segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
A SEMPRE E BOA REVISTA DA ANRL
SER ESCRITOR LIVRE
Escrever é, muitas vezes, como caminhar descalço por uma rua desconhecida. Cada palavra é uma pedra, cada frase um desvio, e o escritor precisa decidir se aceita o desconforto ou se inventa uma nova trilha. Ser escritor livre é justamente isso: não pedir licença ao mundo para existir em letras.
O escritor livre não se prende ao relógio, nem às regras rígidas da gramática como se fossem algemas. Ele as conhece, claro, mas escolhe quando quebrá-las — como quem desafina de propósito para criar uma música nova. A liberdade está em poder narrar o silêncio de uma praça às três da manhã, ou transformar uma xícara de café em metáfora para a eternidade.
Há quem diga que escrever é trabalho, disciplina, suor. E é. Mas ser escritor livre é também brincar, rir das próprias palavras, deixar que elas se embaralhem e se reinventem com suas próprias réguas. É não temer o julgamento, porque a escrita não é tribunal: é janela. Quem lê, espreita; quem escreve, abre.
No fundo, ser escritor livre é aceitar que a literatura não cabe em molduras. É permitir que o texto seja pássaro: às vezes pousa, às vezes voa, às vezes se perde no horizonte. E o escritor, em sua liberdade, não tenta prendê-lo. Apenas observa, registra e segue.
Porque escrever livremente é isso: não buscar aplauso, mas respiro. Não buscar perfeição, mas verdade. E, quando a última palavra se encerra, o escritor sabe que não terminou nada — apenas começou outra forma de ser.
Taniamá Vieira da Silva Barreto
domingo, 28 de dezembro de 2025
"NÍSIA, SEMPRE PRESENTE!"
ESCRITORA E PESQUISADORA
Ainda hoje, após tantos anos lendo e escrevendo sobre Nísia Floresta, ela continua me surpreendendo. Aliás, não só a mim, mas a todos que dela se aproximam e conhecem um pouco sua história. Pois é mesmo espantoso, convenhamos, pensar que há mais de duzentos anos nascia uma menina em Papary, que se tornaria exceção dentre as mulheres de seu tempo.
Não foram poucos os motivos que Nísia Floresta deu para provocar surpresa e até escandalizar, tanto os contemporâneos como pessoas que a conheceram décadas após sua morte. Gilberto Freyre, Câmara Cascudo, Oliveira Lima, Inês Sabino, Henrique Castriciano, Rachel de Queiroz e Décio Pignatari, por exemplo, foram alguns que se deixaram fascinar por sua inédita preocupação com a vida precária das mulheres.Constância Duarte
Pois, enquanto a grande maioria das brasileiras vivia reclusa, sem nenhum direito e totalmente submetida ao poder patriarcal, Nísia Floresta viajava, dirigia um colégio feminino e escrevia livros em defesa das mulheres, dos escravizados e dos indígenas!
Nossa escritora foi, com certeza, uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos na grande imprensa, pois, desde 1830 seu nome aparece em periódicos nacionais. Se lembramos que apenas em 1816, a imprensa chegou ao país, mais se destaca o papel pioneiro desta norte-rio-grandense.Nísia Floresta
Ao todo, ela publicou quinze livros – dentre romances, contos, crônicas, poemas e ensaios – escritos em português, francês, italiano e inglês, alguns, inclusive, com duas, três, quatro edições. E os textos parecem dialogar entre si como peças complementares de um mesmo plano de ação, visando formar e modificar consciências. Em seus escritos, Nísia Floresta deixa nítido o propósito de intervir no contexto moral e ideológico vigente, no que dizia respeito ao comportamento das mulheres e dos homens.
Foi também envolvido pelo intenso encantamento de Nísia Floresta que Roberto Lima de Souza – poeta, escritor, compositor e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras –, idealizou e construiu o poema-cordel que ora traz a público.
