Enquanto o mundo se debruça sobre arsenais nucleares e poderios bélicos, medindo o alcance de foguetes intercontinentais e a força destrutiva de ogivas, o Brasil silencia em sua possessão de um armamento incomparavelmente mais poderoso e insidioso. Não se enganem com a aparente inocência de nossa diplomacia ou a ausência de ogivas estratégicas em nosso território. Nossos mísseis, testados e comprovados diariamente em solo nacional, superam em mortandade e alcance qualquer projétil fabricado pelos Estados Unidos, China, Irã, Israel ou Coreia do Norte.
O mais trágico e surreal é que esses mísseis não são acionados por inimigos externos. Eles são disparados pelos próprios Poderes que deveriam ser os guardiões, os protetores, aqueles que juraram defender a nação e seu povo. São os mesmos braços que deveriam salvar que, tragicamente, matam. Não há aviões a lançá-los, nem silos subterrâneos a contê-los. Muito pelo contrário, são armas forjadas há longos anos, com aprimoramentos constantes e uma familiaridade ímpar com os corredores e gabinetes do Planalto Central, de onde emanam suas instruções mais eficazes. Eles minam a vida dos brasileiros de dentro para fora, gota a gota, ano após ano, através do combustível mais tóxico que existe: os desvios de verbas. As cifras envolvidas nesses lançamentos são assombrosas, totalizando bilhões e reveladas em sucessivas ondas de escândalos políticos que marcam a história recente do país, tornando a corrupção uma cicatriz aberta e pulsante.
Em tempos de guerra, a primeira e mais urgente tarefa é detectar o inimigo interno, o adversário camuflado que se infiltra e corrói as fundações. Somente após desativar esses armamentos invisíveis, se porventura sobrevivermos e ainda houver uma infantaria de cidadãos dispostos e capazes, poderemos então reforçar as fronteiras para evitar que os perigos de fora entrem e aprofundem as feridas já abertas por nossa própria autodestruição.
Francisco Martins - 11 de março 2026
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