus bens materiais e seu tempo com os menos favorecidos, sem os que escrevem, cantam, dançam, pintam e celebram um mundo melhor, tudo estaria bem mais difícil e poderíamos estar mergulhados nas trevas da cultura do lixo e na mediocridade dos egoístas hipócritas.
Hoje caminhei por um lindo bosque. Nosso planeta é belo e o compartilhamos com irmãos de outros reinos. Eu e sua mãe respeitamos a vida que existe nos animais e nos abstemos de comer qualquer tipo de carne.
Estamos sempre atentos a questões importantes na atualidade, como a reciclagem do lixo, o não uso de substâncias psicotrópicas, não temos nenhum vício e consideramos o açúcar um mal para nossos corpos.
Procuraremos lhe guiar em nosso planeta pelos caminhos da luz. Estamos envolvidos com uma ONG chamada Casa do Bem. Disponibilizamos nosso tempo para amenizar a dor do próximo. Percebendo inúmeros problemas num violento bairro que painho morou por 15 anos, preferimos deixar as críticas ao governo num segundo plano, arregaçar as mangas e tentar mudar um pouco da realidade desfavorável para alguns.
Nosso trabalho oferece ocupação do tempo de maneira sadia, com esportes e atividades culturais, pois sabemos que no vácuo dos segundos, vidas são encaminhadas para obscuros caminhos trevosos.
Levamos jovens e idosos para lugares que normalmente eles não iriam por questões financeiras, de transporte ou de preguiça mesmo.
Ajudamos a reformar casebres, oferecemos educação, alimentação e, principalmente, esperança e auto-estima para muitos.
Crescerás e vivenciarás este compromisso que temos com as pessoas que estendem a mão para nós.
Não verás seus pais perdendo tempo e cometendo suicídio lento, gradual e seguro em ambientes que priorizam o uso de álcool e de alimentos gordurosos e carnívoros, não testemunharás o uso de linguagem chula e nem ouvirás reproduzidos em equipamentos de som as músicas que denigrem a condição feminina e banalizam a espécie humana.
O mundo, como lhe disse, está ai, mas temos o livre arbítrio de estarmos nele com alegria e felicidade, ou tristeza e amargura.
Somos felizes, alegres, acreditamos poder ajudar de alguma maneira, combinamos ter você e, recebendo-a, seremos seus guias, pelos melhores caminhos que nosso planeta pode oferecer.
Demonstraremos nosso amor por você, amada Mel, quando lhe educarmos com o respeito ao próximo e pudermos lhe conduzir com muito carinho, pela senda da liberdade, da igualdade e da fraternidade.
Seja bem vinda, nosso planeta é lindo e sua família lhe abriga com o puro amor dos que amam felizes.
* Pai, escritor, jornalista e ativista social em Natal-RN (escritorflaviorezende@gmail.com)
Para Nevinha (minha primeira e inesquecível professora)
Se um dia você não tivesse me ensinado as letras, não tivesse me ensinado a ouvir a música das sílabas e não tivesse me revelado o segredo das palavras, eu seria mais um analfabeto nesta multidão.
Mas você com seu carisma e seu amor, pegou minha mão pequenina, ajeitou nela o lápis e numa folha de papel foi delineando o alfabeto.
Fez-me rabiscar, circular, desenhar, pintar, escrever, e neste exercício eu fui descobrindo um mundo maravilhoso. Aprendi aos poucos a ler e viajei por histórias fantásticas e inesquecíveis.
Foi você quem plantou em mim a semente da sabedoria, as outras que vieram depois fizeram o serviço do lavrador.
Hoje, já passados trinta e um anos daquela primeira aula, do nosso primeiro encontro, onde um dia eu bati a sua porta vestindo calça curta e trazendo tão somente a cartilha e um lápis apontado, penso em você que ainda continua a ensinar outros meninos.
O mundo mudou muito, a minha vida também, mas nada, nada é capaz de diminuir o sentimento de amor e gratidão que sinto por minha professora.
Foi por seu esforço que sabendo ler, meus olhos contemplaram e meu coração guardou os ensinamentos da sagrada escritura.
Foi por sua dedicação, que aprendendo a escrever, quando rapaz eu pude revelar meus sentimentos ao primeiro amor.
Foi por saber estas coisas que pude ensinar aos meus filhos as tarefas escolares.
Enfim, tudo teve origem naquela manhã em que você tocou minha face, acariciou meus cabelos e disse: “Vem, vou te ensinar a ler e escrever”.
E por isto que eu faço para você este poema. Ele pode não ter o valor de um diamante, o brilho do ouro mais refinado, mas contém toda a minha gratidão, meu afeto e meu amor por aquela que foi, é e sempre será minha inesquecível professora.

Temo que um dia meus olhos despertem sem luz.
25.04.2007
Zé Braz, fazendeiro e ex-prefeito de Acari, estava pagando uma promessa na festa da padroeira daquela cidade, fazendo a penitência carregando uma pedra na cabeça e andando descalço, durante a procissão. No meio dos devotos, alguém grita:


















( Mais um conto da minha obra inédita Sapoteratura).