quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

MORRE AOS 77 ANOS AFONSO GONÇALVES, GUARDIÃO DA MEMÓRIA DE PATATIVA DO ASSARÉ


Morreu aos 77 anos, nessa terça-feira, 27, Afonso Gonçalves, filho do poeta cearense Patativa do Assaré, um dos maiores nomes da literatura popular brasileira. Agricultor e morador do sitio Serra de Santana, em Assaré, no Cariri, Afonso foi reconhecido ao longo da vida como um importante guardião da memória e do legado do pai, cuja obra ultrapassou as fronteiras do estado e do país.

Patativa do Assaré ficou conhecido como porta-voz do povo excluído de seu tempo, denunciando desigualdades sociais e retratando, em versos marcados pela oralidade, a vida simples do homem do campo. Sua poesia, profundamente enraizada na cultura popular nordestina, conquistou reconhecimento nacional e internacional pela sensibilidade e autenticidade.

Embora não tenha seguido carreira artística, Afonso Gonçalves manteve viva a herança poética de Patativa no cotidiano. Dedicou a vida à agricultura, mas também se tornou uma referência para turistas, pesquisadores e admiradores que visitavam a Serra de Santana em busca de conhecer mais.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

MEDALHA DA RESISTÊNCIA: O MAIOR TROFÉU CONFERIDO AOS HERÓIS MOSSOROENSES

 


    O Museu do Sertão guarda em seu acervo de raridades históricas uma peça de profundo significado: a Medalha da Resistência. Esta condecoração foi entregue em 13 de junho de 1977 pelo então prefeito de Mossoró, João Newton da Escóssia (1925-2017), com a presença do governador Tarcísio de Vasconcelos Maia (1916-1998). A solenidade de condecoração marcou o cinquentenário da vitoriosa defesa da cidade contra a tentativa de invasão do bando de Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1897-1938), ocorrida na tarde de 13 de junho de 1927. A comenda foi outorgada como um reconhecimento oficial à coragem e à determinação dos cerca de 200 heróis que enfrentaram a sanha do "Rei do Cangaço", sendo entregue aos poucos sobreviventes da época e aos descendentes daqueles que já haviam falecido.

   Com quase meio século de existência, este troféu é valorizado tanto por seu valor histórico quanto por sua beleza  artística. Cunhada em bronze, a medalha possui 5 centímetros de diâmetro e pesa 58 gramas, apresentando inscrições e a gravura de uma igreja em alto-relevo. O templo estampado na peça é a Igreja de São Vicente de Paula, de cuja torre partiram os disparos estratégicos dos guardiões da cidade. Ainda hoje, o templo preserva em suas paredes as marcas de bala daquele confronto, materializando a memória da resistência mossoroense.
   Diferente de honrarias contemporâneas, a Medalha da Resistência teve um propósito específico e singular: homenagear os homens que, de armas em punho, arriscaram a própria vida para proteger o solo mossoroense. Recentemente, em 2022, o atual prefeito de Mossoró Allyson Leandro Bezerra Silva instituiu a "Medalha Rodolfo Fernandes", destinada a homenagear anualmente cidadãos que prestam relevantes serviços ao município. Embora esta última medalha leve o nome do  prefeito-herói Rodolfo Fernandes (1875-1927) — líder político que comandou a defesa de Mossoró em 1927 —, ela possui uma finalidade  distinta da Medalha da Resistência de 1977, que permanece como o galardão máximo e exclusivo dos heróis que combateram diretamente os cangaceiros comandados pelo “Rei do Cangaço”.

Benedito Vasconcelos Mendes

WORK SHOW O IMAGINÁRIO NA PONTA DA LÍNGUA

 


sábado, 17 de janeiro de 2026

DIÁRIO DAS FÉRIAS 2026 - APARECIDA II - (TEMPLO)

Quinta-feira, como já publiquei por aqui, conheci um pouco da história da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Depois do passeio pelo rio Paraíba, estive visitando o Santuário Nacional de Aparecida.


