segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A SEMPRE E BOA REVISTA DA ANRL

 

    A Revista nº 85, Outubro a Dezembro - 2025, da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras já anda nas mãos dos leitores.
  A edição atual tem como tema principal o Padre João Maria, considerado "O Anjo de Natal", que em outubro último teve seus 120 anos de encantamento.
   Sou um admirador da Revista da ANRL, tenho a coleção completa. Ela é um conjunto precioso, que traz boa parte da história literária do Rio Grande do Norte.
   Os artigos e ensaios da presente edição estão excelentes. Tratam da história do Padre João Maria, de crença e fé, obras femininas, entrevista, etc. Vale a pena correr os olhos e muito aprender.
   Parabenizo a ANRL, que através do Diretor, Manoel Onofre Jr e do Editor Thiago Gonzaga, mantém, com afinco, a trimestralidade da Revista.

SER ESCRITOR LIVRE

 

Escrever é, muitas vezes, como caminhar descalço por uma rua desconhecida. Cada palavra é uma pedra, cada frase um desvio, e o escritor precisa decidir se aceita o desconforto ou se inventa uma nova trilha. Ser escritor livre é justamente isso: não pedir licença ao mundo para existir em letras.

O escritor livre não se prende ao relógio, nem às regras rígidas da gramática como se fossem algemas. Ele as conhece, claro, mas escolhe quando quebrá-las — como quem desafina de propósito para criar uma música nova. A liberdade está em poder narrar o silêncio de uma praça às três da manhã, ou transformar uma xícara de café em metáfora para a eternidade.

Há quem diga que escrever é trabalho, disciplina, suor. E é. Mas ser escritor livre é também brincar, rir das próprias palavras, deixar que elas se embaralhem e se reinventem com suas próprias réguas. É não temer o julgamento, porque a escrita não é tribunal: é janela. Quem lê, espreita; quem escreve, abre.

No fundo, ser escritor livre é aceitar que a literatura não cabe em molduras. É permitir que o texto seja pássaro: às vezes pousa, às vezes voa, às vezes se perde no horizonte. E o escritor, em sua liberdade, não tenta prendê-lo. Apenas observa, registra e segue.

Porque escrever livremente é isso: não buscar aplauso, mas respiro. Não buscar perfeição, mas verdade. E, quando a última palavra se encerra, o escritor sabe que não terminou nada — apenas começou outra forma de ser.

Taniamá Vieira da Silva Barreto

domingo, 28 de dezembro de 2025

"NÍSIA, SEMPRE PRESENTE!"

CONSTÂNCIA LIMA DUARTE
ESCRITORA E PESQUISADORA




    Ainda hoje, após tantos anos lendo e escrevendo sobre Nísia Floresta, ela continua me surpreendendo. Aliás, não só a mim, mas a todos que dela se aproximam e conhecem um pouco sua história. Pois é mesmo espantoso, convenhamos, pensar que há mais de duzentos anos nascia uma menina em Papary, que se tornaria exceção dentre as mulheres de seu tempo.

Constância Duarte
    Não foram poucos os motivos que Nísia Floresta deu para provocar surpresa e até escandalizar, tanto os contemporâneos como pessoas que a conheceram décadas após sua morte. Gilberto Freyre, Câmara Cascudo, Oliveira Lima, Inês Sabino, Henrique Castriciano, Rachel de Queiroz e Décio Pignatari, por exemplo, foram alguns que se deixaram fascinar por sua inédita preocupação com a vida precária das mulheres.
    Pois, enquanto a grande maioria das brasileiras vivia reclusa, sem nenhum direito e totalmente submetida ao poder patriarcal, Nísia Floresta viajava, dirigia um colégio feminino e escrevia livros em defesa das mulheres, dos escravizados e dos indígenas!

Nísia Floresta
    Nossa escritora foi, com certeza, uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos na grande imprensa, pois, desde 1830 seu nome aparece em periódicos nacionais. Se lembramos que apenas em 1816, a imprensa chegou ao país, mais se destaca o papel pioneiro desta norte-rio-grandense.
    Ao todo, ela publicou quinze livros – dentre romances, contos, crônicas, poemas e ensaios – escritos em português, francês, italiano e inglês, alguns, inclusive, com duas, três, quatro edições. E os textos parecem dialogar entre si como peças complementares de um mesmo plano de ação, visando formar e modificar consciências. Em seus escritos, Nísia Floresta deixa nítido o propósito de intervir no contexto moral e ideológico vigente, no que dizia respeito ao comportamento das mulheres e dos homens.