Revelando extenso conhecimento sobre a escritora potiguar e gêneros literários – com destaque para o cordel e a herança épica – o poeta realiza verdadeira obra prima ao mesclar os dois gêneros. Do cordel, buscou o sofisticado estilo conhecido por “martelo agalopado”, composto de estrofes de versos decassilábicos, tônicas nas sílabas 3, 6 e 10, e rimas abbaacode. E da tradicional narrativa de poesia voltada para lendas e episódios da história cultural de um povo, Roberto Lima de Souza realizou esse primoroso trabalho em torno da venturosa vida de Nísia Floresta – objeto e sujeito de suas inspirações.
Temos, então, muito bem articulados o martelo agalopado e as divisões clássicas do gênero épico: a Proposição – com o necessário apelo à inspiração para realizar a cantiga; a Invocação à musa “dos páramos celestes”; a Dedicatória, feita ao ilustre poeta e acadêmico Diógenes da Cunha Lima; seguidos de dez cantos que narram, detalhada e poeticamente as aventuras da heroína. Por fim, vem o Epílogo para encerrar a narrativa. Tudo construído com tal esmero que os leitores se veem envolvidos desde os primeiros versos.
Surge, pois, neste poema, uma Nísia Floresta de corpo inteiro: a mulher, a mãe, a viajante incansável, a escritora inspirada. Uma brasileira de olhar reflexivo que, em sua longa trajetória de vida, ampliou os passos da jovem nordestina – tradutora de Os Direitos das Mulheres –, mantendo sempre uma postura altiva e consciente de si mesma.
Assim, a luz que poeticamente emerge dos versos de Ao Brilhante Luar de Papary, reflete bem a vida e obra de Nísia Floresta – inesgotável fonte inspiradora da sensibilidade do poeta conterrâneo.
Fonte: Revista da ANRL, Nº 85 – OUT/DEZ 2025, páginas 91 a 93.
LANÇAMENTO DO CONTO A MÃE DA LUA, DE JOHNATHAN TRINDADE
No Comum, pequeno povoado do Rio Grande do Norte, ele recomeça do zero, prospera como fazendeiro e encontra o amor em Cecília, com quem constrói uma família. Contudo, o passado violento, a ambição alheia e as forças da superstição nordestina jamais o abandonam. A figura mítica da mãe-da-lua, ave de canto agourento ligada a antigas lendas indígenas, acompanha a narrativa como um presságio constante.
Entre ascensão e queda, o conto percorre décadas de transformações sociais, conflitos de terra, corrupção, traição e injustiças, mostrando como o destino de Francisco e Cecília é selado tanto por escolhas humanas quanto por forças que parecem ultrapassar a razão. Ao final, amor, culpa e memória se entrelaçam em um desfecho poético, no qual a lenda se confunde com a própria história.
sábado, 20 de dezembro de 2025
GELEIA DE ACEROLA
Numa panela ponha a pasta da fruta, acrescente açúcar. A quantidade será sempre duas vezes o peso da pasta. Leve ao fogo médio, ponha água e vá mexendo até cozinhar e ficar borbulhando. Baixe o lume e continue a mexer por uns dois minutos.Desligue, passe por uma peneira, descarte a pasta e a parte líquida volta ao fogo baixo, sempre mexendo, até encorpar. Espere esfriar, ela ficará com mais consistência.
Francisco Martins
20.12.2025
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA PASSA DE 15 PARA 17 CONSELHEIROS
O Conselho Estadual de Cultura-CEC, foi criado pelo Decreto 4.793, de 4 de abril de 1967, pelo Governador Monsenhor Walfredo Gurgel, portanto é uma instituição com 58 anos. A sede do CEC é dentro da Academia-Norte-Rio-Grandense de Letras, onde funciona a mais de 30 anos. No Governo de Garibaldi Filho, o CEC passou a ser regido pela Lei nº 7072, de 28 de outubro de 1997, com um quadro de 15 membros, sendo três natos ( o presidente da ANRL, o presidente do IHGRN e o Presidente da Fundação José Augusto).
