quinta-feira, 4 de julho de 2019

GRATIDÃO




Hoje eu fui ao centro de Natal com alunos e professores da Escola Brigadeiro Eduardo Gomes - ouvimos estórias e histórias. Compartilhamos saberes. Recebi um presente: três livros, adornados com uma fita. São seus autores: Câmara Cascudo, Auta de Souza e Newton Navarro, três potiguares que enobrecem nosso RN e vão fixar morada nas prateleiras da minha biblioteca. Muito obrigado @Maria Jose e demais professores e alunos.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

O CURIOSO E FLAMEJANTE COLORISTA

     Quando uma pessoa se propõe a fazer algo para o qual não teve nenhum ensinamento afirmamos que ela é "curiosa". Quero apresentar ao leitor a história de um homem "curioso" que marcou a nossa literatura e foi de grande importância na estrutura editorial deste país.
   
     Suas atividades como "curioso" foram em vários campos da vida; em algumas teve sucesso, noutras não. Foi jornalista, tradutor, fazendeiro, escritor, editor, adido comercial brasileiro (em Nova York), político, desenhista, pintor, caricaturista e ilustrador. Além desses ofícios, a pessoa sobre a qual estou escrevendo teve sua graduação em Direito e foi promotor público. Viveu 66 anos, compreendidos entre 1882 a 1948.

     Consegue o ledor já saber sobre quem escrevo? Nos textos espalhados por vários jornais e revistas da sua época, ele usou muitos pseudônimos, bem mais de vinte. Refiro-me a Monteiro Lobato e quero mais precisamente resgatar o lado, talvez o menos conhecido, das atividades de desenhista, pintor e ilustrador.


( O Minarete, em Belenzinho, São Paulo capital, onde morou quando estudante de Direito. Aquarela pintada por ele)

     A vida de fazendeiro, aos vinte e seis anos de idade, dava ao homem Lobato tempo para se dedicar aos desenhos e aquarelas. Em 1908 ele escreveu para o amigo Godofredo Rangel:

Também pinto muito. Aquarelas como sempre.
A razão de preferir a aquarela ao óleo é que
com este sujo-me todo, inclusive a ponta do nariz.
Vou mandar-te um mar. Vivo aqui entre montanhas
e pois muito sem horizontes - e sempre com grandes
saudades dos horizontes marinhos. E pinto mar como
derivativo. Invento mares, aquarelas de mar...Invento
mares para sentir o horizonte. O horizonte faz bem à
alma (LOBATO, 1946, t. l, p. 224).

     Lobato sabia que para se tornar um bom desenhista era preciso praticar com constância: "Desenho é como piano, questão de exercício" dizia ele. E assim o fez. Sempre que podia enviava algumas ilustrações junto com as cartas remetidas para Rangel, e os desenhos tinham como tema as histórias dos contos que Lobato escrevia e até mesmo de textos da autoria de Rangel, como foi o caso de "Mãe".

     Prosseguiu o artista Lobato e em 1915 um artigo de uma revista feminina ousa adjetivá-lo de "flamante colorista", o que o deixou muito feliz. Ainda na Fazenda Buquira(SP), no mês de maio de 1915 ele se dedicou às aquarelas e desenhos. Vejam o que escreveu para seu amigo Rangel: "Todo este mês foi de desenho e aquarelas - com a literatura de castigo no canto." (LOBATO, 1946, t. 2, p 31).

     Esta prática de desenhar e pintar nunca foi aceita por Lobato como algo profissional; escreveu: "Desenho e pinto como me coço, porque vem a coceira - mas só me coço portas a dentro, para mim mesmo" (Idem, t.2, p. 60). O certo é que aos poucos ele foi vencendo a timidez e começou a mandar seus desenhos para algumas revistas, como, por exemplo, "Vida Moderna", que publicou caricaturas.

(Revista Vida Moderna - Ano XIII - Edição 309 - 12 de abril de 1917)

     No final do ano de 1917 Lobato já está buscando aperfeiçoamento na arte de desenhar. Vamos encontrá-lo frequentando o curso Elpons-Zadig-Wasth, em São Paulo, com aulas noturnas e isso já o encoraja a ilustrar o seu primeiro livro, que será marco da história editorial literária no Brasil.

     Em 1918 Monteiro Lobato estreia como escritor, com o livro de contos Urupês. A primeira edição é de mil exemplares, calculada pelo autor para ser esgotada em três ou quatro anos, o que surpreendeu Lobato, pois todos os livros foram vendidos em uma semana. E é em Urupês, na primeira edição, que podemos ter o maior conjunto de ilustrações assinadas por ele: vinte e três desenhos.

     É esta a face lobatiana que desejei compartilhar neste artigo. Um homem múltiplo, um herói civil, um apaixonado pela arte e sobretudo pela literatura.




Referências: 

ROCHA, Ruth. MARANHÃO, Ricardo. LAJOLO, Marisa. Monteiro Lobato - Literatura Comentada. São Paulo: Abril Educação, 1981.

LOBATO, Monteiro. A Barca de Gleyre. 1 Tomo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1946.

________________. A Barca de Gleyre. 2 Tomo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1946.

________________. Prefácios e Entrevistas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1946.

________________. Urupês. São Paulo: Editora Brasiliense, 1946.

Desenho 1. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=189740&pesq=helio%20bruma


FRANCISCO MARTINS é escritor e pesquisador. Secretário Administrativo do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte. Autor de numerosos cordéis e livros, dentre eles "Canção do Canavial na Briosa Vila do Ceará Mirim" "Autores e Assuntos na Revista da ANRL - 1951 a 2018".                                                                                                        

segunda-feira, 1 de julho de 2019

ASSIM DISSERAM ELES ...




O júri é um grupo de pessoas escolhidas para decidir quem tem o melhor advogado

Eric Ambler (1909-1998)

sábado, 29 de junho de 2019

IGREJA DE SANTO ANTONIO DOS MILITARES


A Igreja de Santo Antonio, em Natal, que também é conhecida como Igreja do Galo ou dos Militares. Foi nela, mais precisamente nesta lateral, onde hoje funciona o Museu de Arte Sacra, que durante 25 anos (1836 a 1861) foi instalado o primeiro Corpo Policial, por isso ela ficou conhecida como Igreja dos Militares.

