segunda-feira, 20 de julho de 2026

COMENTANDO MINHAS LEITURAS: IMPRESSÕES SOBRE A REVISTA Nº 87 DA ANRL

Concluí a leitura da Revista nº 87, da Academia Norte-rio-grandense de Letras. Nela encontramos o artigo de Humberto Hermenegildo, que nos apresenta Cascudo como leitor de Jorge Fernandes — verdadeira aula erudita. No mesmo mote, Manoel Onofre Jr. também aborda Cascudo, revelando cenas descontraídas de nosso gênio. Na sequência, Diva Cunha nos brinda com sua conferência "A arte poética de Paulo de Tarso", proferida na sessão saudade por ocasião do necrológio do poeta que ocupava a cadeira 11. A esse texto soma-se o discurso de agradecimento de Geraldo José Correia de Melo, registrado nas páginas 184 e 185.

Da segunda parte do ensaio "Uma visão panorâmica da Literatura Potiguar", de Rosemary da Silva Alves, senti falta, no último parágrafo (p. 57), da ação promovida pelo Conselho Estadual de Cultura acerca da importância da Literatura Potiguar. Creio que a autora não tomou conhecimento dela.

Quando leio os textos de Marcelo Alves, tenho a certeza de que viajo, enquanto leitor, ao melhor da Europa. Ele conhece profundamente aquela literatura e, em "Expurgos Adultos e Infantis", mantém esse saboroso tempero. O artigo "Revisitando Machado de Assis", de Ivan Maciel de Andrade, é a ponta do iceberg no oceano machadiano. Há muito ainda a ser revelado sobre esse mulato glorioso das letras brasileiras. Mateus Levi busca no livro de Graciliano Ramos, "São Bernardo", o quanto esse "romance constitui um corpus de análise extremamente rico para a compreensão das relações sociais de trabalho e dos mecanismos de reificação no interior da lógica capitalista". Era indispensável trazer esse texto — ele sintetiza o ensaio.

Ainda no campo da literatura, a revista nos oferece em seu menu de leitura uma apresentação de Washington Araújo (Livros que não pedem licença ao leitor), que apresenta "As sombras do céu apagaram nossos rastros", do autor Osair Vasconcelos. É de despertar o apetite do leitor.

João Dantas resgata seu tio-avô em "José Pinto Júnior: literatura e humanidade", que semeou cultura nos anos cinquenta. Logo após, Rogério de Menezes Fialho conclui, com a segunda parte, a saga de Antônio Bento, figura desconhecida para muitos.

Estreando na revista, Isaura Rosado narra a trajetória de Raul Pedroza, artista plástico de sangue macaibense e de grandes voos continentais. Reforça sua contribuição o artigo de Paulo Vergolino, que se debruça sobre as gravuras surrealistas de Raul Pedroza. No campo das artes, temos ainda Ângela Almeida, que escreve sobre arte originária no Rio Grande do Norte — um roçado repleto de boas colheitas.

Adentrando a ampulheta do tempo, temos Manoel Cavalcanti, demonstrando que Pedro Álvares Cabral foi injustiçado pela História. O leitor descubra o porquê lendo o texto das páginas 135 a 140. Pery Lamartine fica registrado nesta edição por meio de Carlos Gomes, que discorre sobre o centenário de nascimento do amigo, a quem sucedeu na cadeira 33. Por fim, antes de adentrarmos a seção "Contos e Crônicas", os dois textos seguintes são de Valério Mesquita que, com sua pena memorável, dá corpo e vida a Lauro da Escóssia, lá do país de Mossoró, de onde também escreve Benedito Vasconcelos sobre a Macaúba, palmeira que promete abençoar nossa economia. Na próxima oportunidade, escreverei sobre os contos, crônicas e poesias que a edição oferece.

Francisco Martins - 20 de julho 2026



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