    Foi também envolvido pelo intenso encantamento de Nísia Floresta que Roberto Lima de Souza – poeta, escritor, compositor e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras –, idealizou e construiu o poema-cordel que ora traz a público.
    Revelando extenso conhecimento sobre a escritora potiguar e gêneros literários – com destaque para o cordel e a herança épica – o poeta realiza verdadeira obra prima ao mesclar os dois gêneros. Do cordel, buscou o sofisticado estilo conhecido por “martelo agalopado”, composto de estrofes de versos decassilábicos, tônicas nas sílabas 3, 6 e 10, e rimas abbaacode. E da tradicional narrativa de poesia voltada para lendas e episódios da história cultural de um povo, Roberto Lima de Souza realizou esse primoroso trabalho em torno da venturosa vida de Nísia Floresta – objeto e sujeito de suas inspirações.
    Temos, então, muito bem articulados o martelo agalopado e as divisões clássicas do gênero épico: a Proposição – com o necessário apelo à inspiração para realizar a cantiga; a Invocação à musa “dos páramos celestes”; a Dedicatória, feita ao ilustre poeta e acadêmico Diógenes da Cunha Lima; seguidos de dez cantos que narram, detalhada e poeticamente as aventuras da heroína. Por fim, vem o Epílogo para encerrar a narrativa. Tudo construído com tal esmero que os leitores se veem envolvidos desde os primeiros versos.
    Surge, pois, neste poema, uma Nísia Floresta de corpo inteiro: a mulher, a mãe, a viajante incansável, a escritora inspirada. Uma brasileira de olhar reflexivo que, em sua longa trajetória de vida, ampliou os passos da jovem nordestina – tradutora de Os Direitos das Mulheres –, mantendo sempre uma postura altiva e consciente de si mesma.
    Assim, a luz que poeticamente emerge dos versos de Ao Brilhante Luar de Papary, reflete bem a vida e obra de Nísia Floresta – inesgotável fonte inspiradora da sensibilidade do poeta conterrâneo.


Fonte: Revista da ANRL,  Nº 85 – OUT/DEZ 2025, páginas 91 a 93.

LANÇAMENTO DO CONTO A MÃE DA LUA, DE JOHNATHAN TRINDADE

 

  Ambientado no Nordeste entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o conto narra a trajetória trágica e apaixonada de Francisco Jerônimo, um homem marcado por uma tragédia e que busca sua redenção. Rivalidades que atravessam sua infância culminam em um ciclo de vingança, obrigando-o a abandonar sua terra natal e assumir uma nova identidade.
  No Comum, pequeno povoado do Rio Grande do Norte, ele recomeça do zero, prospera como fazendeiro e encontra o amor em Cecília, com quem constrói uma família. Contudo, o passado violento, a ambição alheia e as forças da superstição nordestina jamais o abandonam. A figura mítica da mãe-da-lua, ave de canto agourento ligada a antigas lendas indígenas, acompanha a narrativa como um presságio constante.
  Entre ascensão e queda, o conto percorre décadas de transformações sociais, conflitos de terra, corrupção, traição e injustiças, mostrando como o destino de Francisco e Cecília é selado tanto por escolhas humanas quanto por forças que parecem ultrapassar a razão. Ao final, amor, culpa e memória se entrelaçam em um desfecho poético, no qual a lenda se confunde com a própria história.



sábado, 20 de dezembro de 2025

GELEIA DE ACEROLA

 

Quando fizer suco da própria fruta, e isso serve para acerola, manga, caju, etc, ao passar no liquidificador e peneirar, não jogue fora a pasta triturada. Faça com ela uma geleia.
Numa panela ponha a pasta da fruta, acrescente açúcar. A quantidade será sempre duas vezes o peso da pasta. Leve ao fogo médio, ponha água e vá mexendo até cozinhar e ficar borbulhando. Baixe o lume e continue a mexer por uns dois minutos.Desligue, passe por uma peneira, descarte a pasta e a parte líquida volta ao fogo baixo, sempre mexendo, até encorpar.  Espere esfriar, ela ficará com mais consistência.