Hoje muita gente sabe
Amanhã pouco se fala
É preciso semear
A cultura, não a bala.
A Polícia sabe disso
É mister valorizá-la.

Mané Beradeiro
29/06/2019

FUNDAÇÃO VINGT-UN ROSADO - CONCURSO LITERÁRIO

Resultado de imagem para coleçÃO mossoroense

ESCRITORES DO RIO GRANDE DO NORTE - AINDA DÁ TEMPO DE ENVIAR SEU MATERIAL PARA ESTE CONCURSO.

SAIBA MAIS CLICANDO AQUI: CONCURSO

sexta-feira, 28 de junho de 2019

COCÃO NO MAIS SAGRADO DO SAGRADO


Em 1867 morreu Cocão, em Mossoró/RN. Antes foi atendido pelo pároco em confissão, mas não perdoou um inimigo e o padre não lhe deu a absolvição. Morto, a família procurou o padre para enterrar Cocão no Sagrado (nas paredes da Igreja), como era costume. O padre não permitiu alegando que o falecido não partiu em paz com Deus e os homens. Cocão foi enterrado num terreno baldio que havia por trás da Igreja de Santa Luzia. Muitos anos depois, o templo passou por reformas, foi ampliado e onde Cocão estava sepultado é o atual lugar do altar-mor (foto). Coisas da história e que Cascudo registrou.

Cocão partiu sem paz.
Quem somos nós pra julgar?
O Sagrado foi negado
Sepultura singular
E Deus mudou esse fato
Altar-Mor é seu lugar.

Mané Beradeiro
28/06/2019

VIVENDO E ENSINANDO


João Wilson Mendes Melo é um dos mais longevos integrantes da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Nascido no Sítio dos Filgueiras, em Mossoró. Filho de Mirabeau da Cunha Melo e Cândida Filgueira Mendes Melo. Mirabeau foi um dos homens que fez parte do grupo que combateu Lampião. João Wilson nasceu em 3 de junho de 1921. Aos sete anos a família se transfere para Ceará-Mirim e no dia 30 de junho de 1929 falece a sua mãe. O menino João foi aluno do Externato Ângelo Varela, dirigido pela poeta Adele de Oliveira e recebeu aulas preparatórias para o Atheneu, com o poeta Abner de Brito. Em 1934 começa a estudar naquele liceu e em 1936 publica com seu colega Jessé Dantas Cavalcanti, em Ceará-Mirim, o jornal "O Idealista". Em 1944 é estudante de Direito na Faculdade de Alagoas. Em 1945 participa do grupo de fundadores da Escola de Serviço Social de Natal e no dia 15 de agosto de 1946 se une em matrimônio a Maria Augusta da Cunha. João Wilson começa a trabalhar como professor na Escola de Serviço Social de Natal, depois na Faculdade de Filosofia. Sua vida foi sempre voltada para o ofício de estudar. Fez parte do Conselho Estadual de Educação, Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas, criou a Escola Técnica de Cooperativismo e quando a Universidade Federal do Rio Grande do Norte é criada ele integra o Departamento de História. A UFRN o agracia com a Medalha do Mérito Universitário - Grau de Conselheiro, em 21 de maio de 1979. No ano de 1983 é eleito para ocupar a cadeira 25 da ANRL. João Wilson já fazia parte do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte desde 9 de julho de 1966. No ano 2002 ele é condecorado com o título de Cidadão Natalense e a Medalha de Mérito Governador Dinarte Mariz, pelo Tribunal de Contas do RN. Livros, plaquetes, conferências e artigos fazem parte da sua extensa bibliografia. No dia 2 de abril de 2018, o Departamento de História da UFRN propôs, e o Conselho Universitário aprovou a outorga do título honorífico de Professor Emérito, pelos relevantes serviços prestados à UFRN. Tudo que aqui foi escrito é um pouco da história deste homem intelectual. Se desejar saber mais, leia o livro "João Wilson Mendes Melo - VIVENDO E ENSINANDO", de Claudio Galvão. Foi desse livro que colhi as informações.


Francisco Martins.

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO - CASAMENTO

Estavam Mané Beradeiro e o macaco Sarauê passeando  por aí, quando se deparam com um amigo que pulando de alegria anunciava aos quatro aceiros que iria se casar com Clotilde, a  filha do Coronel Mortecerta.  Mané ouviu por alguns momentos as razões daquela paixão, e ficou sabendo os alicerces de um amor tão profundo quanto pisada de borboleta. Aí vem a pergunta do noivo:
-Estou certo Mané Beradeiro?
-Homem, eu recorro à sabedoria para lhe dizer que três tipos de homens não entendem nada de mulheres: os jovens, os velhos e os que estão entre os dois. E, outra coisa, pelo que percebi você vai casar é por causa do dinheiro que Clotilde tem, neste caso NÃO SE CASE POR DINHEIRO, VOCÊ PODE CONSEGUIR EMPRÉSTIMO MAIS BARATO.

ASSIM DISSERAM ELES ...

 



Toda vassoura nova varre bem!

Dom Marcolino Dantas

quinta-feira, 27 de junho de 2019

BOTON É CULTURA E ARTE QUE SE LEVA NO PEITO, NA MOCHILA OU ONDE DESEJAR.

Dr. Genibaldo Barros recentemente quando me viu fez a seguinte saudação: "Prazer em vê-lo  amigo polivalente!" Fiquei rindo e concordando que ele tem razão. Além de ser escritor sou também artista  (como Mané Beradeiro e Palhaço Leiturino), manipulador de bonecos (Ananias e Sarauê), palestrante sobre dois escritores que muito estimo (Monteiro Lobato e José Mauro de Vasconcelos), editor de livros artesanais e cartoneros, cozinheiro, blogueiro e mais recentemente comecei a produzir botons. Isso mesmo, este pequeno souvenir que a turma gosta de usar fixado nas roupas ou mochilas. Produzo os mais variados temas, usando  técnica artesanal. Aceito até encomendas. Quem se interessar é só entrar em contato pelo whatsApp (84) 8719-4534.
 Temas: Super-heróis; times brasileiros; personagens de Monteiro Lobato; Frida; profissões; engenhos de Ceará-Mirim; José Mauro de Vasconcelos, leitura, etc.

