terça-feira, 17 de novembro de 2015

NO FIM TODOS SÃO IGUAIS

O Professor e cordelista Ismael André (Rui Barbosa-RN) nos presenteia com mais um texto poético, desta feita conclamando o leitor a fazer uma reflexão sobre a natureza humana e sua igualdade, independente de quaisquer fatores externos e internos.


A ciência consagrou
Em diversos manuais
No big bang deflagrou
O surgir dos animais
O homem evoluiu
Do macaco incidiu
No fim todos são iguais.

Se acreditarmos, então
Num Deus bondoso demais
Que criou Eva e Adão
E os outros animais
Ao homem deu poder divino
Este banalizou seu destino
No fim todos são iguais.

Católico, protestante, candomblé
Independem os rituais
Cada homem com a sua fé
Condutas espirituais
Energúmeno, laico, cético,
Proselitista, ateu, eclético
No fim todos são iguais.

Seja qual for a procedência
Dos valores e ideais
Do divino, a clemência
Dos profanos, atos banais
Se o homem é fruto de Deus
Se veio das ciências dos ateus
No fim todos são iguais.

Já tentaram ajustar
Alguns intelectuais
O negro, branco deixar
Mudando os conceituais
Cabelo sendo esticado
Pele de branco queimado
No fim todos são iguais.

O homem próprio dividiu
Entre si classes sociais
Desta maneira expandiu
Sociedades desiguais
O rico, conceituou classe A
O pobre, abaixo da miséria está
No fim todos são iguais.

Uma outra divisão chamou
As atenções atuais
Um briga de gênero começou
Gay, lésbica, transexuais
Colorindo o viver
O homem põe em dúvida seu ser
No fim todos são iguais.

Na opulência contida
Das suas mazelas reais
Vem a cobiça investida
De sentenças surreiais
A arrogância é quem manda
A vaidade desmanda
No fim todos são iguais.

 
Os que residem em mansão
Nem sempre são cordiais
Com o reflexo cidadão
Dos problemas sociais:
Habitação, drogas, fome
Deixa o cidadão sem nome
No fim todos são iguais.

Um barraco é moradia
De atores sociais
Que estampa o dia a dia
De ficções bem reais
Um morro vira cenário
Num palco extraordinário
No fim todos são iguais.

Tenho tido a clareza
Dos nossos dias atuais
Da ganância à pureza
Vislumbram os rituais
Uns trocando de cor
Outros perdendo o valor
No fim todos são iguais.

Não adianta fugir
Das condições naturais
O homem não pode fingir
Dos seus gravames animais
Sobrepor seu criador
Independentemente do “Senhor”
No fim todos são iguais.
 
Ismael André