domingo, 1 de novembro de 2009

ASSIM DISSERAM ELES


"Eu não tenho medo da morte. Só não quero estar lá quando ela aparecer"

Woody Allen

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO


Como amanhã é o Dia de Finados, o causo de hoje é sobre um falso defunto. Fui buscar esta história, assim como as demais, na imensa literatura que existe sobre o tema espalhada por aí. Desta vez bebi na fonte da grande Cora Coralina, no livro "Estórias da casa Velha da Ponte", edição de 1987.
Vamos então ao causo.
"Seu Maia" teve um ataque de catalepsia e foi tido como morto. Ele era casado com Dona Placidina, que já não estava tão encantada com o marido que há muitos anos vivia maltratando-a. Como é costume naquelas terras de Goiáis, Dona Placidina com muita alegria e prazer preparou o velório, fazendo bolachas, servindo café, bolo, outras comidas e até mesmo pinga.
Finalmente chega a hora de levarem "Seu Maia" para o cemitério. Os homens partem carregando o caixão, segurando-o pelas alças, alguns estão em estado de fogo, fruto da tamanha quantidade de pinga absorvida. E entre uma rua e outra em direção ao cemitério, quando dobram um esquina, o caixão de "Seu Maia" vai de encontro a um lampião que havia naquela esquina. O Choque é intenso, o poste de ferro do lampião da Rua do Fogo despedaça o caixão, fazendo com que "Seu Maia" acorde do ataque e fique sentado no meio da rua. O povo corre... é grande o alvoroço na cidade.
Dona Placidina fica triste.
Alguns meses depois, realmente "Seu Maia" morre de verdade e desta vez, quando o caixão vai saindo de casa para o cemitério Dona Placidina Adverte: "--Cuidado com o lampião da Rua do Fogo, não vão fazer como da outra vez".

A MORTE

A morte é como um golpe inexorável,
Desferido, sem pena, contra a vida,
Separando a família unida...
Dissipando a fortuna mais durável.

O grande, o rico, o pobre, o miserável,
A gente mais famosa, mais temida,
A morte leva tudo de vencida,
Na fúria mais cruel, mais indomável.

Mas a morte do justo é tão preciosa
Que, sofrendo...morrendo...ele já goza,
Qual nauta que escapasse do escarcéu.

Se arrasta para o inferno o pecador,
Se espalha pelo mundo, o pranto, a dor,
A morte leva os santos para o céu!...


Dom Marcolino Dantas
Livro: Dom Marcolino Dantas por ele mesmo, do Côn. José Mário de Medeiros

sábado, 31 de outubro de 2009

ASSIM DISSERAM ELES...

"Onde a morte está, eu não estou. Onde estou a morte não está. Por quê me preocupar?"

Lucrécio, filósofo latino.

DESPEDIDA


Quando se vai deve-se ir de tal forma que a sua ausência provoque saudades.
Quando se parte deve-se ir de tal maneira que o meio usado para sua partida sirva de divisor nas vidas pela qual você passou.
Quando de despedir, faça isto de forma singular, tão própria e sua, cujas marcas fiquem tatuadas se possível no coração e na alma de quem recebe seu adeus.
Quando enfim, decididamente, tomar a resolução de não mais viver juntos a estes, lembre-se que a despedida é muitas vezes unilateral, e por assim ser, leve consigo a lembrança das melhores virtudes que você visualizou em seus amigos e companheiros de trabalho.
Por fim, vá, parta, mas não feche as portas que passar, nem derrube as pontes que atravessar, pois tanto uma como a outra levam você a seus amigos.


Francisco Martins
Livro: Degustando Poesia, página 83.

MORRER



Morrer! Que certeza indesejável.
Diz o crente que morrer é ir ao encontro definitivo com o Criador.
Diz o gnóstico que é desfazer-se uma vez mais da capa corporal.
Diz o materialista que é o fim da jornada.
Mas, o que diz o poeta?
Morrer é abandonar o casulo onde durante algum tempo se viveu. É terminar de cantar a última estrofe da existência. É deixar que se pense que tudo terminou.
Morrer é proporcional ao viver. É tão natural quanto morrer.

Natal-RN, 01 de abril de 1999.

Francisco Martins
Livro: Degustando Poesia, página 76.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tudo pronto para o Show Diga Sim ao Bem


Evento acontece nesta segunda-feira (02/11) com surpresas, convidados especiais e muitas homenagens

O Show Diga Sim ao Bem, promovido pela Casa do Bem, está com tudo pronto para sua realização na próxima segunda-feira (02/11), às 19h, no Teatro Alberto Maranhão. A produção geral do espetáculo é do professor de balé Heberth Gleydson, que também comanda o cerimonial ao lado da criança Maria Eduarda, de sete anos.

“Há dois meses trabalho na construção do espetáculo e tudo foi preparado com muito carinho. Além das apresentações dos projetos e ações desenvolvidas pela Casa do Bem e da participação do Coral Infantil, do Grupo de Dança Ritmo Bom, do Grupo Vocal Casa do Bem, dos Capoeiristas do Bem, do teatro dos Surfistas, ainda teremos homenagens e muitas surpresas. Será um show muito especial”, conta Heberth Gleydson.

O produtor trabalha com a Casa do Bem há dois anos e coordena o Grupo de Dança Ritmo Bom, responsável pela abertura do show. “O nosso balé será o momento de glamour do espetáculo. Vamos apresentar um figurino baseado no Circo de Soleil, coreografias do balé clássico e contemporâneo e vamos fazer uma homenagem ao bailarino e ator Patrick Swayze, astro de 'Dirty dancing' e 'Ghost', que morreu em setembro após uma batalha contra um câncer” revela Gleydson. Segundo ele, outro destaque da noite será a presença da renomada bailarina Flora Quaresma, do Conservatório de Dança do Rio de Janeiro, convidada especial que vai apresentar uma coreografia elaborada para o momento.

O Show Diga Sim ao Bem é realizado anualmente e compreende um momento de apresentação dos projetos humanitários da Casa do Bem para todos os interessados, com entrada franca. De acordo com o presidente da entidade, o escritor Flávio Rezende, a ação tem duas finalidades: uma delas é oferecer um ambiente de alto nível cultural da cidade para que os jovens que participaram durante todo o ano de diferentes projetos culturais possam mostrar aos amigos, familiares e à sociedade em geral o que aprenderam; e a outra idéia é a prestação de contas para todos aqueles que ajudam de alguma maneira os 22 projetos em andamento.