Em 2 de agosto de 2024 foi aprovada a Lei nº 765, que criou a Secretaria de Estado da Cultura-SECULT, que trouxe para seu organograma a Fundação José Augusto e o Conselho Estadual de Cultura, antes submetidos à Secretaria de Estado da Educação. Com essa nova Lei, o CEC ganhou mais dois membros, sendo um nato, na pessoa da Secretária de Cultura, e outro a ser indicado pelo plenário para aprovação da Governadora, ainda a ser definido.
A Composiçao atual do CEC é a seguinte:
1) Valério Alfredo Mesquita - Presidente
2) Eulália Duarte Barros -Vice-Presidente
3) Joventina Simões Oliveira - membro nato, na qualidade de Presidente do IHGRN. Representada pelo Conselheiro Armando Holanda.
4) Diogenes da Cunha Lima - membro nato, na qualidade de Presidente da ANRL. Representando pela Conselheira Leide Câmara.
5) José Gilson Matias - membro nato, na qualidade de Diretor-Geral da FJA. Representando pelo Conselheiro Ailton Medeiros.
6) Mary Land Brito - membro nato, na qualidade de Secretária Estadual de Cultura. Representada pela Conselheira Rosa Moura.
7) Cícero Martins de Macedo Filho - Conselheiro.
8) Hermano Machado Ferreira de Lima - Conselheiro
9) Diva Cunha Pereira de Macedo - Conselheira
10) Sonia Faustino - Conselheira
11) Antonio Gentil - Conselheiro
12) Ivan Lira de Carvalho - Conselheiro
13) Manoel Onofre de Sousa Neto - Conselheiro
14) Josimey Costa da Silva
15) João Batista de Morais Neto
16) Rejane de Souza
O CEC/RN realizou dia 9 de dezembro, a última sessão do exercício de 2025. Os Conselheiros e Conselheiras entram em recesso e voltam a trabalhar na primeira terça-feira de fevereiro de 2026, dia 3.
É importante dizer que nenhum dos membros recebem jeton*. Todos trabalham voluntariamente.
*Pagamento por comparecimento em sessões plenárias e reuniões.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
EXPOSIÇÃO DE AZOL COMEÇA HOJE
O artista plástico, Sérgio Azol, abre na noite de hoje, 10 de dezembro, a exposição Reinos do Imaginário, que acontece na sede do Palácio Potengi, onde funciona a Pinacoteca do Estado.
A exposição será às 19 h e tem a Curadoria de Manoel Onofre de Sousa Neto. O trabalho apresentado ao público é fruto de 15 anos de pesquisa.
No dia 2 de dezembro, o artista plástico esteve na sede do Conselho Estadual de Cultural, formulando oficialmente, o convite aos membros daquela instituição, a prestigiarem a exposição.
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
21 ANOS DEPOIS, A PAIXÃO CONTINUA FORTE E PERENE PELA LITERATURA
Hoje, 4 de dezembro, lembro com alegria o lançamento do meu primeiro livro. Vinte e um anos se passaram. Foi num final de tarde, em Ceará-Mirim-RN, no Clube Esportivo e Social. Para o livro "Contos da Nossa Terra", enviei convites a muitas pessoas e até um carro de som divulgou o evento. Contudo, na ocasião, só pude contar com a família e alguns amigos.
Não guardei mágoas; guardei, sim, as boas lembranças da minha esposa ao meu lado, que até hoje me apoia em minhas atividades culturais. Lembro-me de Nevinha, minha primeira professora, que estava lá e viu nascer o escritor.
Passadas duas décadas, continuo no ofício de escriba. Cresci, ganhei prêmios e faço parte de várias instituições culturais. Como bem disse a escritora Eulália Duarte Barros: "um menino que se fez sozinho". Entendo o que ela quis expressar, mas nenhum escritor se faz sozinho. Ele é fruto das leituras que faz, das conversas e das histórias de que participa e que escuta.
Agradeço a todos vocês pelo apoio. Quero continuar colaborando com a literatura e contribuindo para tornar a vida melhor.