CURIOSIDADE SOBRE A HISTÓRIA DE CEARÁ MIRIM

 O Barão de Ceará-Mirim, Manuel Varela do Nascimento (1803-1881), não construiu apenas A Casa de Instrução, que mais tarde passou a ser o Grupo Escolar Barão do Ceará-Mirim, depois Felipe Camarão, sendo demolido em 1925.

No ano de 1878, no lugar Veríssimo, propriedade do Barão do Ceará-Mirim, funcionou um colégio, o São Miguel, em prédio construído para tal fim, fundado e dirigido pelo francês Louis Carloman Capdeville. No mesmo local, o Dr. Francisco de Sales Meira e Sá manteve e dirigiu, de 1884 a 1888, o Colégio São Francisco de Sales. O prédio foi demolido. 

 
 Referências:
CASCUDO, Luis da Câmara. Governo do Rio Grande do Norte.p. 209/210.
LIMA, Nestor.O Município de Ceará-Mirim. p. 144/145.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

DOM MARCOLINO DANTAS

Foi exatamente a 90 anos que chegava na cidade do Natal, no dia 26 de junho de 1929, o baiano Dom Marcolino Dantas, que assumiria no dia 29 daquele mês e ano, a Diocese de Natal, sendo seu 4º Bispo. Dom Marcolino tinha uma verve poética e gostava muitos de trocadilhos. 
Dom Marcolino Dantas
Lembro-me de algumas histórias hilárias que o Monsenhor Eymar L'E Monteiro escreveu sobre ele e eu li quando fui seminarista no idos de 1981/83. Uma delas é sobre a visita de dois padres que tinham se sidos ordenados recentemente e vieram passear em Natal. Aproveitam a estada e querem conhecer o Bispo Dom Marcolino, que morava no Palácio Episcopal,  em frente à Igreja de Santo Antonio.  Ao serem apresentados ao bispo acontece o seguinte diálogo:
-De onde vocês são?
-Somos de Sergipe!
E Dom Marcolino aproveita:
-Na vida temos que deixar de ser jipe e passamos a calhambeque!

LANÇAMENTO NO SEMINÁRIO DE SÃO PEDRO

Amanhã, 27 de junho, às 17 h, na sede do Seminário de São Pedro, sito a Rua Campos Sales, 850, bairro Tirol, em Natal, acontecerá o lançamento do livro organizado por Antonio Marques de Carvalho Jr e Flávio Gameleira, que tem o título: "Karitós - viagem em terras do Brasil". Trata-se sobre uma excursão de padres e seminaristas de 1963/64. Toda a renda da venda será revertida para o Seminário de São Pedro.

SATÂNICO É MEU PENSAMENTO ...



Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo filho da...


Carlos Drumonnd de Andrade

terça-feira, 25 de junho de 2019

UMA BOTIJA LITERÁRIA


    Tem objetos que nos fascinam, diria que vão mais além: cativa-nos. É o caso da Revista da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. A minha alma é muitas vezes nutrida pela leitura desse periódico. Digo até que ela está viciada pelas edições que saem do trabalho de Manoel Onofre Jr (Diretor) e Thiago Gonzaga (Editor).

    Aguardo ansioso o dia do lançamento de cada número. Fico ávido pelos ensaios e artigos, deleito-me nos contos e crônicas, descanso lendo poemas e em tudo vou enriquecendo e aumentando trimestralmente meu patrimônio cultural. Em minha casa reservo com muito zelo e vigilância um espaço à coleção. Tenho praticamente todas, faltando-me apenas dois números.

    Perdi a conta das vezes que usei os volumes desta coleção para buscar informações sobre a cultura do RN. O conjunto é inegavelmente rico de conteúdo. Penso sempre que não são apenas textos, mas conversas e cânticos que a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras nos presenteia em forma de prosa e poesia.
Alfredo Neves e Francisco Martins

    Particularmente é minha Botija Literária, um tesouro que começou a ser espalhado em 1951 e perdurará por muitos e muitos anos.

    Hoje, 25/06/19, recebi o número 59, referente ao trimestre Abril a Junho. Nele tenho a publicação do artigo " O Curioso e Flamejante Colorista". A capa traz a reprodução de um quadro, da autoria de Alfredo Neves. Vou às páginas da mais recente revista - Rumo à Luz!

Francisco Martins
25.06.2019

                                       

sexta-feira, 21 de junho de 2019

MACHADO DE ASSIS

21 de junho de 1839: Nasce o escritor brasileiro Machado de Assis


    Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico, e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis. Perdeu a mãe muito cedo e foi criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que frequentará o autodidata Machado de Assis. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava na missa na Igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contacto com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava a trabalhar.

    Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender. Consta que, em São Cristóvão, conheceu uma senhora francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de Francês. Contava, também, com a proteção da madrinha D. Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde os seus pais trabalharam.

    Aos 16 anos, publica o seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo.

    Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o tempo livre. Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias, que se torna seu protetor.

    Em 1858 volta à Livraria Paula Brito, como revisor e colaborador da Marmota. Lá constrói o seu círculo de amigos, do qual faziam parte Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de Alencar e Gonçalves Dias.

    Começa a publicar obras românticas e, em 1859, era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. O seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor. No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não lhe rendia qualquer remuneração, mas possibilitava-lhe ter acesso livre aos teatros. Publica o seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas.

    Agosto de 1869 marca a data da morte do seu amigo Faustino Xavier de Novais, e, menos de três meses depois, em 12 de Novembro de 1869, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.

    Nessa época, o escritor era um típico homem de letras brasileiro bem-sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público e por um casamento feliz que durou 35 anos. D. Carolina, mulher culta, apresenta Machado aos clássicos portugueses e a vários autores da língua inglesa. A sua união foi feliz, mas sem filhos. A morte da sua esposa, em 1904, é uma sentida perda, tendo o marido dedicado à falecida o soneto Carolina, que a celebrizou.

    O seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.

    Em 1881, com a posse como ministro interino da Agricultura, Comércio Obras Públicas do poeta Pedro Luís Pereira de Sousa, Machado assume o cargo de oficial de gabinete. Publica, nesse ano, um livro extremamente original, pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de Brás Cubas - que foi considerado, juntamente com o Mulato, de Aluízio de Azevedo, o marco do realismo na literatura brasileira.

    Apoiou a ideia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras e no dia  28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de Setembro de 1908.