O evento conta com a iluminação de Castelo Casado e som de Helisom e tem a colaboração da CVC Natal, Sebrae/RN, COT, Toli, Potiguar Turismo, Hotel Pirâmide, Inter City Premium, MSom, Viação Cidade das Dunas, Transflor, Ângela Dieb, entre outros parceiros. Mais informações: Flávio Rezende pelo telefone (84) 9902-0092 ou Heberth Gleydson pelo (84) 8853-9625.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

NOVO LIVRO DO CÔN. JOSÉ MÁRIO NAS BANCAS


O mais novo livro do Côn. José Mário de Medeiros, Dom Marcolino Dantas por ele mesmo, foi lançado hoje à noite, em Natal. É um livro indispensável para quem aprecia a história da Igreja e da Cidade do Natal.
Parabéns ao Côn. José Mário e aguardamos com ansiedade os outros dois volumes que virão completar esta pesquisa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO



Quantas mulheres você conhece que mora em Natal e já teve a oportunidade de ter nas mãos os testículos do Governador? PELAS CARIDADES, NÃO PRECISA RESPONDER!
Mas, quando Natal era uma cidade pequena ( início dos anos 40), e o Estado tinha como interventor o Dr. Rafael Fernandes, existia nesta cidade uma mulher por nome SIMOA. "Simoa era preta, comprida, tipo lazarina" escreveu Augusto Severo Neto.
Pois bem, numa tarde, como de costume, Rafael Fernandes desceu à Rua Chile e foi visitar a firma Fernandes & Cia, que pertencia aos seus familiares. De longe, acompanhava o ajudante -de-ordens, um capitão da polícia militar. E lá vinha Dr. Rafael Fernandes, trajando um terno de linho branco, chapeu de massa e fumando um charuto.
Quando Nezinho Fernandes, seu parente, que estava conversando com Simoa, percebeu a aproximação do Dro. Rafael, ele, Nezinho, propôs a Simoa a quantidade de 20 pratas para que em troca ela arrrochasse os "documentos" de Rafael Fernandes. Simoa aceitou o desafio e partiu para executar a missão confiada.
O Interventor ficou a ver navios na Rua Chile, encurvado com a dor nos tésticulos e o ajudante- de -ordens procurando debalde a louca Simoa que já estava longe com as 20 pratas. Enquanto isto, Nezinho ria acocorado na porta da sua firma, ria de forma descontrolada.

Causos da nossa cultura. Colheita de Mané Beradeiro.

Fonte Livro: " de Lírico e de Loucos" , de Augusto Severo Neto, página 17 e 18. Ed. Clima. 1ª Ed. 1980.

FOI ASSIM NO EMÍLIA RAMOS


O Palhaço Leiturno, em recente (15/10) apresentação na Escola Municipal Emília Ramos, no bairro de Cidade Nova, em Natal-RN.
Nesta tarde, a festa era das crianças e Leiturino apareceu por lá levando histórias e brincadeiras.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ALUNOS DA FACEX TERÃO PALESTRA SOBRE EDGAR BARBOSA


Terça feira próxima, o escritor Francisco Martins Alves Neto estará a convite da FACEX-Faculdade de Ciências, Cultura e Extensão do RN, ministrando uma palestra sobre o centenário de nascimento do escritor potiguar Edgar Barbosa, para os alunos do curso de letras daquela instituição.

Edgar Barbosa é considerado o maior escritor do Rio Grande do Norte, no que diz respeito ao uso e estilo da norma culta. Seus artigos, suas crônicas e ensaios são mostras incontestáveis desta verdade.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

ASSIM DISSERAM ELAS...


"Professores sem prazer não podem formar leitores desejantes."

Marly Amarilha
Livro: Estão Mortas as Fadas?, página 25


Visite o site www.ccsa.ufrn.br/ccsa/docente/marlyamar/main.htm

VOCÊ SABIA?

LOURIVAL AÇUCENA - O PRIMEIRO POETA DO RN

Mês de outubro é importante lembrar de Lourival Açucena, o primeiro poeta do Rio Grande do Norte. Tocador de violão, boêmio, seresteiro. Seu nome legítimo era Joaquim Eduvirgens de Melo Açucena. Nasceu em 17 de outubro de 1827, na antiga Rua da Palha.
Aos 22 anos casou e deixou nada mais nada menos que 32 filhos, sendo 13 naturais.
Sabia de cor "Os Lusíadas", além de inúmeros poemas.
Na vida foi também porteiro dos Correios, escriturário da Guarda Nacional, 1° Oficial da Secretaria do Governo, além de Juiz de Paz e delegado de polícia.
Faleceu em 28 de março de 1907, na cidade de Natal.
Na Academia Norteriograndense de Letras, Lourivak Açucena é o patrono da Cadeira 4.

domingo, 18 de outubro de 2009

RELATOS PARA MEL




Observações cotidianas de um pai que ama a vida –

Por Flávio Rezende *

Minha querida e amada Mel, painho passa a escrever estes relatos, na esperança de que um dia possas ler e refletir sobre o mundo que vivi junto com sua mãe e seu irmãozinho Gabriel e, o que está vivendo ao ler estes escritos.

Este primeiro encontra você na barriga de Deinha aos 8 meses de gravidez. Provavelmente você abrirá seus olhinhos em novembro, nos proporcionando o prazer e a alegria de lhe ter fisicamente, uma vez que espiritualmente já sentimos sua presença entre nós.

Neste momento estou em Goiânia, uma cidade bem longinha da que moramos e que me atraiu por causa de um congresso de jornalistas e da vontade de conhecer.

Ontem assisti a um belo filme onde a personagem afirmou que quase 90% das pessoas que chegam ao planeta para uma experiência no plano material, são frutos de acidentes. Infelizmente a grande maioria surge depois de noites de bebedeiras e outras tantas não foram planejadas.

No seu caso, você está incluída no grupo da minoria. Eu e sua linda mãe lhe desejamos muito, namoramos muito para que pudesse vir ao nosso encontro, sempre com o apoio e o carinho do seu amável irmãozinho Gabriel.

A torcida em torno de sua vinda sempre foi grande por parte de todos os amigos e familiares. Seu nome também não foi difícil de ser escohido. Quando sua mãe o sugeriu, aceitei de imeditato, então dá para perceber que com você tudo foi sem problemas e continua sendo, com sua mãezinha recebendo elogios médicos, praticando sua ginástica sem problemas e, nós, viajando muito para que você, logo no ventre materno, pudesse ir percebendo o mundo a sua volta.

E este mundo pode ser observado de várias maneiras. Tem quem diga que ele é horrível, cheio de pessoas más, de crimes, guerras, fome, estupros e mentirosos.

Realmente tudo isso existe, mas, felizmente tem quem observe este lindo planeta azul pelo prisma do amor, pelo ângulo das coisas boas e das pessoas de bem.

Os que amam o planeta que moramos e que sabem da existência de fatos lamentáveis, procuram trabalhar para que tudo torne-se melhor. Essas pessoas são chamadas de humanistas, sonhadoras, visionárias.

São poucas, mas tão importantes para nossa sobrevivência quanto o oxigênio que respiramos e os alimentos que ingerimos.

Sem aqueles que são bem humorados, que dividem seus bens materiais e seu tempo com os menos favorecidos, sem os que escrevem, cantam, dançam, pintam e celebram um mundo melhor, tudo estaria bem mais difícil e poderíamos estar mergulhados nas trevas da cultura do lixo e na mediocridade dos egoístas hipócritas.

Hoje caminhei por um lindo bosque. Nosso planeta é belo e o compartilhamos com irmãos de outros reinos. Eu e sua mãe respeitamos a vida que existe nos animais e nos abstemos de comer qualquer tipo de carne.

Estamos sempre atentos a questões importantes na atualidade, como a reciclagem do lixo, o não uso de substâncias psicotrópicas, não temos nenhum vício e consideramos o açúcar um mal para nossos corpos.

Procuraremos lhe guiar em nosso planeta pelos caminhos da luz. Estamos envolvidos com uma ONG chamada Casa do Bem. Disponibilizamos nosso tempo para amenizar a dor do próximo. Percebendo inúmeros problemas num violento bairro que painho morou por 15 anos, preferimos deixar as críticas ao governo num segundo plano, arregaçar as mangas e tentar mudar um pouco da realidade desfavorável para alguns.