"VIDAS DE ALGODÃO" FOI LANÇADO ONTEM COM A PRESENÇA DE AMIGOS E AMIGAS DA AUTORA
Ednice Peixoto realizou, na noite de ontem, 3 de dezembro, o lançamento do seu primeiro livro. Estive lá e testemunhei o quanto ela é querida, com seus amigos e admiradores prestigiando esse momento tão importante em sua vida.
Em Natal, praticamente toda semana há lançamento de livros, alguns com público reduzido, mas na noite de autógrafos de "Vidas de Algodão" não foi assim. A casa estava lotada e as vendas foram além da expectativa da autora.
| Sandra Pimentel, eu e Ednice Peixoto |
A autora surge no cenário literário com contos. Não tenho dúvidas de que o livro vai me encantar. Vamos à leitura e, em breve, trarei uma resenha sobre 'Vidas de Algodão. Parabenizo Ednice Peixoto pelo lançamento e por nos proporcionar uma leitura que, com certeza, trará momentos prazerosos.
SÁBADO MUSICAL NO IHGRN
Projeto "Sábado Musical no IHGRN" é uma iniciativa cultural que se destaca por promover a música e a arte em um dos espaços mais emblemáticos da história e cultura potiguar, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN).
Idealizado com o objetivo de democratizar o acesso à cultura e valorizar os talentos musicais locais, o "Sábado Musical" transforma os jardins e salões do IHGRN em um palco vibrante para apresentações de diversos gêneros. A cada edição, o público tem a oportunidade de desfrutar de recitais, shows acústicos, chorinho, samba, MPB, e outras manifestações artísticas que enriquecem o cenário cultural de Natal.
Mais do que um simples evento musical, o projeto busca criar um ambiente de convivência e troca, onde a comunidade pode se reunir para apreciar boa música em um contexto histórico e acolhedor. É uma chance de conectar o passado e o presente, celebrando a identidade potiguar através da arte.
Ao abrir suas portas para a música, o IHGRN reafirma seu papel não apenas como guardião da memória, mas também como um centro ativo de produção e difusão cultural. O "Sábado Musical" é, portanto, um convite irrecusável para que todos vivam uma experiência cultural única, fortalecendo os laços comunitários e o apreço pela rica cena artística do Rio Grande do Norte.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
DIVA CUNHA SERÁ A ORADORA NA SESSÃO SAUDADE DA ANRL A PAULO DE TARSO
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| Paulo de Tarso está sentado à direita, entre Ana, sua esposa e Cícero Macedo ( Sessão do CEC em dezembro de 2018) |
A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras-ANRL já definiu quem vai ser a oradora da Sessão Saudade, no necrológio de Paulo de Tarso Correia de Melo. O convite foi feito a poeta Diva Cunha. Agora, falta apenas agendar a data desse evento, com certeza não vai ser em dezembro.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
CENTELHA DE CORDEL
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
CLUBE DE LEITURA NA MANIMBU COM STELLA GALVÃO
Livro aberto, voz no chão;
Chega Stella Galvão firme,
Luz de estrela e clarão;
Professora e escritora,
Potiguar de coração.
Traz estudo em grande apreço:
Dois caminhos a trilhar,
Duas áreas especializa,
Dois mestrados pra ensinar;
Dois doutorados na mala,
Saber vivo a caminhar.
Já passou por grandes folhas
Da notícia e do real:
Tribuna do Norte firme,
Folha de São Paulo igual;
Onde o texto nasce urgente,
Como um grito essencial..
Pequeno, mas tão profundo;
O fantástico que se curva
E dobra o olhar do mundo;
Hispano e barroco seguem
No seu estudo fecundo.
“Calos e Afetos” revela
Trinta e nove criações;
Cada crônica é janela,
Sangue, afeto, vibrações;
Mostra a força da palavra
E as sutis confissões.
Esperamos o encontro
Que já vem se aproximando;
Vinte e nove de novembro
No sábado iluminando;
Que o saber de Stella chegue
Mais uma vez nos tocando.
E será na Manimbu
Arte e Cultura a brilhar;
Livraria que acolhe
Quem deseja mergulhar
No encanto das letras vivas
Que nos ensinam sonhar.
