Contos, crônicas
e poemas são gêneros constantes nas edições da Revista da ANRL. Quem primeiro
publicou um conto na Revista foi Bezerra Jr. (cadeira 23), na edição nº
4, de 1956. A crônica, por sua vez, precedeu esse marco, figurando na edição nº
3, de 1955, sob a autoria de Câmara Cascudo (cadeira 13). Os poemas
estão presentes desde a edição inaugural da Revista, em 1951, com textos de Bezerra
Jr., Antonio Soares (cadeira 7), Carolina Wanderley (cadeira
6) e Palmira Wanderley (cadeira 20).
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| A coleção de Revistas da ANRL , pertencente a Francisco Martins |
Confesso que nutro predileção pela crônica, embora não menospreze os contos e poemas. O acervo histórico das Revistas apresenta excelentes textos nestes três gêneros, abrangendo assuntos variados, escritos tanto por acadêmicos quanto por colaboradores. Passo a expor minha opinião acerca do conteúdo constante na edição 87.
Clauder
Arcanjo (cadeira 12) mantém sua abordagem característica de escrever contos
permeados por elementos populares. O cenário apresentado é simples, contudo, a
tessitura narrativa é bem construída e logra prender a atenção do leitor do
início ao fim. Já Edilson Nobre Jr. (cadeira 36) compôs uma história que
se situa na linha tênue entre o conto e a crônica. Tal fenômeno ocorre pois o
autor transporta o leitor ao quindênio do século XX, onde peças da história
refletem diretamente nas decisões do protagonista Fernão.
Ivan Lira de
Carvalho (cadeira 34), com a obra "A Matemática da Beata",
revela a esperteza de uma católica que oferta com uma mão e retira muito mais
com a outra. O conto sugere um aproveitamento de mote real — fato que apenas o
autor poderá confirmar. Francisco Sobreira, premiado contista, traz um
olhar penetrante em "A Mulher que passa", demonstrando
sutileza ao criar personagens de notável sensualidade.
Por fim, Alfredo
Neves, em "O Homem que procurava a vida", convida o leitor
a refletir sobre a existência e o propósito da jornada humana. Registro,
outrossim, minha participação nesta edição com o conto intitulado "O
Conclave dos Narizes".
No caderno de
poemas, observa-se um verdadeiro sarau com as participações de Lívio
Oliveira (cadeira 15), Rizolete Fernandes e Roberto Lima
(cadeira 9). Poemas constituem sempre um desafio no que tange à sua plena
compreensão. Faz-se necessário ler com parcimônia, por vezes em voz alta; o
conhecimento prévio da estrutura utilizada na construção auxilia sobremaneira o
processo interpretativo.
Contudo, os
poemas encerram profundas subjetividades e, confesso, nem sempre logro
encontrar o propósito exato do autor ou autora. Não obstante, deleito-me
invariavelmente na cadência dos versos e no lirismo das composições
apresentadas.
Francisco Martins
25 de julho de 2026

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