Nosso trabalho oferece ocupação do tempo de maneira sadia, com esportes e atividades culturais, pois sabemos que no vácuo dos segundos, vidas são encaminhadas para obscuros caminhos trevosos.

Levamos jovens e idosos para lugares que normalmente eles não iriam por questões financeiras, de transporte ou de preguiça mesmo.

Ajudamos a reformar casebres, oferecemos educação, alimentação e, principalmente, esperança e auto-estima para muitos.

Crescerás e vivenciarás este compromisso que temos com as pessoas que estendem a mão para nós.

Não verás seus pais perdendo tempo e cometendo suicídio lento, gradual e seguro em ambientes que priorizam o uso de álcool e de alimentos gordurosos e carnívoros, não testemunharás o uso de linguagem chula e nem ouvirás reproduzidos em equipamentos de som as músicas que denigrem a condição feminina e banalizam a espécie humana.

O mundo, como lhe disse, está ai, mas temos o livre arbítrio de estarmos nele com alegria e felicidade, ou tristeza e amargura.

Somos felizes, alegres, acreditamos poder ajudar de alguma maneira, combinamos ter você e, recebendo-a, seremos seus guias, pelos melhores caminhos que nosso planeta pode oferecer.

Demonstraremos nosso amor por você, amada Mel, quando lhe educarmos com o respeito ao próximo e pudermos lhe conduzir com muito carinho, pela senda da liberdade, da igualdade e da fraternidade.

Seja bem vinda, nosso planeta é lindo e sua família lhe abriga com o puro amor dos que amam felizes.

* Pai, escritor, jornalista e ativista social em Natal-RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MUITAS CRIANÇAS RECEBERAM LEITURINO NA ESCOLA EMÍLIA RAMOS

Na tarde desta quinta feira, a Escola Emília Ramos, no bairro de Cidade Nova, Natal-RN, promoveu as festividades alusivas ao Dia da Criança, com muitas brincadeiras, lanches, carinho, organização. O Palhaço Leiturino se fez presente, tendo sido recepcionado por muitas crianças. Não deu para ele visitar todas as salas, mas brevemente Leiturino voltará ao Emília Ramos e fará recreação com algumas turmas.
Leiturino pede aos professores que enviem as fotos do evento para que sejam expostas no blog.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

XIBIU

No Enéas Cavalcanti ele (Domício) estudou apenas dois anos. Uma vez um aluno chamou um colega de Cara de Xibiu. Queixou-se o ofendido à professora. Esta prontamente tomou as providências pegando um dicionário e leu o significado da palavra xibiu (instrumento utilizado para cortar vidro) para os alunos daquela turma.
A turma aguentava-se para não rir. Mas, de repente ouviu-se alguém falar:
--Eu não sabia que xibiu servia também para cortar vidro, pensava que era só para mijar. Disse Domício.
A gargalhada foi geral. A professora Marlene escreveu o nome xibiu no quadro negro, em letras garrafais e obrigou todos os alunos a transcreverem para o carderno o nome xibiu e seu significado. No mínimo vinte linhas.
À tarde, quando chegou em casa, a mãe perguntou o que ele aprendera naquele dia na escola. Ele respondeu:
--Hoje eu aprendi para que serve o xibiu.
--Moleque, você me respeite. Disse Dona Raimunda, já exigindo uma boa explicação.
Salvou-se Domício de apanhar porque mostrara o caderno com as linhas escritas e o visto da professora.

(Extraído do livro: Contos da Nossa Terra. Natal. Novembro 2004. 1ª ed.)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

GRATIDÃO


Para Nevinha (minha primeira e inesquecível professora)


Se um dia você não tivesse me ensinado as letras, não tivesse me ensinado a ouvir a música das sílabas e não tivesse me revelado o segredo das palavras, eu seria mais um analfabeto nesta multidão.

Mas você com seu carisma e seu amor, pegou minha mão pequenina, ajeitou nela o lápis e numa folha de papel foi delineando o alfabeto.

Fez-me rabiscar, circular, desenhar, pintar, escrever, e neste exercício eu fui descobrindo um mundo maravilhoso. Aprendi aos poucos a ler e viajei por histórias fantásticas e inesquecíveis.

Foi você quem plantou em mim a semente da sabedoria, as outras que vieram depois fizeram o serviço do lavrador.

Hoje, já passados trinta e um anos daquela primeira aula, do nosso primeiro encontro, onde um dia eu bati a sua porta vestindo calça curta e trazendo tão somente a cartilha e um lápis apontado, penso em você que ainda continua a ensinar outros meninos.

O mundo mudou muito, a minha vida também, mas nada, nada é capaz de diminuir o sentimento de amor e gratidão que sinto por minha professora.

Foi por seu esforço que sabendo ler, meus olhos contemplaram e meu coração guardou os ensinamentos da sagrada escritura.

Foi por sua dedicação, que aprendendo a escrever, quando rapaz eu pude revelar meus sentimentos ao primeiro amor.

Foi por saber estas coisas que pude ensinar aos meus filhos as tarefas escolares.

Enfim, tudo teve origem naquela manhã em que você tocou minha face, acariciou meus cabelos e disse: “Vem, vou te ensinar a ler e escrever”.

E por isto que eu faço para você este poema. Ele pode não ter o valor de um diamante, o brilho do ouro mais refinado, mas contém toda a minha gratidão, meu afeto e meu amor por aquela que foi, é e sempre será minha inesquecível professora.

( madrugada do dia 17 de agosto de 2000, em Natal-RN, quando era recepcionista do Albergue Lua Cheia).

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

PARABÉNS A ANNA MARIA CASCUDO


Anna Maria Cascudo Barreto, escritora, aniversaria nesta terça feira, 13 de outubro. Ela faz parte entre outras academias, da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, sendo ocupante da cadeira 13, que primeiramente foi dada a seu pai Câmara Cascudo.
A Doutora Anna desejamos tudo de bom: felicidades, paz, amor, saúde, inspiração e amigos leais sempre. Sinta-se abraçada por Mané Beradeiro, Leiturino e Francisco Martins.

PAIXÃO

Se das letras saíssem álcool, eu viveria bêbado, embriagado, alcoólatra.

Se pensar destruísse as células, eu há muito que já estaria cancerígeno.

Ainda bem, que o teclado não é uma ratoeira, senão meus dedos já haviam sidos decepados.


Temo que um dia meus olhos despertem sem luz.

25.04.2007

domingo, 11 de outubro de 2009

BOAS VINDAS SÃO DADAS A LEITURINO

Que Leiturino seja bem-vindo!
Atenciosamente,
Marly Amarilha
(por e-mail, em 11 de outubro 2009)
****
Olá cabra bom da gota serena! Adorei simplesmente o trabalho feito por vc. Lembra minhas apresentações lá no seminário? Pra vc ver, naquele tempo eu já imaginava tudo isso que vc faz atualmente. Como eu era criticado que eu queria me apresentar! tinham raiva porque eu trabalhava no BANORTE! Vejo vc hoje fazendo esse trabalhao maravilhoso. Estou lançando agora o cordel A Gripe do Porco. Palmas! Palmas! Muito bom saber do que vc está fazendo como artista da educação.
Abraço amigo irmão.
Geraldo de Caicó
(por e-mail, em 10 de outubro de 2009)
*****

Parabéns pela iniciativa, Francisco! Adorei!!!!!!!!!!!!
Como vai a nossa linda AEL?
Beijo
Sueli
(idem)
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Parabéns pelo trabalho!
Elsimara Feler - Blumenau-SC
(idem, em 9 de outubro 2009)
*****
TIO COMO SEMPRE VC SUPERAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
DEMAIS AS FOTOS DO LEITURINO
AMEIIII
BJS GRANDES E SUCESSO NELE!
NENA
(Georgia Lorena, sobrinha. Idem, em 9 de outubro 2009)

sábado, 10 de outubro de 2009

ASSIM DISSERAM ELES...