Francisco Martins
20.12.2025

CLUBE DE LEITURA DA BECC CELEBRA SEU PRIMEIRO ANO



sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA PASSA DE 15 PARA 17 CONSELHEIROS

   

O Conselho Estadual de Cultura-CEC, foi criado pelo Decreto 4.793, de 4 de abril de 1967, pelo Governador Monsenhor Walfredo Gurgel, portanto é uma instituição com 58 anos. A sede do CEC é dentro da Academia-Norte-Rio-Grandense de Letras, onde funciona a mais de 30 anos. No Governo de Garibaldi Filho, o CEC passou a ser regido pela Lei nº 7072, de  28 de outubro de 1997,  com um quadro de 15 membros, sendo três natos ( o presidente da ANRL, o presidente do IHGRN e o Presidente da Fundação José Augusto).

    Em 2 de agosto de 2024 foi aprovada a Lei nº 765, que criou a Secretaria de Estado da Cultura-SECULT,  que trouxe para seu organograma a Fundação José Augusto e o Conselho Estadual de Cultura, antes submetidos à Secretaria de Estado da Educação. Com essa nova Lei, o CEC ganhou mais dois membros, sendo um nato, na pessoa da Secretária de Cultura, e outro a ser indicado pelo plenário para aprovação da Governadora, ainda a ser definido.



A Composiçao atual do CEC é a seguinte:

1) Valério Alfredo Mesquita - Presidente

2) Eulália Duarte Barros -Vice-Presidente

3) Joventina Simões Oliveira  - membro nato, na qualidade de Presidente do IHGRN. Representada pelo Conselheiro Armando Holanda.

4) Diogenes da Cunha Lima - membro nato, na qualidade de Presidente da ANRL. Representando pela Conselheira Leide Câmara.

5) José Gilson Matias  - membro nato, na qualidade de Diretor-Geral da FJA. Representando pelo Conselheiro Ailton Medeiros.

6) Mary Land Brito - membro nato, na qualidade de Secretária Estadual de Cultura. Representada pela Conselheira Rosa Moura.

7) Cícero Martins de Macedo Filho - Conselheiro.

8) Hermano Machado Ferreira de Lima - Conselheiro

9) Diva Cunha Pereira de Macedo - Conselheira

10) Sonia Faustino - Conselheira

11)  Antonio Gentil - Conselheiro

12) Ivan Lira de Carvalho - Conselheiro

13) Manoel Onofre de Sousa Neto - Conselheiro

14) Josimey Costa da Silva

15) João Batista de Morais Neto

16) Rejane de Souza

    O CEC/RN realizou dia 9 de dezembro, a última sessão do exercício de 2025. Os Conselheiros e Conselheiras entram em recesso e voltam a trabalhar na primeira terça-feira de fevereiro de 2026, dia 3.

        É importante dizer que nenhum dos membros  recebem jeton*. Todos trabalham voluntariamente.


*Pagamento por comparecimento em sessões plenárias e reuniões.


   




XXIII FESTIVAL DE CULTURA POPULAR DE SÃO JOSÉ DE MIPIBU

 


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

EXPOSIÇÃO DE AZOL COMEÇA HOJE

 



O artista plástico, Sérgio Azol, abre na noite de hoje, 10 de dezembro, a exposição Reinos do Imaginário, que acontece na sede do Palácio Potengi, onde funciona a Pinacoteca do Estado.

A exposição será às 19 h e tem a Curadoria de Manoel Onofre de Sousa Neto. O trabalho apresentado ao público é fruto de 15 anos de pesquisa.

No dia 2 de dezembro, o artista plástico esteve na sede do Conselho Estadual de Cultural, formulando oficialmente, o convite aos membros daquela instituição, a prestigiarem a exposição.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

21 ANOS DEPOIS, A PAIXÃO CONTINUA FORTE E PERENE PELA LITERATURA

 Hoje, 4 de dezembro, lembro com alegria o lançamento do meu primeiro livro. Vinte e um anos se passaram. Foi num final de tarde, em Ceará-Mirim-RN, no Clube Esportivo e Social. Para o livro "Contos da Nossa Terra", enviei convites a muitas pessoas e até um carro de som divulgou o evento. Contudo, na ocasião, só pude contar com a família e alguns amigos.

