O legado mágico de um cinema de bairro.
No periodo de 1969 a 1975, entre seus 10 e 16 anos, o jornalista e escritor Alex Medeiros viveu no bairro das Quintas e experimentou intensamente as emoções da sétima arte no pequeno cinema São José, situado na Rua Pedro Novôa quase na esquina da Rua São Geraldo. Ali ele compartilhou com amigos a magia dos muitos estilos do cinema, do faroeste à comédia, do musical à ficção científica, da aventura de super-heróis aos épicos de piratas e guerreiros medievais.
Na calçada do velho "purguinha" (apelido que se dava na época às pequenas salas de projeção nordestinas) Alex também curtiu uma das suas grandes paixões até hoje: as revistas de histórias em quadrinhos e os álbuns de figurinhas.
Entre a fachada do São José e a lateral do Mercado Público, tudo virava um bazar a céu aberto, com meninos, rapazes e até adultos vendendo, comprando, trocando revistas e figurinhas. E tudo num tempo calculado até que o autofalante do cinema desse o sinal da abertura da bilheteria.
O Cine São José, que foi fundado no começo dos anos 1950 por José Avelino, funcionou até início dos anos 1980, sendo administrado na época de Alex pelo herdeiro Erivam Avelino e sua esposa Adália Moura.
Por muitos anos o jornalista alimentou o desejo de contar um pouco da história do cinema que lhe abriu as portas de um mundo mágico que ele habita até hoje. Várias vezes ele fez menções, em sua coluna de jornal que publica há quase 40 anos, às sessões que assistiu naquele pequeno espaço de entretenimento. Até que em 2024, seu amigo contemporâneo Maurício Designer, um artista de raro talento, mostrou-lhe uma maquete que havia acabado de fazer. Era o saudoso São José renascido em detalhes de massa, madeira e papel. Uma imagem espetacular como se enviada do passado em quatro dimensões.
No ano seguinte, 2025, Maurício surpreendeu de novo o amigo lhe presenteando com outra maquete, de menor dimensão mas com a mesma grandeza de saudade. Depois deu uma notícia que logo despertou o antigo sonho de contar sua aventura no São José: Dona Adália, a dona do cinema, morava perto dele e estava emocionada com as duas maquetes (obviamente houve uma terceira réplica para ela).
Então, Alex combinou umas tardes de conversas movidas a café e entrevistou Adália, colhendo tudo que precisava para registrar a existência do cinema que foi para ele a versão das Quintas de Cine Paradiso (o cinema consagrado no clássico filme do italiano Giuseppe Tornatore).
O livro Cine São José - 35 Matinês tem edição de Adriano de Sousa, projeto gráfico de Gustavo Lamartine e capa e fotos de Giovanni Sérgio a partir da maquete de Mauricio Designer.
Será lançado dia 9 de abril, quinta-feira, às 17h, na Academia Norte-Riograndense de Letras e Conselho Estadual de Cultura, na Rua Mipibu, 443, Petrópolis.
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