quarta-feira, 8 de março de 2017

SAPOTERATURA - A BELA BEIJA A FERA

Socorro foi para Dom Marcolino Dantas, pequeno povoado rural, no município de Maxaranguape/RN, onde moravam seus pais e levou consigo as duas filhas: Lorena e Luana. Luana ainda iria completar dois anos. No final da tarde Socorro banha as crianças e as veste com vestidos lindos, laços de fitas nos cabelos e as deixa passearem na rua larga, arborizada e sem calçamento.
Enquanto as filhas brincam sem nenhum perigo, Socorro degusta com sua mãe e seus irmãos de um café regional. Lá fora as meninas Lorena e Luana estão encantadas descobrindo coisas que não veem na cidade, tais como: vacas que retornam ao curral, os cavalos nos estábulos, as galinhas buscando os poleiros para dormirem. Tudo é novidade, Cenas impossíveis de serem vistas dentro de um apartamento.
Durante o deguste Socorro mostra-se preocupada com as crianças que não estão ao alcance da sua vista.
-Filha, aqui não há nenhum perigo. As meninas estão brincando. Daqui eu consigo vê-las.
E aquele momento foi ficando cada vez mais alegre, a confraternização familiar criava laços fecundos, trazia recordações de histórias recheadas com camadas de gargalhadas em cores variadas.
-Será que papai ainda vai demorar a chegar? Perguntou Socorro.
-Que nada, está na hora dele retornar. Falou a mãe
E tal como é certo o sol se por todos os dias,  ele chegou poucos minutos depois.
-Olha! É o barulho do bugre,papai está vindo. Foi o anúncio de Rejane.
Chiquinho estacionou o carro embaixo da Tamarineira e quando entrou em casa saudou a todos e disse:
-Vocês precisam ir lá fora ver o que Luana está fazendo. Mas vão de forma vagarosa para não chamar a atenção.
Raimundo e as filhas saíram em direção a Luana. Na calçada a encontram de quatro pé, com o nariz literalmente encostado na narina de um sapo cururu. O  sapo com as patas dianteiras esticadas para a frente, barriga inflada, tentando provocar medo naquela criança, e Luana, na inocência pueril, balançava a cabeça de um lado para o outro, ao mesmo tempo em que esfregava seu nariz no sapo.
Luana cresceu. Hoje ela é uma bela mulher e acredito que nada neste mundo a fará repetir a cena daquela infância longínqua.

Francisco Martins