Não guardei mágoas; guardei, sim, as boas lembranças da minha esposa ao meu lado, que até hoje me apoia em minhas atividades culturais. Lembro-me de Nevinha, minha primeira professora, que estava lá e viu nascer o escritor.

Passadas duas décadas, continuo no ofício de escriba. Cresci, ganhei prêmios e faço parte de várias instituições culturais. Como bem disse a escritora Eulália Duarte Barros: "um menino que se fez sozinho". Entendo o que ela quis expressar, mas nenhum escritor se faz sozinho. Ele é fruto das leituras que faz, das conversas e das histórias de que participa e que escuta.

Agradeço a todos vocês pelo apoio. Quero continuar colaborando com a literatura e contribuindo para tornar a vida melhor.

"VIDAS DE ALGODÃO" FOI LANÇADO ONTEM COM A PRESENÇA DE AMIGOS E AMIGAS DA AUTORA

Ednice Peixoto realizou, na noite de ontem, 3 de dezembro, o lançamento do seu primeiro livro. Estive lá e testemunhei o quanto ela é querida, com seus amigos e admiradores prestigiando esse momento tão importante em sua vida.

Em Natal, praticamente toda semana há lançamento de livros, alguns com público reduzido, mas na noite de autógrafos de "Vidas de Algodão" não foi assim. A casa estava lotada e as vendas foram além da expectativa da autora.






Sandra Pimentel, eu e Ednice Peixoto

A autora surge no cenário literário com contos. Não tenho dúvidas de que o livro vai me encantar. Vamos à leitura e, em breve, trarei uma resenha sobre 'Vidas de Algodão. Parabenizo Ednice Peixoto pelo lançamento e por nos proporcionar uma leitura que, com certeza, trará momentos prazerosos.


SÁBADO MUSICAL NO IHGRN

 

 Projeto "Sábado Musical no IHGRN" é uma iniciativa cultural que se destaca por promover a música e a arte em um dos espaços mais emblemáticos da história e cultura potiguar, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN).

Idealizado com o objetivo de democratizar o acesso à cultura e valorizar os talentos musicais locais, o "Sábado Musical" transforma os jardins e salões do IHGRN em um palco vibrante para apresentações de diversos gêneros. A cada edição, o público tem a oportunidade de desfrutar de recitais, shows acústicos, chorinho, samba, MPB, e outras manifestações artísticas que enriquecem o cenário cultural de Natal.

Mais do que um simples evento musical, o projeto busca criar um ambiente de convivência e troca, onde a comunidade pode se reunir para apreciar boa música em um contexto histórico e acolhedor. É uma chance de conectar o passado e o presente, celebrando a identidade potiguar através da arte.

Ao abrir suas portas para a música, o IHGRN reafirma seu papel não apenas como guardião da memória, mas também como um centro ativo de produção e difusão cultural. O "Sábado Musical" é, portanto, um convite irrecusável para que todos vivam uma experiência cultural única, fortalecendo os laços comunitários e o apreço pela rica cena artística do Rio Grande do Norte.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

DIVA CUNHA SERÁ A ORADORA NA SESSÃO SAUDADE DA ANRL A PAULO DE TARSO

Paulo de Tarso está sentado à direita,  entre Ana, sua esposa e  Cícero Macedo ( Sessão do CEC em dezembro de 2018)


 A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras-ANRL já definiu quem vai ser a oradora da Sessão Saudade, no necrológio de Paulo de Tarso Correia de Melo. O  convite foi feito a poeta Diva Cunha. Agora, falta apenas agendar a data desse evento, com certeza não vai ser em dezembro.

QUINTA CULTURAL NO IHGRN

 


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

LANÇAMENTO DO LIVRO VIDAS DE ALGODÃO DA ESCRITORA EDNICE PEIXOTO

 


CENTELHA DE CORDEL



Chegou o mês de dezembro
Tão belo e especial 
Trazendo a tradição 
Da grande festa Natal
Que lembra o nascimento 
De Jesus, o divinal.

Mané Beradeiro
01.12.2025