Texto recebido pelo WhatsApp de Manoel Neto.
     

segunda-feira, 17 de junho de 2019

NAIDE MENDES RECEBEU HOMENAGEM NA ESCOLA HOMERO DANTAS



A Professora Naide Mendes, que se aposentou recentemente das suas atividades laborais, foi homenageada na última sexta-feira, à tarde, por um grupo de amigos que conviveram com ela na Escola Municipal Homero Dantas, em Parnamirim-RN, local onde estava trabalhando quando se cumpriu o tempo da aposentadoria. Certo dia, numa aula, um aluno perguntou: "Padre Monte o que é ser professor?" e ele respondeu: SER PROFESSOR É DESCER AO NÍVEL DO ALUNO E ELEVÁ-LO AO NÍVEL DO PROFESSOR"



Não tenho dúvidas que Naide Mendes praticou isso ao longo da sua vida como mestra. É bem verdade que a jornada trabalhista de um professor é cansativa, por isso assim falou o Professor Antenor Azevedo: "Professor é como motorista de taxi: passa o dia correndo". Eu conheço bem esta realidade, sou casado com uma professora que se dedica incansavelmente ao ofício. Às vezes eu fico abismado com tanto amor que esses homens  e mulheres dedicam à profissão de ensinar. E então, lembro-me do que escreveu o Professor Doutor Cirinei Cecote Stein: " Um médico, se cometer um erro, poderá destruir a vida de um indivíduo. Um professor, se cometer um erro, poderá destruir a vida de toda uma geração" Estive no seleto grupo que homenageou Naide Mendes, fui testemunha do depoimento dados por crianças, jovens e adultos sobre a trajetória desta mulher no magistério. As palavras escritas e faladas a ela direcionadas tiveram naquela tarde um sabor especial, uma cor única e uma sonoridade celestial. A lição que eu levei para casa é que o Brasil só será livre e próspero quando nós soubermos  valorizar integralmente nossos professores. Naide Mendes já cumpriu seus 34 anos de labuta é chegada a hora de descansar e contemplar a lavoura. Obrigado "Tia" Naide!

Francisco Martins
17 de junho 2019



quarta-feira, 12 de junho de 2019

HUMOR DE MANÉ BERADEIRO



Quem não gosta de cuscuz
Deve ser abilolado
Ter nascido sem ver luz
Já chegou todo cagado
Não tomou leite do peito
Nunca viu do rio um leito
É cristão desconchavado.

Mané Beradeiro
12.06.19

PRAÇA ANDRÉ DE ALBUQUERQUE

Praça André de Albuquerque. Em seu entorno nasceu a cidade de Natal. A primeira rua que era conhecida com o nome de Rua Grande, a primeira igreja que foi demolida pelos holandeses, o pelourinho, etc. O chão da praça é testemunha de muita história. Deram-lhe o nome de André de Albuquerque, o líder e mártir da Revolução de 1817. Esqueceram de fazer no berço de Natal uma homenagem ao fundador da cidade: Jerônimo de Albuquerque.

Quando a praça era um descampado, em 1906 foi aí que pela primeira vez os irmãos Pedroza trouxeram da Inglaterra uma bola de futebol e Natal assistiu a primeira pelada, registra Cascudo.

No berço da capital
Tem histórias de montão
Marco Zero de Natal
Porteira do coração
Quem por ela já passou
Vê a Praça em aflição.

Mané Beradeiro



terça-feira, 11 de junho de 2019

MADALENA ANTUNES

Hoje é apenas um muro, mas exatamente aí, neste local, que fica na Avenida Hermes da Fonseca, bem defronte ao que resta do Estádio Juvenal Lamartine, em Natal, foi a casa da maior memorialista do Rio Grande do Norte e uma das quatro melhores do Brasil. Quem foi ela? MADALENA ANTUNES PEREIRA, autora do livro Oiteiro - Memórias de uma sinhá-moça (1958). Hoje faço esta homenagem a ela, pois 11 de junho é o 60 aniversário do seu encantamento. Madalena tornou-se imortal nos livros.

Madalena com a pena
Registrou tudo que viu
Os negros sendo libertos
A nobreza que existiu
Agora só em OITEIRO
Saudamos quem já partiu.

Mané Beradeiro.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

GENERAL VARELA

Com esta postagem eu começo hoje uma série de pequenos textos sobre a história da cidade do Natal. Tudo baseado em leituras e com o olhar de Mané Beradeiro, poeta que deseja apresentar em prosa e verso fatos, locais e personagens de uma Natal adormecida dentro dos livros.

Rua Professor Zuza, centro. Dia 8 de junho 2019.
Esta rua já foi chamada de Jerônimo de Albuquerque. Câmara Cascudo diz que onde existiu a casa de número 219, residiu o General Varela (João da Fonseca Varela), herói na guerra do Paraguai, Comandante do Forte dos Reis Magos.
"Foi General João Varela
Homem que amou o Brasil
Lutou lá no Paraguai
Disparando seu fuzil
Defendeu a nossa pátria
O jovem tão varonil"

João Varela nasceu em 2 de dezembro de 1850 e faleceu em 1931.

TRÊS CABRAS DE JESUS CRISTO - SANTOS JUNINOS SIM SENHOR!

O poeta Mané Beradeiro disponibilizou pelas redes sociais, na semana passada, o texto completo do seu mais recente poema construído no estilo de cordel.  Três cabras de Jesus Cristo - Santos juninos sim senhor! trata sobre o universo celebrado no tradicional mês junino, quando são festejados os santos Antonio, João Batista e Pedro. O poeta construiu o texto com 38 estrofes, sendo 37 sextilhas e 1 décima. A arte da capa foi feita por Flávio Barjes, poeta e capista do norte do Brasil.

