quinta-feira, 2 de junho de 2016

CONVERSA DE CANCELA VI



-Juvenal corra  para chamar a parteira que sua mulher está para ter menino!
O marido saiu numa disparada. Pulou cerca, abriu a cancela com os peitos. Era um relâmpago! Corria e gritava: -Sai da frente minha gente que Gorete tá  entrando em trabalho de parto.
A casa da parteira ficava distante três léguas da sua. Montou no jumento em pelo e para sua infelicidade, no meio do caminho, havia uma jumenta no cio. O jumento brecou, armou-se e saiu em disparada da fêmea. Restou a Juvenal continuar a jornada a pé. Quem danado vai se meter com um jumento relinchando e de espada ao ar?
Chegou arquejando na casa de Dona Severina, velha parteira. Imediatamente saíram os dois numa espécie de fobica, cuja velocidade máxima não passava de 30 km.  Quando chegaram Gorete  estava mais suada que tampa de chaleira.  A criança estava para coroar. Dona Severina lavou as mãos com bastante água e álcool e começou seu serviço:  Deu uma garrafa para Gorete soprar e depois de fazer sua oração e escutar a criança com o pinar de madeira, começou a cantar o verso que ela mesmo aprendeu de Doutor Mariano Coelho, lá em Currais Novos:
“Por mais virtual que pareça
A luz daquele orifício
Que existe no frontispício
Por onde passa a cabeça
No momento que apareça
O períneo se adelgaça
Vezes mesmo se estilhaça
Mas, a cabeça passando
E externamente rodando
O Resto do corpo passa”

Mais uma criança nascia na família de Juvenal.

Mané Beradeiro