"O MAGISTÉRIO É COMO O CRIME, NÃO COMPENSA."

José Melquíades ( Professor que trabalhou mais de 30 anos na profissão).

Fonte: O Homem Ri de Graça, Celso da Silveira. Ed. Clima, 1982.

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO

Zé Braz, fazendeiro e ex-prefeito de Acari, estava pagando uma promessa na festa da padroeira daquela cidade, fazendo a penitência carregando uma pedra na cabeça e andando descalço, durante a procissão. No meio dos devotos, alguém grita:
__Zé Brás, prá seus pecados só mesmo carregando a Serra da Rajada!
*****

E em Timbaúba dos Batistas, um amigo do Professor Otto Guerra rezava assim: "ASSO NA TERRA E COMO NO CÉU".
*****

E ainda tem esta. Em Açu, na farmácia de José de Deus, trabalhava um atendente por cognome de Pirulito. Numa tarde de sábado aparece um agricultor, de idade avançada, na farmácia querendo um remédio para hemorróidas.
José de Deus explica:
__Só com Pirulito.
O velho entendeu mal.
__Soque, você, seu côrno! E me respeite.

****
Fonte: De Repente o Causo, de Celso da Silveira, 1997.

EMÍLIA RAMOS RECEBERÁ LEITURINO DIA 15 DE OUTUBRO


Quinta feira próxima, 15 de outubro, o MOMENTO DO LIVRO estará com o Palhaço Leiturino levando alegria e cultura às crianças da Escola Municipal Emília Ramos, em Cidade Nova, Natal-RN.
O encontro começará às 14 horas e a previsão é que o público seja algo em torno de 750 crianças.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Iª SORVETADA LITERÁRIA DO MANOEL MACHADO TEVE ESTRÉIA DO PALHAÇO LEITURINO


Conforme anunciamos, hoje pela manhã, na Escola Municipal Manoel Machado, em Parnamirim-RN, aconteceu a estréia do Palhaço Leiturino (Francisco Martins Alves Neto, escritor), por ocasião da Iª Sorvetada Literária daquela instituição.


Leiturino e Socorro Monte - Vice Diretora.


Leiturino com as crianças no campeonato de adivinhações.


Quem sabe responde. Quem não sabe, passa a peruca.





Leiturino contou histórias, fez brincadeiras e incentivou a leitura como fonte de maior prazer na vida das crianças, jovens e adultos.





quinta-feira, 8 de outubro de 2009

LEITURINO ESTRÉIA AMANHÃ EM ESCOLA MUNICIPAL DE PARNAMIRIM

O escritor Francisco Martins Alves Neto, gestor do MOMENTO DO LIVRO, vai estreiar amanhã, dia 9 de outubro, o seu novo personagem. Será o palhaço LEITURINO, que tem como missão levar contação de histórias para as crianças até nove anos, além de proporcionar momentos de recreação com adivinhações, parlendas, trava línguas, brincadeiras como corrida de saco, gato no pote, etc.
A estréia acontecerá pela manhã, dentro das comemorações alusivas a Semana da Criança, que vendo sendo feita na Escola Municipal Manoel Machado, no Jardim Aeroporto, em Parnamirim-RN.
Leiturino, o palhaço que trocou seu coração por um livro, surge dentro do MOMENTO DO LIVRO como uma figura que vem mostrar às crianças quanto é importante ler e estar sempre conectado com a cultura. Aguardem. Amanhã traremos fotos do evento.

domingo, 4 de outubro de 2009

ASSIM DISSERAM ELES

"O português é uma língua muito difícil. Tanto que calça é uma coisa que se bota e bota é uma coisa que se calça".

Barão de Itararé

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO

Tempo de seca braba, a terra estava tão árida, mas tão árida, que quando um peixe passava por outro levantava poeira. Pois bem, naquela época, na comunidade de Riacho da Cruz, a pouca água que existia estava sendo racionada para uso doméstico.
Quem administrava a distribuição do precioso líquido era um zelador. Ele tinha sob sua custódia a mais desejada peça daquela comunidade, isto é, uma roda que servia para girar a chave que abria a grande torneira. Um dia, este zelador viaja para uma cidade vizinha e quando chega em casa, encontra a mulher desesperada, pergunta a causa e fica sabendo que sua residência foi invadida por um vereador, em busca da tal peça que acionava a liberação da água.
O zelador só tinha uma saída: comunicar ao seu superior o acontecido e para isto mandou o seguinte telegrama para a sede municipal:
"COMUNICO VEREADOR INVADIU MINHA RESIDÊNCIA EXIGINDO MINHA MULHER LHE DESSE A RODA. E ELA DEU".

Causos da nossa terra - histórias de Mané Beradeiro.

Fonte: Livro Flashes das Secas, de Paulo de Brito Guerra, 1977.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

NOSSA GRATIDÃO AOS COLABORADORES DO MOMENTO DO LIVRO

Neste primeiro ano do projeto MOMENTO LIVRO o escritor Francisco Martins quer tornar público o incentivo recebido de alguns colaboradores. Sem eles, o projeto não teria alcançado um êxito tão bom o quanto atingiu. O MOMENTO DO LIVRO vem sendo realizado de forma voluntária. Francisco Martins atende os convites dentro de sua disponilibidade de horário e vai de forma gratuita às escolas e demais instituições que o convida paa falar sobre literatura, contar histórias, relatar sua experiência como escritor.

Até o presente o MOMENTO DO LIVRO não é contemplado pelas leis de incentivo à cultura, quer seja no âmbito estadual, nem municipal.

Por isto é tão importante a ajuda recebida por parte dos patrocinadores. Os amigos deste projeto neste primeiro ano foram:

Elísio Augusto de Medeiros que fez doação dos livros: " Senador José Bernardo de Medeiros - O Colosso do Seridó" e "Um Fusca na Cidade do Sol".


Edilson Pinto - que doou: "Perdoa-me, por me prenderes".

Livraria Siciliano - que esteve presente nos primeiros meses deste projeto, fazendo doações de livros como "A Cabana" e "O Menino do pijama listrado", além de outroso livros da área infantil.




Diógenes da Cunha Lima, Presidente da Academia Norte Rio Grandense de Letras, fez também várias doações de diversos títulos de suas obras para serem ofertadas às escolas visitadas pelo projeto.





A Biblioteca Padre Monte, da Academia Norte Rio Grandenese de Letras, também doou exemplares de livros do escritor Nilson Patriota a este projeto.

Tasso Soares de Lima - "Concerto para triângulo em dó maior".



Lima Neto - "Uma História em Cinco Vozes".

A estes homens e instituições nossa gratidão, em nome das crianças, jovens e adultos que foram agraciados com o MOMENTO DO LIVRO.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MOMENTO DO LIVRO COMPLETA UM ANO DE VIDA




O projeto MOMENTO DO LIVRO completa neste mês de outubro, o seu primeiro aniversário. Iniciado em 2008, o MOMENTO DO LIVRO visitou várias escolas nas cidades de Parnamirim, Ceará Mirim e Natal, sempre levando histórias para crianças, jovens e adultos.




