segunda-feira, 6 de março de 2017

SAPOTERATURA - A DESCOBERTA DE ÁLVARO


Esta é uma história para crianças. Ela aconteceu há pouco tempo, logo após o sol se por. Numa noite calorenta um sapo resolveu sair para caçar alguns insetos. Ele vestiu uma bermuda, a camiseta regata, calçou o tênis, foi ao banheiro, molhou o rosto, beijou a esposa e disse:
-Vou até a casa 161. Lá tem muitos formigueiros.
-Tome cuidado! Você sabe que há crianças naquela casa, vê se não as assustam. Toda precaução é pouca. Cuide-se para ser apedrejado.
O sapo acatou os sábios conselhos da sua companheira e se foi. Cruzou a rua com passadas largas, com aquele seu jeito desconcertado de andar. Quando chegou em frente a casa 161, subiu a calçada e caminhou em direção ao portão, percebeu que ele não estava totalmente fechado e pode entrar.
Andando pelo beco lateral viu uma cachorra que latia para ele:
-Au, au! Vá embora senhor sapo, aqui não há lugar para você morar. Au, au!
-Calma, senhora cachorra, ou melhor Dona Priscila, não é assim que os humanos a chamam?
-Au, au! Sim senhor.
-Pois bem, Dona Priscila, eu estou aqui apenas para pegar algumas formigas e logo irei para casa. Minha esposa está aguardando eu chegar com o jantar.
-Au, au! Vê se não demora.
E lá se foi a cachorra andando orgulhosa, ao mesmo tempo em que pensava: "sapos, que bichos feios, talvez seja por isso que os humanos não os querem".
O sapo estava debaixo da goiabeira, comendo formigas e pondo outras na bolsa para levar. De repente ouviu uns passos em sua direção, era uma criança com dois anos de idade, um menino. Ao vê-lo parou e ficou surpreso com aquela criaturinha. Neste momento, o sapo se lembrou das palavras ditas pela sua companheira. Olhou para o rosto do menino e viu que ele não estava com medo, olhou para as mãos e percebeu que também  não estavam com pedras.
O batráquio sorriu, fez o melhor sorriso que sabia para aquele filhote de humanos, que indo ao seu encontro, ficou de cócoras a vê-lo comer formigas. A criança passou um bom tempo. Foi quando depois se ouviu alguém chamar: "Alvinho,  Alvinho, onde você está?"
-Cá, mamãe.
A mãe chegou e notou o sapo. Ela também não demonstrou nenhum medo. Álvaro apontou para o bicho e mostrou à sua mamãe a descoberta.  A mãe o pegou nos braços e disse:
-Este é um sapo - s,a,p,o -sa-po. Repetiu a mamãe várias vezes, com voz pausada, ensinando a Álvaro o nome daquele animal.
-Aapó, aapó. Falava ele.
A essa altura, o sapo já estava de pança e bolsa cheia. Era hora de voltar. Enquanto passava pelo beco, o sapo ouviu Álvaro dizer ao seus irmãos:
-Ur, Cocóise, aapó, aapó.
A mamãe esclareceu:
- Arthur e Alex, ele está dizendo que viu um sapo.
As crianças riram e continuaram  brincar, desta vez cantando:

Eu vi um sapo,
Na beira do rio
Com camisa branca,
Morrendo de frio. 
Não era sapo,
Nem perereca,
Era Alvinho, 
Só de cueca!

Francisco Martins