sábado, 10 de outubro de 2026

CAJUEIRO DE PIRANGI

 

Há obras que nascem do papel. E há obras que nascem da nossa memória afetiva. 
Tive a alegria de transformar o maior símbolo vivo do nosso Rio Grande do Norte - o Cajueiro de Pirangi, em Parnamirim - em arte em quilling.
O maior cajueiro do mundo tem 9 mil metros quadrados e mais de 130 anos de história. É quase impossível passar por Pirangi e não se emocionar com aquela árvore que não para de crescer, que se espalha e cria raízes onde toca o chão. Foi essa ideia de abundância e resistência que quis trazer para o papel.
Nesta releitura, optei por focar no fruto. Três cajus amarelos, maduros, pendentes de um galho retorcido. Cada caju foi construído com dezenas de rolinhos fechados em tons de amarelo ouro, criando volume e textura. A castanha, em marrom escuro, com enrolamento mais apertado, faz o contraponto. As folhas, em um verde intenso e profundo, foram feitas na técnica de folha com contorno, e os gavinhas em espiral dão o movimento de que o galho está vivo, crescendo.
Tudo sobre fundo branco, para que as cores falem por si. A escolha da moldura em madeira, em tom mogno escuro, não foi por acaso: ela remete ao tronco, à terra, à força do cajueiro. É uma moldura caixa, com acetato, que protege mas deixa a sombra dos rolinhos aparecer, criando aquele efeito 3D que só o quilling permite.
Mais que um quadro decorativo, este "Cajueiro de Pirangi" é uma homenagem à nossa terra. É o RN em forma de papel, enrolado com paciência, fio a fio.
Se você já esteve embaixo daquele cajueiro gigante, vai se reconhecer aqui. Se ainda não foi, convido você a sentir um pouquinho da sombra dele dentro de casa.

Ficha técnica:
Filigranista: Francisco Martins
Obra: Cajueiro de Pirangi
Técnica: Quilling (filigrana em papel)
Dimensões:  48x34 cm
Moldura: Madeira maciça em tom mogno com acetato
Ano: 2026

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