quarta-feira, 11 de março de 2026

OS MÍSSEIS INVISIVEIS DO BRASIL

 


Enquanto o mundo se debruça sobre arsenais nucleares e poderios bélicos, medindo o alcance de foguetes intercontinentais e a força destrutiva de ogivas, o Brasil silencia em sua possessão de um armamento incomparavelmente mais poderoso e insidioso. Não se enganem com a aparente inocência de nossa diplomacia ou a ausência de ogivas estratégicas em nosso território. Nossos mísseis, testados e comprovados diariamente em solo nacional, superam em mortandade e alcance qualquer projétil fabricado pelos Estados Unidos, China, Irã, Israel ou Coreia do Norte.

Estes artefatos não explodem em cogumelos atômicos nem riscam os céus com sua velocidade supersônica. Eles operam em um plano muito mais sutil e devastador. Sua mira não se volta para bases militares inimigas ou cidades distantes, mas para o cerne da vida de cada brasileiro. Com precisão cruel e eficiência macabra, um desses mísseis pode aniquilar a educação de gerações inteiras, corroer a saúde de milhões, desmantelar a segurança social e pulverizar a vida social, deixando um rastro de desespero e miséria que nenhuma bomba convencional poderia replicar.

O mais trágico e surreal é que esses mísseis não são acionados por inimigos externos. Eles são disparados pelos próprios Poderes que deveriam ser os guardiões, os protetores, aqueles que juraram defender a nação e seu povo. São os mesmos braços que deveriam salvar que, tragicamente, matam. Não há aviões a lançá-los, nem silos subterrâneos a contê-los. Muito pelo contrário, são armas forjadas há longos anos, com aprimoramentos constantes e uma familiaridade ímpar com os corredores e gabinetes do Planalto Central, de onde emanam suas instruções mais eficazes. Eles minam a vida dos brasileiros de dentro para fora, gota a gota, ano após ano, através do combustível mais tóxico que existe: os desvios de verbas. As cifras envolvidas nesses lançamentos são assombrosas, totalizando bilhões e reveladas em sucessivas ondas de escândalos políticos que marcam a história recente do país, tornando a corrupção uma cicatriz aberta e pulsante.

Cada milhão desviado de um hospital é um míssil que acerta uma vida, uma família, um futuro. Cada centavo roubado da educação é um projétil que destrói a esperança de crianças e adolescentes. Cada verba desviada do INSS é uma ogiva que explode na dignidade de idosos e trabalhadores.
Estes são os mísseis que o Brasil lança contra si mesmo, uma guerra silenciosa que ceifa mais vidas, destrói mais sonhos e deixa cicatrizes mais profundas do que qualquer conflito armado. E o mais aterrorizante é que seu poder, ao invés de diminuir, parece se fortalecer com o tempo, atestando uma eficácia letal que envergonha e entristece a nação.

Em tempos de guerra, a primeira e mais urgente tarefa é detectar o inimigo interno, o adversário camuflado que se infiltra e corrói as fundações. Somente após desativar esses armamentos invisíveis, se porventura sobrevivermos e ainda houver uma infantaria de cidadãos dispostos e capazes, poderemos então reforçar as fronteiras para evitar que os perigos de fora entrem e aprofundem as feridas já abertas por nossa própria autodestruição.

Francisco Martins - 11 de março 2026

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