sábado, 25 de julho de 2026

COMENTANDO MINHAS LEITURAS - A REVISTA Nº 87 DA ANRL - PARTE FINAL.

Contos, crônicas e poemas são gêneros constantes nas edições da Revista da ANRL. Quem primeiro publicou um conto na Revista foi Bezerra Jr. (cadeira 23), na edição nº 4, de 1956. A crônica, por sua vez, precedeu esse marco, figurando na edição nº 3, de 1955, sob a autoria de Câmara Cascudo (cadeira 13). Os poemas estão presentes desde a edição inaugural da Revista, em 1951, com textos de Bezerra Jr., Antonio Soares (cadeira 7), Carolina Wanderley (cadeira 6) e Palmira Wanderley (cadeira 20).

A coleção de Revistas da ANRL , pertencente a Francisco Martins

Confesso que nutro predileção pela crônica, embora não menospreze os contos e poemas. O acervo histórico das Revistas apresenta excelentes textos nestes três gêneros, abrangendo assuntos variados, escritos tanto por acadêmicos quanto por colaboradores. Passo a expor minha opinião acerca do conteúdo constante na edição 87.

Clauder Arcanjo (cadeira 12) mantém sua abordagem característica de escrever contos permeados por elementos populares. O cenário apresentado é simples, contudo, a tessitura narrativa é bem construída e logra prender a atenção do leitor do início ao fim. Já Edilson Nobre Jr. (cadeira 36) compôs uma história que se situa na linha tênue entre o conto e a crônica. Tal fenômeno ocorre pois o autor transporta o leitor ao quindênio do século XX, onde peças da história refletem diretamente nas decisões do protagonista Fernão.

Ivan Lira de Carvalho (cadeira 34), com a obra "A Matemática da Beata", revela a esperteza de uma católica que oferta com uma mão e retira muito mais com a outra. O conto sugere um aproveitamento de mote real — fato que apenas o autor poderá confirmar. Francisco Sobreira, premiado contista, traz um olhar penetrante em "A Mulher que passa", demonstrando sutileza ao criar personagens de notável sensualidade.

Por fim, Alfredo Neves, em "O Homem que procurava a vida", convida o leitor a refletir sobre a existência e o propósito da jornada humana. Registro, outrossim, minha participação nesta edição com o conto intitulado "O Conclave dos Narizes".

No caderno de poemas, observa-se um verdadeiro sarau com as participações de Lívio Oliveira (cadeira 15), Rizolete Fernandes e Roberto Lima (cadeira 9). Poemas constituem sempre um desafio no que tange à sua plena compreensão. Faz-se necessário ler com parcimônia, por vezes em voz alta; o conhecimento prévio da estrutura utilizada na construção auxilia sobremaneira o processo interpretativo.

Contudo, os poemas encerram profundas subjetividades e, confesso, nem sempre logro encontrar o propósito exato do autor ou autora. Não obstante, deleito-me invariavelmente na cadência dos versos e no lirismo das composições apresentadas.

Francisco Martins

25 de julho de 2026



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