O local impressiona pela sua estrutura. Na construção do templo foram usados 25 milhões de tijolos e 257 mil telhas azuis. Há muitas lojas, praças de alimentação, estacionamento imenso. A área total do Santuário ultrapassa 1,3 milhão de metros quadrados (levando em consideração as outras áreas construídas que pertencem a Igreja Católica)


É o maior santuário Mariano do mundo, sendo também a segunda maior basílica, perdendo apenas para a do Vaticano.



sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

DIÁRIO DAS FÉRIAS 2026 - HOLAMBRA

 


Holambra tem apenas 46 anos, ainda é um bebê, comparada às grandes cidades. Ela foi fundada pelos Holandeses, aqueles que fugiam da Segunda Guerra.

Fiquei em Holambra-SP, uma noite e um dia, o tempo suficiente para sentir o quanto a cidade é organizada. 16 mil habitantes é a população. Um município onde tudo funciona de forma cativante. 

A cidade das flores, não tem violência. O último homicídio ocorreu em 2015. O sistema de saúde é tão eficiente, que ninguém precisa ter plano de saúde particular. Não há fila de espera para nenhum procedimento.

Empregos? Todos tem! As escolas públicas têm qualidade de escolas particulares, acentuando que o material escolar, fardamento e transporte é fornecido pelo município.

Em síntese, Holambra é um lugar lindo, quem a conhecer fica com vontade de voltar.



Holambra, terra bendita
Repleta de alegria
Onde o sol beija as flores
Com intensa simetria
Voltarei para revê-la
Bebendo sua poesia.

Mané Beradeiro

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

DIÁRIO DAS FÉRIAS 2026 - APARECIDA - SP

Estou em gozo de férias. Desde o dia 6 de janeiro que estou passeando por algumas cidades. Hoje estou em Aparecida-SP. No Rio Paraíba vou conhecer um pouco da história, onde pescadores encontraram a imagem tão venerada pelos católicos.  




segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

EVENTO COM LEITURINO ABRE AGENDA CULTURAL DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS EM 2026

 O Palhaço Leiturino, personagem criado e vivido por Francisco Martins, desde o mês de outubro de 2009, vai abrir a agenda cultural de Contação de Histórias, na tarde do dia 23 de janeiro, às 16 horas, no Condomínio Porto das Dunas, em Natal-RN.


A tarde promete ser repleta de alegria, com a presença de Leiturino e seus bonecos articulados: Ananias e Sarauê. Haverá exposição de livros e cordéis,  com preços que oscilam de R$ 5,00 a R$ 30,00, podendo ser pagos através de pix ou cartão.

EM 2026 UMA COLUNA ESPECIAL DEDICADA À ANRL


 Em 2026, a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras comemorará 90 anos de existência. Para homenagear a instituição, criei a coluna semanal "CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA LITERÁRIA". Tendo como base as edições das Revistas da própria Academia, farei postagens sobre temas pertinentes à literatura potiguar.

17 ANOS - BUSCANDO A MAIORIDADE


É dada a partida para as publicações neste blog, referentes ao ano de 2026.  Faremos 17 anos de atividades culturais. Ele é sem sombra de dúvidas, um poço onde podemos buscar muita "água" de cultura.  Desejo que continue assim, sendo uma ferramenta de informação e formação aos leitores. Desejo a todos os amigos e as amigas, um ano repleto de coisas boas. 

Francisco Martins
Mané Beradeiro
Leiturino


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A SEMPRE E BOA REVISTA DA ANRL

 

    A Revista nº 85, Outubro a Dezembro - 2025, da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras já anda nas mãos dos leitores.
  A edição atual tem como tema principal o Padre João Maria, considerado "O Anjo de Natal", que em outubro último teve seus 120 anos de encantamento.
   Sou um admirador da Revista da ANRL, tenho a coleção completa. Ela é um conjunto precioso, que traz boa parte da história literária do Rio Grande do Norte.
   Os artigos e ensaios da presente edição estão excelentes. Tratam da história do Padre João Maria, de crença e fé, obras femininas, entrevista, etc. Vale a pena correr os olhos e muito aprender.
   Parabenizo a ANRL, que através do Diretor, Manoel Onofre Jr e do Editor Thiago Gonzaga, mantém, com afinco, a trimestralidade da Revista.

