A
Biblioteca Pacheco Dantas é muito importante na minha vida. Lembro bem o
primeiro dia em que entrei nesse espaço sagrado dos livros. Quem me levou até
lá foi a minha mãe, que gostava de ler e viu que ali eu poderia lhe dar mais
sossego, pois sempre fui uma criança sapeca. Tinha hora certa para ser
castigado, pois todos os dias fazia travessuras. Mamãe decidiu então me levar
àquele templo, na esperança de que eu gostasse dos livros. Fui recebido por
Dona Leda, com aquele jeito tão carinhoso. Deu-me livros infantis e disse-me
que poderia voltar todos os dias. Lembro que naquele dia os meus couros foram
poupados. Então, passei a ser um frequentador assíduo daquela casa. Quantos
livros eu li! Quanta cultura e conhecimento adquiri!
Recordo
que, em um domingo, houve uma gincana cultural promovida pela Juventude
Franciscana (JUFRA), da qual participavam os jovens. Em determinado momento,
foi feita a pergunta: quem tinha como lema "Morrer, se preciso for; matar,
nunca"? O silêncio foi geral entre os participantes; nenhum sabia a
resposta. Foi então que gritei: "Eu sei quem disse!" A turma me olhou
e riu da minha atitude. Mesmo assim, ouviram o menino de nove anos, leitor, que
surpreendeu aqueles jovens. "Quem teve esse lema foi o Marechal
Rondon", falei. E, ao me perguntarem por que eu sabia, argumentei que era
leitor da Biblioteca Pacheco Dantas. Vieram aplausos. Foi a primeira menção
honrosa que, de forma indireta, a comunidade estava me dando.
Hoje
sou escritor, cordelista, contador de histórias e pesquisador. Faço parte de
diversas instituições culturais, e foi aí, neste piso ladrilhado, onde janelas
e portas estão abertas para receber quem desejar aumentar seus conhecimentos,
que comecei a nutrir minha alma. Obrigado a todos os que, ao longo dos 81 anos,
têm servido a esse propósito.
Francisco Martins
12 de agosto 2026
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