Seu gestor, o escritor Francisco Martins Alves Neto, 45 anos, estudante do curso de Português, diz que o projeto vem somar à rede pública e privada, além de outras instituições, a missão de despertar as pessoas para o prazer da leitura, começando com a descoberta de histórias da literatura, quer seja a nível local, nacional ou da própria literatura internacional.




No seu vasto programa, o MOMENTO DO LIVRO tem histórias para todos os gostos e idade. Este ano, em fevereiro, dentro do Momento do livro surgiu MANÉ BERADEIRO, que conta causos e declama poesias matutas. Agora, por ocasião do primeiro ano do projeto, o escritor Francisco Martins dará vida a Leiturino, o palhaço que trocou seu coração por um livro, que vem dentro do projeto encantar os pequeninos com histórias, parlendas, trava línguas, bricandeiras lúdicas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

FRED GALVÃO VAI LANÇAR LIVRO DE CAUSOS

O grande fotógrafo Fred Galvão, aclamado pela sociedade potiguar, homem que já teve em sua objetiva personalidades famosas, está escrevendo um livro sobre os causos que ele viveu. Muita coisa hilária e inédita virá neste livro. Dando tudo certo, Fred Galvão deverá lançar em novembro de 2009.

domingo, 27 de setembro de 2009

Secretaria de Educação promove o 3º Seminário Potiguar Prazer em Ler

Com o objetivo de incentivar a leitura, a Secretaria Estadual de Educação, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDEA) e o Instituto C&A de Desenvolvimento Social (IC&A), promove no período de 28 a 30 de setembro, no Centro Municipal de Referência em Educação Aluízio Alves (CEMURE), o 3º Seminário Potiguar Prazer em Ler Da Escola de Leitores ao Estado Leitor. A abertura oficial do evento está programada para o dia 28, às 19 h, com uma conferência ministrada pelo Professor José Castilho Marques Neto, de Brasília. Na mesma ocasião haverá o lançamento do concurso Escola de Leitores.
A realização do concurso Escola de Leitores é um projeto específico de incentivo à leitura entre crianças e adolescentes, promovido pela Secretaria Estadual de Educação e Cultura. Escolas públicas estaduais de Natal e Parnamirim poderão participar do evento. Serão escolhidas cinco escolas participantes, que receberão apoio técnico e financeiro aos seus projetos de leitura. Essas escolas poderão conhecer iniciativas exemplares sobre o assunto no Brasil e na Colômbia, país referência mundial em política de promoção da leitura.
Antecipando a abertura do Seminário, no dia 28, às 17 h, acontecerá uma sessão de autógrafos com a escritora Ana Maria Machado. A programação prossegue no dia 29 com debates e conferências que contarão ainda com a participação da escritora Ana Maria Machado e da autora potiguar Salizete Freire, entre outros autores. O encerramento, no dia 30, contará com uma conferência do escritor paulista Pedro Bandeira, às 16h.

sábado, 26 de setembro de 2009

O AMOR QUE VEM DOS CÉUS

Ó meu Deus, eu te agradeço pela esposa que me destes, pelo amor que dela emana e banha a mim e meus filhos.
Obrigado Senhor, pelos abraços e beijos que dela recebo. Pelo carinho constante, por sua dedicação de mãe e mulher.
Oh Senhor, se eu posso pedir algo a favor dela, que a mim tem dedicado a vida, peço-te amado Deus, que nos mantenha sempre assim: eternos apaixonados, ardentes namorados.
Obrigado por todas as manhãs que acordo ao seu lado, pelos momentos que passamos juntos e as noites, as tão esperadas noites, quando celebramos nosso amor.
Meu Senhor, que tua Onipotência nos prepare à tua vontade, e assim, quando for teu desejo separar-nos, ó Deus, concede então a quem ficar coragem para continuar e a certeza de um reencontro breve e eterno.
Ó meu Deus, eu te agradeço pela mulher que me destes.

Natal – RN
12 de dezembro de 2002


(EM TEMPO: Tem homem que sente vergonha de cantar o amor por sua esposa. De dizer aos quatro ventos que a ama. É preciso ser muito mais que "macho" para demonstrar que o amor é eterno).

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

MALDADES







Nestes vossos pés cravados, onde o sangue rubro lava-me,
Torno-me chão para pisares, espinhos para vos ferir e muitas vezes choro por saber que não correstes, mas calmamente andastes.






Neste vosso olhar diáfano, velo além cingida a minh’alma.
Neste vosso peito aberto, entro chagas adentro, sou estilhaço das mortais granadas, vim das guerras que outrora foram guarnecidas pelo ódio ao vosso amor.
Percorro ferindo todo o vosso corpo, regozijo-me em vê-lo aberto, e por não poder estraçalhá-lo saio triste pelo lado ferido.
Tomo da água que deixastes jorrar, olho vossos olhos translúcidos, e a minh’alma continua presa neste inreprochável plano de me amar.


Vosso corpo ferido, manjado e sujo, e estas espáduas roxas, cuja cruz descascou faz-me querer ser sal e nos vossos ombros vagarosamente adormecer.

16 de maio de 1986

ASSIM DISSERAM ELES...

"Só se ama o bastante com paciência."

Nazarethe Fonseca, escritora, no livro Kara e Kman - uma saga de alma e sangue, palavras atribuídas ao vampiro Jan Kamam.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

FOME DE LEITURA - MENTE INSACIÁVEL POR PALAVRAS




Francisco Martins é um escritor que tem sede insaciável pela leitura. Nos últimos anos tem se dedicado a ler uma média de oito livros mensais. Ler de tudo, tendo no entanto, um xodó pela produção literária do Rio Grande do Norte.
Neste mês de setembro ele baterá seu recorde. Findo o mês terá lido mais de doze livros, e até o presente momento setenta e dois livros desde janeiro.
"Os livros são inegavelmente uma fonte de sabedoria, um veículo que nos transporta a histórias, culturas e continentes que talvez nunca tenhamos a oportunidade de ver In loco", diz Francisco Martins.

Os livros que Francisco Martins leu em setembro, até hoje 23, foram:
1) A Poesia Norte-Rio-Grandense no Século XX, de Assis Brasil. 1988.
2)Tempo de Rir, de Celso da Silveira, 1984.
3)Erasmo Xavier - O Elógio do Delírio, de Rejane Cardoso. 1989.
4)Desembargador Virgílio Otávio Pacheco Dantas, de Meneval Dantas. 1981.
5)José Pacheco Dantas, de Hélio Dantas. 1978.
6)Fogo Morto, de José Lins do Rego. 1984.
7)Livro de Advinhações, de Eymard L'E Monteiro (Padre), 2003.
8)Geringonça do Nordeste - A Fala proibida do povo, de Geraldo Queiroz, 1989.
9)Ninguém escreve ao coronel, de Gabriel Garcia Marquez, 1968.
10)O Arado, de Zila Mamede, 2005.
11)Relato de um náufrago, de Gabriel Garcia Marquez, 1970.
12)As aventuras de Miguel Littín clandestino no Chile, de Gabriel Garcia Marquez, 1986.