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
terça-feira, 25 de novembro de 2025
HOJE LEMBRAMOS OS 100 ANOS DA DIPLOMAÇÃO DO MESTRE RAIMUNDO NONATO
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| Raimundo Nonato - octagenário |
Foi feita diplomação
Cem anos já se passaram
Dessa sua formação.
Um sonho realizado,
Raimundo foi diplomado
Ganhou nova profissão
CEC FAZ SESSÃO SAUDADE EM HOMENAGEM A PAULO DE TARSO

Paulo de Tarso em sessão do CEC, ao lado do Conselheiro Presidente Valério Mesquita
O Conselho Estadual de Cultura -CEC do Rio Grande do Norte vai realizar na tarde de hoje, 25 de novembro, uma sessão em homenagem a Paulo de Tarso Correia de Melo, que durante muitos anos foi Conselheiro nessa instituição.
Paulo de Tarso faleceu em outubro último, deixando uma saudade juntos aos familiares e amigos. Fez parte do CEC, da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e da Academia Cearamirinense de Letras e Artes -ACLA- Pedro Simões Neto.
Na sessão de hoje, os Conselheiros e Conselheiras externarão na tribuna, os depoimentos sobre a convivência com o poeta, escritor, conselheiro e amigo Paulo de Tarso Correia de Melo.
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
O ENCONTRO DE ANGICOS E A CONSTELAÇÃO DE SABERES
A Arquidiocese de Natal, em parceria com outras instituições da sociedade civil potiguar, juntamente com as Dioceses de Caicó e Mossoró, está empenhada em promover um Pacto Educativo Estadual. Essa Aliança não acontecerá de forma genuína e profunda sem um amplo movimento que envolva os cidadãos. Não se faz pacto social e democrático sem a participação do povo. Podemos fazer ‘contratos’ sociais; mas sem deveras firmarmos pactos. A pactuação exige boa fé e compromisso com uma causa. Sem isso, esbarramos nas burocracias inférteis e intenções imediatas. O que a Igreja, na pessoa do saudoso Papa Francisco, e agora atualizada pelo Papa Leão XIV, propõe é uma ampla sinfonia colaborativa de todos os sujeitos sociais e das instituições que os representam em vista do bem comum e da justiça social, tendo em vista a garantia e o investimento num processo educativo de qualidade e inclusivo para todos os potiguares.
A proposta do Pacto Educativo Estadual já fora defendido em nossa Arquidiocese desde dois mil e vinte dois, quando foi celebrada a Campanha da Fraternidade, com a temática da “Fraternidade e Educação”. Naquele momento, infelizmente, estávamos ainda a enfrentar, tanto pessoalmente, quanto socialmente, as sequelas da pandemia de COVID. A Campanha não teve a ressonância que costumeiramente se tem. Contudo, o “setor universidades” - pastoral universitária - já propusera a urgência de uma ‘Aliança pela Educação’ em nosso estado. Com a chegada do nosso atual Arcebispo, Dom João Santos Cardoso, a proposta foi retomada a partir de visitas institucionais feitas aos ambientes educativos - IFRN e UFRN. O projeto apresentado pelo Papa Francisco é uma proposta de civilização, ou melhor, reinvenção de ‘culturas’ educativas que acontecem pela formação de ‘conversão de consciências educativas e educadoras’, já que o seu ponto de partida é o primado da pessoa humana em todo o processo educativo.
O Papa Leão, recentemente, nas celebrações do jubileu da educação, em Roma, além de nos apresentar mais três princípios - uma paz desarmada e desarmante, a urgência da ética no uso da inteligência artificial e o cultivo da vida interior - e o Cardeal Newmann como copatrono da educação, falou de “constelações dos saberes”. Com isso, nos traz a imagem de que o processo educativo é uma construção permanente e integrada de vários objetos de conhecimento. A educação também necessita de uma ecologia educativa: uma integração dos componentes do processo educativo. A modernidade nos tirou essa fundamentação - basta fazermos a leitura das obras de René Descartes (1596-1650) - e particularizou os saberes considerando só os seus objetos específicos. O Pacto Educativo Global é uma possibilidade que nos é oferecida para que não limitemos as potencialidades da educação às ambiências acadêmicas e de ensino. O saber para ser eivado de sabedoria, nestes ‘admiráveis tempos novos’, deve partir da pessoa à criação e desta à pessoa, com todas as suas situações existenciais e sociais. Os dez princípios, que devem nortear os “pactos educativos”, com a proposta dos pontífices, possibilitam uma educação integral e inclusiva da pessoa humana, tendo em vista a sua dignidade e relações, desde a sua concepção até o seu fim natural.
