terça-feira, 13 de outubro de 2009

GRATIDÃO


Para Nevinha (minha primeira e inesquecível professora)


Se um dia você não tivesse me ensinado as letras, não tivesse me ensinado a ouvir a música das sílabas e não tivesse me revelado o segredo das palavras, eu seria mais um analfabeto nesta multidão.

Mas você com seu carisma e seu amor, pegou minha mão pequenina, ajeitou nela o lápis e numa folha de papel foi delineando o alfabeto.

Fez-me rabiscar, circular, desenhar, pintar, escrever, e neste exercício eu fui descobrindo um mundo maravilhoso. Aprendi aos poucos a ler e viajei por histórias fantásticas e inesquecíveis.

Foi você quem plantou em mim a semente da sabedoria, as outras que vieram depois fizeram o serviço do lavrador.

Hoje, já passados trinta e um anos daquela primeira aula, do nosso primeiro encontro, onde um dia eu bati a sua porta vestindo calça curta e trazendo tão somente a cartilha e um lápis apontado, penso em você que ainda continua a ensinar outros meninos.

O mundo mudou muito, a minha vida também, mas nada, nada é capaz de diminuir o sentimento de amor e gratidão que sinto por minha professora.

Foi por seu esforço que sabendo ler, meus olhos contemplaram e meu coração guardou os ensinamentos da sagrada escritura.

Foi por sua dedicação, que aprendendo a escrever, quando rapaz eu pude revelar meus sentimentos ao primeiro amor.

Foi por saber estas coisas que pude ensinar aos meus filhos as tarefas escolares.

Enfim, tudo teve origem naquela manhã em que você tocou minha face, acariciou meus cabelos e disse: “Vem, vou te ensinar a ler e escrever”.

E por isto que eu faço para você este poema. Ele pode não ter o valor de um diamante, o brilho do ouro mais refinado, mas contém toda a minha gratidão, meu afeto e meu amor por aquela que foi, é e sempre será minha inesquecível professora.

( madrugada do dia 17 de agosto de 2000, em Natal-RN, quando era recepcionista do Albergue Lua Cheia).