sexta-feira, 10 de julho de 2009

NOSSOS ESCRITORES (AUTA DE SOUZA - PARTE II)


Posto que, o livro Horto, de Auta de Souza é uma das obras literárias pedidas para o vestibular da UFRN, estamos disponibilizando no blog a biografia da escritora e posteriormente faremos também um pequeno ensaio sobre seu trabalho.


Em Recife, onde Auta e seus irmãos foram levados em 1881 viverá Auta numa grande granja, a residência do Arraial, do seus avós maternos. Ela será matriculada no Colégio São Vicente de Paula, na Estância, dirigido pelãs irmãs religiosas francesas. Começa estudar no ano de 1888 e é uma dedicada aluna, chegando a ser a primeira da turma. Aprende francês, dominado a língua tanto no falar quanto no escrever.


Mas nem tudo será sempre flores na vida desta menina, aliás, poucas flores existirão abertas ao longo da sua existência. A morte não satisfeita por levar seus pais, visita a residência do a Arraial, em Recife e em 1882 atinge Francisco de Paula, esposo de Dindinha. Ele estava com 73 anos. Auta sente a dor de perder seu avô materno.


Não satisfeita, a insaciável morte, voltará em 1887 para desta vez levar Irineu, irmão de Auta, que morre queimado numa explosão de candieiro. Câmara Cascudo diz que Irineu gemeu dezoito horas e só depois sucumbiu. Recife não seria definitivamente o lugar onde Auta e seus irmãos viveriam para sempre. Aos 14 anos ela é obrigada a interromper seus estudos pois já é vitimada pela tuberculose.


Didinha, que eu considero uma grande mulher nesta história. Viúva e com os netos em sua responsabilidade toma a iniciativa de regressar para Macaíba. De volta ao Rio Grande do Norte Auta continuará sua vida participando de "assustados" ( festas daquela época) ao som de pianos, escreve também para vários jornais, pertencentes a grêmio literários. Em alguns chega a usar o pseudônimo de Ida Salúcio e Hilário das Neves.


Nesta época a tuberculose não tinha cura. Os antibióticos não existiam. Tratava-se a doença na base de 3C - Cama, Comida e Calma. E para tentar aliviar o sofrimento causado pelas dores da "Dama Branca", asim também conhecida. Auta de Souza muitas vezes viajou ao interior do Rio Grande do Norte em busca de ares melhores. Nova Cruz e Angicos foram lugares visitados por ela.


Ler e escrever eram os prazeres e ofícios de Auta de Souza. Muitas poesias já estavam compondo sua antologia. Ela reunia tudo. Declamava nos "assustados" para os amigos. Conheceu João Leopoldo da Silva Loureiro, por quem nutriu amor. Mas isto é assunto para a última parte desta biografia. Aguardem!


Fonte:Vida Breve de Auta de Souza, de Luis da Câmara Cascudo. Natal 1961.