Desta forma, o ‘Encontro de Angicos’, que acontecerá no dia vinte e sete de novembro deste ano, no campus da UFERSA, faz parte de uma agenda e é uma chamada ao processo permanente de mudança de mentalidade acerca da urgência de uma educação inclusiva e que favoreça a todos os cidadãos. Inseridos em dramas sociais tão patentes, como as situações de violência, desigualdades e injustiças, nós, potiguares, devemos assumir o esteio da educação como caminho de desenvolvimento em contexto e na cultura contemporânea. Uma aliança pela educação, sem dúvida, nos oferecerá luzes para que um autêntico desenvolvimento aconteça em nossas paragens norte-rio-grandenses. Essa constelação de saberes, sobre a qual o Papa Leão nos fala, precisa ganhar corpo e ser assumida pelas lideranças do povo. A classe política não pode ser indiferente a essa causa. Ela precisa ser uma paixão. Não pode ser assunto só de campanhas eleitoreiras. Mas uma convicção de um direito que precisa ser garantido e abraçado por todos e para todos. Confiemos e apostemos nessa nobilíssima luta. O povo potiguar será o maior beneficiado. Assim o seja!
Pe. Matias Soares
Pároco da paróquia de San vito Afonso - Mirassol/Natal-RN
Coordenador da Comissão de Cultura e Educação da Arquidiocese de Natal
A PRIMEIRA NOITE DE TIÃO E ROSA
Tião, homem de mãos calejadas e coração de ouro, olhava para a sua noiva, Rosa, com um brilho nos olhos que as estrelas do sertão invejariam. A festa de casamento tinha sido simples, mas cheia de alegria, regada a cachaça, forró e muita prosa boa. Agora, a casa estava em silêncio, apenas o som grilado dos insetos e o vento sussurrante na palha do telhado quebrava a quietude da noite.
Rosa, com seu vestido branco de algodão, estava sentada na beira da cama de casal, a primeira que eles teriam juntos. O véu, feito de renda que sua mãe teceu, repousava sobre os ombros, e o cheiro de flor de laranjeira perfumava o ar. Tião sentia um misto de nervosismo e uma felicidade imensa. Tinha esperado a vida inteira por aquele momento.
Ele se aproximou devagar, os passos pesados no chão de terra batida. Rosa ergueu o olhar, e seus olhos grandes e escuros, cheios de doçura, encontraram os dele. Um sorriso tímido surgiu em seus lábios.
"Minha Rosa", ele murmurou, a voz rouca de emoção, "agora somos um só, diante de Deus e dos homens."
Ela estendeu a mão, e Tião a segurou com ternura, sentindo a maciez da pele dela. Não havia pressa, apenas a certeza de um amor que brotou devagar, como a chuva mansa que prepara a terra para a vida. Ele tirou o chapéu de couro e o pendurou no prego da parede, um gesto de quem se despe de seu dia para abraçar a intimidade da noite.
Rosa se levantou, e Tião a ajudou a desatar o espartilho do vestido. Cada botão, cada laço, era um passo para uma nova jornada. O silêncio era preenchido pela respiração dos dois, pelo batucar suave de seus corações. Quando o vestido escorregou e caiu no chão como uma nuvem branca, Rosa estava ali, em sua simplicidade e beleza, iluminada pela luz bruxuleante da lamparina.
Tião tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, percorrendo a linha da mandíbula, a curva do pescoço. Era a confirmação de um sonho, a materialização de um desejo puro e profundo. Eles não precisavam de muitas palavras. O olhar trocado entre eles dizia tudo: respeito, carinho, e a promessa de uma vida partilhada.
