"Quarteirão da Fome", livro da autoria de Raimundo Nonato,
lançado pela Editora Pongetti - Rio de Janeiro, na categoria de romance. O livro não tem colofão, mas segundo Manoel Onofre Jr, saiu do prelo em 1949, sendo este o livro de estreia do escritor Raimundo Nonato.
A história tem como palco principal a fictícia cidade de “Bela Vista”, no Oeste Potiguar. Confesso que tive a felicidade de começar a ler Raimundo Nonato por outras obras, nos gêneros de memórias, histórias e etnografias e, posso assegurar, que prefiro a pena do escritor nesses campos, que a serviço do romance.
Esperava bem mais do romance. O autor não teve a arte de costurar o enredo, para não dizer que nem este existe. São capítulos distanciados da comunhão entre as personagens. Josué Montello nos ensina que “um personagem, para quem o cria, não é uma figura de papel, é um ser humano”.
Em “Quarteirão da Fome” há vários
personagens: Fábio, Dubas, Padre Anastácio, Lulu, Sônia, Adrião, Joca Pires, Carlos
Pontes, Miluca, etc. Todos carentes de narrativas e de elos no romance. Não há
no livro um projeto de história a ser seguido. Que pretende passar o autor? Qual história e de quem ele desejaria contar? Diria que Raimundo Nonato se
perdeu na elaboração do livro.
Os capítulos do livro são pequenos, sem sintonia literária e às vezes o narrador dedica-se mais no estilo de um ensaio, do que propriamente o gênero de romance. Prosseguindo na leitura de outros títulos, deparo-me com textos que são muitos similares, como em "Memórias de um retirante" (1957) e um capítulo de inteiro teor, em "Histórias de Lobishomem"(1951).
Volto a afirmar: Raimundo Nonato é um grande memorialista e historiador. Sua contribuição neste campo literário é rica, principalmente sobre a região Oeste Potiguar, mas não teve o dom de ser romancista.
Por ocasião da celebração do centenário de nascimento do autor, a editora Sarau das Letras fez a segunda edição de "Quarteirão da Fome", em 2007.
FRANCISCO MARTINS
2025 ANO DO CENTENÁRIO DA DIPLOMAÇÃO DE RAIMUNDO NONATO COMO PROFESSOR
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