1
No Nordeste do Brasil
Todo ano, mês de junho,
As cidades ficam lindas
E dão grande testemunho,
Festejando homens santos,
Corajosos e de punho.
2
É o mês mais musical,
Com forró de pé de serra;
Tem quadrilhas pelas ruas,
Bandeirolas  pela terra;
Estouram fogos nos ares,
Mas é paz e não a guerra.
3
As comidas destas  festas
Trazem o cheiro da infância,
Que ficou lá no passado,
Eu vejo hoje à distância,
Lembro bem da minha mãe
Cozinhando com abundância.
4
A canjica tão bem feita
Com açúcar, milho, leite;
A panela vai ao fogo
E se mexe sem enfeite;
Quando fica cozinhada,
Não falta quem aproveite.
5
Se você nunca raspou
A panela da canjica,
Não sabe o que é gostoso,
Como é que a gente fica,
Tão feliz igual a gato
Dormindo dentro da bica
6
 A Pamonha é coisa boa
Dá gosto dela comer;
Estando doce ou salgada,
Enche o bucho pode crer;
É um trabalho danado
Essa comida fazer.
7
A canjica quando deita,
Veste o prato de amarelo. 
A pamonha costurada,
Mais parece Chica Melo,
Quando põe camisolão
Pra dormir com Gracielo.
8
Pra  tirar a  timidez,
O quentão e a catuaba.
Se beber em demasia,
Vai cair como mangaba.
Se pensou ser tubarão,
Não deixou de ser piaba.
9
Eu direi neste cordel
Os santos que são lembrados:
Santo Antonio, dia 13,
Que atende os apaixonados.
Vitalinas fazem preces
E cadê os resultados?
10
Santo Antonio traz nos braços
O menino Salvador;
Tem moça desesperada
Que causa grande terror,
Escondendo Jesus Cristo,
Só devolve com favor.
11
“Só verá o seu menino
Se meu desejo atender.
Consiga-me um namorado.
Pode-me surpreender.
Se avexe, meu Santo Antônio,
Quero  meu noivo escolher!”
12
 Será  que o santo é machista?
Não atende quarentona?
A solteira da Raimunda
Tomou banho de acetona,
Foi pro baile bem faceira,
Namorar Pedro Azeitona.
13
A fogueira foi acesa
Na noite de Santo Antônio.
Desceu Raimunda a ladeira,
Balançando o patrimônio.
Diz Pedro Azeitona ao vê-la:
“Eita  , que poço de hormônio!”
14
Santo Antonio, lá do Céu,
Sentiu cheiro de chouriço
E Ficou todo encantado
Com aquele reboliço.
Viu Raimunda namorar,
- Terá o amor um feitiço?
15
São três santos celebrados,
Dois ainda vou falar:
João Batista com São Pedro
Cada um mais singular
Suas vidas nos ensinam
A quem devemos olhar.
16
Em 24 de junho
São João Batista é lembrado.
O seu pai foi Zacarias,
Em Isabel foi gerado.
Nasceu bem antes do primo,
Esse profeta arretado
17
Não vestiu roupas de marcas,
 E tampouco o mar cruzou.
Mas um dia um gesto seu
O seu primo revelou,
Mostrando Jesus, o Cristo,
O Cordeiro que chegou.
18
Por isso que na bandeira
Tem ele com carneirinho,
Lembrando ser o profeta
Que sabia direitinho.
Com João não tem  arrodeios,
Mostrou bem certo o Caminho.
19
Tem o fato, tem a lenda,
É preciso separar.
Um real, outro inventado,
Enfeitam nosso sonhar.
Bem assim são as fogueiras
Sobre elas vou falar.
20
Isabel foi visitada
Por alguém de Nazaré.
A jovem, bela Maria,
Casada com São José,
Que  já esperava Jesus,
A razão da minha fé.
21
Naquele tempo distante
Telefone não havia.
Isabel teve a ideia
E disse para Maria,
Quando João fosse nascer
A fogueira acenderia.
22
Preservou a tradição
E a  lenda foi espalhada.
Por isso que ainda hoje,
A fogueira é preparada,
Lembrando que João nasceu
De uma idosa, já cansada.
23
Quando criança brinquei
 Com a fogueira abrasada.
No calor daquela lenha,
Promessa bem confirmada.
Parentesco que surgia
Naquela festa animada.
24
“Eu serei teu  afilhado,
Tu serás o meu padrinho.
A fogueira testemunha,
Confirmada por Joãozinho.
É ordem de Jesus Cristo,
Recebida por Pedrinho”
25
Vamos celebrar São Pedro,
Já chegando o fim do mês.
29 é  seu o dia,
Sabe eu, tu e vocês.
O santo mais estressado
Vou dizer em um, dois, três.
26
Um –  nasceu em Betsaida,
Pescador da Galiléia.
Tinha nome de Simão,
E teimava igual a ‘véia’
Jesus Cristo disse: “Venha
Fazer parte da colmeia.”
27
Dois – seu nome foi mudado,
E Pedro passou a ser.
Vivendo com Jesus  Cristo,
Muito pôde aprender,
Pois tendo o pavio curto,
Precisou se converter.
28
Três -  prometeu não negar
O Mestre  que lhe ensinou
Ser  o amor força maior
Que o homem  já  encontrou.
Pedro foi fraco em ação
Pois  a seu mestre negou
29
E Jesus, onisciente,
Disse: Arrepare, bichim
O galo hoje só canta
Depois que  negares a mim,
Três vezes encarriado
Tu farás sem um pantim.
30
Pois agora vou contar
Como Pedro se vingou.
É lenda, não tá na Bíblia,
Foi vovô quem me contou.
Pedro saiu com facão
Procurando quem cantou.
31
E naquela madrugada,
A coisa só piorou.
Pedro pulava portão
E muitos galos matou.
Galinhas  enviuvaram
E nem um frango escapou.
32
Quando o dia amanheceu,
Pedro viu o mal que fez.
Viu que o errado era ele
Foi tamanha estupidez,
Sentiu que seu coração
Era terra de aridez.
33
E Pedro pôs-se  a chorar:
Negar Jesus foi demais,
Pois um homem como aquele
Não veria outro jamais.
Era seu porto seguro,
O fenomenal do cais.
34
Acendeu uma fogueira,
Na brasa pôs o passado.
O fogo que nele ardeu
Fez  de  Pedro um transformado.
Era agora diferente,
Pescador santificado.
35
“Tem as chaves lá do Céu”
Diz o povo em seu falar.
Foi promovido por Cristo
Abre a porta, deixa entrar
Aqueles que Jesus manda
No Paraíso habitar
36
Vou concluir o cordel,
Pois a festa tá bonita.
Quero  comer da pamonha,
Usar camisa de chita,
Ver o povo no salão
Se atolando na birita.
37
Faço votos que o leitor
Guarde a nossa tradição,
A cultura popular
Tão repleta de emoção,
Riqueza dos brasileiros
Que fazem esta  nação.
38
M eu abraço e paz  eu lhe dou
B ote água nesta chaleira
E stou indo lá na feira
R ua da Consolação
A trás duma fruta-pão
D ela  sou um grande fã.
E se for com ribaçã,
I sso fica na memória.
R eforça bendita glória
O café desta manhã.