Naquela noite, sob o céu estrelado do sertão, Tião e Rosa iniciaram sua história. Não foi uma noite de arroubos ou paixões desenfreadas, mas de uma doçura singela, um encontro de almas que se reconheceram e se acolheram, plantando as sementes de um amor duradouro, forte como o umbuzeiro e resiliente como a caatinga. A primeira noite de núpcias foi o selo de um pacto, a confirmação de que, dali em diante, eles caminhariam juntos, sob o mesmo sol, sob a mesma lua, e com o mesmo coração.
Mané Beradeiro
24 novembro de 2025
terça-feira, 18 de novembro de 2025
POTIGUAR NOTÍCIAS - PNTV DOA ACERVO HISTÓRICO DE 18 ANOS À BIBLIOTECA ZILA MAMEDE DA UFRN
Na manhã desta 2ª feira (17/11/2025), o veículo de comunicação Potiguar Notícias-PNTV, que completa 27 anos de história, realizou a doação de seu acervo de jornais impressos referente a 18 anos de produção jornalística à Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
A entrega foi realizada pelos representantes do Potiguar Notícias, a Diretora Irandi Pinto e o ex-colunista José Correia Torres Neto, em um momento marcado também pela lembrança e homenagem ao fundador do veículo, o jornalista Pinto Júnior (in memoriam), cuja trajetória foi essencial para construção e consolidação da PNTV como uma referência de Comunicação Potiguar.
O grupo recebido pela diretora da BCZM, Magnólia Andrade, juntamente com os servidores Solange Pinon e Silvestre Martins, que celebraram a importância da incorporação do acervo ao patrimônio documental da universidade.
A doação assegura que estudantes, pesquisadores e o público em geral tenham acesso à memória construída pela PNTV ao longo de quase três décadas, preservando a história e fortalecendo a pesquisa sobre a comunicação no Rio Grande do Norte. A Biblioteca Zila Mamede informou que o material passará por processo técnico de organização e catalogação para posterior disponibilidade ao público.
Este ato simboliza o compromisso do Potiguar Notícias com a preservação da história e homenageia o legado do jornalista Pinto Júnior, cuja contribuição continua viva na memória do jornalismo potiguar.
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
COMENTANDO MINHAS LEITURAS: "PODE ENTRAR, A CASA É SUA"
O livro data de 2016 e é um misto de memórias, biografia, causos e depoimentos sobre Raimundo Soares de Sousa. O filho, Silvério, apresenta-nos o pai, com uma prosa que emana prazer, dando alegria ao leitor e vontade de não soltar o livro. Isso é bom! Tarcísio Gurgel foi o prefaciador e outros homens também contribuíram para o recheio da obra.
É um resgate merecidíssimo, que deixa registrado a importância que teve Raimundo Soares de Souza, para Mossoró e o Rio Grande do Norte. Recomendo a leitura, é livro que tem o tempero da vida, da amizade, da luta e sobretudo da ética de um grande homem.
FRANCISCO MARTINS É EMPOSSADO EM MAIS DUAS ACADEMIAS
O escritor Francisco Martins ingressou nesta primeira semana de novembro, em mais duas entidades culturais: a Academia Brasileira de Contadores de Histórias-ABCH e a Academia de Letras e Artes de Parnamirim- Alearp.
A posse na ABCH aconteceu no sábado, dia 8, na cidade de Garanhuns-PE, por ocasião da Iª Conferência Nacional de Contadores de Histórias, que aconteceu de 7 a 9 de novembro. A ABCH foi fundada no estado de Santa Catarina, em 2 de junho de 2014, tendo como idealizadora Claudete Terezinha da Mata.
| Claudete Terezinha da Mata |
Na segunda-feira, dia 10, Francisco Martins tomou posse na mais nova instituição cultural do Rio Grande do Norte, a Academia de Letras e Artes de Parnamirim- Alearp. Que foi fundada e instalada em 2025 e promete ser uma das arcádias mais atuante na Grande Natal.