CRÔNICAS SENSORIAIS SERÁ LANÇADA EM MOSSORÓ


O escritor Francisco Martins está mantendo contato com a assessoria de imprensa da livraria Siciliano, objetivando o lançamento do livro "CRÔNICAS SENSORIAIS" na cidade de Mossoró-RN, a data ainda não está definida, mais com certeza será no mês de outubro. Na oportunidade da visita a Siciliano daquela cidade, o escritor Francisco Martins fará uma apresentação de Mané Beradeiro. Aguardem maiores detalhes.

sábado, 19 de setembro de 2009

ASSIM DISSERAM ELES

"Uma nação será tanto mais respeitada quanto mais souber estimar os seus mestres"

Editorial do jornal "A ORDEM", em 15 de outubro de 1937.

Fonte: "Geringonça do Nordeste - A Fala proibida do povo". Geraldo Queiroz. 1989. Ed. Clima, página 80.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO



Renato Caldas, poeta do Vale do Açu, pioneiro da poesia matuta no Rio Grande do Norte, foi ao Rio de Janeiro solicitar ao Dr. Carlos Lacerda uma ajuda financeira para o lançamento do seu livro "Fulô do Mato". Naquela época, no Rio de janeiro, Dr. Carlos Lacerda estava a todo vapor com a sua campanha "Ajuda teu irmão". Depois de várias tentativas, finalmente, Renato Caldas consegue audiência com o doutor Carlos.

__O que você quer mesmo? Perguntou Carlos.

__Uma ajuda financeira para lançar meu livro. Sou poeta lá do Nordeste, pobre, sem recursos...

Dr. Carlos Lacerda achou que era mais um cabeça chata que queria pegar uma graninha e voltar para o Norte. Queria uma prova e falou para Renato:

__Se você é poeta mesmo, faça um verso. Se eu gostar ajudo na publicação do seu livro.

Era tudo que Renato queria. E do alto da sua inteligência mandou brasa:

__"SEU DOUTOR CARLOS LACERDA QUE INVENTOU ESSA MERDA DE AJUDA TEU IRMÃO, PUBLIQUE "FULÔ DO MATO", AJUDE O VELHO RENATO, POETA LÁ DO SERTÃO".


Causos da nossa literatura, coisas do nosso chão.


Fonte: Repentes e Desafios, de José Lucas Barros. 1985.

ENQUETE PREMIARÁ PARTICIPANTES


A enquete ao lado premiará, por sortéio, aquele que acertar a resposta da pergunta. O prêmio será um exemplar de "Crônicas Sensoriais". Participe, vote e envie sua resposta para o e-mail: letrasreais@hotmail.com, com seu nome e telefone, com o assunto: enquete. Você tem seis dias.


Quem terá sido o escritor que mais lançou livros no Rio Grande do Norte?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

ASSIM DISSERAM ELES

"O vírus do amor ao livro é incurável, e eu procuro inocular esse vírus no maior número possível de pessoas."


JOSÉ MINDLIN

terça-feira, 15 de setembro de 2009

MINHAS PEDRAS


Para José Pacheco Dantas ( 1878-1961)

Meu lençol é de pedra, e por ser assim não durmo em cama, não tenho rede, deito e descanso no chão.
Cada pedra que a vida me jogou eu não revidei, não devolvi. Juntei-as, formei uma manta, uma grande colcha sob a qual tento descansar.
Meu lençol é de pedra. Frio no Inverno, quente no Verão, mas sempre pedra. Tentei debalde estender meu manto nos varais da existência.
Meu lençol é de pedra, mas meus olhos não pesam, meus sonhos não cessam, não são tristes, não são inertes.

Abril de 2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

UM ACAMPAMENTO INESQUECÍVEL - IIIª PARTE



Quando terminamos o tempo da quarentena fomos realizar o Iº Acampamento, na área de treinamento da Lagoa do Jiqui. Nas mentes de todos aqueles jovens fervilhavam inúmeras perguntas: “Que faríamos?”, “O que nos aguardava?”, “Haveria sofrimento?” e outras mais.
Montadas as barracas, os pelotões começaram a receber as instruções naquele campo. Lembro-me que foi um acampamento inesquecível. Passamos por uma pista de mensageiro, onde devíamos andar sozinho, escondendo-se do suposto inimigo, não se deixando capturar e entregar no final da mesma, a mensagem que nos foi confiada. Este exercício foi feito pela manhã, atravessamos um terreno alagadiço, entramos em pequenos córregos e nossas roupas ficaram molhadas o dia inteiro, além das lamas fedorentas e os coturnos encharcados.
À tarde daquele primeiro dia de acampamento, um tenente nos ensinava a tática de silenciar sentinelas, como atacar sem ser visto e surpreender o inimigo. Muitos soldados ficaram com marcas do cabo de aço no pescoço por vários dias. Veio a noite, fria, escura e saímos para outro exercício: atacar o inimigo que estava naquelas proximidades e pretendia destruir os sistema de fornecimento d’água que abastecia Natal e Parnamirim.
Tínhamos recebidos instruções que toda cautela era necessária. Nenhum barulho. Caminhávamos em fila indiana, dentro da mata fechada, erguendo os pés e baixando-os devagar, evitando quebra de galhos ou qualquer outro barulho que viesse a denunciar nossa posição. Mas, soldado recruta é jovem traquino, dado a surpreender e fazer coisas inesperadas. E aquela noite prometia.
A frente da fila indiana ia o Capitão Raul Carriconde. Em determinado lugar ele percebeu que havia um buraco onde os soldados poderiam tropeçar e provocar barulho. Toma a precaução e avisa a quem vem atrás: --Tem um buraco logo aqui na frente. Cuidado. Avise a quem vem atrás de você. Fale baixo!
E assim, aquela ordem foi sendo cumprida de soldado para soldado.
Mas, se para o poeta havia uma pedra no meio do caminho, para o Capitão Raul Carriconde havia o soldado Bento. Tão logo ele recebeu a exortação sobre o buraco, fez uma das suas, pondo em risco todo o sucesso daquele pelotão: --Ei! atenção, tem um buraco lá frente. Cuidado para não cair nele! Estas palavras pronunciadas de maneira alta provocaram risos e desequilibrou toda a harmonia da missão que vinha sendo executada.
O soldado foi promovido. Tiraram do meio da fila para frente do Capitão Raul Carriconde, que não media esforços em sacolejá-lo e ameaçava dá-lhe uma semana de xadrez, caso o inimigo nos atacasse naquele instante.
Para felicidade do soldado Bento seus gritos perderam-se na imensidão daquela noite, assim como o pio das corujas que voavam naquela mata. Encerrando estas atividades, tivemos, a alegria de presenciar uma belíssima encenação sobre uma batalha, com bastantes tiros de festim e também munição traçante, de várias cores.
Depois, exaustos, cansados, com as roupas totalmente suadas e fedendo a lama, sem banho nenhum por um dia, fomos dormir. Recordo-me bem as palavras proferidas pelo Tenente Arnaud: “ –Isto aqui não é piquenique. O soldadinho não esteja pensando que veio acampar. Brincar de escoteiro. Isso é treinamento. Vocês vão dormir, mas permaneçam atentos. Nada de tirar os coturnos, a gandola e muito menos soltar o fuzil. Durmam abraçados com ele. Entenderam soldados?”
--Sim, senhor, tenente! Respondemos uníssono.
Exauridos tentamos dormir. Nas barracas espalhamos o poncho sobre o solo e fazíamos da mochila o travesseiro. Apenas folgávamos os coturnos e abríamos a gandola. O fuzil preso entre as pernas, nossa “namorada”, como tantas vezes tínhamos ouvido nas instruções de sala lá no quartel.
Surpresas teríamos naquela noite. E elas chegaram. Vieram trazendo em determinado momento um barulho infernal e bastante fumaça. Alguém jogou propositadamente uma granada de efeito moral naquele acampamento. Erguermo-nos, e rapidamente estávamos sob o comando do Tenente Arnaud que juntamente com os sargentos, cada qual respondendo pelo seu pelotão, adentrava a mata e se posicionava para proteger os demais.
Era madrugada. Meu corpo pedia descanso e desde a manhã daquele primeiro dia ansiava também por um banho e tudo o que eu tinha era uma mochila, um capacete de aço sobre outro de fibra, uma farda surja e fedorenta, um cantil e o fuzil. Isso era o que eu possuía para proteger o pedaço da pátria que naquele momento eu era “convidado” a fazer.
Ficamos ali por um bom tempo até recebermos a ordem de voltarmos ao acampamento. Tínhamos apenas pouco mais de três horas para descansar, isto é, se outras surpresas não viessem. E ali, o soldado Martins começou a se perguntar: “Por que vim para esta vida militar? Que planos tem Deus para mim num mundo tão diferente daquele até onde vivi em 1984?”. Olhava para meus companheiros, eles também não sabiam responder nem mesmo o porquê estavam servindo ao exército, imaginem perguntas filosóficas.
Passamos três dias acampados. No outro dia logo pela manhã tomamos banho e assim fizemos também no terceiro dia. O Exército não era tão ruim assim.
(Esta crônica é parte do meu próximo livro: Alvoradas no Itapiru)