Mané Beradeiro
11 de maio de 2019

terça-feira, 21 de maio de 2019

ASSIM DISSERAM ELES ...

O livro é  mais durável  que o bronze das estátuas  e os mármores  das lápides.

Câmara Cascudo
Acta Diurna de 4 outubro 1940.

domingo, 19 de maio de 2019

TORRE ,RELÓGIO E SINOS DA ANTIGA CATEDRAL



Conhecer a história de Natal, capital do RN é um dos temas das minhas leituras. Gosto de saber das coisas e dos pormenores. Passar diante de um monumento, um prédio ou numa rua e saber algo sobre aquele local é algo prazeroso. Hoje quero compartilhar com meus leitores um pouco sobre a antiga catedral, mas especificamente no tocante à torre, o relógio e os sinos.
Câmara Cascudo relata que foi no governo provincial do Presidente Antônio Bernardo Passos, o XX a governar o RN, no período de 1 de outubro de 1853 a 1 de abril de 1857, que ele resolveu construir a torre e comprar o relógio.
"O Presidente Passos subscreveu uma boa quantia e angariou os donativos. O relógio foi comprado. A torre construiu-se e nela se pôs o relógio. Ainda está batendo as horas" (CASCUDO,1942).
Curioso é que na torre existe a data de 1862, quando Passos não era mais o Presidente da Província e Cascudo silencia sobre esta data na Acta Diurna de 16 de fevereiro de 1942.
Fui rever outros textos.  No livro "História da Cidade do Natal" o pesquisador diz que em 1862 começaram a construir a torre e no ano seguinte ela é inaugurada com um novo sino e o relógio. Cascudo explica que a linguagem dos sinos tinha todo um significado, como por exemplo: 10 badaladas seguidas (nascimento de uma criança), 9 batidas (menino) 7 batidas (menina).  Mas nem todos gostavam de ouvir os sinos tocarem, foi o caso do Dr. Antônio Francisco Pereira de Carvalho, também Presidente da Província (1852-1853) que mandava o sineiro ser breve no tocar dos sinos.



 Referências

CÂMARA, Cascudo.  Os sinos da matriz. Acta Diurna, in: A República, 31.12.1939
_______Toque de sino. Acta Diurna, in: A República, 22.08.1940
_________. O Presidente Passos. Acta Diurna, in: A República, 15.02.1942
________. História da Cidade do Natal. 2a edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1980.

Francisco Martins
19.05.2019

sábado, 18 de maio de 2019

REVISTA DIGITAL KUKUKAIA PUBLICA ENSAIO DE MANÉ BERADEIRO



A Revista Kukukaia, edição Março/Abril 2019 publica o ensaio do poeta Mané Beradeiro sobre o romance do cordel brasileiro  "Os cabras de Lampião", da autoria de Manoel D'Almeida Filho. O ensaio já foi publicado aqui no blog, mas na revista ficou muito melhor a forma de ler, pois aparece no estilo de livro digital. Para acessar  a resenha é só clicar em: Revista Kukukaia

segunda-feira, 13 de maio de 2019

POETA XEXÉU CELEBRA 81 ANOS DE VIDA



Hoje, 13 de maio de 2019,  eu pergunto a uma menina por nome de Fátima se ela porventura  teria algum segredo para confessar. Ela olha-me e diz: "Poeta o que tenho para lhe dizer é que hoje na cidade de Santo Antonio-RN a poesia está em festa!". E fico querendo saber qual é o motivo. Lembro do amigo Gelson Pessoa e mando mensagem para ele indagando que festa é essa. Aí, Gelson responde escrevendo:
Xexéu fez oitenta e um
Anos de muita poesia
Pois ele desde menino
No seu caderno escrevia
Poema  com o coração
Causando admiração
A todos que o conhecia.
Só então eu percebi a beleza do dia de hoje, João Gomes Sobrinho, o homem que foi gerado dentro de um útero recheado de poemas, que muito pequeno foi poeticamente batizado pela alcunha de Xexéu, o habitante maior e melhor de Santo Antonio, que ouço afirmar sem receio nenhum, tem a força superior a de uma onça que apenas passou por lá. Xexéu tem o canto que nos enebria, podemos ouvi-lo nos folhetos do cordel brasileiro,  sob a copa de uma mangueira rosa. A ele quero entregar também meus versos, ei-los:
Você é um poeta de ouro
Homem de grande valor
E hoje celebra a vida
Com belo e grande esplendor
Quisera ter o seu canto
Menestrel de puro amor.

Começou inda pequeno
No mundo do versejar
Já faz tempo meu poeta
Mas pode continuar
A mangueira rosa apoia
Não lhe cansa de louvar.

Eu derramo em seus pés
Com profunda gratidão
Por Deus ter feito você
Sem nenhuma abstenção
São 81 anos
De grande inspiração.

Receba Xexéu  dourado
Do poeta Beradeiro
Estes versos atrevidos
A um coração arteiro
Plante lá no seu roçado
Dará frutos por inteiro.
  
Mané Beradeiro




domingo, 12 de maio de 2019

VEM AÍ O 53º CORDEL DA AUTORIA DE MANÉ BERADEIRO

Contar de forma poética, dentro das regras do cordel brasileiro (rima, métrica e oração)  a riqueza das tradições juninas, recheando o texto com paisagens biográficas dos três santos celebrados no mês de junho: Santo Antonio, São João Batista e São Pedro é o resultado do mais recente trabalho do poeta Mané Beradeiro, que ele intitulou: TRÊS CABRAS DE JESUS CRISTO - SANTOS JUNINOS SIM SENHOR.
Mané Beradeiro ( foto do acervo de Rosa Régis)
São 37 estrofes em sextilhas e 1 décima no final, totalizando 232 versos que levam o leitor a fatos e lendas da vida deste trio que é festejado pela cultura do povo brasileiro, de uma forma mais intensa no nordeste do Brasil. Com a publicação desse cordel, o poeta Mané Beradeiro atinge a marca de 53 publicações de folhetos.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

ERA UMA VEZ A CASA DO ESTUDANTE DO RIO GRANDE DO NORTE

A Casa do Estudante do Rio Grande do Norte finalmente descansa em paz. Sua extinção foi decretada no ´dia 7 de maio de 2019, pelo Doutor Cícero Martins, Juiz de Direito que deu a sentença. A história dessa  instituição chegou ao fim, após  73 anos de fundação.