SER ESCRITOR LIVRE

 

Escrever é, muitas vezes, como caminhar descalço por uma rua desconhecida. Cada palavra é uma pedra, cada frase um desvio, e o escritor precisa decidir se aceita o desconforto ou se inventa uma nova trilha. Ser escritor livre é justamente isso: não pedir licença ao mundo para existir em letras.

O escritor livre não se prende ao relógio, nem às regras rígidas da gramática como se fossem algemas. Ele as conhece, claro, mas escolhe quando quebrá-las — como quem desafina de propósito para criar uma música nova. A liberdade está em poder narrar o silêncio de uma praça às três da manhã, ou transformar uma xícara de café em metáfora para a eternidade.

Há quem diga que escrever é trabalho, disciplina, suor. E é. Mas ser escritor livre é também brincar, rir das próprias palavras, deixar que elas se embaralhem e se reinventem com suas próprias réguas. É não temer o julgamento, porque a escrita não é tribunal: é janela. Quem lê, espreita; quem escreve, abre.

No fundo, ser escritor livre é aceitar que a literatura não cabe em molduras. É permitir que o texto seja pássaro: às vezes pousa, às vezes voa, às vezes se perde no horizonte. E o escritor, em sua liberdade, não tenta prendê-lo. Apenas observa, registra e segue.

Porque escrever livremente é isso: não buscar aplauso, mas respiro. Não buscar perfeição, mas verdade. E, quando a última palavra se encerra, o escritor sabe que não terminou nada — apenas começou outra forma de ser.

Taniamá Vieira da Silva Barreto

domingo, 28 de dezembro de 2025

"NÍSIA, SEMPRE PRESENTE!"

CONSTÂNCIA LIMA DUARTE
ESCRITORA E PESQUISADORA




    Ainda hoje, após tantos anos lendo e escrevendo sobre Nísia Floresta, ela continua me surpreendendo. Aliás, não só a mim, mas a todos que dela se aproximam e conhecem um pouco sua história. Pois é mesmo espantoso, convenhamos, pensar que há mais de duzentos anos nascia uma menina em Papary, que se tornaria exceção dentre as mulheres de seu tempo.

Constância Duarte
    Não foram poucos os motivos que Nísia Floresta deu para provocar surpresa e até escandalizar, tanto os contemporâneos como pessoas que a conheceram décadas após sua morte. Gilberto Freyre, Câmara Cascudo, Oliveira Lima, Inês Sabino, Henrique Castriciano, Rachel de Queiroz e Décio Pignatari, por exemplo, foram alguns que se deixaram fascinar por sua inédita preocupação com a vida precária das mulheres.
    Pois, enquanto a grande maioria das brasileiras vivia reclusa, sem nenhum direito e totalmente submetida ao poder patriarcal, Nísia Floresta viajava, dirigia um colégio feminino e escrevia livros em defesa das mulheres, dos escravizados e dos indígenas!

Nísia Floresta
    Nossa escritora foi, com certeza, uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos na grande imprensa, pois, desde 1830 seu nome aparece em periódicos nacionais. Se lembramos que apenas em 1816, a imprensa chegou ao país, mais se destaca o papel pioneiro desta norte-rio-grandense.
    Ao todo, ela publicou quinze livros – dentre romances, contos, crônicas, poemas e ensaios – escritos em português, francês, italiano e inglês, alguns, inclusive, com duas, três, quatro edições. E os textos parecem dialogar entre si como peças complementares de um mesmo plano de ação, visando formar e modificar consciências. Em seus escritos, Nísia Floresta deixa nítido o propósito de intervir no contexto moral e ideológico vigente, no que dizia respeito ao comportamento das mulheres e dos homens.