ASSIM DISSERAM ELES

"Não há corrupção política, o que há é uma corrupção de indivíduos que são políticos"

José Antonio Martins
Livro: CORRUPÇÃO. 2008. Ed. Globo.

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO


Tem gente que adora tornar o mundo mais alegre, não é? Pois então na vizinha cidade de Macaíba-RN, há muito tempo atrás Chico Gúrcio contratou um letreiro para abrir no frontal do seu comércio os seguintes dizeres: A PÉROLA DE CHICO GÚRCIO. Só que o sujeito muito mal intencionado, abriu o letreiro e pintou as letras das direita para a esquerda, deixando propositadamente duas letras sem pintar, para terminar o serviço só na manhã seguinte. E aí então foi o maior alvoroço, pois logo cedo as beatas passavam para a missa e viam lá as letras pintadas: A _ _ ROLA DE CHICO GÚRCIO.
Coisas da nossa terra! Causos de Mané Beradeiro.

domingo, 13 de setembro de 2009

SEM EIRA NEM BEIRA


( Para todos os poetas que produzem a poesia processo e visual)

Formidável...,
Formicida...
Formidante...
Futicida...
Fuxiqueira..
Franciscana..
Frecheira...
Boaníssima...
Bodogueira...
Boquiaberto..
Botadeira..
Bozó dentro da bicheira
Lapidando...tão me dando...tô gostando...tô lezando...sou tranqueira.
Sem eira, nem beira, beirando o bode, da feira do benfeitor.
Lá vem Loreta, quase morena, lá vai Luvana com seus rabiscos, que não são ciscos.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

NILO PEREIRA


Logo mais será postado no blog http://www.chamine2.blogspot/ o artigo que escrevo mensalmente, sempre no dia 11, sobre o centenário de nascimento do escritor Nilo Pereira. Este ano, além de Nilo Pereira estão também fazendo cem anos de nascimento Edgar Barbosa e Jorge O'Grady de Paiva. Sobre os três eu tenho palestras para serem feitas nas escolas e instituições culturais.

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO

Esta história aconteceu em Açu e já faz muito tempo. Neco Capuxu escreveu um telegrama para seus familiares em Natal informando que sua esposa Ritinha fora vítima de uma estrepada de espinho de quixabeira. Até aí tudo normal, o danado foi a grande ambiguidade que ficou nas palavras do telegrama, pois o texto veio assim: 'RITINHA ESTREPADA PAU DENTRO LATEJANDO SE AGARRA COMIGO NÃO QUER QUE EU TIRE"
.
Gostou? Este e outros causos fazem parte do show de Mané Beradeiro. Agende uma apresentação para sua escola, empresa ou aniversário. Contato pelo e-mail: letrasreais@hotmail.com

ASSIM DISSERAM ELES


"Anúncio é dinheiro"


Erasmo Xavier, cenógrafo e caricaturista potiguar, que viveu de 1904 a 1930.

IVAN MACIEL TOMOU POSSE NA ANRL


O jurista e escritor Ivan Maciel tomou posse nesta noite de quinta feira, na cadeira 17, sucedendo Aluízio Alves. Foi saudado pelo acadêmico Vicente Serejo. A cerimônia contou com a presença de vários intelectuais e políticos do Rio Grande do Norte.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

MOMENTO DO LIVRO TERÁ UM NOVO PERSONAGEM



O escritor Francisco Martins Alves Neto que visita as escolas públicas e particulares com o projeto MOMENTO DO LIVRO, contando histórias, estará neste mês de setembro estreiando mais um personagem. Desta vez será o Palhaço Leitorino Patati, que terá como principal objetivo contar histórias para crianças até 12 anos, além de coordenar momentos de recreação com jogos, trava línguas, parlendas, advinhações, e outros momentos lúdicos da nossa cultura.
Com a estréia de Leitorino Patati, o MOMENTO DO LIVRO passa a contar com dois personagens, posto que, Mané Beradeiro - o contador de causos e poesias matutas, já é atuante desde janeiro deste ano.

sábado, 5 de setembro de 2009

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO


No escritório da SUDENE, em Natal, o chefe pediu para ser redigido um aviso que tivesse a seguinte mensagem: "favor usar a descarga e manter a tampa do sanitário sempre fechada após o uso".

O redator foi mais além, com toda empolgação escreveu o texto: "FINEZA PRESSIONAR O MECANISMO HIDRÁULICO DO AUTOCLIMAS ATÉ QUE OS CATABÓLICOS SEJAM TOTALMENTE EXPEDIDO NO DEJECTÓRIO. FAVOR MANTER O OPERÁCULO DESCERRADO APÓS A DEJECÇÃO".




Fonte: Tempo de rir, de Celso da Silveira, Editora Clima, 1984.


Esses e outros causos estão dentro do show de Mané Beradeiro. Leve-o para sua escola ou empresa. Contato pelo e-mail: letrasreais@hotmail.com

ASSIM DISSERAM ELES....

"Professor é como motorista de taxi: passa o dia correndo"

Antenor Azevedo (Professor)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

SAPOTERATURA IV - A DESCOBERTA DE ÁLVARO

( Mais um conto da minha obra inédita Sapoteratura).

