quinta-feira, 9 de julho de 2009

A FORÇA DA PALAVRA

O que você vai ler abaixo aconteceu há quase três anos. Quem vinha acompanhando minha produção literária e recebendo por e-mail meus textos, lembrou-me esta crônica e sugeriu que eu a trouxesse para o blog. O que prontamente atendi.


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A lâmpada do poste que fica próximo à minha casa queimou. Quando isto acontece a vizinha entra em contato com a empresa responsável, e no máximo dentro de três dias o serviço é realizado. Mas, a última vez que isto aconteceu a resposta não veio tão rápida. Chego em casa após três expedientes. Cansado de corpo e mente. De longe avisto o poste sem a lâmpada acessa e penso: "amanhã eles trocarão a lâmpada". Não vieram. Outubro vai terminar e a lâmpada continuará sem ser trocada.

Na manhã do dia seguinte tomo a iniciativa de reforçar a solicitação do serviço pedido por Lucinha, a vizinha. Tem início então um exercício de paciência e esperança. Vários dias ligando, pedindo que deixem a minha rua iluminada. Haja paciência! Até que finalmente cansado de tanto esperar afirmo para mim que aquela será a última ligação do 0800.

Fiz a pergunta de sempre e recebi a mesma resposta. Pensei, pensei...Terminei fazendo uma carta de protesto que espalhei pelas ruas de Parnamirim-RN, incluindo a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente e o Gabinete do Prefeito. Eis a carta:


Parnamirim-RN, 16 de novembro de 2006

Ilmo Sr Thomaz Edsom

DD. Inventor da Lâmpada

Gostaria de colocá-lo a par da forma como vem sendo tratada uma de suas criações, a meu ver a mais importante entre os 1033 registros patenteados pelo senhor, a saber: a lâmpada, no município de Parnamirim.

Na rua Rio Meiarim, no Parque Industrial, mas precisamente no poste G9.193 (para controle das luminárias, cada poste tem um número que identifica a sua localização no espaço geográfico do município), tem uma lâmpada queimada.

Na verdade ela apagou desde o final de outubro deste ano (2006), mas tão somente no dia 1 de novembro, tive a iniciativa de ligar para a Companhia Energética do Rio Grande do Norte-COSERN para avisar sobre a necessidade de mudar a lâmpada.

Fiquei então sabendo, que a companhia acima, no tocante a iluminação pública, faz apenas um trabalho de arrecadação, cobrando nas contas de energia o percentual de 15% (Contribuição Iluminação Pública) sobre o valor da mesma, e repassa aos cofres do município de Parnamirim, a quem deve sobre a liderança da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente, fiscalizar e fazer a manutenção deste serviço, A secretaria supracitada terceiriza a prestação deste serviço, contratando, a meu ver, empresas irresponsáveis, sem consideração nenhuma para com o consumidor.

Prometeram-me três dias úteis para trocar a referida lâmpada. Já se passaram 16 dias (até esta data). Todos os dias, impreterivelmente eu ligo 0800 281 6400, tenho sempre a mesma resposta vazia e seca: " passamos seu pedido à empresa. Aguarde!". No 0800 eu sou sempre bem atendido, disto não tenho do que reclamar. O problema mesmo é na realização do serviço que não acontece, não anda, não progride. A Parnamirim do futuro, que se faz no presente, bem que poderia começar a olhar este tipo de comportamento inadmissível para com seus cidadãos. Pergunto: Que critérios são levados em conta, quando se vai contratar uma empresa prestadora de serviço? Como a secretaria controla a eficiência da empresa? E o grau de satisfação dos clientes? Ela espera que seja medido pelo alto índice de reclamações? Como cidadão, peço encarecidamente, a quem de direito, e acredito que em primeira instância seja ao secretário de Urbanismo e Meio Ambiente, Senhor Sebastião Ronaldo e este não me atender, ao prefeito, que se dignem realizar um direito do consumidor que nada deve sobre as taxas de iluminação pública, posto que, tenho meu consumo pago através de débito automático.

No aguardo


(Espalhei esta carta na minha folga do almoço e depois voltei ao trabalho. À noite, antes de ir para a Escola Manoel Machado, meu outro emprego, resolvo passar em casa. De longe avisto o poste com a luz acessa. E lá em frente à minha casa, a viatura da empresa. Os homens não só trocaram a lâmpada como me vieram pedir desculpas pelo acontecido. Confesso que fiquei boquiaberto. É à força da palavra!)