Atualmente o Ministério Público requereu a desocupação do imóvel onde estava instalada a Casa do Estudante, pois o mesmo encontrava-se ocupado irregularmente por várias pessoas que  não eram estudantes. A última diretoria da Casa do Estudante  foi no ano de 2010. Um relatório apresentando pelo interventor Durval de Araújo Lima, diz  "Hoje a Casa do estudante tem apenas 1 (um) morador e encontra com débitos junto a CAERN, COSERN, pendencias do CNPJ junto a Receita Federal, e junto a Prefeitura Municipal de Natal, junto ao Corpo de Bombeiros. 38 moradores não se encontravam dentro dos critérios do Estatuto e Regimento Interno, foi necessário o uso de aparato policial para a retirada de morador..." 


A instituição foi fundada em 2 de junho de 1946, prestou relevantes serviços no passado. Abrigou muitos estudantes vindo do interior. Infelizmente a Casa do Estudante não  teve a competência para sobreviver aos novos tempos. O imóvel foi outrora doado pelo Estado do Rio Grande do Norte, pela Lei nº 1.668, de 28 de janeiro de 1956, com escritura pública passada no Terceiro cartório de Natal, conforme o Livro nº 169, folhas 52 a 54v. 

O prédio é tombado pelo  patrimônio histórico  estadual, conforme Decreto nº 11.907/93. Vejam o Parecer do Conselheiro Nilson Patriota, membro do Conselho Estadual de Cultura do RN; "O prédio onde funciona a Casa do Estudante, na Praça Cel. Lins Caldas, foi construído pelo Presidente da Província, Antonio Bernardo dos Passos, com a finalidade de abrigar o Hospital da Caridade, criado pela Lei nº 335, de 10 de setembro de 1855. Já em 1856 amparava e mitigava as dores e os sofrimentos de centenas de enfermos atingidos pela epidemia do cólera. Em 1895 o edifício passou por uma restauração. Em 1906, o Governador Tavares de Lira extinguiu o hospital . A partir de 1º de janeiro de 1910 o edifício acolheu a Escola de Aprendizes e Artífices, que ali funcionou até 1913 ou 1914, quando se transferiu para outro prédio, dando lugar à instalação do Batalhão da Polícia Militar. Nos dias 23 e 24 de novembro de 1935, durante o levante comunista no Rio Grande do Norte, a velha e sólida construção resistiu às granadas e à fuzilaria dos que o atacavam. Após  a refrega, o edifício passou por uma recuperação e voltou a servir à mesma função militar de antes, até 1953, ano em que o Quartel da Polícia transferiu-se para outro prédio. Com a desocupação do imóvel, teve início uma campanha em favor da cessão do mesmo, pelo governo estadual, à Casa do Estudante, que funcionava em prédio alugado.Atendido o pleito, a Casa do Estudante ali iniciou suas atividades em 22 de agosto de 1956. De expressivo valor arquitetônico, o prédio conserva as características neoclássicas de sua primitiva construção. Histórica e arquitetonicamente é obra de relevante valor, pelo que recomendamos seu tombamento".
 
Cícero Martins - Juiz de Direito e Conselheiro
A sentença decretada pelo Juiz Cícero Martins  decreta a extinção da pessoa jurídica Casa do Estudante do Rio Grande do Norte, determina a devolução e incorporação do prédio ao patrimônio do Estado do Rio Grande do Norte e dá outras providências.

Francisco Martins
08 de maio de 2019

terça-feira, 7 de maio de 2019

UMA REVISTA COM CHEIRO DE MULHER

A  Academia Norte-Rio-Grandense de Letras entregou aos leitores a mais nova revista, a de nº 58 - referente a janeiro/março.  A primeira edição do periódico em 2019 é totalmente voltada  para o tema "Mulher e Literatura", uma sugestão da escritora Rizolete Fernandes dada à Acadêmica Diva Cunha, que propôs ao Diretor da Revista, o Acadêmico Manoel Onofre Jr.
  
A Revista está densa, com a participação das seguintes mulheres: as  Acadêmicas: Diva Cunha, Leide Câmara, Eulália Duarte Barros, Sonia Faustino e as escritoras Constância Lima Duarte, Rizolete Fernandes, Marize Castro, Midiã Ellen White de Aquino, Carmem Vasconcelos, Conceição Flores, Diulinda Garcia, Araceli Sobreira,  Ângela Gurgel, Ludmila Gesteira, Anchella Monte e a inesquecível Auta de Souza. É o mais bonito ramalhete de escritoras que a Revista da ANRL conseguiu reunir ao longo da sua existência, desde 1951. Nunca, em edições anteriores, houve uma afluência desta magnitude.
As páginas desta revista ficarão na história como perfume de agradável aroma literário. Até mesmo os homens que dela participaram volveram seu olhar para o universo feminino. O Presidente Diogenes da Cunha Lima  e  Vicente Serejo trazem a lembrança de Zila Mamede, o Editor Thiago Gonzaga balança os galhos da pitangueira em flor e mostra Palmyra Wanderley pelos jornais da imprensa brasileira, o  Diretor da Revista - Manoel Onofre Jr -  relembra  Myriam Coeli, Nelson Patriota  escreve sobre a  contista Kristen Roupenian, Valério Mesquita  presta homenagens a notáveis mulheres da sociedade potiguar, Daladier Cunha  revela que Giselda Trigueiro é nome de uma das mulheres que figura na sua lista tríplice de admiração, Jurandyr Navarro pinta em seu artigo um belo quadro de Anadil Roselli, médica natalense que poucos ouviram falar. Carlos Gomes escolheu o tema "Saudade e Gratidão" para falar sobre Anna Maria Cascudo Barreto e concluindo esta parte da revista, Benedito Vasconcelos nos transporta a um  casamento naquele tempo do sertão  dos nossos ancestrais.
A parte de contos e crônicas tem a participação de Iaperi Araújo, com o texto "Duas Irmãs" que  dá ao leitor a certeza de boas risadas. Clauder Arcanjo  no conto "A Mulher Consolação" entrega ao ledor a química salvadora que há no ato de cozinhar e escutar. Jarbas Martins, que poupa palavras, também escreveu um mini-conto "O manual amoroso de Socorro". Por último, a Revista resgata um texto de Henrique Castriciano, escrito há  111 anos,  sobre a identificação do sitio onde nasceu Nísia Floresta.
E fechando as matérias, a última parte, dedicada à poesia, degustamos da arte de Auta de Souza, Anchella Monte, David de Medeiros Leite, Lívio Oliveira, Lisbeth Lima, Paulo de Tarso Correia de Melo e Roberto Lima de Souza, num conjunto de poemas tão profundos quanto as almas desses autores.
Eis aí a Revista nº 58, com cheiro  e beleza de mulher!