Esta é uma história para crianças. Ela aconteceu há pouco tempo, logo após o Sol se por.
Numa noite calorenta resolveu o sapo sair para caçar alguns insetos. Ele vestiu uma bermuda, a camiseta regata, calçou os tênis, foi ao banheiro, molhou o rosto, beijou a esposa e disse:
__Vou até a casa 131. Disseram-me que lá tem muitos formigueiros. Ao ouvir isto, Dona Sapa aconselhou:
__Tome cuidado! Lá tem crianças, vê se não as assustam e toda precaução é pouca, cuide-se para não ser apedrejado. Você sabe, quando as crianças nos vêem ou se assustam ou nos apedrejam.
O sapo acatou os sábios conselhos da sua companheira e se foi. Cruzou a rua com passadas largas, com aquele seu jeito desconcertado de andar, pois temia ser atropelado. Ao chegar a frente da casa 131, subiu a calçada e caminhou em direção ao portão, percebeu que ele não estava totalmente fechado e por uma abertura pode entrar.
Lá de dentro, veio ao seu encontro uma cachorra. Latia muito dizendo:
__ Au, au, vá embora senhor sapo. Aqui não há lugar para você morar.
__Calma, senhora cachorra, disse o sapo, eu não vim para morar, quero apenas caçar algumas formigas e logo vou embora.
__Au, au, vê se não demora. Falou a cachorra e saiu com aquele andar orgulhoso, ao mesmo tempo em que pensava: “sapos, que bichos feios, talvez sejam por isto que os humanos não os querem”.
O sapo estava debaixo da goiabeira, comendo formigas e pondo outras numa bolsa para levar. De repente ouviu uns passos em sua direção, era uma criança com dois anos de idade.
O menino ao vê-lo parou e ficou surpreso com aquela criaturinha. Neste momento, ele pensou nas palavras ditas por sua companheira. Olhou para o rosto do menino e viu que ele não estava com medo, olhou para as mãos e percebeu que também não tinha pedras.
O batráquio sorriu, fez o melhor sorriso que sabia para aquele filhote de humanos, que indo ao seu encontro, acocorou-se e ficou vendo-o comer formigas. A criança passou um bom tempo contemplando aquele bichinho.
Eis que se ouviu alguém chamar:
__Alvinho, oh Alvinho, onde você está?
O sapo percebeu que era com aquele filhote. E isto foi confirmado quando a criança se levantou e disse:
__Cá, mamãe.
A mãe foi ao encontro do filho e quando notou o sapo, também não demonstrou medo. Alvinho apontou para o bichinho e mostrou a sua mamãe a descoberta. Ela pegando o filho nos braços disse:
__Este é um s a p o. S a-p o. Repetiu a mamãe varias vezes com voz pausada, ensinando a Alvinho o nome daquela criaturinha.
__Aapó, aapó, repetia Alvinho. A esta altura, o sapo já estava de pança e bolsa cheia. Era a hora de pegar o beco, voltar para casa. A mamãe tinha entrado com Alvinho, e de lá de dentro da casa se ouvia vozes de outras crianças. Eram os irmãos de Alvinho brincando, que foram interrompidos por ele, assim falando:
___Ur, Ur, Cocóise, Cocóise, Aapó, aapó.
A mamãe esclareceu:
__Ele está dizendo para vocês Arthur e Matheus que viu um sapo. As crianças riram e continuaram a brincar.
Matheus se pôs a cantar:
__Eu vi um sapo, na beira do rio, com camisa branca, morrendo de frio. Não era sapo, nem perereca, era Alvinho, só de cueca!

INSENSIBILIDADE

Para Claudemir Chiarati


Ela estava lá, caída na calçada.
Sangrava, não se movia, morria, e nós sem percebermos morríamos com ela.

Passávamos insensíveis àquela vida.
Morria jovem, sem doenças, mais uma vítima da violência urbana.

Eu a vi tantas vezes naquela calçada, alegre, robusta, bela.
Mas, um homem, ou melhor, todos os homens, desta cidade decidiram matá-la.

Morreu a árvore. Ficamos sem sombra, sem verde, os pássaros neste dia entoavam uma melodia triste, sentados num fio da rede elétrica.

Quem será a próxima? Eu me pergunto.

Parnamirim – RN, 16 de julho de 2007

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

MORENA

Eu tive fome,
Vi tua nudez,
Comi teu corpo,
Enchi meu peito.
Eu tive sede,
Vi teu olhar,
Bebi teus sonhos,
Saciei meu tempo.
Eu tive sono,
Vi teus braços,
Regalei-me em teu colo.

Bixiga lixa, gota serena,
Um dia eu volto só pra te ver morena.

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO

Um sub-delegado, no interior do Rio Grande do Norte certa vez recebeu dois homens na delegacia, que vinham em busca de solução para um problema. O sub-delegado, expoente máximo da autoridade local naquele momento ouviu o primeiro homem com muita atenção e falou:

__ Você está com toda a razão!

Nesse instante, o outro cidadão tira uma nota de cem reais do bolso e vagarosamente puxa e mostra um pedaço da nota ao sub-delegado, que entendendo a mensagem, volta a falar ao primeiro homem:

__Mas pelo que estou vendo você vai acabar perdendo esta questão.



(Fonte: Humor dos Flagelados (1984), de Veríssimo de Melo.

SAPOTERATURA III - CASAL UNIDO



Ceará Mirim, cidade do interior, década de setenta, dia de feira livre, muita gente vindo à cidade comprar mantimentos. Nas ruas que ficam perto daquela mercearia, diversos caminhões estacionam levando e trazendo as pessoas do meio rural.
A mercearia está cheia, é gente querendo cigarros, alimentos, bebidas, fósforos, etc. Mas há também aqueles que chamam a atenção dos atendentes somente para pedir água. Querem matar a sede. Beber água gelada, coisa dificílima de encontrar na zona rural.
À priori não houve muita contestação sobre este serviço, mas depois, viu-se que os atendentes não só perdiam tempo, como também tinham que lavar bastantes copos, encher garrafas. Nos idos de setenta, copo descartável era artigo de luxo.
Solução encontrada: comprar um pote de barro, deixá-lo ao alcance de todos e amarrar uma corrente na boca do vaso de argila, tendo em sua extremidade uma caneca de alumínio. Assim todos beberiam à vontade e não precisariam pedir aos balconistas.
Foi uma idéia e tanto, funcionou de forma plausível por mais de mês, até que um dia, um rapaz destes bem traquinos, que residia ali por perto teve a iniciativa de jogar dentro do recipiente duas pequenas rãs.
Ninguém desconfiou de nada. Nem mesmo o dono daquele estabelecimento, posto que, o próprio rapaz se prontificou a encher o vaso de barro sempre que fosse preciso. Inteligente e esperto como era, sempre que as pessoas tomavam água, ele aproveitava, levantava a tampa, olhava para dentro e dizia:
__Nunca vi um casal de rãs tão unidas. Elas Vivem sempre agarradinhas, uma em cima da outra.
Quem tinha acabado de tomar daquela água, às vezes olhava para dentro do pote e não encontrava rã nenhuma, pois ele ainda não havia colocado as mesmas lá dentro, mas, mesmo assim, não deixavam de proferir palavrões com aquele rapaz.
Depois, quando ele já percebeu que as pessoas não acreditavam no que ele falava, pois verdadeiramente as rãs lá dentro. E tudo só foi descoberto porque uma das rãs veio dentro do copo de uma senhora, que teve uma reação tão violenta, fruto do medo, que derrubou o pote, espatifando cacos de barro e água espalhada por toda a mercearia.
Depois disto, nunca mais houve pote d’água naquela mercearia e o rapaz, bem, este cresceu e até tentou ser empresário de água mineral, mas ninguém naquela cidade teve coragem de comprar um só vasilhame da sua firma, restou-lhe então mudar de profissão. Hoje ele vive lá pras bandas de Apodi.