    Foi também envolvido pelo intenso encantamento de Nísia Floresta que Roberto Lima de Souza – poeta, escritor, compositor e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras –, idealizou e construiu o poema-cordel que ora traz a público.
    Revelando extenso conhecimento sobre a escritora potiguar e gêneros literários – com destaque para o cordel e a herança épica – o poeta realiza verdadeira obra prima ao mesclar os dois gêneros. Do cordel, buscou o sofisticado estilo conhecido por “martelo agalopado”, composto de estrofes de versos decassilábicos, tônicas nas sílabas 3, 6 e 10, e rimas abbaacode. E da tradicional narrativa de poesia voltada para lendas e episódios da história cultural de um povo, Roberto Lima de Souza realizou esse primoroso trabalho em torno da venturosa vida de Nísia Floresta – objeto e sujeito de suas inspirações.
    Temos, então, muito bem articulados o martelo agalopado e as divisões clássicas do gênero épico: a Proposição – com o necessário apelo à inspiração para realizar a cantiga; a Invocação à musa “dos páramos celestes”; a Dedicatória, feita ao ilustre poeta e acadêmico Diógenes da Cunha Lima; seguidos de dez cantos que narram, detalhada e poeticamente as aventuras da heroína. Por fim, vem o Epílogo para encerrar a narrativa. Tudo construído com tal esmero que os leitores se veem envolvidos desde os primeiros versos.
    Surge, pois, neste poema, uma Nísia Floresta de corpo inteiro: a mulher, a mãe, a viajante incansável, a escritora inspirada. Uma brasileira de olhar reflexivo que, em sua longa trajetória de vida, ampliou os passos da jovem nordestina – tradutora de Os Direitos das Mulheres –, mantendo sempre uma postura altiva e consciente de si mesma.
    Assim, a luz que poeticamente emerge dos versos de Ao Brilhante Luar de Papary, reflete bem a vida e obra de Nísia Floresta – inesgotável fonte inspiradora da sensibilidade do poeta conterrâneo.


Fonte: Revista da ANRL,  Nº 85 – OUT/DEZ 2025, páginas 91 a 93.

LANÇAMENTO DO CONTO A MÃE DA LUA, DE JOHNATHAN TRINDADE

 

  Ambientado no Nordeste entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o conto narra a trajetória trágica e apaixonada de Francisco Jerônimo, um homem marcado por uma tragédia e que busca sua redenção. Rivalidades que atravessam sua infância culminam em um ciclo de vingança, obrigando-o a abandonar sua terra natal e assumir uma nova identidade.
  No Comum, pequeno povoado do Rio Grande do Norte, ele recomeça do zero, prospera como fazendeiro e encontra o amor em Cecília, com quem constrói uma família. Contudo, o passado violento, a ambição alheia e as forças da superstição nordestina jamais o abandonam. A figura mítica da mãe-da-lua, ave de canto agourento ligada a antigas lendas indígenas, acompanha a narrativa como um presságio constante.
  Entre ascensão e queda, o conto percorre décadas de transformações sociais, conflitos de terra, corrupção, traição e injustiças, mostrando como o destino de Francisco e Cecília é selado tanto por escolhas humanas quanto por forças que parecem ultrapassar a razão. Ao final, amor, culpa e memória se entrelaçam em um desfecho poético, no qual a lenda se confunde com a própria história.



sábado, 20 de dezembro de 2025

GELEIA DE ACEROLA

 

Quando fizer suco da própria fruta, e isso serve para acerola, manga, caju, etc, ao passar no liquidificador e peneirar, não jogue fora a pasta triturada. Faça com ela uma geleia.
Numa panela ponha a pasta da fruta, acrescente açúcar. A quantidade será sempre duas vezes o peso da pasta. Leve ao fogo médio, ponha água e vá mexendo até cozinhar e ficar borbulhando. Baixe o lume e continue a mexer por uns dois minutos.Desligue, passe por uma peneira, descarte a pasta e a parte líquida volta ao fogo baixo, sempre mexendo, até encorpar.  Espere esfriar, ela ficará com mais consistência.

Francisco Martins
20.12.2025

CLUBE DE LEITURA DA BECC CELEBRA SEU PRIMEIRO ANO