sexta-feira, 24 de junho de 2016

QUANDO A CACHORRA MORREU

Eu passando na "malhada"
Notei uma cena de dor
Vi ali várias pessoas
De tristeza transpassadas
Fiz ali uma parada
Sabendo do que se deu
Ouvi um dizer o meu
Regozijo se acabou
Foi um dia de horror
Quando a cachorra morreu.

Serviu de consternação
Causando muita tristeza
Alguém com alguma aspereza
Chorou sem consolação
Deocleciano então
Lamentando o estado seu
Vou contar o que se deu
 Fez um grande borborinho
Chorou parte dos vizinhos
Quando a cachorra morreu.

Florência em desatino
Chorou Osório e Justino
Torquato levou avante
Manoel por perseverante
Do pranto nada cedeu
Miguel seu choro rendeu
E finalmente o professor
Este foi quem mais chorou
Chorou toda mocidade
Quando a cachorra morreu.

Choraram as pedras e os paus
Choraram os bons e os maus
Não era caçoada
Quem quis deu sua chorada
O mundo entristeceu
A terra estremeceu
O sol de chorar tremeu
Por ver chorar tanta gente
Choraram com sentimento
Quando "piaba" morreu.

Moisés Lopes Sesiom
Fazenda Malhada - 1915

Referência:
MEDEIROS, Manoel. João Bernardo de Medeiros. Natal. Gráfica Santa Maria, 1990. p. 86-87