Francisco Martins
07 de maio de 2019


segunda-feira, 6 de maio de 2019

O HUMOR DE MANÉ BERADEIRO - PICOLÉ OFENDE?

Mané Beradeiro estava no mercado quando apareceu uma senhora e pediu um picolé. Saiu com o sorvete na mão e se deparou com Mané Beradeiro. Antes de começar a degustar perguntou ao poeta:
-Mané, sabe dizer se picolé ofende para quem está grávida?
Mané olhou para a mulher, arregalou os olhos e de maneira bem espantada falou:
-Ofende, e muito!
-Por que?
-Porque o menino nasce fresco.

MÃE




 Mãe é palavra tão doce
 Que sinto no paladar 
 Não há amor nesta terra 
 Que possamos comparar
 Somente o amor de mãe
 Tem o primeiro lugar.

 Ela nasceu pra brilhar
 Com o seu ventre fecundo 
 Ele é quem carrega o filho 
 Com amor belo e profundo
 Só ela é quem dá a luz 
 Trazendo o filho pra o mundo. 

 O seu prazer é profundo
 O seu colo é proteção 
 O seu cheiro traz conforto
 Dar a vida inspiração 
 O seu peito verter afeto 
 Amor e sofreguidão.

 É árdua sua missão
 Não se sabe seu valor 
 Só sei que é grande tesouro 
 Não se mede seu amor
 Porque quando o filho sofre
 A mãe é quem sente a dor.

 A mãe merece louvor 
 Por que é a flor mais bela 
 No jardim da existência
 Ela é bonita e singela
 Exalando seu perfume
 Que sai do coração dela. 

 Toda mãe cuida, ama e zela
 Seu afeto é duradouro
 O seu amor logo excede
 Ao mundo pesado em ouro 
 É por isso que se diz 
 Que mãe é o melhor tesouro. 

 Quantas mães abafam o choro
 Ao ver seu filho sofrer 
 Ela faz o impossível 
 Para nenhum perecer 
 Não há no mundo quem possa 
 O amor de mãe descrever. 

 Ela é o mais perfeito ser
 Que as vezes fica invisível 
 Mas o seu amor profundo
 Serve bem de combustível
 Por isso que ela faz coisas
 Que até se acha impossível.

 Mas Deus a fez tão incrível 
 E dotou - lhe de beleza
 O seu olhar poderoso
 Só transparece pureza 
 Mãe é palavra tão doce
 Que adocica a natureza.

 Afeto e delicadeza
 Ofusca do seu olhar
 Tem o sorriso mais puro
 Quando vem nos abraçar
 Além de mostrar doçura
 Que só ela sabe amar. 

  El Gorrión 
  Itatuba-PB

domingo, 5 de maio de 2019

CAUÃ MAIS UM APAIXONADO PELO LIVRO



Foi agora, neste momento, estou na parada de ônibus e se aproxima um menino, creio que deva ter 11 anos.
- Moço o senhor foi quem escreveu O Meu Pé de Laranja Lima?
- Não, eu sou um estudioso da vida e obra do autor. Você já leu?
- Estou lendo na Escola Rubens Lemos e gostando muito!
- Que bom! Qual seu nome?
- Cauã. Onde eu posso comprar esse livro? É caro?
Meu coração acelerou. Não pensei duas vezes e garanti a felicidade daquele leitor.
- Cauã eu vou conseguir um livro para você.
O sorriso estampado selou a tarde que faz o ofício de esconder o sol. Hoje é domingo, mas juro que ouvi lá embaixo, na linha férrea o Mangaratiba apitar.
Viva a leitura!

Francisco Martins
Parnamirim RN, 5 de maio 2019 
 

quarta-feira, 1 de maio de 2019

BREVE MAIS UMA RESENHA SOBRE CORDEL

Mané Beradeiro, poeta cordelista e pesquisador do cordel brasileiro, está escrevendo mais uma resenha sobre este gênero literário. Desta feita o tema será Suspense e Terror. A resenha começou a ser escrita no dia 22 de abril e deverá ser publicada brevemente. Aguardem!

UM CONVITE ESPECIAL


Ao nosso público querido
Nós queremos convidar
Para ir ao CORDELATRO
Nos vê e prestigiar
Lá na Aliança Francesa
Numa noite espetacular.


Vai ter Cordel e Teatro
Numa grande parceria
Junção destas duas artes
Num palco com alegria
Com poetas declamando
E uma atriz misturando
Real com a fantasia.


Gélson Pessoa


"RIO DE LEITURA" HOMENAGEIA ESCRITOR MEDIADOR DE LEITURA

Eu sei que a gratidão não é moeda para ser guardada nos cofres de bancos, não deve ser usada para adquirir elogios, mas sua função, seu mérito é propagar o agradecimento. E isso que eu quero fazer nesta primeira postagem do mês de maio de 2019. Quero ser grato ao projeto Rio de Leitura, na pessoa da Professora Angélica Vitalino  por ter lembrado deste escriba, contador de histórias, manipulador de bonecos, poeta e detentor de outros talentos em prol da cultura. Extensiva são estas palavras à Professora Vandilma de Oliveira, educadora que hora serve a população de Parnamirim-RN, no cargo de vereadora, por ter sido a autora da proposição da sessão solene em homenagem aos integrantes do projeto " Parnamirim, um rio que flui para o mar da leitura". O evento foi na tarde de ontem, na Câmara dos Vereadores, com a presença de vários professores, familiares, políticos e alunos. Recebi o símbolo da homenagem pelas mãos da Professora e também Vereadora Nilda da Silva Cruz.