segunda-feira, 28 de março de 2016

COMENTANDO MINHAS LEITURAS - HUMOR NO CONTO POTIGUAR

Livro: Humor no conto potiguar
Autor organizador: Manoel Onofre Jr
Capa e diagramação: Diolene Machado
Editora: 8 Editora
Páginas: 127
Leitura: 25 a 27 de março 2016


“Humor no conto potiguar” é esse o título de um dos mais recentes livros de Manoel Onofre Jr lançado na noite de 23 março, na sede da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, em Natal. O livro traz o selo da 8 Editora e em suas 127 páginas nos leva aos contos com marcas de humor da literatura potiguar através da criatividade dos escritores: José Pinto Jr; Augusto Severo Neto, Eulício Farias de Lacerda, Luis Carlos Guimarães, Bartolomeu Correia de Melo, Tarcísio Gurgel, Demétrio Diniz, François Silvestre de Alencar, Osair Vasconcelos, Clauder Arcanjo, Aldo Lopes de Araújo, Celina Muniz, Carlos Fialho, Thiago Gonzaga e Carlos Onofre.
Aproveitei o feriadão da Semana Santa e fiquei a ler o livro, buscando algo mais do que é convencional nos contos,  passeava pelas entrelinhas dos textos, garimpando frases que por si só já me davam prazer na leitura, pois ler é algo maravilhoso, principalmente quando sabemos os dez direitos do leitor que Daniel Pennac nos deu como bússola. E foi assim, lembrando cada item do decálogo que eu me alegrei, ri, gargalhei e poucas vezes pensei que o autor poderia ter se prolongado mais no conto.
Confundi ficção com a vida real (“ Bem Melhorado” e “ A Fantástica história do fabuloso dia em que Jesus voltou”),  pratiquei o direito de reler (“De como Bitú se deu mal com uma de suas promoções empresariais: o pão anatômico”),  levei o livro e lia em qualquer lugar: na rede, no banheiro, deitado no chão.  Li em voz alta para minha esposa e juntos concordamos com os contistas. As páginas foram se avolumando do lado esquerdo, sinal de que estava próxima a finalização da leitura respirei fundo, tomei água, e Pennac me lembrou que tenho o direito de não terminar a leitura de um livro, mas não era isso que queria o que desejava na verdade era que ele fosse bem longo, com mais de mil páginas.
O certo é que cheguei ao último conto, e tudo quanto disse aqui não é  “uma pilostenia vagante” como diz Napole, personagem do conto “ O Anjo Negro”.  Bato palmas para a maioria dos contistas que participam deste trabalho de Manoel Onofre Jr e àqueles que não foram ovacionados também tem seus créditos, mas confesso que alguns me deixaram em estado “augustifólio oblativo com rebarbas de ansilitude devanatória” recorrendo mais uma vez a Napole.
Assim sendo, fecho o livro descumprindo o décimo direito do leitor: “de não falar do que se leu”.

Francisco Martins
27 de março 2016